Take My Heart -Em suas mãos tudo começou
12 Capítulo 11 – Intrincada revelação - Parte 1
Notas iniciais
Intrincada revelação: “A verdadeira forma das coisas” — Parte 1
Extasiada com a surpresa, Cathie começou a rir enquanto Linus a rodeava nos braços.
— Oi, minha criança!
— Quanto tempo, Tio Lionel!
— Verdade. Fazem muitos anos desde que nos vimos pela última vez. Eu realmente temi que não fosse me reconhecer mais ou que sequer se lembrasse de mim.
— Eu nunca o esqueceria!
Ficaram abraçados por mais alguns instantes, desfrutando do reencontro.
— Venha, sente-se comigo. Temos muito o que conversar.
Linus retornou para trás da mesa de onde saíra e puxou uma cadeira lateral para Catherine. Sentando-a ali, acendeu mais uma luminária para que pudessem se ver melhor.
— O senhor continua se escondendo no escuro – brincou a menina.
— Eu prefiro assim, querida – respondeu Linus. – Pelos céus, quando vi o relatório de Henry sobre a missão em Copenhague e vi o nome da sua mãe na lista de vítimas meu coração quase parou.
Catherine baixou a cabeça e juntou as mãos sobre o colo.
— Sinto muito, querida. Não queria tocar no assunto. Mas não posso negar que fiquei muito satisfeito quando soube que estava viva e bem.
— Como soube, tio?
— Quando Henry retornou e li seu relatório, vi que algo estava errado, pois não vi seu nome em lugar algum da lista. Imaginei que estivesse desaparecida de alguma forma. Então pressionei Henry para que viesse aqui e me relatasse tudo novamente, mas sem mentiras.
— Sem mentiras? Ele mentiu em seu relatório?
— Sim, mas fez isso para o seu bem. O rapaz é esperto e quis protege-la até mesmo das pessoas em quem confia muito. Aparentemente, o primeiro e único a saber foi seu amigo indiano.
— O senhor Darell... – disse a menina, absorta em pensamentos.
— Sim, ele mesmo.
— Mas como sabia que Henry estava mentindo?
— Eu não sabia. Mas entrei em contato com a polícia de Copenhague e com o Primeiro-Ministro, que aparentemente ainda estava bem exaltado com o caso. Quando falei com o delegado por telefone, confirmei a história e ele preencheu as lacunas que faltavam no relatório de Henry.
— O que ele disse?
— Que o detetive di Castle havia resolvido o caso e que havia uma única sobrevivente, a qual fora adotada pelo detetive.
Catherine começou a balançar as pernas para frente e para trás, inquieta.
— Cathie, querida, isso é verdade?
A menina acenou com a cabeça e olhou para Linus profundamente, sem piscar.
— Podemos falar a respeito?
— Não há nada a dizer. Eu quis isso também.
— Então está simplesmente bem com isso?
— Sim. Não é uma realidade difícil de aceitar.
— Tudo bem, querida. Eu sei que Henry e Darell sejam pessoas confiáveis e que até garantam conforto e segurança, mas...
— Não preciso de nenhum “mas”, tio Lionel. Eu confio neles... O senhor Henry salvou minha vida! Não preciso de mais nada que...
— Não pode decidir algo assim tão levianamente, Catherine.
— Não estou sendo leviana!
— Catherine, você ainda tem um pai! – bradou Linus.
A menina sentiu aquelas palavras atravessando-a como lâminas de gelo. Ela apertou o vestido com as mãos e sua expressão se fechou.
— Papai não está aqui por mim – disse sombriamente.
— Mesmo que ele não esteja, você não pode se comportar como órfã! Ele só não pode estar agora com você.
— Então isso significa que não posso ter ninguém que esteja?! Não é como estar órfã, tio Lion?
Linus engoliu em seco e se calou.
— Eu... – continuou a menina, depois de alguns instantes de silêncio – Eu não quero ficar sozinha.
— Catherine...
— Eu não tenho mais minha mãe. Meus tios de Copenhague se foram também. Todos se foram num piscar de olhos! Eu nem teria reencontrado você se não fosse pelo senhor Henry.
— Mas nos reencontramos, então...
— Não peça que eu espere muito disso, tio!
— O que quer dizer?
— Mesmo antigamente você só vinha para nos ver poucas vezes...
— Agora já sabe o porquê... Não posso me ausentar assim, do nada...
— Eu sei, e não questiono isso. Mas eu nem ao menos sabia onde você vivia, e agora isso...
— Isso o quê?
— Você é o senhor Linus! Chefe do que parece ser um grande grupo e do homem que me salvou... As pessoas não vão entender isso, não é? Nem mesmo o senhor Henry.
— Quem não vai entender o quê, Cathie?
— Dificilmente o homem que controla esse grande grupo vai poder cuidar de uma sobrinha que surge do nada, órfã...
— Você não é órfã! – Linus ergueu-se da cadeira, agitado.
— Que precisa de atenção para crescer! – protestou a menina.
— Catherine! – rugiu Linus. – Chega!
A pequena se calou de susto. Uma lágrima rolou do seu rosto e ela sacudiu a cabeça em negação.
— Não! Não chega! Não basta! Eu não quero mais ficar sozinha! Quero uma vida normal! – rebateu, chorando copiosamente. – Mesmo o senhor não poderia me dar isso!
Linus calou-se novamente, mas agora seus olhos analisavam a menina atentamente, procurando detalhes que lhe haviam escapado logo que ela adentrou a sala.
— Espere... – disse, após um minuto analisando a pequena minuciosamente. – Será?
A jovem olhou para Linus a sua frente, sem ligar para a avaliação meticulosa pela qual estava passando, não compreendendo suas palavras.
— Será o quê?
— Sim, sim, talvez seja isso mesmo... – murmurou o homem para si mesmo com uma mão sobre a boca. Em seguida inclinou-se para frente, apoiando o peso do corpo nos braços da cadeira da menina.
— O quê? O que foi?
Linus olhou fixamente nos olhos de Cathie e observou que mudavam de cor.
— Catherine, acho que seu selo foi quebrado.
— Selo?
No saguão principal, Darell e Henry estavam sentados, tensos e impacientes.
— Por que a demora? O que ele pretende? – questionou Henry, pela vigésima vez.
— Não sei, Harry, mas você com certeza está conseguindo me deixar maluco. Não pergunte mais, por favor! Se eu tivesse as respostas, nem estaríamos aqui...
— Aposto que estaríamos. Aquele maldito não perde a chance de me importunar...
— Chega, Harry! Eu também quero que acabe logo!
— Ei, ei, vocês dois. Acalmem-se! – disse uma voz conhecida de repente.
Jullian vinha caminhando casualmente na direção dos dois. Estava vestido inteiramente de preto, com apenas uma gravata vermelha destoando do restante do traje.
— Bem-vindo ao velório, Jullian – cumprimentou Darell. – Parece que tem um morrendo aqui do meu lado. Daqui a pouco vai começar a cheirar...
Henry olhou carrancudamente para o amigo e levantou-se irritado.
— Vai se ferrar, Darell – rosnou, seguindo para outro lado do saguão.
— Se eu estivesse de luto, vestiria branco. – brincou Jullian, quando o rapaz havia se afastado o suficiente para não ouvi-lo. – Ele está enlouquecendo, não é?
— Sim! E está me enlouquecendo junto!
— Acalme-se. Alguém precisa manter o controle por aqui.
— Aquele que está no controle de tudo aqui é Linus! Tudo o que posso fazer é tentar manter a sanidade!
Jullian sentou-se ao lado de Darell e deu-lhe alguns tapinhas no ombro.
— Então faça isso... por todos vocês. Por aquele esquentadinho e pela menina.
Darell cobriu o rosto com as mãos e se inclinou para a frente.
— Argh! Aquele... Aquele...
— Calma, respire. Ela é tão especial assim?
O indiano baixou as mãos até a deixa-las sobre a boca. Expirou profundamente uma vez e ficou em silêncio. Lembrou-se dos momentos desde a chegada da menina.
— Ela trouxe algo mais para aquela casa vazia... Acho que ela pode ser a luz que vai extinguir os fantasmas de Harry.
— Fantasmas? Você quer dizer...
— Sim, é exatamente o que você está pensando.
— Mas, Darell, isso foi há três anos... – comentou Jullian, cauteloso com as palavras.
— Isso não é só, ainda tem a mãe... Isso faz mais tempo ainda.
— Ele não...
— Não. Qualquer coisa pode liberar uma lembrança e fazê-lo explodir. Eu mostrei a velha estufa da mãe dele à menina e sugeri que a restaurássemos. Ele chegou em casa quando tudo estava pronto e descontou a raiva na pobre da menina, achando que ela havia invadido o local. Depois disso ela fugiu...
— Mas o que aconteceu depois? Conseguiram encontrá-la?
— Sim, Harry a encontrou. Não sei exatamente onde ou quando, mas foi à noite. Encontrei-os de manhã no quarto dela. Ele estava sentado no chão ao lado da cama, esgotado...
— Não me diga que ele...
— Não, ele não chegou a ultrapassar o limite. Seu autocontrole foi tão grande que esgotou sua energia e ele não conseguia nem andar. Desmaiou por mais de três dias.
— Entendo. Ainda bem que o pior não aconteceu.
— Estou tão aflito e preocupado quanto ele. Lembro perfeitamente de nada demais ter me acontecido, exceto a mudança de nome e uma promessa de sigilo assinada com sangue.
— Linus é encantador, não é? – comentou Jullian, arrepiando-se e fazendo careta.
— Mas essa menina nem deveria conhecer este lugar! Ela não deveria ser envolvida nesse mundo! – gesticulou Darell ao redor com as mãos, exasperado.
— Ei, não há nada que você possa fazer!
— Se Linus fizer algo à ela, juro pela minha falecida mãe, eu vou...
— Ssshhh! Fique quieto, meu amigo – censurou Jullian. – Você é bem-vindo aqui, desde que Henry o trouxe pela primeira vez há quase cinco anos, mas fazer este tipo de ameaça na frente de tantos protegidos e aprendizes de Linus é como declarar sua própria sentença.
— De que selo o senhor está falando, tio?
— Daquele que seu pai colocou em você.
— Não me lembro de papai ter feito algo assim.
— Se não está quebrado, no mínimo está rompido em alguma parte.
— Do que o senhor está falando?
— Dos seus olhos, Cathie! Estão uma bagunça!
— Os meus... Os meus olhos? O que têm eles?
— A oscilação de cores está violenta como nunca vi antes – respondeu Linus, segurando o rosto da menina entre as mãos e analisando-o.
— Tio, do que você está falando? – Catherine protestou, frustrada.
Linus tornou a sentar-se, cruzando os joelhos e colocando as mãos sobre eles.
— Cathie, você não se lembra de nada mesmo?
— Não, tio! Pare com este suspense e responda-me, por favor!
— Certo. Quando você nasceu, você teve um crescimento acelerado precoce. Isso assustou seus pais, cada um à sua maneira. Seu pai encontrou um meio de desacelerar esse crescimento, mesmo que isso acabasse revertendo totalmente o processo.
— O que quer dizer com isso?
— Exatamente o que eu disse: seu crescimento seria retardado. O segredo estava em seu sangue. O tempo que você passou crescendo desenvolveu algo dentro de você. Algo ou alguém...
— Algo? Alguém? – gaguejou a menina, assustada com a ideia. – O que quer dizer com isso?
— Seu corpo deu origem a uma entidade que divide o mesmo espaço que você.
— Eu... Eu sou... – Catherine começou a ofegar. – Eu sou algum tipo de invólucro? Tem outra pessoa dentro de mim?
— Não sei dizer. Mas seu pai conseguiu interromper esse elo, a ligação entre você e essa entidade, deixando o controle apenas para você.
— Como... Como ele fez isso?
— Um contrato de sangue.
— Um contrato de sangue?
— Sim. Para ser direto, eu estava junto quando ele fez isso. Por isso ouça bem, querida: para selar esse contrato, seu pai utilizou um pouco de sangue dele, da sua mãe e meu. Ele fundiu o sangue a um anel de prata, que espero ainda estar com você.
Catherine tocou o peito onde, sob o vestido, havia uma corrente. Puxando-a para fora, ficou analisando o colar com o anel prata pendurado.
— Era um anel do papai. Ele disse que eu deveria ficar com ele para sempre senti-lo por perto, ter um pedacinho seu perto de mim.
— Sim, deixe-me vê-lo. Não precisa tirá-lo do pescoço.
Linus se inclinou para frente e pegou o anel entre os dedos. O silêncio se abateu sobre a sala, tornando-a mais sombria e fria, apesar da luz do Sol. Cathie estremeceu, mas isso não tirou a atenção de Linus sobre o anel. Enquanto o examinava, os olhos naturalmente castanhos de Linus se turvaram e ficaram vermelhos, brilhando no escuro. Em reação a isso Catherine arfou de surpresa e o anel começou brilhar fantasmagoricamente emanando uma luz azulada. Quando parou de brilhar depois de alguns minutos, o anel apresentou rachaduras finas de luz branca, embora não tivesse nenhuma falha física aparente.
— Como eu temia... Está se rompendo rapidamente. Não vai durar mais muito.
— Tio Lion, seus... Seus olhos...
— Ah, perdoe-me – desculpou-se Linus, apertando os olhos com o indicador e o polegar da mão livre. – Já faz alguns anos. É compreensível que não se lembre de algumas coisas.
— Isso é... natural?
— Sim, embora já tenha me visto assim antes.
— Mas por que não me lembro dessas coisas? O senhor fala como se eu já soubesse tudo de isso que está me contando.
— E você sabe. O próprio fato de me chamar de Lion em vez de Lionel já é um sintoma...
— Um sintoma? De quê?
Linus suspirou como se lamentasse tudo aquilo e se inclinou mais para perto da menina.
— Peço desculpas, Cathie, mas preciso destruir o remanescente do selo.
— Como assim? – perguntou a pequena, agora segurando o colar com força nas mãos. – O que vai acontecer se o senhor fizer isso?
— Na verdade algo já está acontecendo. Sua personalidade está em conflito e você sequer percebeu isso. Ou estou enganado?
— Minha personalidade? Não sei do que o senhor está falando. Sinto-me normal.
— Quando forcei a barra com Henry, ele declarou os detalhes sobre o seu acidente de carro.
— Acidente de carro? Quando isso aconteceu?
— Você se lembra de acordar em um hospital em Storstrom?
— Sim, mas não sei o que aconteceu. Só lembro-me de estar no carro do senhor Henry.
— Sim, mas o garoto me contou detalhadamente o que aconteceu, quando você saltou do carro.
— Eu... saltei do carro!? – perguntou Catherine assustada com a informação. – Por que eu faria isso!?
— Porque não era você.
— Como assim não era eu? Mas você disse que eu pulei do carro, então...
— Era seu corpo, mas não era você que estava no domínio da sua mente naquele momento.
Cathie rapidamente ligou os pontos.
— Foi... aquela entidade que o senhor alegou estar dentro de mim?
— Sim, e mesmo agora. Sua forma de se expressar aqui há alguns instantes atrás foi algo muito mais agitado e violento do que seu eu habitual. O lacre do selo está muito enfraquecido. Será melhor removê-lo logo antes que mais alguma coisa aconteça.
— Posso perder o controle do meu corpo?
— Se o selo continuar se rompendo parcialmente como vem ocorrendo, é uma possibilidade. Pode ser que a perda da sua mãe tenha fragilizado o lacre, e seu sofrimento emocional e mental causou um desgaste maior ainda. Sua razão está em um combate interno neste exato momento. Se não fizermos algo, talvez você não possa nem continuar sob a proteção de Henry e Darell sem que algo mais grave aconteça. Isso pode colocar todos vocês em grande perigo.
— Aquilo que está dentro de mim pode causar tanto estrago assim?
— Este é o problema. Seu pai e eu não sabemos muito a respeito desta entidade, mas sabemos que é forte o bastante para subjuga-la, minha cara.
— Então o que devemos fazer?
— O mais sensato seria quebrar o selo.
— Então façamos isso!
— Espere. Não é tão simples. Eu disse que seria o mais sensato para seu próprio bem, mas não que seria simples. Os efeitos colaterais serão imediatos. Seu corpo pode sofrer com isso.
— Efeitos colaterais? – Catherine engoliu em seco e empalideceu. – O que aconteceria comigo?
— Lembra-se de quando eu disse que o contrato revertia seu processo de crescimento?
— Sim.
— Então, o retardamento causado pelo contrato seria interrompido e seu organismo imediatamente tentaria recuperar o tempo perdido até aqui.
— Isso quer dizer...
— Acho que você compreende exatamente o que isso significa. Você a princípio tem a aparência de uma criança de dez anos, mas essa realidade deixará de existir assim que rompermos o contrato. Seu corpo evoluirá em questão de alguns instantes.
Os dois se olharam por alguns segundos e se calaram, cada um com seus pensamentos, analisando as possibilidades.
— Vou sentir dor? – perguntou Catherine em voz baixa.
— Não sei dizer. Posso tentar evitar isso com algum entorpecente.
A menina acenou com a cabeça, concordando com a ideia. Sua mente latejava com o turbilhão confuso de pensamentos que aquela conversa havia lhe causado. Não queria prorrogar mais a agonia que vinha lhe consumindo crescentemente.
— Faça – determinou a menina por fim.
Linus acenou com a cabeça, se levantou e foi até um conjunto de prateleiras e gavetas do outro lado da sala. Vasculhou um pouco e retornou com um pequeno tubo de metal nas mãos. Colocou o frasco em um suporte sobre sua mesa e virou até a prateleira às suas costas para apanhar uma xícara e um bule de chá.
— Isto – disse, apanhando o frasco e mostrando-o a menina – é um anestésico muito forte. Tem efeito imediato após a ingestão. O único problema é o sabor...
— E como ele é?
— Terrível. Horrivelmente amargo até mesmo para mim – respondeu, mas logo acrescentou ao ver a careta de apreensão da menina –, por isso o chá. Pode adoça-lo o quanto quiser. Pode utilizar todos meus cubos de açúcar se achar necessário, eu não ligo.
Catherine aceitou a recomendação e, depois que Linus encheu a xícara até a metade de chá e despejou em seguida o líquido verde escuro que estava no tubo metálico, adiciounou o máximo de cubos de açucar que conseguiu até o líquido transbordar.
— Espere – intercedeu Linus. – Deixe que eu mexa para você.
Com cuidado, o homem agitou a mistura com uma pequena colher. Depois de alguns segundos estendeu a xícara para a pequena.
— Não tenho certeza do que vai acontecer, como já lhe disse antes, mas estarei aqui para o caso de algo dar errado.
— Tudo bem – respondeu Catherine, com um suspiro trêmulo. Depois tomou a xícara entre as mãozinhas e bebeu um longo primeiro gole. Por causa do sabor, começou a tossir violentamente e quase deixou a xícara cair.
Linus antecipou-se e segurou as mãos da menina, firmando a chávena.
— Sinto muito pelo sabor, mas tente beber tudo. Vou ajudá-la a segurar.
Agora com suporte, Cathie tornou a beber outro grande gole da mistura, torcendo o rosto para conseguir engolir.
— Vamos, está quase lá – incentivou Linus.
A menina sentiu ânsia de vômito e quase desistiu de terminar a dose, mas criou coragem, sacudiu a cabeça para ignorar a sensação e virou o que restava do líquido dentro da boca. Quando terminou, tossiu novamente, segurou a barriga com as mãos caiu no chão de joelhos, dobrando-se sobre si mesma.
— Calma, vai passar. Você encarou com mais coragem do que muitos adultos que já experimentaram este anestésico.
— Esta foi a pior parte? – perguntou a menina, colocando uma mão sobre a boca, enjoada. – Por que se não for, não sei se vou conseguir...
— Quanto a isso, não posso interferir na sua escolha. Nada garante que o que virá será mais fácil ou não.
Catherine ergueu o rosto para olhar, desamparada, para o tio e dobrou-se novamente sobre si. Alguns minutos se passaram; Linus ajudou-a a se sentar novamente na poltrona, enquanto aguardava a decisão da pequena.
— Tudo bem. Se demorarmos muito, o senhor Henry pode ficar bravo ou preocupado e é capaz de vir até aqui.
— Está tudo bem para você? Depois de romper o selo, não haverá volta.
— Pelo que entendi do que o senhor me explicou, tio, pode haver consequências mais graves se não o fizermos, não é?
— Exatamente.
— Então faça.
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