Take Me

15 Eu odeio ele. Quero dizer, eu odeio né?


Notas iniciais
Vocês tem sorte que eu sou minha própria inimiga e aliada de vocês. Eu até queria deixar um suspense para amanhã. Mas eu não consigo ficar com capitulos prontos e não postar.
Bom, nesse tem pegação. Quem não curtir, corra daqui.
Boa Leitura.

Pov. Marie Zoey Somerfeld. (Mazzy)

Rolei na cama, não encontrando o sono. Minha mente estava acordada demais para dormir.

Olhei para as paredes cheias de pôster, para a bagunça organizada do quarto. Tudo no cômodo me fazia lembrar o dono. Ou talvez fosse eu que o via em todos os lugares.

- Ei, tá acordada? — Brian abriu a porta do quarto, entrando lentamente.

- Aham. — disse apenas, vendo-o se aproximar.

- Comprei comida. — ele sorriu fraco. Notei que tinha tomado banho e feito um curativo no corte na testa.

- Você está bem? — perguntei ignorando sua ultima fala, porém meu estômago não me acompanhou nessa iniciativa, roncando alto logo em seguida. Ele pareceu se divertir com isso.

- Na medida do possível. — se sentou ao meu lado na cama, entrando por debaixo do edredom. Segurei o impulso de me aproximar para abraçá-lo.

- Argh. — grunhi irritada com o meu descontrole emocional.

- O que aconteceu? — ele perguntou preocupado, puxando meu rosto para encará-lo.

- Que mágica você fez... pra mim querer ter você por perto como se fosse nossos últimos instantes juntos? Não era pra mim te menosprezar? — perguntei não me importando com o quão banal isso poderia parecer. Ao contrario do que eu pensei que ele faria, que no caso era rir vitorioso, jogando na minha cara que havia vencido nossa guerrinha pessoal mentalmente travada, ele se encolheu mais contra a coberta e se virou para me encarar.

- Eu te digo qual mágica eu fiz se você contar como consegue fazer com que eu me sinta hipnotizado por você. — admitiu, parecendo sincero. Pela primeira vez, estavamos tocando em um assunto sentimental e eu não estava me sentindo desconfortável por encarar as orbes castanhas.

O silêncio se tornou necessário. Preenchia o cômodo e sufocava, mas era necessário.

Eu pensava sobre o que acontecera mais cedo, durante horas. Desde que chegamos. Os garotos tinham ficado aqui um pouco, tempo o bastante para eu tê-los agradecido merecidamente pela bravura. Depois que os pensamentos sobre o perigo em que passamos se foram, os pensamentos sobre o beijo se tornaram evidentes.

- Não precisamos tentar entender, eu acho. — Brian interrompeu o silêncio. — Já nos pegamos outras vezes. — ele sorriu pervertido e eu dei um tapa leve em seu ombro desnudo. — O que eu quero dizer é, nunca ficamos tão focados nesse assunto antes e deu tudo certo, não é? Voltamos a nossa rotina de implicância e discuções e pronto. Podemos nos deixar levar. — concluiu. Parecendo aliviado por ter terminado.

Franzi o cenho, perdendo o foco.

- O que você quer dizer com "nos deixar levar"? — indaguei me sentindo realmente confusa. Ele suspirou, creio que em busca de palavras para me responder. Mordeu o lábio inferior, pensativo. Toda essa espera por respostas me deixou aflita.

- Eu comprei comida. — ele disse novamente, para o meu completo desespero.

- Por que está fugindo do assunto?

- Não estou. — ele fez uma careta, se levantando da cama.

- Ah não, está repetindo o que já disse antes. Não é possível que isso tudo seja fome. — resmunguei, já me sentando na cama.

- Na verdade, é possível sim. Além do mais, eu já tinha finalizado o meu raciocínio. Não tenho que te esclarecer nada.

- Claro que tem, principalmente quando o assunto se trata de mim. — retruquei o seguindo para fora do quarto.

- Viu o que eu disse, estamos discutindo, voltamos a rotina. Acabou a trégua. — ele sorriu irônico.

- Cala a boca Brian, você não presta nem para conversar! — bufei. Já estávamos na cozinha e o cheiro de pizza apetecia o cômodo.

- Com isso eu tenho que concordar com você, eu prefiro muito mais comer a conversar. — ele murmurou um som desconexo, fazendo careta ansiosa enquanto olhava para a pizza rodando no microondas.

- Não sei porque eu ainda insisto em ter uma relação amigável com você.

- Porque ninguém resite a mim. — desviou o olhar do microondas para me encarar, sorrindo convencido.

É um caso perdido.

(...)

Revirei os olhos ao ouvir pela décima vez toda a história contada por Johnny.

- Jojo, chega cara, eles já entenderam. — Jimmy fez careta, voltando a se deitar no meu colo.

- Então quer dizer que vocês foram raptados por mafiosos que quase os mataram? — Thales parecia assustado.

- Foi mais ou menos isso sem os exageros do gnomo. — Matt acentiu.

- Eu disse que esse tal de Damen não era boa coisa. — July comentou enquanto prendia seus cabelos em um rabo de cavalo.

- Ele não teve culpa de nada, na verdade. Só estávamos no lugar errado, na hora errada. — o defendi, ganhando um olhar ameaçador da ruiva.

- Mazzy, não foi bem assim vai, ele trabalhava pra essas caras. Boa coisa não é. — Zacky opinou. Eu já tinha perdido a conta de quantos salgados ele já tinha comido.

- É, mas não sei se vocês perceberam o Brian também trabalha pra eles agora. E nem por isso ele deixa de ser nosso amigo e se torna o vilão da história. — insisti.

- Eu ouvi bem? Você se referiu a mim como seu amigo? — Brian se aproximou com um sorriso maroto.

- Eu disse no geral. — bufei, levemente corada. Ele se sentou ao meu lado e passou o braço por meus ombros.

- Uma enorme mudança pra quem me chutava. — ele sorriu, me fitando.

- Eu vou voltar a te chutar agora se não se afastar. — ameacei, fazendo com que os outros gargalhassem.

- Ela sempre nos amou. — Jimmy disse sério, me abraçando pela cintura.

- Ah vão se foder, se quiserem voltamos a ser inimigos, como antes. — sorri divertida. Era legal estar com eles, apesar de tudo.

- Nunca fomos inimigos, gata. — Matt piscou. — Era só tensão sexual. — foi o que precisávamos para rir escandalosamente.

As pessoas passavam perto de nossa mesa e sussurravam suas opiniões sobre os populares do colégio que agora andavam juntos para todos os lados. Era demais para as pessoas fúteis dessa cidade aguentar.

- Mas ok, temos que sair nesse final de semana. — Jimmy interrompeu o silêncio pós risadas. — Eu experimentei a sensação de quase morte e não foi nada legal, além de até o meu pau estar dolorido por causa dessa brincadeira.

- Pra mim, ok. — concordei, recebendo o olhar curioso dos outros. — O quê? Acharam que eu ficaria de fora?

- Pra mim, perfeito. Eu preciso de bebida e... mulher. — Matt se espreguiçou, olhando para a bunda de duas garotas que passaram ao seu lado.

- Combinado então, a gente vai sair no sábado. Tem uma boate legal em Long Beach... — Zacky comentou então eles embarcaram no assunto dos planos para sábado. E foi assim até o sinal bater.

- Brian? — chamei quando ele já acompanhava os outros para a sala.

- Oi? — ele parou. Esperei que os outros se afastassem e me aproximei dele.

- Mata aula comigo? — pedi. Ele me encarou surpreso por um instante, bagunçando os fios de cabelo desgrenhados.

- Ok, gata. — disse finalmente. Sorri, tratando de puxá-lo pela mão até as portas do fundo do refeitório que davam acesso ao fundo do colégio. — Não vamos sair pelo estacionamento?

- Não quero ir embora, eu quero te mostrar algo. — expliquei breve, ainda o puxando até o muro. Não foi difícil pulá-lo. Afinal, isso havia se tornado um hábito pra mim no primeiro ano. Ele pulou logo atrás de mim e reclamou pelo exercício físico. Revirei os olhos, notando o quão sedentário ele era. Puxei-o de novo levando-nos para a trilha da floresta. Eu sentia falta da campina, do sol batendo em meu rosto, do cheiro das folhas, do vento contra minha pele. Eu sentia falta disso.

- Caralho... — disse quando chegamos. Sorri satisfeita com a atmosfera do local.

- É eu sei. — concordei. Sentei-me no chão repleto de plantas, aproveitando o calor agradável do local.

- Como encontrou esse lugar?

- Eu estava aqui antes de te encontrar fumando lá no muro, lembra? Meu pai me mostrou esse lugar, ele vinha aqui quando estudava no colégio. Ele cuidava desse lugar como se fosse sua própria vida. — expliquei, sentindo uma pontada triste afetar meu coração. Aquela inquietação chata chamada saudade.

Brian sentou-se ao meu lado e ficou me observando por minutos incontáveis.

- O que foi?

- Você é ainda mais branca no sol, tipo, quase transparente. — alegou. Ergui o braço para conferir se era verdade. E me assustei ao ver que parecia um fantasma.

- Sou estranha. — comentei absorta no efeito que a claridade me causava.

- Eu gosto. — ele disse depois de um tempo. Olhei pra ele pensativa. Ele sustentou o olhar. — A gente vai ficar nisso até quando? — suspirou, desviando rapidamente para o lado.

- Eu andei pensando naquilo que você disse. — sorri. Ele franziu o cenho, confuso. — Digo, sobre nos deixar levar. — completei. Seu olhar estava perdido em minha direção, ele absorvia minhas palavras.

- E tirou alguma conclusão? — arqueou uma sobrancelha, na expectativa.

- Na verdade, sim. — acenti. Ele esperou que eu continuasse, mas eu não precisava de palavras.

Engatinhei até ele, que me encarou ainda mais confuso. Mordí o lábio inferior, pensando se realmente era isso o que eu queria. E sim, era isso sim. Eu tive muito tempo para pensar no assunto. Uma noite inteira, na verdade.

Sentei-me sobre o seu colo e ele não se mexeu. Na verdade, ele parecia um tanto tenso. — Qual é, não me obrigue a fazer tudo sozinha. — murmurei contra sua bochecha. Mordi o local levemente, sentindo que ele estremecia. — Brian? Você pode mexer as mãos, sabe. — disse irônica, encarando seu olhar surpreso. Ainda o encarando nos olhos, dei-lhe um beijo leve nos lábios. Outro outro e mais outro. Passei as mãos por suas costas, por debaixo da camiseta que ele usava. Fechei os olhos para sentir o calor da pele dele. — Não faça com que eu me arrependa. — sussurrei.

- Não vou. — ele disse apenas, tomando minha boca na sua. O beijo era urgente, descontrolado e molhado.

Ele apertou minha cintura e tirou minha camiseta, arranhando o trajeto.

Mordi com força o lábio inferior dele que grunhiu com a ação. Sorri em meio ao beijo satisfeita por causar tudo isso nele. Quando menos esperava ele estava deitado por cima de mim no meio das plantas.

Era tão engraçado. Eu devia fazer isso mais vezes, com certeza.

Minha mão se embolou ao seu cabelo, bagunçando ainda mais e tenho certeza, deixando marcas. Ele se voltou para meu pescoço, mordendo, chupando, lambendo, causando inúmeras sensações prazerosas.

Respirei fundo, já sentindo o arrepio baixo ventre, a vontade de esquecer o local em que estávamos e jogar tudo pro ar.

- Brian... vamos parar, pode chegar alguém! — eu o empurrei lentamente.

- Não me importo. — ele insistiu, beijando o rastro por onde seus dedos habilidosos passavam abaixando as alças do sutiã.

- Arrgh! Não faz iss... ow! — tarde demais. Eu me contorci de todas as formas possíveis.

Beijei, mordi, fui mordida... Eu só me perguntava por que eu não conseguia parar.

(...)

Cai nas plantas molhadas já no campo do colégio. Comecei a rir incontrolável enquanto Brian ainda pulava.

- Era pra você me ajudar, filho da puta. — me levantei, limpando os jeans sujos pela relva. Quando tinha acabado de me limpar, ele se jogou em cima de mim, fazendo com que rolássemos no chão. Logo estávamos nos agarrando de novo. Eu senti meus lábios inchados pedirem por clemência a cada mordida. — Não! Para! Aqui qualquer um pode nos ver, sai de cima. — o empurrei divertida. O sinal tocou e saí correndo pelas portas do refeitório, sendo acompanhada por Brian.

- Ei, onde vocês estavam? — July me empurrou quando nos viu chegando no corredor principal.

- Na educação física. — Brian segurou o riso.

- EF? Mas a quadra fica pra lá. — ela apontou para o lado oposto em que havíamos chegado.

- É, eu sei né. É que Brian caiu durante a aula e viemos aqui na enfermaria. — tentei soar convincente, apontando para a porta da enfermaria logo atrás.

- Hm. — July pareceu aceitar. Pisquei para Brian que retribuiu o gesto indo na direção dos garotos que estavam um pouco mais a frente.

- Tá suada. — July comentou fazendo careta.

- Você me ama do mesmo jeito. – abracei-a que reclamou, tentando me empurrar para longe.

- Você tá sujinha Marie, que porra!

- Ah sua frescurenta. — a soltei impaciente. Ela depositou um soco nas minhas costas quando estávamos próximas ao carro do seu pai. — Me dá uma carona até a casa do Brian? — pedi antes que ela entrasse.

- Ué, por que não vai com ele?

- Ele vai sair com os meninos agora, eu não queria encher o saco e ficar no pé deles. — expliquei. E era verdade, eles tinham combinado de ir jogar paintball. July acentiu ao entrar no carro. Então eu a acompanhei para fora do estacionamento do colégio.

- Você está estranhamente... Alegre. Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou depois de instantes.

- Mh-hm. — murmurei evasiva e voltei a cantarolar a música que tocava no rádio. Eu não gostava de mentir para a July mas eu não tinha o que contar. "Fiquei com o Brian, July". Parecia tão ridículo em voz alta. É melhor guardar para mim, afinal, isso é passageiro. Só estamos nos divertindo.

Essa atração toda vai passar. Eu espero.

(...)

Abri a porta do apartamento com a chave reserva que Brian tinha me dado.

- Oi? — disse alto.

- Marie? Chegou cedo querida. — Papa Gates apareceu na porta da cozinha.

- Hey! Tudo bem? — sorri simpática.

- Sim, acabei de fazer donuts, aceita? — ele perguntou gentil.

- Arhm, ... ok. — o segui. Papa Gates tinha sido muito legal por me deixar ficar aqui. Além de ter dado total liberdade para que eu usufruisse de sua casa como se fosse minha. É óbvio que eu ficava sem graça, né. Principalmente porque ele deixou óbvia suas desconfianças para com o relacionamento que eu tenho com o seu filho. Além de deixar óbvio também, o quão entusiasmado ele estava com isso.

- Cadê o Junior? — perguntou quando me sentei na bancada, vislumbrando os donuts sobre a mesma.

- Saiu com os amigos. Abriu um campo de paintball na cidade, eles estavam ansiosos para conhecer. — disse antes da primeira mordida.

- Não quis ir junto? — se escorou na pia para me encarar.

- Achei melhor não atrapalhar o programa só para garotos. — expliquei. Ele concordou, fazendo uma careta em seguida.

- Acabei de me lembrar que deixei a banheira enxendo lá em cima, já deve ter transbordado. Se me der licença... — e saiu correndo escada acima enquanto eu ria de seu ato desastroso.

- Hmm. — ronronei me deliciando com os donuts deliciosos. Quando estava no terceiro, a campainha tocou, interrompendo minha refeição.

Corri na direção da porta, parando ao lado dela apenas para ver se meu rosto não estava sujo.

Sorri antes de abrir a porta, tentando parecer casualmente gentil, assim como Papa Gates fazia. Mas o sorriso se desmanchou ao ver quem estava parada no corredor, me encarando.

- Marie. — a mulher disse com amargura.

Mulher essa que um dia eu chamei de mãe.

Notas finais
Lembrando que pode ter erros, eu estou tentando revisar inúmeras vezes, mas vocês sabem.
Reviews? Por favor, postei dois capitulos em uma só noite. (: