Tale As Old As Time.
68 Tale as Old as Time.
Notas iniciais
Despertei de súbito com um solavanco e no impulso segurei-me nas laterais para não cair. Não estava em minha cama, sequer estava em meu quarto. Meu coração estava aos pulos pelo susto. Só no segundo seguinte olhei em volta para ver onde estava. Uma carruagem, muito familiar por sinal. Com a respiração um pouco acelerada, senti quando a carruagem parou. Levei a mão à porta para descer, parando de súbito com o que meus olhos viram: mãos jovens sob a luva rendada, sem rugas, sem manchas do tempo. Em mim, percebi, estava um vestido de baile.
A porta da carruagem se abriu e eu desci com uma agilidade que há muito fora esquecida. Algo em algum lugar no fundo de meu ser parecia saber o que estava acontecendo. Diante de mim estava a casa dos Kirke, música vinha lá de dentro. Meu peito inflou com a sensação de alegria pura junto com um frio que subiu por minhas costas. Ergui a saia do vestido e subi os degraus da entrada até as portas duplas que se abriram diante de mim num movimento elegante.
Os convidados paravam e me observavam conforme adentrava o salão. Lentamente abriram caminho, e uma sensação mais forte guiava meus passos enquanto seguia por entre eles, pela passagem que abriam enquanto sorriam para mim com doçura. Caminhei para o interior do salão, meu coração batia forte e a emoção bradou quando a base da escada surgiu a minha frente com Raphael e Catherine de pé ali, como se me aguardassem. Sorriram para mim e eu sorri de volta, indo até eles. Quando os alcancei, ainda sorrindo, olharam para o alto das escadas tão familiares.
Acompanhei seus olhares, e então o vi. Parado no alto do primeiro lance, onde as escadas de dividiam, naquele traje de gala. O rosto jovem como o conheci, os cabelos escuros impecáveis. Roubou-me o ar ao sorrir para mim. Olhei para Raphael e Catherine mais uma vez e seus olhares estavam em mim. Com uma mensagem sutil em suas expressões, encorajaram-me assentindo.
Com o sorriso largo, Caspian estendeu a mão para mim. Sem tirar os olhos dos dele — sentindo o quanto aquele olhar fizera falta -, subi degrau por degrau ouvindo longe a melodia daquela música entoada no baile de Lúcia. Cada degrau parecia uma eternidade, mas Caspian permaneceu com o braço estendido, sorrindo, até que eu o alcançasse. Há dois degraus de distância, borboletas levantaram vôo dentro de mim, no mesmo momento que meus dedos deslizaram pela palma de sua mão e ele segurou a minha.
Fim.
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