Take me back to the start
1 Capítulo Único
Notas iniciais
“Estou indo te encontrar, dizer o quanto lamento
Você não sabe o quanto é adorável
Eu tinha que te encontrar, dizer que preciso de você
E dizer que eu que te afastei
Me conte seus segredos, me faça as suas perguntas
Oh, vamos voltar ao começo”
Uma garota de cabelos curtos de um loiro-alaranjado olhava por uma fresta na janela, a neve gélida cair delicadamente por uma brisa suave. Boa parte de seu corpo estava descoberto, e ela não parecia se importar com a frieza, apenas olhava com tristeza a neve adentrar o local.
“Gin, o que você quer de mim?” Ela pensava “Onde você quer chegar?”
Observando aquela neve cair, surgiu a imagem que apenas ela podia ver, olhou com tristeza para ela. Ichimaru Gin estava andando para longe de si. A imagem de suas costas se tornou tão comum para ela e ela não queria isso, e por mais que tentasse era inevitável não vê-la novamente.
– Conexão estabelecida! – A voz de Isane ecoou por todo o Seireitei tirando a loira de seus devaneios. – Aos capitães, tenentes e outros oficiais dos 13 Esquadrões e também aos ryokas. Quem fala é a Tenente Kotetsu Isane do 4º Esquadrão, é uma emergência. Esta transmissão é uma mensagem minha e da Capitã Unohana Retsu do 4º Esquadrão. Tudo o que irei dizer é verdade.
– O capitão... Foi derrotado? – Matsumoto Rangiku pensou alto. – E... Gin... É um traidor. – Uma pontada de tristeza a atingiu.
Matsumoto Rangiku tinha acabado de derrotar Izuru e não podia acreditar no que Isane havia dito. Levantou a cabeça, colocou uma mão sobre peito, seu coração batia forte e ela tentava se acalmar. Assim que se recuperou do susto se dirigiu imediatamente para o Soukyoku, onde Aizen, Tousen e Gin, deveriam ser capturados.
O que estava acontecendo com Ichimaru Gin? Certo que ele era complicado e de certa forma misterioso, mas Matsumoto nunca iria imagina-lo como traidor. Aquilo martelava na cabeça da fukutaichou até encontrar Soi Fong e Yoruichi um pouco depois e as três se dirigiram para o Soukyoku.
Antes de chegarem elas decidiram que Soi Fong e Yoruichi iriam ficar responsáveis pela captura de Aizen e Matsumoto cuidaria de Ichimaru. Rangiku sentiu gratidão pela decisão, além de querer ouvir o que Gin tinha a dizer, Rangiku sabia que apenas ela seria capaz de fazer aquilo. A tachou da divisão 2 e Yoruichi apressaram os passos, tinha que chegar antes que fosse tarde e as duas estavam contando com Rangiku. As duas aproveitaram o ataque surpresa de Jidanbou e Kuukaku, para pegar de surpresa Aizen. Rangiku vinha por trás de Ichimaru, seria bem mais fácil pega-lo assim.
– Nossa, quanta exibição! O que faço? – Brincou Gin, levantou sua mão esquerda se preparando para o que iria fazer contra Soi Fong e Yoruichi, mas não esperava que Rangiku o segurasse e nem pela zanpakutou apontada para seu pescoço.
– Não se mexa. – Matsumoto o encurralou contra o peito.
– Lamento, Capitão Aizen... Ela me pegou. – Rangiku tinha certeza que as palavras dele estavam repletas de sarcasmo.
Seu coração batia tão forte que estava quase para sair pela boca, mas ela não daria o braço a torcer, reprimiu aquele sentimento o mais forte que conseguia. E isso queria dizer que tinha sido um fracasso. Matsumoto não conseguia entender como Gin a desvendava tão bem, parecia algo surreal, mesmo que ela tentasse, mesmo que fizesse com toda a vontade que tinha ele sempre sabia o que se passava com ela, como se fosse uma coisa obvia. Obvia aos seus olhos.
– Não queria magoa-la. – Ela não teve certeza se aquilo tinha sido verídico.
– Você sabe mais do que ninguém que eu já estou acostumada.
Ela encarou as costas dele, as costas que inúmeras vezes via se distanciar de si, desaparecer e depois de um longo tempo voltar como se nada tivesse acontecido. Os olhos azuis dela se enxerem de lágrimas, lágrimas estas que não iria deixar cair, e com uma força quase inexistente as fez cessar. Torceu para que ele não tivesse notado, mas quando ele ameaçou virar seu rosto para olha-la ela sabia que ele tinha sim, percebido.
Apertou mais a zanpakutou contra seu pescoço e segurou sua mão com mais força, ele não virou. Desde o começo, bem lá no fundo a fukutaichou sabia que ele se deixou ser capturado, e se quisesse mesmo se livrar ele o faria sem o mínimo de esforço. Mas, por que continuava ali? Por que Ichimaru Gin não ia libertar Aizen de Soi Fong e Yoruichi?
– Você está decepcionada? – Ele se pronunciou. Tudo que acontecia à frente deles, todo aquele tumulto, para os dois, já não tinha importância.
– Esse seu péssimo hábito de sumir sem dizer para onde vai me mata aos poucos. Você nunca se importou comigo.
– Você não sabe de nada, Rangiku. – Ele respondeu muito rápido. – Você é a única pessoa que eu me importo, e por isso o mais seguro é você ficar longe de mim. – Falou calmo. – Dessa vez eu não vou voltar. – Ela engoliu em seco. – Nunca quis te magoar, Rangiku.
Ela tentou disfarçar a tristeza, mas o seu peito ardia demais. Era uma dor que beirava o insuportável.
– É tarde para dizer isso.
– Estou sendo sincero.
Ela sentiu suas pernas fraquejarem, sentiu seus olhos encherem de lágrimas outra vez, se amaldiçoou por estar sendo tão franca. Ela nunca foi fraca, nem quando Gin partiu sem dizer para onde ia e a deixou sozinha em Rukongai e nem nas outras inúmeras vezes que ele sumiu, nunca, ela sempre se manteve forte. Matsumoto não podia ser frágil, era uma fukutaicho e por mais que tentasse ser indiferente, não conseguia. Sempre afogava suas tristezas em sake. Ela baixou a cabeça e tocou levemente o ombro de Gin com a testa, ela ainda segurava fortemente o pulso dele e ele não se importou, tanto que o abaixou levemente e com as costas da mão, sentiu aquele cabelo loiro sedoso.
– Por favor. – Rangiku nunca sabia dizer o que sentia para ele, sempre fora assim. – Não vá, Gin.
“Ninguém disse que era fácil
É uma vergonha estarmos separados
Ninguém disse que era fácil
Ninguém nunca disse que seria assim tão difícil
Oh, me leve de volta pro começo”
Ela sentia que Gin queria virar, mas não o fez, apenas se mexeu levemente do lugar, se satisfez por apenas virar rosto para o lado e deparou com aqueles cabelos sedosos, os cabelos de sua Ran-chan. Não se arrependia das decisões que tomara, muito menos das escolhas que tinha feito, sabia que no momento certo, receberia sua recompensa por ser leal aos objetivos de Aizen. Mas, apesar de tudo, ele sabia que o que nutria por aquela mulher era maior que tudo. E no fundo ele também sabia que aquele dia chegaria, apenas tentava se convencer que não e aquela era a triste despedida deles.
Rangiku levantou levemente a cabeça e olhou para o rosto de Gin, seus olhos, quando abertos, tinham um azul tão intenso, tão vívido que ela se perdeu naquele mar. Passou por um instante, pela sua mente, ir com ele, por um momento ela queria deixar tudo e se juntar à ele. Mas, ela sabia que não podia fazer isso, e ele não iria a deixar ir junto, Gin queria o bem para a única pessoa com quem ele se importava.
Gin se aproximou, ela não conseguiu se mexer e também não queria. Naquela posição um pouco incômoda ele beijo-a. Uma chama ardia no coração dos dois, e ambos saborearam com desejo e luxúria os lábios um do outro como nunca tinham feito antes, pois sabiam que era a última vez.
Os Shinigamis à volta sequer perceberam, estavam paralisados com os Menos Grandes que surgiram do céu. Negashio. Tamanho susto que levou quando viu aquilo o atingir, deu um pulo para trás, encarava com olhos pasmados e inexpressivos aquele na sua frente. Seus músculos estavam tensos e contraídos, ela mantinha-se pertinentemente surpresa e imóvel.
– Que pena. – O tom contrariava o que Ichimaru Gin acabara de dizer. – Seria bom se minha captura durasse um pouco mais. Adeus Rangiku. – Olhou para a fukutaichou, em seu rosto havia um sorriso, mas não aquele sorriso cínico e maldoso que sempre fora presente em seu rosto e sim um sorriso de desapontamento, de decepção e desilusão. – Desculpe-me.
Foi tudo que ele disse antes de partir com Aizen para longe do alcance dela.
“Há pouco eu estava pensando em números e dígitos
Solucionando um quebra-cabeças
Questões de ciência, ciência e progresso
Não falam tão alto quanto meu coração
E diga que me ama, volte e me assombre
Oh, e eu corro em direção ao princípio”
Mesmo ferida, Rangiku chegou à verdadeira Karakura em Soul Society. Arisawa Tatsuki e Don Kanonji estavam em apuros, se não fosse por Rangiku que chegou há tempo e mandou os dois fugirem, apesar da insistência tola de Don Kanonji em dizer que não era para uma garota se intrometer, ela não se importou, disse de maneira convicta de que cuidaria dos dois. Ela sabia que o que estava fazendo era loucura, mas mesmo assim estava ali, frente a frente com Aizen e... Com Gin.
– Quando disse que chegou há tempo, se referia em deixar que aqueles humanos fugissem? – Perguntou Aizen. Sua aparência estava diferente, o Hougyoku estava fundido a si. Entretanto, Rangiku não demonstrou medo. – Ou será que foi para evitar que Karakura desapareça e que a Chave Real seja forjada? Bem, não importa o que seja, está enganada. – Ela não respondeu, não conseguia formular uma frase. – O que foi? Tem dificuldade para conversar comigo?
– Capitão Aizen, perdoe essa minha ex-amiga. – Gin se intrometeu. – Vou leva-la para outro lugar.
– Não tem problema, temos tempo sobrando. Podem conversar com calma.
– Não iria atrapalhar? – Tentou convencer.
– Nada disso.
Foi tudo tão rápido, Gin correu até Ragiku e a segurou com força, um redemoinho de fumaça se formou ao redor dos dois. Os dois surgiram bem longe voando no céu, Gin ainda a segurava com força, ela se contorcia um pouco.
– Me solte!
E ele a soltou, a loira estava bastante machucada da luta que teve anterior que quase custou sua vida, então foi difícil de estabilizar no chão, já Gin não fez esforço algum para pousar. Rangiku respirava com dificuldade, o esforço foi muito.
– Está machucada. Por que veio aqui?
– A reiatsu de vocês desapareceu, e por isso vim na frente usando um portal! – As palavras dela estavam hesitantes. – Afinal, eu já sabia onde estava Karakura!
– Não estou perguntando como veio pra cá, estou perguntando por que veio desse jeito, quase caindo.
Passaram-se longos segundos e algumas trocas de olhares até Rangiku responde-lo.
– Já sabe a resposta. Foi por sua causa. – O sorriso no rosto de Gin desapareceu. – Finalmente posso perguntar diretamente a você, por que está trabalhando para o Aizen? Por que traiu Kira que confiava tanto em você? – Rangiku não teve coragem de perguntar o que realmente queria. Gin sabia que ela não tinha ido até lá saber sobre Kira, era tão óbvio.
– Está mesmo falando sério? Está mesmo falando do Izuru, e sobre confiar e ser traído? – Deu um sorriso sem vestígios de graça alguma. – Céus... Você não devia ter mesmo vindo. – Se aproximou dela e tocou o colar que Rangiku sempre usava. – Sabe, Rangiku... – Quando deu por si, Gin estava apontando a Zanpakutou para ela – Está atrapalhando. – A mão da loira foi direto para o cabo de sua Zanpakutou, mas já era tarde, a Zanpakutou de Gin brilhou causando uma irritação nos olhos dela.
Gin não a machucou, apenas a deixou inconsciente e a colocou cuidadosamente deitada no chão, estaria mais segura ali. Depois foi embora.
Pouco tempo depois, Rangiku acordou assustada, todo o seu corpo estremecia perante uma sensação ruim! Se levantou bruscamente, mas logo de arrependeu quando a dor no local do ferimento a atingiu, levou a mão até o machucado, respirava ofegante. Entretanto, nenhuma dessas coisas era de importância.
– Essa sensação... Gin!
“No futuro você vai se transformar em uma cobra. Quando você começar a engolir pessoas, e com essa mesma boca que as engoliu dizer que me ama... Será que serei capaz de dizer o mesmo que hoje, será que serei capaz de dizer que te amo?”
Uma explosão aconteceu, as paredes daqueles prédios foram todas ao chão, quando a poeira baixou Aizen surgiu com uma aparência diferente, ele estava com enormes asas que lembrava as asas de uma borboleta. Os amigos humanos de Kurosaki Ichigo que estava ali perto caíram por não aguentar a reiatsu de Aizen. Gin estava caído alguns metros de Aizen, já não tinha mais o braço direito, pois foi arrancado por Aizen e sua barriga estava perfurada, sangue escorria de sua boca. Gin traiu Aizen.
– Gin! – Rangiku gritou, ao chegar perto.
Quanto mais chegava perto dele mais ela ia sentindo que seu coração estava sendo quebrado em pequenos pedaços. Gin abriu aqueles olhos azuis e olhou para Rangiku. Ele tinha um plano que nunca tinha revelado a ninguém e era tudo por ela e ele falhou. “Não deu certo. No final, não consegui devolver o que tiraram da Rangiku... Com certeza... Ainda bem que consegui pedir desculpas”. Por Matsumoto Rangiku, Gin sabe, faria qualquer coisa.
Lágrimas saíram dos olhos dela e escorregam pelo rosto de Gin, ele tinha prometido que se tornaria um shinigami para que nunca mais Rangiku chorasse, isso só a fazia chorar mais ainda. Uma parte dela morreu e ela chorou como nunca tinha chorado antes. Gin se foi e não irá mais voltar.
“Ninguém disse que era fácil
É uma vergonha estarmos separados
Ninguém disse que era fácil
Ninguém nunca disse que seria tão difícil.
Eu vou voltar ao começo”
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