Taking Over Me
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Tive a ideia pra essa história faz um bom tempo já, em conversas (civilizadas) na internet a respeito do mal aproveitamento dos poderes de muitos personagens em Fairy Tail, e realmente gostei da trama que se desenrolou naturalmente na minha mente. Quando lembrei da música do primeiro álbum de Evanescence que dá nome a história pronto, foi automático, o capítulo se escreveu praticamente sozinho.
Essa fanfic será curta, dificilmente chegará aos dez capítulos, mas estou muito empolgada em escrevê-la. Espero ser correspondida!
Boa leitura!
"You don't remember me
But I remember you..."
(Você não se lembra de mim
Mas eu me lembro de você...)
Estava um lindo dia.
Caminhando a passos leves na direção da guilda que tanto amava, tendo em mãos a encomenda de sua irmã, a pequena Strauss sorria sentindo o sol acariciando seu rosto.
É, era um dia perfeito para se estar viva e em casa.
– Mira-nee, voltei!
– Hahahahaha, ai meu estômago!
Da porta, ela ouvia a ruidosa gargalhada do Dragon Slayer de fogo, socando a mesa e já meio ofegante. Sentados ao seu lado estavam Happy, que também ria descontroladamente, além de uma Lucy irritada (bom, isso era normal já), um Lily divertido e uma Levy que, ao que parecia, não sabia se ria ou se desculpava.
– Ah, obrigada Lisanna, pode deixar comigo agora!
A mais nova assentiu e resolveu se aproximar, curiosa. O que poderia ser tão engraçado assim?
– Bom dia miina!
– Bom dia Lisanna! — As garotas sorriram pra ela, mas dois segundos depois Lucy voltou a se irritar. Natsu aos poucos recuperava a frequência respiratória normal.
– O que é tão engraçado, eu posso saber?
– Ah,é que...e-eu acho que a culpa foi minha.. — Levy parecia menos culpada do que deveria.
– Como assim?
– É por isso! — Lucy mostrou a ela um caderno simples, de capa azul. Lisanna ficou ainda mais confusa.
– Err...contexto?
– A Levy-chan anota nesse caderno todos os tipos de mago que ela conhece e os classifica por nível de magia, ataque, defesa e personalidade. PERSONALIDADE!
Natsu respirou fundo.
– Aiai...Levy, lê de novo a parte que fala dos magos celestiais, por favor?
Levy mordeu o lábio, mas recitou travessamente, as palavras já decoradas:
– "Magos Celestiais: Quase sempre mulheres, em geral muito bonitas. Não utilizam magia diretamente, mas dependem de espíritos das chaves estrelares para lutar. O poder varia dependendo do(s) espírito(s) invocado(s) e do poder latente do mago, mas não costuma ser muito alto. A defesa é ainda menor. Quanto à personalidade, costumam ser narcisistas, ousados levemente egoístas e teimosos, mas leais a seus ideais. Apesar de trabalharem mal em equipe, odeiam ficar sozinhos."
Lisanna bufou e tentou segurar, mas não conseguiu e explodiu em uma gargalhada, tentando em vão cobrir a boca com uma das mãos. Natsu tornou rir, assim como o Happy e mesmo o Lily.
– É a Lucy mesmo! — Happy teve as suas bochechas puxadas por mãos vingativas.
– Eu não sou narcisista, seu gato maldito! Levy-chan, como pôde fazer isso comigo? — A loira choramingava para a baixinha.
– Não tive a intenção Lu-chan, é que a maioria dos magos celestiais que eu encontrei até hoje erammuito parecidos! — Ela sorriu amarelo.
– M-mas nem você pode negar Lucy, só de lembrar quantas vezes você tentou conseguir alguma coisa mostrando os peitos... — Natsu debochou.
– E não conseguiu! — Happy piorou a situação, fazendo a loira fervilhar de raiva e vergonha.
– Levy-chaaaaaan...
– Quais os outros tipos de magos que você escreveu aí, Levy? — Lisanna tentou diminuir a aura agressiva que só crescia.
– Ah, todos os que eu conheço. Magos de escrita, magos de fogo, de água, magos de reequipagem, magos de pintura, do tipo body modification, invocadores de almas, manipuladores de objetos, e é claro, Dragon Slayers!
A loira bateu na mesa:
– Dragon Slayers, fala dos Dragon Slayers!
Lucy queria desesperadamente se vingar, e devolveu o caderno à amiga. Levy o folheou brevemente e encontrou a página que queria.
– "Dragon Slayers: Geralmente homens. Sua magia pode ser aprendida através dos ensinamentos dos próprios dragões ou obtida por lacrimas. Geralmente são fortes tanto fisicamente quanto magicamente, e possuem uma obssessão pela dominância que beira o ridículo, lembrando cães disputando um território. Ataque e defesa altos, assim como o nível de irritabilidade, mas não primam pelo quesito inteligência. Possuem um estranho apego por mascotes. São focados em seus objetivos, nem que pra isso precisem varrer cidades do mapa, mas não demonstram muito bem os seus sentimentos. Ainda há muito o que se estudar sobre essa magia, inclusive sobre quem a criou. Seu maior ponto fraco: qualquer coisa que se mexa."
Agora foi a vez da loira dar risada.
– Hahahaha tomou, Natsu? Burro feito uma porta, parecendo um vira-latas! — Ela apertou a barriga, e Lisanna riu junto com ela. — Sabe como se derrota um Dragon Slayer? É só jogá-lo dentro de um carro e esperar!
Os exceeds não se aguentaram e começaram a rir, e nem mesmo Levy se aguentou, gargalhando alto.
– Tenho que concordar com cada linha do que escreveu, Levy. Eu convivo com um e sei como é isso. — Lily tentava inutilmente manter a sua compostura.
– Haha, acho que só mesmo a Wendy não se encaixa bem nessa descrição. Será que Dragon Slayers fêmeas são diferentes dos machos? — Lisanna enxugou uma lágrima.
– Isso eu não sei dizer, ela é a única que tenho notícias.
Lucy, repentinamente, arrancou mais uma vez o caderno das mãos da amiga e folheou decidida.
– Lu-chan, o que está procurando?
– Isso aqui! — Ela apontou com o indicador em um trecho específico. Levy corou e tentou roubar o objevo de volta, mas Lucy tinha a vantagem da altura. — Magos de escrita!
– Lê pra gente, Lucy! — Happy de empolgou, abrindo as asas. — Natsu, segura a Levy!
– Tá!
O rosado agarrou a pequena por trás e segurou seus braços com firmeza, impedindo que ela atrapalhasse a leitura. Lucy fez uma pose de intelectual e começou:
– "Magos de Escrita: Sua principal arma é a inteligência e o pensamento rápido, além do amplo conhecimento dos significados das palavras e diversos tipos de linguagens e dialetos. Geralmente utilizar runas para evocar a sua magia. O poder de ataque varia dependendo do usuário, mas a defesa costuma deixar a desejar. Quanto à personalidade, costumam ser sérios, tímidos, um tanto pervertidos e escandalosos em certas situações, mas amigáveis e confiáveis. Possuem, em geral, a péssima tendência de se apaixonarem pela pessoa errada."
Todos na mesa inflaram as bochechas, sufocando o riso e debochando baixinho da maga epicamente vermelha nos braços de Natsu.
– "Um tanto pervertidos"? "Se apaixonar pela pessoa errada?" Ow, Levy-chan... — Lucy não se continha.
– N-não é isso, e-eu me baseei em dois magos de escrita que conheci ano passado e...ahh, Lu-chan!
– Se bem que, se formos considerar o outro mago de runas que temos na guilda... — Lisanna apontou discretamente um Freed efusivamente grudado aos pés de um Laxus entediado.
Eles tornaram a rir, amenizando um pouco a vergonha de Levy. Esta suspirou quando o rosado finalmente a soltou, arrancando suas anotações das mãos da nakama.
– Gomene Levy-chan, mas eu precisava fazer isso!
– Hmpf...vai ter troco, Lu-chan!
– Minha vez, minha vez!
Happy escolheu uma página aleatoriamente, e os nakamas riam entre si das observações sensatas que a pequena fizera. Por exemplo: magos de reequipagem costumam ser firmes e sérios no trabalho, mas péssimos no campo amoroso. Magos de gelo eram teimosos, cheios de testosterona e cheios de si, atraindo certa atenção do sexo oposto para si. Manipuladores de espíritos eram...peculiares, foi a palavra que ela encontrou.
Até que a albina tomou o caderno para si e procurou a própria categoria.
– Nee nee Levy, não tem nada sobre Take Overs aqui? Quero ver o que escreveu de mim. — Ela sorriu maliciosa.
– Claro, procura na página 7, foi um dos primeiros que escrevi!
Ela folheou as páginas de trás para frente, os demais aproveitando este momento para voltar a respirar.
– Tá aqui! "Magos Take Over: Apresentam grandes habilidades e uma vantagem incontestável obtida através das diversas opções de body change. É um tipo específico de magia física que exige total conhecimento e poder sobre aquilo na qual o usuário deseja se transformar, ou ele corre o risco de perder o controle sobre si mesmo. Ataque e defesa variam de acordo com cada transformação. Quanto à personalidade, são inconstantes e é certeza que todos os usuários desta magia sofrem de um grave distúrbio de personalidade; seria devido à constante mudança corporal?"
– Todos eles? — Lucy questionou, olhando de esgueira para uma muy sem graça Lisanna.
– Tive contato com outros magos deste tipo além dos que temos aqui e, vai por mim Lu-chan, todos, sem exceção, tinham um comportamento imprevisível. Um deles era especializado em Take Over do tipo Copy Soul, em que você se transforma em qualquer pessoa que deseja, mas daí a personalidade dele mudava conforme a pessoa que ele virava!
– Realmente, se for pensar na Mira e no Elfman, está certo! — Happy filosofava em cima dos ombros de Natsu.
– Não sei, acho que você não se encaixa nessa descrição...será uma exceção? — Lily perguntou, as patinhas cruzadas.
– Verdade, a Lisanna é tão fofa, não é mesmo? — Lucy puxou suas bochechas e bagunçou os fios brancos e curtos. Lisanna corou. — Não a imagino agindo de outro jeito.
Instantaneamente, Natsu congelou e desviou o olhar.
– Vai por mim Lucy, essa daí é bastante cruel quando ela quer...parece até um demônio.
– Como assim, Natsu?
– É, como assim, Natsu? — O tom de voz da Strauss era perigosamente açucarado.
– Ainda pergunta? Eu ainda lembro daquela vez que você...no frio...cuecas...lá fora...
A fala do rosado se tornara desconexa, e ele tremia. Lisanna sorria maliciosamente.
– Eu te disse que não desse doces pro Happy antes do jantar, não foi? Passei a noite toda com ele tendo dor de barriga, ainda acho que seu castigo foi pequeno...
Os presentes se assustaram de leve com a diferença no olhar da nakama, parecendo até com sua irmã mais velha.
– Happy, isso é verdade? — Lucy perguntou baixinho ao gato.
– Não sabia disso, eu só notei que o Natsu tinha sumido naquela noite mas nunca soube o que aconteceu... — Ele sussurrou, para logo em seguida falar mais alto — Ó Lisanna, eu juro que nunca mais comi doces antes do jantar, só peixe, viu?
Ela voltou a sorrir carinhosa e afagou as orelhas do pequeno. Happy quase ronronou de alívio.
Lucy lia a página por cima do ombro da albina, notando com curiosidade algo que ela não comentara:
– Ah, tem uma anotação aqui no rodapé. — Pegou gentilmente o objeto. — "Tem outra característica que parece estar presente em todos os magos do tipo Take Over, que é a existência de uma determinada transformação que eles não conseguem dominar. É sempre uma forma extremamente poderosa, mas destrutiva tanto para os que estão ao seu redor quanto a si mesmo. Seu corpo se desgasta bastante, sem contar a exaustão psicológica. É comum que o único modo de reversão seja a derrota seguida de nocaute, e os usuários evitam a todo custo chegar a este extremo."
Sem que ninguém notasse, a Strauss engoliu em seco e seus olhos se nublaram. O clima na mesa perdeu um pouco de sua descontração, a azulada parecendo culpada.
– Isso também é verdade... — Lucy murmurou, mas logo depois se calou.
– A Mira-nee e o Elf-niichan tem transformações desse tipo, todos se apavoram quando eles ameaçam usá-las!
A intenção de Lisanna era puramente deixar o ambiente leve mais uma vez, mas o golpe saiu errado quando Lily se aproximou intrigado:
– E você, também tem uma dessas?
Ela notou que devia ter feito uma expressão muito surpresa ou estranha, visto o recuo imediato do ex-militar.
– Ah, me perdoe, fui invasivo, não precisa responder...
–Eu tenho.
Happy ergueu os olhos para a "mãe". Ela se esforçava pra se manter firme.
– Levy-chan está certa. Eu também tenho uma transfomação que não consigo controlar e que traz...problemas a todos. Só usei duas vezes, mas foi um desastre.
Estava claro que ela se forçava a sorrir, mas o rosado não se conteve:
– Que transformação é essa? Não lembro de ter ouvido falar de algo assim.
O rosto dela se assemelhava ao de alguém que fora atingido por um soco no estômago, mas foi rápido o suficiente pra que eles não percebessem. Então, Lisanna ergueu o polegar e tocou a ponta do nariz dele, soletrando:
– Se-gre-do, dragãozinho curioso!
– Lisanna-san!
Graças a Mavis! Ela nunca ficara tão feliz em ouvir a voz de Juvia na vida, e se virou a tempo de ver a maga correndo em sua direção.
– Juvia está pronta, podemos ir?
– Ah claro! Sumimasen miina, mas eu prometi que ia fazer compras com ela... — Se desculpou com as mãos juntas e uma leve curvatura.
– Claro claro, tenta fazer essa teimosa usar outra cor além do azul! — Lucy debochou.
– Hai, que tal rosa ou preto? Aposto que você ia ficar linda usando turquesa, Juvia.
Os magos observavam com atenção as duas se afastando com um sorriso. Três segundos depois, Lucy estapeava a cabeça de seu nakama.
– Ai! O que eu fiz, Luce?
– Seu idiota, pra quê foi perguntar aquilo? Não viu que ela não queria falar sobre isso?
– Mas eu tava curioso! Eu conheço a Lisanna há anos e nunca ouvi falar de nenhuma transformação que ela não pudesse controlar.
– Natsu, todo mundo tem segredos, inclusive, quanto mais achamos que conhecemos um certo alguém mais ele nos suspreende! — Levy apontava para o seu rosto. — Se ela quiser contar ela conta, mas não a pressione, deve ser algo que a machuca ou mesmo envergonha.
Natsu se emburrou mais uma vez e cruzou os braços, insatisfeito. A loira viu ali uma excelente oportunidade de tirar uma da cara de sue nakama:
– Owww Natsu, não me diga que está magoadinho só porque ela escondeu uma coisa de você, que fofo... — Sorria com malícia e puxava as suas bochechas. — Nosso Natsu está crescendo!
– Ruxy, me deiha! — Ele prostestou, fazendo-na rir.
– Vamos deixar isso pra lá e comer alguma coisa? Estou faminta!
– Concordo Levy, acho que ainda tem suco de kiwi no bar...vou perguntar à Mirajane.
– Será que tem vitamina de atum?
Os olhinhos dos dois exceeds brilhavam de ansiedade, e os demais os acompanharam rindo, o caderno pruentemente guardado na bolsinha da maga Solid Script. Sentaram-se ao balcão e fizeram os seus pedidos. Mas Lucy não pôde deixar de notar o quão quieto estava o seu parceiro, debuçado na madeira e com o olhar distante. Franziu os lábios, inquieta.
"Acho bom que o Natsu não resolva desenterrar essa história, certamente a Lisanna quer manter esse segredo. Ou...talvez não, senão teria mentido sobre ter uma forma superior. Ahhh esquece, melhor esquecer, vai ser melhor assim."
Obviamente ela não tinha ideia, comendo seu sanduíche despreocupada, mas o que começara com um simples caderno e intenções inocentes culminaria em algo extremamente mortal e doloroso...
Notas finais
Como disse, será curta, mas uma ideia à qual eu me apeguei muito. Kissus, té mais e comentários, please ;)
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