Take Me Out And Take Me Home

1 Take Me Out And Take Me Home


Notas iniciais
O título é de uma frase da musica "Lover" da Taylor Swift. MaryAna é endgame sim, porque sim. :P

Assim que pronunciou as palavras, soube que cometeu um erro. Foi no calor do momento, na chama da dor. As lágrimas escorriam quentes, e ao fundo podia sentí-la se afastar com o sol que se punha. Quase se abaixou e encolheu sobre a grama morna, mas tinha certeza que quando a tocasse estaria fria, como ela mesma se sentia.

— Mariana... espera.

Se virou, e o sol ainda tinha algum brilho, assim como os castanhos olhos cheios de lágrimas, que mãos nervosas tentavam secar. — Eu não quero que vá. Cobriu o rosto com as mãos por um momento e se sentiu no escuro, e então algo quente lhe tocou, e ela olhou para a suave luz, e a mão temerosa se afastou. — Eu sinto muito, Ana. Tudo que eu menos queria era te causar dor.

— Não quero falar sobre isso.

A escuridão crescia. A dor dela se somava a sua. Frio, gelo. Precisava de uma bebida. Mariana parecia tão incerta, desesperada, as mãos se unindo a sua frente, queria tomá-las nas suas. — Certo, e o que você quer fazer? Te deixo sozinha?

Ela quase riu, a escuridão podia existir sem a luz?

— Me leve há algum lugar. Onde eu possa beber e esquecer.

A confusão e apreensão. Se importar era uma fraqueza, e ela a usaria. — Não acho que seja uma boa ideia beber, dada a situação.

— Você quer meu perdão?

O aceno convicto, como podia ser tão arredia e se curvar assim?

— Então me tire dessa prisão.

***

A luz era colorida, a música agitada, seus lábios estavam gelados, seu copo vazio, vestiam as roupas do batismo, que refletiam as cores da noite, mas a quem lhe importava? Elas eram azuis. — Outra rodada! Ordenou, e se irritou com a expressão de Mariana, que acenou mesmo não concordando e bebeu com ela quando a atendente trouxe as bebidas, o frenesi da raiva. Cinco shots depois, a dor já havia sido afogada. De fato, enxergava melhor quando estava bêbada ou chapada. Só havia frio agora, era noite, e o sol havia ido. Mas haviam as luas gêmeas e brilhantes, que a encaravam em olhos de compaixão, e sua fúria crescia. — Isso é tão injusto!

— Eu sei, eu não fui...

— Não. Eu fui uma boa mãe, uma boa esposa, bem, tivemos nossos problemas, mas tudo que eu fiz foi cuidar, não foi? Eu sou uma controladora, eu sei. “Controle é a forma dela de demonstrar amor”. Que estúpido! Que estúpida!

— Você é mais que uma boa mãe. Eu queria ter tido uma mãe como você, que me desse segurança e...

Não completou, percebeu seu erro, mas Ana tinha outra coisa em mente, pensava muito melhor bêbada. — Você quer que eu seja sua Mommy, não é?

— Não! Ana, não, o que você está dizendo?

Ela ficava tão linda vermelha.

— Eu poderia, vamos lá, seu Daddy, então? Talvez ambos? ...você deve ter tido alguma fantasia. Eu tive algumas com você.

— Teve?

A risada era cortante como uma faca e cortou a distância que crescia. Devia confessar? Por que sempre terminava contando tudo a ela? Sabia a resposta. Por que o lilás tinha gosto de papinha de bebê? Não tinha resposta. Do que estava falando mesmo? Sim! Do segredinho sujo, quem disse que não deviam mais guardar nada uma da outra? Ainda bem que não havia sido ela. Se inclinou na mesa, e Mariana se aproximou para ouvir. — Foi uma coisa boba, Cynthia, sabe a Cynthia? Oh, não isso, Mariana, por deus! Mas você fica tão fofa com ciúmes.

— Não estou com ciúmes, An...

Colocou um dedo frio sobre os lábios quentes. — Então, Cynthia fez uma confusão quando eu queria criar laços com Valentina. O Riso cortava tudo. — É tão engraçado, confundiu Bonding... Segurou a mão cálida apesar dos tremores. — Com Bondage. Mordeu o lábio, fez o movimento do chicote com a mão, e amou todas as reações que despertou, principalmente aquela cômica surpresa. — Acredita? Me mostrou um site, primeiro eu estava incerta, depois pensei... combina comigo, não combina? Diga a verdade, eu sou do tipo dominante. Então comecei imaginando como seria com Juan Carlos... Não faça essa cara. E não finja que não está fazendo essa cara. Não funcionou, e eu percebi que não queria dominar, eu já faço isso, não faço? Quando vi estava na sessão de... como chamam aquelas amarrações? Shi alguma coisa. É bem bonito, é sobre confiança e eu só conseguia pensar em você.

— Ana...

— Eu disse que era bobo.

Algo começava a aquecer, elas eram amarelas agora. — Vamos dançar! Chamou, e a morena pareceu querer discutir, contudo, apenas a seguiu quando a loira levantou e caminhou em direção a pista de dança.

***

O calor dos corpos agitados ao seu redor não era o suficiente para lhe devolver a vida. A sua frente a chama dançava em um ritmo diferente, devia ser a bebida. Sacudia seu corpo seguindo a batida, mas não ouvia a música. Só percebeu a mudança, quando seus braços envolveram o pescoço dela, e seus corpos se tocaram. Eram luas cheias, alaranjadas e vivas, que a contemplavam. A raiva se desfazia, e vermelho tinha sabor de água de piscina.

— Isso é tão injusto.

— O que é injusto?

Talvez ela estivesse bêbada também, a insegurança se desfazia na segurança de seu toque, era firme e suave, como se segurasse algo precioso.

— Eu fui uma puta de uma empregada. A melhor.

— Sim.

— Eu não cometi erros, eu me esforcei muito.

— Eu sinto muit...

A beijou antes que seguisse com aquilo, por acaso se desculparia para sempre? Não entendia nada do que dizia? Lábios roçando em lábios, suaves, uma lembrança de Soldado del Amor e raio de sol. E então era o início de um eclipse. — Me leva pra casa.

***

O beijo na porta foi diferente, foi sóbrio, era estranho, haviam bebido tanto, mas ela sentia-se tão desperta e lúcida. Sua língua acariciou o lábio macio, pedindo passagem, e a porta quente e úmida se abriu, e ela fez sua moradia. A deixou a guiar por esse novo ambiente, enquanto descalças seguiam pela sala e subiam as escadas. Por sorte, não havia ninguém ali, deviam estar todos dormindo, era madrugada, quando era difícil dizer o que era dia e noite, o que era real ou sonho.

Seguiam em sincronia, as mãos tocando onde queriam. — Isso é tão injusto. Sussurrou no quarto escuro segurando a mão de sua guia. — É a terceira vez que você diz isso.

Acendeu a luz, queria vê-la, mesmo que sentisse que o que acontecia não pudesse ser observado a olho nu. E Mariana a rodeou, a abraçando por trás.

— É que tem muitas coisas que são difíceis de aceitar.

Os lábios queimaram a pele de seu pescoço, como o sol do meio dia, mas ainda faltava muito para amanhecer. E ela suspirou. — Você.

— Eu?

As mãos desabotoavam o seu vestido. O Riso dessa vez eram dedos que faziam caricias por toda parte. O vestido no chão, e ela virou nos braços da amada, amada. Que palavra idílica! — Não é justo que eu tenha te encontrado, e esteja prestes a morrer.

— Ana, não sabemos...

— Eu deixaria você me amarrar.

E então eram suas mãos tirando as roupas dela. — O quê?

— Eu deixaria. Você entende o que eu quero dizer?

O sorriso de compreensão, as mãos se uniram, e apenas em seus sutiãs e calcinhas seguiram com a sincronia dos corpos celestes. E a cama era seu universo. — Você foi o que me irritou mais, o que me deixou com mais raiva. Os beijos seguiam por sua barriga, a fazendo derreter.

— Você me odeia?

Seu ofego foi a resposta. Finalmente, tocavam seus núcleos. Mariana tinha gosto de vida.

***

Pela manhã quando acordou não tinha dúvidas se era dia ou se era fantasia, sua cabeça doía um pouco, mas se sentia relaxada, a luz do dia iluminava o quarto e as costas desnudas a sua frente. Moveu sua mão involuntariamente, tocando, seus dedos traçando a linha da espinha, e sorriu com a reação que causou, os músculos se movendo suavemente, e então a morena virou. O sorriso sincero, mas havia apreensão também.

— Bom dia.

— Eu te amo.

O suspiro de alívio, as mãos se encontraram. Dizer isso, sem efeitos de nenhuma bebida ou narcótico, era poderoso.

— Eu temi que pela manhã você achasse que foi um erro e se arrependesse.

Às vezes ela era tão ingenua.

— Não foi um erro, Mariana. Eu queria isso, quero isso.

Voluntariamente entrelaçou seus dedos aos dela.

— As coisas vão ser complicadas, não vão?

— As coisas ficaram complicadas no momento você aceitou vir morar aqui. Mas sim, há muito a se lidar. Não se preocupe, eu cuidarei de tudo.

Até o girar de olhos era gracioso.

— Não, Ana, devemos cuidar das coisas juntas.

Gostava quando ela ficava segura das coisas, do brilho em seu olhar. Sorriu. — Okay. Mas vamos deixar isso para depois, hoje não vamos pensar nisso.

Levantaram, foram ao quarto das bebês, deram bom dia em sincronia para as criaturinhas, as pegaram, e desceram, encontrando o resto da família. Tomaram café, elas, Ceci e Rodrigo, e apreciou a tentativa de todos de ignorarem o que havia acontecido no batismo, como podia ter tanta sorte? Sabia que a calmaria não duraria, mas não importava, estava em casa.

Notas finais
Espero que tenham gostado e que esse ship seja mesmo endgame.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!