Taking Chances
13 O jantar: parte 1
Notas iniciais
Meus pais e eu saímos de casa às 19h30min. Tinha colocado um dos meus antigos vestidos, afinal não tinha trazido tantas roupas assim de New York.
A casa de Finn não era tão distante da minha, mas a sensação era de que passaria uma eternidade até chegarmos. Fiquei muda o caminho todo. Às vezes, papai Hiram olhava para mim, claramente percebendo que algo estava errado, mas preferiu não falar nada também.
Quando, finalmente, o carro parou pude ver a silhueta de Finn na pequena varanda. Fiquei um pouco nervosa, mas estava pronta para resolver aquilo de uma vez por todas.
Nós três seguimos em direção à porta e Finn recebeu meus pais educadamente.
– Boa noite senhores Berry, Rachel. Como estão? – ele falou abrindo a porta.
– Muito bem, e você garoto? – respondeu papai LeRoy.
– Ótimo, sejam bem vindos. Sintam-se a vontade.
Assim que entramos, fomos recebidos por Carole, Burt e Kurt. Enquanto nos cumprimentávamos, Finn segurou de leve meu braço.
– Posso conversar um minuto com você? – cochichou.
Assenti e pedi licença aos demais.
– Pode ir querida, não se preocupe! – falou Carole sorrindo.
– Obrigada. – respondi.
Virei-me e voltamos para a varanda. Assim que a porta se fechou, ele disse:
– Me desculpe Rachel. Sério. Eu não deveria ter descontado o meu stress em você e...
– Shhh – o parei colocando as mãos em seu rosto – Olha, eu também não estava certa. Pensei muito no que Kurt falou e ele tem razão... Temos que nos unir. Então, me desculpe também. Eu te amo e tenho certeza que resolveremos isso juntos.
– Eu também te amo. – disse ele me abraçando – Vamos.
***
Conversamos com os demais convidados, sentados nos aconchegantes sofás da sala de estar, até Carole nos chamar à mesa.
A sala de jantar estava delicadamente arrumada, a grande mesa retangular cheia de pratos deliciosos. Burt sentou-se na ponta dela, assumindo a posição de patriarca da família. Sentei-me à sua direita, entre Finn e Kurt. Sentamos à minha frente estavam, Carole, papai Hiram e LeRoy respectivamente.
Após agradecer a presença de todos, Burt e os demais se serviram. Carole teve a delicadeza de preparar pratos vegetarianos para mim, e eu já não conseguia esconder o fato de que estava comendo cada vez mais e que sentia muita fome.
Todos comeram silenciosamente até que papai Hiram comentou:
– Meus parabéns, Carole! Este jantar está delicioso!
– Obrigada. – agradeceu ela, limpando o canto da boca com o guardanapo.
– Vocês aceitam vinho? – perguntou Burt.
Neste momento, estava conversando com Kurt e não percebi que seu pai estava servindo todos da mesa. Quando ele estava prestes a me servir praticamente gritei, sobressaltada:
– Não!
Todos pararam de fazer o que quer que estivessem fazendo e me olharam em completo silêncio. Pude ver, pelo canto dos olhos, que Finn estava apreensivo, esperando pela minha explicação tanto quanto os outros.
– Hmm, é... Me desculpe – dei um risinho – não percebi que estava nos servindo! – disse à Burt. – Não vou beber hoje, afinal, alguém tem que dirigir não é? Desculpe.
– Tudo bem. – respondeu Burt.
O clima ficou estranho, mas todos pareceram aceitar minha desculpa. Finn suspirou aliviado e senti uma gota de suor descer por minhas costas. Kurt serviu-me água.
Um pouco depois que Burt se sentou, terminamos o prato principal. Carole estava preparando a mesa para a sobremesa quando papai Hiram disse:
– É uma gentileza vocês terem nos convidado para jantar, mas, sem querer ofender, existe alguma razão para estarmos aqui? Quer dizer... Foi um tanto inesperado...
Ao dizer isso, ele me olhou fixamente. Pude ver que desconfiava de algo. Estou muito ferrada!
– Engraçado você perguntar isso porque a ideia foi de Finn. Ontem ele praticamente implorou para que o evento ocorresse hoje. – respondeu Burt.
– Claro que nós adoramos tê-los como visita, mas realmente foi um pouco apressado! – concluiu Carole com um risinho.
Olhei para Finn. Essa era a nossa deixa.
– Ram rum – limpou ele a garganta. – Hmm... Na verdade, n-nós temos algo para dizer.
Ele segurou a minha mão por debaixo da mesa e todos nos olharam. Ficamos assim por cause um minuto completo. Nenhum de nós conseguia falar nada e novamente nos olhamos. Respiramos fundo e dissemos juntos:
– Rachel está grávida.
– Vocês serão avós.
Fale com o autor