— Finalmente chegaste a mim!

— Tive problemas para voltar.

— E a garota?

— Tudo certo.

A minha vida nunca pareceu ter tanto sentido, antes desse momento confesso ter pensado participar de um enorme manicômio ou teatro de truques.

— Agora que estamos com a pérola em vista poderá me contar como prosseguir.

—Tem muitas lendas, Benjamim.

— Aprendi aqui que todas as lendas tem sua ponta de realidade.

— Sim, garoto. Não pense que sou mal. Ah! Não acho que irás pensar, conhece nossa causa.

— Somente o que me foi aberto.

— Está, então, pronto para conhecer o resto.

—A história tem períodos terríveis, Sim. Quando a estudamos vemos navegações sangrentas, lideres com sede de poder, pobreza e morte. Uma aula básica de história pode resumir tudo. Mas, no entanto, nem tudo está nos livros. Há coisas tão terríveis que todos fizeram questão de apagar, menos os grupos que tinham o dever de combater. Estes chamam-se, em seu geral, Prove Devil.”

— Calvários do Diabo.

— Os Prove Devil eram guerreiros da coroa responsáveis por destruir uma pedra que causou todo o drama. Deixe que eu leia para você a historia.- Disse virando-se para pegar um grosso e empoeirado livro velho.

O meu mentor limpou sua garganta e começou a ler.

“Era uma vez um Princesa que em juventude beirava os 17 anos. À sua disposição tinha um enorme castelo do qual nunca saíra, mas, maior que o castelo eram as terras de seu domínio. Não tinha um sabor revolucionário. Não tinha vontade de sair e mudar o mundo. Estava suficientemente satisfeita com a vida que levava, não conhecia nada além das muralhas de seu castelo.

A nossa pequena estava prometida a um príncipe de um rico reino distante, um príncipe muito mais velho, Derek, e iriam se naquela tarde. Uma cerimônia ao olhar do povo, a primeira vez que ela sairia do reino.

— Vossa Alteza não fica animada em saber que conhecerá seu príncipe?- Perguntou uma das arrumadeiras do castelo

— Lygia, é o meu dever. Estou feliz de poder ajudar o castelo, como deve ser.

— Não parece animada, princesa.

— Eu gosto de viver aos muros do castelo, confesso estar amedrontada com o que encontrarei.

— Aos muros não é tão bonito, mas posso lhe dizer que estará em festa.

A princesa aprontou-se para o encontro. Foi-se lá.”

—Uma pena o príncipe Derek ter imprevisto para aquela tarde. Deixou sua princesa à sua espera. Caso chegasse a tempo creio eu que tudo poderia ter sido evitado, talvez a pedra nunca fosse encontrada.

— Continue.

— Acho que devo adiantar um pouco a história, pois daqui conta que o plebeu estava em um grupo de rebeldes que atacaram a carruagem da princesa e a sequestraram. Eles pediam menores impostos e prometeram que só devolveriam a princesa com a aceitação do rei. Neste tempo eles se conheceram, para a pequena aquilo parecia brincadeira, era tudo novo e a adrenalina era “ Cocega”. Eles se envolveram e ela o explicou que precisava voltar, queria ver seu pai. A princesa prometeu falar com seu pai para que resolvesse e disse que seu casamento melhoraria tudo. O plebeu, então, traiu seu grupo e a liberou.

“ De volta ao castelo a princesa não conseguia esquecer o seu sequestrador, parecia ter deixado algo para além dos muros.

Estava decidida a o reencontrar, porém tinha esquecido totalmente de seu pedido. Um novo encontro com o príncipe Derek foi marcado, mas desta vez a princesa estava totalmente animada.”

— Deixe que eu adivinhe, lá ela encontrou o plebeu.

— Vejo que está com pressa, e está certo, sua jornada será corriqueira, não deve perder tempo. O cortejo foi em público, o plebeu o assistiu. Ao fim do cortejo, os príncipes foram dar uma volta a pedido da princesa. Ela, facilmente, fugiu do olhar de Derek e dos guardas com uma desculpa constrangedora. Encontrou-se com seu plebeu que a deu um anel roubado durante a cerimônia, todavia, como era previsto, foram descobertos. Estavam sendo vigiados pela guarda de Derek. O plebeu foi morto alí, na frente da garota.

“ O rei jurou que mataria a própria filha caso ela não conseguisse recuperar o confiança do príncipe Derek e a proposta de aliança entre os reinos. A princesa revoltou-se:

— Vossa Majestade, diante de todos os deuses, eu juro que prefiro a morte a trair meu Jhon!

— Dá-la-ei tempo para pensar, mas não por ser minha filha, sim por este casamento ser a única esperança do reino. Passará 2 dias e 2 noites trancada em seu quarto, caso não mude de idéia, é a morte que terá!

A princesa foi trancada na torre mais alta do castelo.

Na noite posterior, o líder da guarda do príncipe Derek, chamou o rei daquelas terras para conversar.

— Vossa Majesade, aconselho-o que retire o anel que o plebeu a deu!

— Anel?

—Sim, um de meus subalternos confirmou vê-la receber um anel do plebeu. Deve ser magia negra. Talvez se o tirássemos de seu dedo ela ficasse sóbria e percebesse que uma princesa deve ficar com um príncipe.

— Sim! Ordenarei agora que o retirem.

— Se é que posso opinar, diria que a esperasse dormir, eu tenho por certo que foi magia negra, mas se eu estiver errado será melhor que não provoquemos a princesa, ela logo se apaixonará pelo príncipe, porém se a fizermos ter cada vez mais raiva da situação, talvez ela não o faça a tempo.”

— Eles roubaram a anel da princesa, não obstante, deixe que eu passe a parte de ela acordar e procurar desesperadamente, certo?

“ Ao revirar loucamente a torre, a nobre achou um buraco no qual se escondiam baratas, só faltava abaixo do chão para ela procurar.

— Ele tem que estar aqui. Eu não posso perder o anel do meu Jonh!

Disse enquanto abria o caminho arrancando pedras e viu baratas subirem por onde mexia.

A princesa reparou algo brilhante. Decerto seu anel!

Abrindo mais o caminho percebeu ser maior, ao conseguir topar, levou algo semelhante a um choque, neste choque veio em sua cabeça a conversa sobre o anel que seu pai havia tido com o guarda na noite anterior. A raiva já consumia seu coração quando a princesa voltou a por as mãos na pedra e sentiu um enorme poder, já não era mais a mesma, tudo que queria era vingança. Quebrou a porta da torre e matou os guardas que se puseram a sua frente. Chegou ao salão principal.

— Eu a ordenei que...- Parou de falar quando percebeu que a já não era sua filha.

— Farei todos sofrerem como eu sofri. TODOS.”

—Começou uma batalha horrível, reinos contra aquela garota e muita morte. Foram 10 anos de muita morte. Já não se sabia se não era pedra no lugar da garota. Até que pedra a engoliu. A pequena descobriu ter matado a mãe de seu amado, tristeza deu lugar ao ódio e a garota desapareceu dentro da pedra.

— E aí?

— A pedra vem causando mais desastres, nada comparado ao que aconteceu naquele momento, ela nunca mais aceitou um mestre como aquela garota. A pedra prendeu uma rainha grávida que viu seu reino cair. Nasceu um coração puro dentro da pedra, ela o prendeu pelo tempo que o ódio de suas outras gerações permitiu, no entanto, recentemente a liberou

— É a Sofia.

— Sim, o nome da princesa era Sofia e o da garota que você buscará, por incrível que pareça, também. Nós acreditamos que a garota se tornou a pedra e matar a garota é o único jeito de impedir que a pedra aja. A garota é uma bomba-relógio, assim que o ódio tomar conta de seu coração, tempos ruins virão.

— Então vocês querem que eu mate a garota?

— Exatamente, Benjamin!