Take a chance
22 Like a Rolling Stone
Notas iniciais
Anyway, curtam ;)
Nathália
Porra, o Arin estava certo sobre o estresse da segunda feira. Larry Jacobson é mesmo um cara explosivo; assim que chegamos no local onde a reunião aconteceria, ele só me deu um “Olá, que bom te conhecer oficialmente!”, me estendeu a mão e já começou a passar a agenda do mês da banda. Ele falava tão rápido que eu mal e mal tive tempo de argumentar ou até mesmo anotar tudo o que teríamos pra fazer.
- Bom, — começou Larry – a gente ta em setembro, um dos meses mais puxados do ano, então vocês sabem como é... Amanhã nós temos aquela entrevista com a Rolling Stone, sobre os preparativos para o semestre que vem e a oficialização do Arin na banda. Aí vocês já aproveitam pra apresentar a Nathi e tal. Se bem que antes vocês tem que arranjar um apelido pra ela, né, porque o sobrenome dela é bem complicadinho de se pronunciar. Quarta feira a noite tem aquela festa da première daquele filme lá, pro qual vocês fizeram aquela música. – aquela festa, aquele filme, aquela música? Quanto interesse, Larry... – É em Los Angeles, o voo sai daqui às 14h, e vocês vão ter tempo pra se divertir antes da festa. Acho bom vocês irem bem vestidos. O hotel já está reservado, vocês não tem que se preocupar com nada, só em estar lá. O primeiro show dessa semana é sexta, em Nova Jersey. É melhor você se preparar, moreninha, o público de lá é bem barra pesada, eles tão esperando uma apresentação realmente foda, e como você é nova, vai ser o alvo.
Ele continuou falando e falando e falando, e a minha cabeça fazia voltas e voltas e voltas. Como é que os meninos conseguiam? Palmas pra eles, eu não gravei nada do que o cara falou além da parte da festa. Fiquei pensando em que vestido usar e como arrumaria meu cabelo, e nos meninos vestidos de terno. O coisa linda, me arrepiei.
- Caras, e no meio de tudo isso, quando é que a gente vai ensaiar? Porque já tem show na sexta, né... – perguntei, logo que Larry parou de falar.
- Agora mesmo. – disse Syn.
Voltamos pra casa pra que eu pegasse a minha guitarra e Matt pegasse a letra da nova música que tinha escrito e partimos para a gravadora onde os ensaios aconteciam.
Arin
Assim que entramos no estúdio, Nathi ficou pulando de lá pra cá e não parava de falar. Ela provavelmente não respirava enquanto falava.
- Cara, esse lugar é muito foda. Isso aqui é demais, olha só as paredes e os instrumentos e todos esses botões... Realmente muito foda, eu sempre quis entrar num lugar desses, mas a banda que eu tinha na adolescência nunca chegou nem perto de uma gravadora. Na verdade a gente nunca gravou nem uma música no celular ou...
- NATHI! CHEGA! – gritou Johnny, colocando a mão sobre a boca da morena. – Se acalma mulher, a gente já disse que você não precisa ficar tão nervosa pra tocar com a gente...
- É, cara. Com esses filhos da puta aqui, você já devia ta acostumada. – disse eu, tentando descontrair ela.
- Ah, desculpa, mas sei lá, isso é muito foda, e eu to realmente muito extasiada por estar aqui!
- A gente sabe disso, morena, mas você também é foda, a gente já falou isso, e vai tirar de letra essas músicas. E cara, se isso aqui é só um ensaio, imagina como você ficaria durante um show? Você tem que se acalmar. – falou Shadows, passando o braço ao redor de Nathi. Ela pareceu tranquilizar um pouco.
- Ta legal, chega de papo, agora. – disse Syn. – Nathi, pega a tua guitarra lá, eu quero ver ela.
- Okay.
A morena caminhou até o case preto e o abriu. Os olhos de Brian e Zacky brilharam quando viram o que tinha dentro do case. Eu me encantei mais com o veludo roxo que protegia a guitarra do que com a própria guitarra, mas os caras estavam praticamente babando.
- Caralho, Nathi. Você que fez? — perguntou Zachary, olhando diretamente para o interior do case. Suas pupilas estavam definitivamente dilatadas.
- Foi sim... – respondeu a morena, acanhada, corando.
Era uma Schecter, por incrível que pareça, mas não, não era do modelo do Syn ou do Zacky. Era uma Blackjack SLS Solo-6 FR preta. O que? Ta impressionado por eu saber disso? Eu sei que sou baterista, mas não é por isso que eu não posso saber o nome das guitarras.
Nathi tinha lixado ela por inteiro, mas com intensidades diferentes. No meio ela continuava preta, mas agora estava mais fosca, e conforme ia se aproximando da borda, ficava cada vez mais clara. Era um degradê de preto, cinza e branco. A guitarra era suave, mas tinha presença e estilo.
- Ta legal, já pararam de babar? — perguntou Johnny, enquanto afinava o baixo.
- Pera, antes a Nathália ali vai me explicar como foi que ela fez isso. – disse Synyster, olhando seriamente para a morena.
- É só lixar, Syn... – respondeu a morena, com uma cara de deboche, como se fosse óbvio.
Depois que todos já tinham elogiado a guitarra, fomos tocar. Tocamos todas as músicas que costumávamos tocar na turnê do Nightmare e mais algumas outras antigas. A morena era simplesmente a pessoa perfeita pra tocar com a gente, ela tinha a mesma personalidade tranquila e extrovertida que os caras e eu, e era foda não ser mais o mais novo na banda. Quer dizer, ela era mais velha que eu, mas eu estava com os caras ha mais tempo. Ela sabia todas as músicas, sem exceção, e mesmo com aquela voz grave, ela conseguia alcançar as notas mais altas...
Larry foi junto para o nosso ensaio, e o que mais me surpreendeu foi que ele ficou quieto e realmente prestou atenção no que tocávamos. Ele geralmente passava o tampo todo falando e comentando sobre nossa música ou nossa agenda, acho que a Nathi ficou um pouco assustada com ele, mas fazer o que se o cara é assim?
- Blaze! – exclamou Zacky. Ninguém entendeu nada.
- O que? – perguntou Matt.
- Blaze!
- O que tem Blaze? – indaguei, confuso.
- Blaze pode ser o nome artístico da Nathi! – disse o gordo.
Silencio. Todos pareciam pensar na proposta.
- Genial, Zachary. – elogiou Syn. — E você, morena, gostou?
- Eu amei! – respondeu ela com um brilho forte nos olhos.
- Aiai, esse bolota fodão nos apelidos... – comentou Johnny, rolando os olhos. Zachary deu aquele seu sorriso orgulhoso, que nem no clipe de Beast and The Harlot, e eu tive que rir.
- Mas caras, por que o Arin não tem apelido? – perguntou Nathália.
- Por que o meu nome já é foda. – respondi ajeitando a gola de minha camiseta, lhe provocando risos.
- Eu tinha pensado em chamar ele de Bony, mas ele não gostou. – Zacky deu de ombros.
- BONY?! – a morena começou a rir sem parar. Tivemos que acompanhar ela, sua risada era muito contagiante.
Terminamos de ensaiar um pouco depois das duas da tarde, e então fomos todos pra casa do Larry, já que o almoço seria lá. Ele entregou o contrato para Nathi, pediu que ela lesse e assinasse. Larry falou que aquela era a parte burocrática. Pra fazer oficialmente parte da banda ela tinha que assinar o tal contrato com a gravadora e afins. A morena nem se preocupou muito em ler, ela só deu uma olhada por cima nas palavras e logo assinou no pedaçinho em branco do papel.
- dia seguinte -
Brian
A gente já tava no ônibus, indo em direção a sede da revista, quando eu me lembrei que ainda não tinha explicado pra Nathi como se portar eu uma dessas entrevistas, principalmente se fosse a Rolling Stone. Quando os caras finalmente ficaram um pouco mais quietos, eu comentei:
- Hey seus putos viados, — todos se voltaram pra mim – a gente ainda não ensinou pra Nathi como fazer o estilo Avenged nessas entrevistas...
- Verdade. — completou Zacky.
- Eu nem sabia que a gente tinha estilo. – brincou o anão do Johnny.
- É mais do que simples esse “estilo” aí. – começou Arin. – É só chegar com aquele olhar de -sou foda-, e deixar o Matt responder todas as perguntas.
- Nada a ver, não é sempre eu que respondo. – falou o ogro.
- É, a gente fala quando a pergunta é direcionada pra gente, mas se não for, é só deixar o Shadows falar. – dei de ombros.
- Ta legal, entendi. – disse a morena.
Quando chegamos, eu me surpreendi com quem iria nos entrevistar. Ao invés de ver a mesma jornalista loira e gostosa de sempre, me deparei com um cara que eu consigo descrever em uma única palavra: NERD! Ele tinha cabelos castanhos penteados com gel para o lado, um óculos redondo que não cobria seus olhos por completo, uma camisa xadrez amarelo com marrom e uma calça preta social. Que porra que deixaram um cara que nem ele entrar nessa revista?! Que porra que deixaram um cara que nem ele nos entrevistar?!
Mas, como essa vida de super estrelas às vezes surpreende, eu tinha que fazer o melhor pra me sair bem nessa porra, não é?
- O-oi, meu no-me é Ph-phil, e eu vou entrrrevistar voc-cês hoje. – PUTA QUE O PARIU, O CARA ERA GAGO TAMBÉM?! Que desgraça, Deus. Por que as pessoas simplesmente não podem nascer todas bonitas e descoladas, como eu?
Fiquei com pena do cara. Ele levantou e nos cumprimentou, um por um, e pediu que nos sentássemos no sofá à sua frente. Eu tentava ser o mais simpático possível, como sempre. Os outros caras também foram compreensíveis com ele.
- E-e você, q-quem é? – perguntou “Ph-phil” para Nathi.
- Blaze J. – respondeu sorridente a morena.
- Ela é a mais nova integrante da banda. – explicou Shadows – Ela vai tocar guitarra e cantar junto comigo.
- V-vai fazer backing ou vai c-cantar mesmo?
- Acho que a gente vai meio que dividir as tarefas. – respondeu Nathi.
- É, não se pode desperdiçar uma voz dessas só com backing. – completei.
- E o A-arin, ele vai continuar com voc-cês?
- Sim, — começou Matt – ele é um grande baterista, e a gente tá muito contente com ele. Arin respeita o Rev, e sabe que ele é insubstituível, mas ainda assim faz um ótimo trabalho, além de ser super parecido conosco. Ele já faz parte da família agora. – Matt terminou com um sorriso no rosto.
E a entrevista seguiu assim; chata, sem provocações, sem perguntas diferentes ou novas, sem mulheres gostosas pra me passarem o número de celular... Eu só não dormi porque ia ser muito feio e muita falta de consideração com o “Ph-phil” (ai, eu não resisto), e o cara era capaz de se invocar e ainda publicar na revista que eu tinha “tirado um cochilo durante a entrevista”.
Nos levantamos e fomos pra uma outra sala, um pouco maior, onde tiraríamos as fotos pra capa e pra matéria, em si. Daí do nada me apareceu aquela jornalista gostosa da qual eu tinha falado antes.
- Oi gatinho. – disse ela, com aquela voz manhosa. Eu detestava a voz dela, mas foda-se, ela era muito boa na cama.
- Hey Martha. – lhe dei um beijo na bochecha. – Tudo bem?
- Melhor agora que eu encontrei você.
Esse tipo de comentário costumava me excitar. Não entendi porque isso não aconteceu. Quer dizer, eu sempre gostei dessas mulheres dadas, literalmente putas, mas aí quando uma puta dá em cima de mim, eu não tenho vontade de comer ela? Eu já tinha meio que sentido isso naquele restaurante japonês quando saí com aquela outra loira, mas eu achei que não fosse nada sério, que fosse uma indisposição de uma só noite. Bom, o fato de Synyster Gates não estar excitado era sim um problema sério. Sorri para Martha.
- Legal. Bom, eu tenho que ir lá trocar de roupa e... – fui logo interrompido.
- Quer que eu te ajude a trocar? – ela se aproximou e passou o indicador lentamente sobre minha barriga. Continuei sem sentir nada de diferente.
- Não precisa, valeu. Até mais.
Me afastei rapidamente e me juntei com os caras, que recebiam as roupas que foram separadas para a sessão. A minha era uma blusa preta de gola V e uma calça jeans clara, a de Johnny era uma blusa branca com a escrita “Hey, alguém comeu minha pata” (WTF?) e uma calça preta, Zacky recebeu uma camisa de manga comprida preta e uma gravata borboleta verde limão, Arin já vestia uma camiseta larga na cor azul marinho e sua própria calça, e para Matt separaram uma regata preta (jura?) do Megadeth e uma calça também preta. A figurinista conduziu Nathi até uma outra sala, e elas voltaram algum tempo depois, com a morena já vestida. Ela usava um short preto, uma regata solta na cor vinho e uma camisa xadrez em preto e branco.
A fotógrafa era Ann. Eu já tinha ficado com ela também, e vocês entendem quando eu digo “ficado”, né? É, pois é. Mas ela agiu normalmente, como se fossemos apenas velhos amigos. Voltamos pra casa só depois das oito na noite, sendo que a entrevista tinha começado as cinco.
Jonathan
Que saudades que eu tinha da minha pequena. Já fazia quase dois dias desde a última vez em que falei com ela, eu precisava telefonar novamente. Quando me dobrei pra alcançar meu celular em cima do bidê do meu quarto, senti dores muito fortes na coluna, e me deixei cair da cama. Eu me contorcia de dor, gritava. Isso já tinha acontecido várias vezes antes, mas nunca tão forte. Minha espinha latejava, e minha vontade era de chorar. Fiquei me mexendo por mais alguns segundos até achar uma posição que fosse mais confortável e permaneci ali por no mínimo meia hora. Eu não conseguia me mover.
Tentei me levantar lentamente, mas meu corpo inteiro doía. Peguei meu celular, disquei o número de Matt e coloquei no viva-voz. Não podia levar o aparelho até meu ouvido.
- Falae, pigmeu. – disse o ogro, com voz risonha – Cadê você, cara?
- Matt, — comecei, tentando achar fôlego para falar. – eu to no meu apartamento. Ta acontecendo denovo, cara, eu não consigo me mexer.
- Como assim, não consegue se mexer? – ele já parecia mais nervoso.
- Dói tudo, porra. Não consigo levantar. – tentei levantar meu tom de voz.
- Fica parado aí que a gente já ta subindo.
Assim que disse isso, ele desligou o celular.
- É lógico que eu vou ficar parado, não consigo me mover. – sussurrei, comigo mesmo. Bufei.
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