Notas iniciais
Oi amores! Aqui está mais um capítulo novinho, sinceramente é o meu preferido até agora haha Espero que vocês gostem, não se esqueçam de comentar! Boa leitura

Os marujos cantavam canções piratas enquanto bebiam e se aqueciam perto da fogueira, mas em um dos troncos Killian ainda encarava Emily, esperando sua reação.
Os três homens ao seu lado observavam a conversa, certos de que Emily iria recusar a proposta de um jeito delicado e aguentar uma piadinha do Capitão.

Nenhum deles conseguiu esconder o espanto quando a garota tomou a garrafa de sua mão e virou um belo gole de rum.

– Não entendo porque vocês gostam de beber isso, o gosto é horrível. — Disse ela calmamente enquanto limpava uma gota que escorria até seu queixo.

Os homens não sabiam o que dizer diante de tal cena.

– Tudo bem, se vão ficar me encarando com essas caras de bobos. — Ela deu de ombros. E lá se foi mais um gole.

Peter foi o primeiro a reagir.

– Aye, você provou que pode beber, que bom Emily. — Ele esticou o braço na frente de Pietro e James, e pegou a garrafa das mãos dela. — Já foi o suficiente, pode voltar a olhar as estrelas.

Ela abriu a boca para protestar, mas antes disso Pietro soltou uma risada.

– Quem diria! A garota bebe como um pirata! AI!! — James o interrompeu dando um tapa em sua cabeça.

– Mas ela não é um pirata. — Ele olhou para ela com uma expressão séria — Emily, não quero te assustar, mas vamos passar horas aqui, com todos esses marujos ficando completamente bêbados, e você é a única mulher da ilha. Aconselho que você se mantenha sóbria o suficiente pra subir aquelas escadas quando eu te levar de volta pro navio, em segurança.

– Não precisam me tratar como criança! Eu agradeço a preocupação, mas eu sei me cuidar.

– Vocês ouviram a garota, ela sabe se cuidar! Ela também merece um dia de folga, aye?! — Killian sorria satisfeito, ainda um pouco perplexo pelo comportamento de Emily.

– Venha Crawford, aproveite a noite como se fosse um pirata! — Ele se levantou do tronco e estendeu a mão para ela, que num impulso acabou aceitando. Não queria mais ser tratada desse modo, como se não pudesse cuidar da própria vida.

Killian a puxou para o outro lado da fogueira, e entregou uma nova garrafa para ela.
James começou a se levantar para impedi-la, mas Peter disse que deixasse ela se divertir um pouco, depois a levariam de volta para o Jolly Roger para dormir em segurança.

Os marujos ensinaram as músicas para Emily, e em pouco tempo ela já cantava junto com eles, pela primeira vez se sentindo parte da tripulação. Realmente bebia como um deles, e todos estavam impressionados com tal fato, por ela ser tão magrinha e ter dito que nunca havia bebido rum.

A maioria da tripulação já estava fora de si após as primeiras horas, dançando e trocando as pernas, rindo de qualquer coisa e cantando à plenos pulmões.
James e Peter bebiam bem pouco, sempre de olho em Emily, e estavam surpresos por ela ainda estar bem, cantando e dançando alegremente. Ela sempre sorria para eles e os chamava para dançar de vez em quando. Nunca a tinham visto sendo tão espontânea.

Enquanto isso, Killian não conseguia tirar os olhos da garota. Quando a desafiou sua intenção era fazê-la perceber que aquele lugar não era para alguém como ela; nunca imaginaria que ela ia aceitar. Depois disso aproveitou para irritar Peter, tirar sua protegida da linha. Mas não podia imaginar que iria se sentir tão atraído por ela.
No navio a garota era tímida e quieta, sua voz só era ouvida se a pegassem conversando com um dos dois amigos. Além disso ela evitava Killian desde o incidente da rede, até no refeitório ela evitava olhar para ele.

Mas agora era diferente. Ela estava diferente. Cantava as canções piratas com tanta empolgação que parecia se orgulhar delas, e dançava em volta da fogueira com um sorriso enorme, sem se preocupar com os marujos à sua volta.

Tudo corria bem, todos se divertiam na ilha deserta, aproveitando a noite fria de outono. Pelo menos até um dos marujos perder a noção de vez, e se aproximar de Emily.

– Vem dançar comigo, belezinha! — Ele se aproximou ainda mais, aos tropeços, passando uma mão pelo rosto da garota — Depois posso te mostrar a ilha, aye?

Antes que Emily pudesse responder, Peter, James e Killian se materializaram entre ela e o homem bêbado.

–Nossa, quantos guarda-costas! Não sabia que a fila para te pegar estava tão grande! — O homem soltou uma gargalhada estrondosa, que só parou quando o punho de James acertou seu rosto, em um soco tão forte que fez o homem cair no chão.

– Aprenda a ter respeito. — Disse James limpando o sangue que respingara em sua mão. O soco parecia ter quebrado o nariz do marujo. Alguns homens riram ao ver a cena, e continuaram bebendo.

– Bom, acho que chega por hoje. Está na hora de levá-la para o navio, Emily. — Disse Peter.

– Mas ainda está cedo! Eu estou me divertindo e..

– Peter tem razão. Melhor levá-la antes que James espanque todos os meus marujos por sua causa. — Killian a olhou com seu típico sorriso debochado, notando agora que ela estava mais alterada do que parecia de longe. Seus grandes olhos azuis estavam praticamente pretos, de tão dilatadas estavam suas pupilas.

– Isso não é justo! Por que tenho que perder minha diversão só porque seus homens não sabem se comportar?! Mande ELES pro navio! — Ela cruzou os braços e bufou. Estava realmente irritada, o que era engraçado.

– Porque eu sou o Capitão, eu mando aqui. Agora vamos.

– Deixe Killian, eu levo ela pro Jolly.

– Não se preocupe, Peter, eu já estava indo de qualquer jeito. Amanhã será um longo dia, já bebi o suficiente. Pode deixar que eu vigio sua aprendiz de pirata.

– Tem certeza de que não vai fazer nenhuma besteira? — James perguntou desconfiado.

– Parem com isso, mates! Vocês me conhecem. Não preciso forçar nenhuma donzela a nada. — E lá estava seu famoso sorriso cafajeste. "E que sorriso", pensou Emily.

– Eu já disse que sei me cuidar, parem de querer mandar em mim. — Ela olhou com cara feia para os três. — Eu não vou. Estou me divertindo e vou ficar aqui.

Ela virou as costas para eles, e pode ouvir Killian dizendo "preparem o bote."
Sentiu seus pés saírem do chão, e o mundo girou. Ela soltou um grito de espanto, e depois de alguns segundos notou que Killian havia jogado-a por cima de seu ombro, e devia estar indo em direção ao bote.

– Me solte! Me ponha no chão seu.. Seu pirata imundo e mal educado! Você não pode me obrigar a ir pro navio, não é justo! Eu vou fazer você se arrepender disso, tá me ouvindo? Me larga agora!!

Ela se debatia enquanto falava, e se espantou quando foi largada no chão. Olhou para Killian sem entender se ele havia mesmo a soltado, até notar que já estavam no bote, e que Peter o empurrava até estarem completamente na água. James também estava no bote, e começou a remar ainda com cara de bravo.

– Traidores! Não podem fazer isso comigo! Eu tenho direitos e...

– CHEGA! Se continuar reclamando vou te afogar aqui mesmo.

Emily se calou imediatamente, sem conseguir se decidir se o Capitão falava sério ou não. A bebida atrapalhava seu raciocínio, e ela ficou debatendo internamente se ele seria capaz de afogá-la.

– Pronto, hora de subir. — James havia remado até chegarem no Jolly Roger, bem ao lado da escada que haviam usado para descer. Emily ficou encarando a escada, boquiaberta, enquanto Killian começou sua difícil tarefa de subir com uma única mão.

James ajudou Emily a começar a subir, mas tinha que se manter equilibrado para que o bote não virasse. A garota se atrapalhou e pisou em seu vestido algumas vezes, mas estava conseguindo. Killian a puxou para dentro do convés, e logo os dois estavam sozinhos no navio.

James remou de volta para a ilha, insatisfeito por deixar Emily sozinha com Killian. Mesmo assim dizia a si mesmo que era apenas preocupação, e não ciúmes. Ele teria ficado no Jolly com eles, mas sabia que não podia deixar Peter sozinho para tomar conta de todos aqueles homens. Sentou-se novamente no tronco de árvore, e suspirou ao pensar nas longas horas até o amanhecer.

Enquanto isso, Emily tentava se equilibrar e sair de perto do Capitão, em quem praticamente tinha caído em cima ao ser puxada para o convés.

Ele respirou fundo, fingindo que sua aproximação não tinha lhe causado nada. Caminhou até a cabine e a destrancou, apontando com o gancho para que Emily entrasse.
Ela entrou ainda em silêncio e parou no meio da cabine, sem saber o que fazer.

– Você está estranha. O que foi?

Ela continuou em silêncio, de costas para ele, e ele pensou que ela não fosse responder.

– Você.. Quero dizer, o senhor Capitão.. Iria mesmo me afogar?

Ele quase riu da pergunta, mas notou pelo seu tom de voz que a pergunta era sincera. Ela realmente tinha acreditado.

– Não, eu não ia te afogar. Apesar de ter sido insultado e desrespeitado. — Ele foi até sua jarra e serviu dois copos de água — Tome, beba tudo, vai me agradecer amanhã.

Ela finalmente se virou para ele, constrangida por tê-lo xingado. Ela pegou o copo sem encará-lo.

– Eu não quis dizer aquilo.. Você não é um pirata imundo, só mal educado.. — Eu dizer isso em voz alta ela corou mais ainda.
E dessa vez Killian não conseguiu não rir.

– E você é uma garota teimosa e sem noção do perigo. — Ele se sentou na beira de sua cama, tomando seu copo d'água.

– Posso lidar com coisas piores que um homem bêbado, você não me conhece. — Sua voz assumiu um tom defensivo e ela suspirou.

Killian ficou curioso.

– Aye? Como o que?

– Não importa. — Ela bebeu seu copo d'água e o colocou de volta no lugar. — Obrigada pela água.

Ela caminhou até a rede e se sentou para retirar suas botas, por pouco não caindo no chão de novo.

– Não vai mesmo me contar? Você é muito fechada, eu não sei nada sobre você.

Emily parou de tirar a segunda bota e o encarou.

– Eu sou muito fechada? Você não tem interesse nenhum de saber nada sobre mim. Me trata com indiferença e desprezo desde que me viu pela primeira vez.

Killian ficou sem palavras. Ela estava certa, ele sabia que sim. E não esperava que ela tivesse essa personalidade forte, mesmo se fosse influência da bebida.

Eles se encararam por um momento, em silêncio, e então Emily voltou a desamarrar sua bota. Ela se levantou e foi ao banheiro, ainda se sentindo tonta e irritada.

Killian continuou sentado em sua cama, pensando nas palavras da garota. Não devia ter tratado ela como tratou. Disse a si mesmo que ia melhorar de agora em diante. Iria pedir desculpas assim que ela saísse do banheiro. Ele só não estava preparado para o que veria.

Emily saiu do banheiro usando apenas a veste branca, e tinha soltado seu cabelo loiro que ficava sempre preso em uma trança. Killian engoliu em seco, sem reação. Ela parecia um anjo vestida assim, mas o tentava mais do que nunca. Ela o ignorou enquanto colocava seu vestido junto à suas coisas, como fazia toda noite, mas sempre antes que o Capitão entrasse para dormir.
Ele tomou coragem para falar com ela enquanto a via lutando contra a rede, sua coordenação motora ainda estava afetada pelo rum.

– Ahn.. Crawford, eu.. Olha — Ele respirou fundo, se amaldiçoando por gaguejar como se fosse o maldito Smee. Emily o olhou por cima do ombro, e a expressão de desprezo em seu rosto não ajudou em nada — Me desculpa, tá? Eu sei que fui um idiota por te tratar do jeito que eu tratei, mas você tem que entender que é difícil ter você no navio.

– Por que? — Ela virou-se de frente para ele, cruzando os braços.
Killian coçou a cabeça com o gancho, tentando decidir se dizia ou não. Se acabasse a conversa assim e a mandasse dormir ela ficaria ainda mais brava.

– É uma história difícil de contar, entenda.

– Você quer que eu entenda algo sem me dizer nada! É culpa minha? Eu faço as coisas serem difíceis? Porque sinceramente só tenho feito o que me mandam desde que pisei nesse navio. Para ser mais exata, faço o que me mandam desde que nasci. — Ela estava frustrada, e parecia prestes a chorar — Essa noite.. Essa noite que não passou de um dia normal de folga pra vocês, foi a primeira vez na vida em que eu me senti livre. Foi a primeira vez que eu pude me divertir de verdade, sem pensar em quem estava olhando, ou no que as pessoas iam dizer sobre mim. Mas em todos os outros dias eu trabalhei e aguentei seus homens, sem reclamar de nada, e fiz o máximo que pude para que você nem notasse minha presença na cabine. Então não espere que eu simplesmente entenda porque você acha tão difícil assim me ter aqui.

Ela respirou fundo e engoliu o choro que havia se formado em sua garganta.

Killian também respirou fundo, tentando absorver tudo que ela tinha dito. Fez sinal para que ela se sentasse ao seu lado, e ela aceitou, ainda tentando se acalmar.

– Eu sinto muito.. Não é culpa sua. É que eu não permito mulheres na minha tripulação.. Não, espera — Ele impediu que Emily o interrompesse — Não é por qualquer motivo que você esteja pensando. A última mulher que fez parte da tripulação foi a Milah.. Ela quis embarcar no Jolly Roger, se tornar pirata e viver as aventuras que ela nunca teria em sua antiga vida. Mas então eu me apaixonei por ela, a amei como nunca achei que fosse amar alguém.

A dor na voz do Capitão era óbvia, e seu rosto demonstrava o quanto aquelas palavras eram difíceis para ele. Emily o observava em silêncio, já se sentindo mal por tudo que havia falado. A pausa foi tão grande que ela achou que ele não fosse terminar a história, estava perdido em suas memórias.

– O que aconteceu com ela? — Sussurrou. Killian pareceu despertar de seus pensamentos, e a olhou com seus belos olhos azuis, que agora pareciam mais intensos do que nunca.

– A tiraram de mim. Um monstro a matou bem diante dos meus olhos. — Ele pos a mão sobre o gancho, relembrando a terrível cena que sempre o atormentava. — Eu jurei que a vingaria, e é por isso que estou indo para a terra sem magia. Vou matar o maldito que a tirou de mim; agora ele não pode mais se esconder por trás da magia das trevas.

– Eu sinto muito. Ninguém deveria sofrer uma perda assim. — Sua mente vagou para a perda de seu próprio pai, e a dor que a acompanhava desde então.

Killian deu um sorriso triste para ela.

– Desde então eu proibi a presença de mulheres no Jolly, e evito a convivência por mais de uma noite.. Não quero correr o risco de me apaixonar de novo.

– Você não é como eu pensava. Não é mal, só está machucado. — Emily colocou uma mão por cima da mão dele, e deu um leve aperto como sinal de apoio. — Mas nenhuma dor dura para sempre. Boa noite, Capitão.

Ela se levantou e deitou-se na rede, e ficou relembrando toda a conversa e pensando em sua vida por alguns minutos, até que adormeceu.
Enquanto isso, Killian deitou-se e encarou o teto da cabine por horas, pensando em Milah, em seu rancor e solidão, e na garota de olhos azuis que dormia a menos de dois metros de sua cama, que escondia por trás de seu belo rosto muito mais do que ela demonstrava. E foi pensando nela que ele finalmente adormeceu.

Notas finais
Me contem o que vocês acharam, espero que estejam gostando! Até o próximo, beijokas
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.