Take Me Home
36 Run (ouçam essa musica do título , na voz da Leona Lewis)
Notas iniciais
Jane resolveu tentar não ouvir sua memória repetindo incontáveis vezes sobre o assunto que a estava incomodando um pouco , eufemismo para um bocado.
Jane ,não era egoísta e entenderia caso Maura decidisse usar o material genético de Thonny , porém , lá no fundo , ela não queria que isso acontecesse de fato.
Para Jane a história de Thonny e Maura finalmente havia chegado ao fim a partir do momento em que ele pediu perdão a Maura e pediu que a mesma lhe prometesse que seria feliz .
Na cabeça de Jane , ver Maura ter seus óvulos fecundados em laboratório por Thonny , seria como continuar uma história de amor que na cabeça de Jane já estava dada por encerrada , afinal Maura lhe confessara antes do acidente que pouco tempo depois de sua chegada à Boston ela havia de fato se descoberto apaixonada por Jane , e Jane tola nunca percebeu as investidas de Maura , e nunca teve coragem de dizer a ela que nutria por ela tanto ou mais paixão .E assim foi a vida de ambas , entre homens e mais homens tentando esquecer o amor que para elas era proibido .
Deve ser um tanto complexo se descobrir apaixonada por sua melhor amiga .O que você faria caso isso acontecesse ?Estaria disposta a arriscar tudo ?Uma amizade sem igual por um sentimento desconhecido ,haja visto que era a primeira vez que ambas se viam apaixonadas por pessoas do mesmo sexo?
Jane não teve essa coragem , nem tampouco Maura , muito embora hoje , Jane percebe que Maura sempre lhe dera sinais de que sua amizade ia além do normal , e mais uma vez Jane se sentiu tola e lesada pela vida , por sete anos de amor desperdiçado , se sentiu mal por todos os homens a quem ela deu esperança , e sentiu nojo ao imaginar Maura nos braços de qualquer um com quem ela já se envolvera.
A ideia de ver Maura entregue a outrem , ou ainda pior, de gerar um filho de outro estava lhe causando ânsias , mas o amor que Jane sentia por Maura passaria por cima de tudo , e o altruísmo tomaria o lugar do egoísmo , e ela aprenderia a amar aquele pequeno ser , somente pelo fato de ter sido gerado dentro do ventre de Maura .
Jane espantou os pensamentos como se pudesse tirá-los de sua mente e se aproximou de Maura que olhava fixamente pela janela com a testa encostada ao vidro.
—Amor?
Maura virou-se para a morena e a viu fitando-a , tirando-a de seus devaneios.
—Você está bem ?
— Estou , eu só , preciso ...
Jane interrompeu a loira abraçando -a por trás envovendo a pequena pela cintura , Jane escondeu o rosto no pescoço de Maura que o pendeu para o lado dando-lhe ainda mais espaço
—Você precisa de beijos , muitos beijos e cafunés , nada além disso nesse momento é necessário
Jane dizia mordendo delicadamente o lóbulo da orelha de Maura.
—Venha !
—Para onde ?
Jane a segurou pelas mãos e a levou em direção a um poltrona bastante confortável , para usar uma vez ou outra e não por trinta dias como Jane o fizera.
Jane sentou-se inclinando-a para que Maura pudesse se acomodar em seu colo.
—Venha amor , deite -se aqui,eu vou cuidar de você .
Maura , ficou sem jeito , mas ela realmente precisava de cuidados , eu diria que carinho seria a palavra mais adequada.
Maura sentou em se colo de lado , e por alguns instantes pensou quão ridículo era aquela situação.
Jane entendeu que Maura estava receosa , e com sua mão esquerda a buscou pela nuca , e quando teve o rosto de Maura próximo ao seu , ela selou seus lábios , era um beijinho , daqueles que apenas estalam , não havia malícia , nem tampouco paixão , só havia cuidado.
Ao desfazerem o contato entre seus lábios , Maura logo tentou voltar a sua posição , mas mais uma vez Jane a puxou
—Hey , eu disse que ia te ninar , e eu vou !
Maura sorriu incrédula , até que Jane finalmente se acomodou ainda mais na poltrona e com a mão direita no maxilar de Maura , a trouxe para seu ombro , acomodando seu queixo causando leves atritos entre seu queixo e a cabeça de Maura .
Maura sorriu sem que Jane pudesse ver , e relaxou seu corpo sobre o da morena , acariciando com sua mão esquerda a cintura da morena .
Por incrível que possa parecer , aquele contato não excitava Jane , só lhe causava arrepios, mas não de desejo , excitação muito menos luxúria , era apenas a sensação boa que a gente sente quando a brisa bate em nosso rosto , quando sentimos o cheiro da chuva ou quando ouvimos uma música onde a letra ou a melodia nos toca ,aquele toque de Maura era tudo aquilo que trazia calmaria à vida turbulenta de Jane.
Elas ficaram assim por alguns minutos até que ambas adormeceram ,com as batidas dos corações uma da outra e a temperatura amena e aconchegante de seus corpos .
Haviam passado cerca de duas horas, Jane acordou pelo celular do departamento tocando , era Korsack , ele precisava de Jane ,para solucionar alguns mistérios que envolviam algumas crianças e adolescentes que ela e Thonny haviam resgatado .
A notícia do cativeiro encontrado havia tido grande repercussão e muitos parentes recorreram a delegacia a fim de reivindicar a guarda das crianças , que era de fato direito de familiares próximos , porém , Jane teria que investigar como aquelas crianças e adolescentes chegaram às mãos dos traficantes , ela precisava ter certeza que não entregaria nenhuma delas de volta a lares sem estrutura para dar a eles , cuidados e suporte necessário que incluiria tratamento psicológico por anos a fio , senão para uma vida toda .
Jane finalizou a ,ligação dizendo que já estava indo .
Ela tentou sem sucesso mover o corpo delicado de Maura para a cama sem acordá-la , mas Maura acordara no exato momento em que ela buscou impulso para levantar-se com ela no colo.
—Amor , desculpe , eu não queria te acordar
—Tudo bem Jane .
—Eu te machuquei ?
Maura procurava no olhar de Jane se de alguma forma ela tentaria esconder a verdade.
—A posição devia estar tão incômoda pra você;
—Não amor , não foi isso , é que eu recebi uma ligação de Korsack
—Porque Korsack te ligou se ele está aqui ?
—Não amor , ele foi embora mais cedo , ele precisava checar umas informações que Nina encontrou , além de checar a real intenção de familiares que reivindicaram a guarda das crianças e adolescentes de volta .
—Já , entendi , ele precisa de você.
—Sim , eu sinto muito , mas assim que possível eu volto , tente descansar okay ?
—Okay .
Jane beija superficialmente os lábios macios de Maura e acaricia seu rosto , dando -lhe um sorriso de despedida além de soprar um beijo ao se afastar , Jane destravava a porta quando a voz de Maura a fez se virar novamente .
—Eu te amo.
— Eu também te amo Maur.
—Você irá me amar independente da decisão que eu tomar ?
O coração de Jane errou a batida naquele instante, mas ela precisava não transparecer , então ela respirou fundo e respondeu:
—Mesmo que a sua decisão fosse me deixar , eu continuaria te amando Maura .
Maura sorri levemente e seus olhos encontram o chão antes de ver o olhar de Jane se encher de lágrimas.
—Eu jamais te deixaria Jane !
Maura aproxima-se de Jane e a beija , segurando suas mãos, e sentindo as mãos de sua amada suarem entregues às suas
Jane sorri com a afirmação, mas o sorriso que devolveu à Maura , não era precisamente o que Maura esperava .
Na cabeça de Jane , a única decisão que ela poderia estar se referindo era com relação ao uso do material genético de Thonny.
Ela estava cogitando a ideia .. ela teria um filho de Thonny .
Jane dirige apenas um eu te amo à Maura e segue em direção ao elevador.
Jane sabia que as horas seguintes seriam difíceis de se concentrar.
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