Take It Slow
1 baby, take it slow (único)
Notas iniciais
boa leitura a todos ♥
Chovia forte naquela tarde. De dentro do apartamento, porém, o rapaz parecia não reparar nesse detalhe. Observava a garota, de cabelos louros e ondulados que lhe escondiam parte do rosto, chorosa à sua frente. Após esta mover algumas mechas para o lado, pôde então encarar melhor seus olhos. Ela sofria e o culpava por isso. Foi quando um estalo ecoou pelo local.
Ji-Yong sentiu o rosto arder. Pousou uma das mãos onde recebera a bofetada, na tentativa falha de diminuir a dor. “Canalha!... Você é igual aos outros!”, a voz fina e ainda nervosa lhe machucou um pouco mais do que imaginara. “Sandara, por favor...”, tentou retrucar, mesmo sabendo que seria inútil. “Só pare com este escândalo. Você sabe muito bem porque eu quis terminar contigo...”, Ji-Yong começou a andar em círculos, evitando encarar a garota.
Com isso, evitou também ver o momento em que ela saíra do apartamento batendo a porta atrás de si. Não era algo que ele esperasse que fosse acontecer, mas agradecia de qualquer forma pela reação da moça. Pouco depois, o som do celular o sobressaltou. Um pedido para que comparecesse à gravadora. Não tinha a menor vontade de ir, mas sentia certa necessidade – e pressão –, então logo descia à garagem do prédio de onde morava.
Enquanto dirigia, recebeu outra mensagem, porém, não deu atenção alguma para esta. Respirava cada vez mais rápido à medida que se aproximava do local de destino. Não muito depois, já se encontrava no décimo andar observando cuidadosamente uma das salas onde costumava ensaiar. No entanto, encontrou apenas um de seus amigos ali. Estava próximo à janela, observando o que quer que fosse. Andou até ele e o abraçou por trás, despertando-o de seus pensamentos.
“O que houve, hyung? Parece tão preocupado...”, a voz do rapaz mal saía, mas o outro pareceu entendê-lo bem. Gentilmente, pegou uma de suas mãos e puxou Ji-Yong para mais perto, passando o braço por seus ombros. Podia vê-lo sorrir de um jeito sem graça, como se sentisse culpado por algo. “Achei que deveria saber que os outros não virão. SeungRi está doente e Taeyang e Daesung tiveram outros compromissos.”, SeungHyun falou enfim, deixando o amigo um tanto aflito.
Ji-Yong tinha o olhar apreensivo sobre o mais velho, que evitava qualquer tipo de contato visual. Desfez o abraço e virou-se, começando a andar devagar em direção à porta. Estava um pouco frustado – mais do que já se encontrava antes – e resolveu ir embora antes que descontasse no amigo. “Ji-Yong, eu estive pensando numa coisa.”, a voz forte o assustou, mas não se virou nem ao menos para responder com o olhar.
Logo o rapaz o abraçava novamente. Ji-Yong deixou um sorriso escapar, mesmo que ele não soubesse o que havia acontecido, era exatamente daquilo que precisava. Ao ficar de frente para ele, envolveu-o pela cintura com os braços e encostou a testa em seu peito. No mínimo, SeungHyun ficara confuso, mas não se importava. “Não quer saber o que eu ia dizer?”, sentiu alguns cutucões no braço e riu. “Estive pensando em folgar hoje também. Você podia vir comigo, não tem muita graça beber sozinho.”, sua expressão não era mais tão séria, sorria docemente para o garoto que o abraçava.
“Está me chamando pra sair, hyung?”, Ji-Yong o olhou, fingindo falso desentendimento. SeungHyun ainda sorria, tendo agora a face um tanto rubra, o que confirmou a teoria do menor. “Tudo bem, eu vou.”, sorriu também, fazendo o vermelho no rosto do outro clarear levemente.
Então, o silêncio predominou. Ji-Yong estava um pouco afastado de seu hyung, que o observava de onde estava. Caminhavam devagar até o carro de SeungHyun, e apesar de estar com a mente um tanto conturbada, o menor nada disse. Por todo o percurso, ficou calado e sem encarar o amigo.
Subitamente, surpreendeu-se ao ver o carro entrar na garagem de um prédio alto. Era onde SeungHyun morava. Desligado o veículo, os dois se entreolharam. “Tenho uns problemas para resolver, mas não queria que ficasse sozinho por aí.”, Ji-Yong riu involuntáriamente ao ouvir aquilo. “É sério, Ji-Yong, não quero que fique sozinho hoje...”, o mais velho retrucou sério, e o rapaz pareceu desconfortável.
Devagar, pegou o celular, com ele em mãos, abriu a pasta de mensagens recebidas e mostrou a mais recente para o amigo. “Sandara me mandou isso por engano e tentei te avisar, mas acho que você não viu.”, disse em tom baixo, sem olhar diretamente para o amigo. Aquele imbecil do Ji-Yong terminou comigo, era o que se lia na mensagem. Havia mais algumas linhas, mas o mais novo não conseguiu ir adiante.
“Não precisa se preocupar comigo, eu estou bem.”, Ji-Yong proferiu e, sem pensar muito, abriu a porta do carro. SeungHyun fez o mesmo e foi atrás dele. Segurou-o pela mão e o puxou para perto. Tão perto que seus rostos pareciam estar unidos. “Você não está nada bem, eu sei disso. Quero te ajudar, pode contar comigo, ok?”, sorriu acolhedor. Ji-Yong sentiu os olhos cheios d’água, mas se recusava a chorar ou a tocar no assunto novamente.
Sem excitar, subiram ao apartamento e juntos seguiram para o quarto do mais velho. SeungHyun encostou-se na cabeceira da cama e esticou os braços para o outro. Ji-Yong ponderou, e decidiu por recusar seu pedido silencioso. Ao invés disso, deitou-se na cama de qualquer jeito, fazendo o amigo rir. Não viu, então, quando este se levantou. Alguns minutos se passaram desde a última troca de palavras entre os dois, e antes que Ji-Yong pudesse acabar com o silêncio, foi surpreendido pela iniciativa do outro, que se encontrava em pé ao seu lado agora. “Encontrei isso outro dia, enquanto arrumava o armário. São suas.”, proferiu ao sentar-se na cama novamente, trazia consigo algumas camisetas, calças e peças íntimas. “Se vamos mesmo sair, acho que vai querer se trocar, não?”
Ji-Yong não respondeu de imediato. Mais uma vez, viu-o estender os braços em sua direção, o correspondendo desta vez. “Acho que prefiro ficar quieto um pouco. Não quero sair, não agora.”, enfim retrucou num murmúrio deprimido. Os braços alheios o puxavam para mais perto, acomodando-o ainda mais. Incomodou-se de início, mas estar nos braços de alguém que se importava era o que necessitava no momento.
Pouco depois, SeungHyun percebeu que o rapaz dormia em seus braços. Riu daquela situação, talvez porque achasse antes improvável de acontecer. Depositou um beijo em sua testa e, devagar, deitou-o na cama. Observou-o por alguns momentos antes de se levantar. Ainda iria fazê-lo falar algo que prestasse, pois sabia o quanto estava magoado com o que acontecera. Era só uma questão de tempo para ajudá-lo a ficar bem novamente.
•••
Could you spent this night with me?
In the morning light, you'll understand my words
Will you not worry about a thing?
I want you let your worries go and accept me
Ji-Yong acordou assustado. Sentou-se na cama e analisou tudo à sua volta. Já era quase noite e estava sozinho. Sobre seu corpo, um lençol de seda prata, colocou-o de lado e então se levantou. Devagar, caminhou até à porta do quarto e abriu-a cautelosamente. Estudava o ambiente, até reparar num pequeno movimento na sala de estar.
“Hyung? Onde você está?”, indagou ainda tímido e com certo receio. Ao chegar à sala deparou-se com SeungHyun, que sorriu docemente ao vê-lo desperto, sentado em uma poltrona de couro num canto próximo à janela. “Dormiu bem? Espero que não tenha acordado por minha causa.”, disse enquanto deixava o notebook em cima da mesa. “Venha, sente-se aqui comigo”, pediu ao sentar-se no sofá.
Ji-Yong hesitou um pouco, mas logo se moveu para perto dele. Sentou-se na outra extremidade do sofá, provocando o riso do outro. “Por que está tão longe? Pode vir para mais perto, se quiser.”, no entanto o garoto não se moveu. Encostou-se no sofá e perdeu-se em pensamentos. Achava que SeungHyun estava um tanto estranho, porém, não queria dizer nada. Um toque leve em sua mão o tirou dos devaneios. “Você está bem? Precisa de alguma coisa?”, Tabi pousou um olhar preocupado no amigo.
Ji-Yong hesitou em responder. Sorriu torto e, por fim, virou-se de frente para o rapaz. “Só não quero ficar sozinho. Será que eu posso... passar a noite aqui?” as palavras saíram de uma vez e se arrependeu amargamente de tê-lo feito. Tinha o rosto rubro, e SeungHyun riu. “É claro que pode, por que não?” disse solidário. “Vou fazer alguma coisa pra gente comer, se quiser ir tomar um banho enquanto isso, você sabe onde pegar suas coisas.”, finalizou antes de se levantar.
Entretanto, antes de seguir para a cozinha, parou. Tirou uma chave de seu bolso e entregou ao menor, sem dizer nada. Logo, já estava atrás do balcão e começava a pegar algumas coisas. Ji-Yong suspirou e tardou o máximo que pôde antes de levantar e sumir pelo corredor que levava ao único quarto do apartamento.
Deixou a chave que recebera em cima da cômoda e em seguida procurou por suas roupas e uma toalha limpa. Tirou as roupas que vestia pouco a pouco, jogando-as em qualquer canto. Quando entrou no box do banheiro, sua única preocupação era relaxar. No entanto, ainda tinha as cenas do ocorrido lhe perturbando a mente. Fechou os olhos e deixou a água morna cair sobre sua cabeça. Queria evitar aquelas cenas, mas era quase impossível esquecê-las, mesmo que por alguns segundos.
E quando não era o término do namoro, era seu hyung que lhe vinha à mente. Achava estranha toda essa preocupação repentina, apesar de admitir gostar de ter alguma atenção do mais velho. Mas considerava desnecessária no momento e estranhava tê-lo assim tão perto de repente. Qual foi sua surpresa ao ouvir seu nome vindo do quarto, o forçado a parar a reflexão sobre o comportamento incomum do companheiro.
The faint sound of your breathing is heard
As your figure is timidly draws near me
My heart starts to pound
I want to feel you
“Ji-Yong, está tudo bem? Precisa de alguma coisa?”, SeungHyun carregava certa preocupação na voz. Pouco depois Ji-Yong já havia desligado registro e enrolava a toalha na cintura. Destrancou a porta e deparou-se com o amigo sentando à beira da cama. “Ah, me perdoe, eu não sabia que... vou te deixar sozinho para se vestir.”, sorriu desconcertado e se levantou, mas não chegou a sair. “Espere! Eu não me importo. Posso me vestir no banheiro, eu só me esqueci de pegar minhas roupas.”, o mais novo sentiu o rosto queimar por dizer algo tão bobo. Tratou de recolher tudo e voltar para o banheiro.
Ji-Yong repreendia-se mentalmente pelo que tinha dito, porém sem saber muito o motivo. De fato, se ele o veria nu ou não, não o importava. Já sabia o quanto queria e precisava do maior por perto e agradecia por tê-lo fazendo isso tudo por ele. Não como um amigo, talvez como um irmão mais velho. Ou só como alguém que se importava e queria vê-lo bem.
Voltando ao quarto, agora vestido, encontrou-o próximo à janela, com os braços para trás e o olhar distante. Automaticamente, passou os braços em volta de seu corpo, envolvendo-o num abraço igual aquele de quando chegara à gravadora no início daquela tarde. Encostou a testa em suas costas e assim ficou. Podia acompanhar sua respiração lenta e gostava disso. “Ji-Yong, pode vir mais perto?”, o pedido o surpreendeu, mas atendeu a ele. “Ah, aquelas chaves são do seu carro. Fui buscá-lo enquanto você dormia.”, dissera ao ajeitar o rapaz em seus braços.
O garoto ficou pratimamente na mesma posição em que estava, mas agora com a cabeça encostada no peito de seu hyung. SeungHyun apertou-o mais contra seu corpo, baguçando seu cabelo ainda molhado. “Hyung, o que aconteceu contigo? Por que ficou assim de repente?”, deixou as palavras escaparem e sentiu os afagos que recebia pararem em seguida. “Eu gosto tanto quando estou com você e quando cuida de mim, mas estou bem, não devia se preocupar.”, enfim o que pensava estava exposto e não tinha como voltar atrás.
Can we cover the hot bright lights?
Don't be shy; I want you close to me
Will you not suspect anything?
I just want to know more about you
Uma pontada de arrependimento e um aperto no coração surgiram no mais novo, assim que ficaram de frente um para o outro novamente. SeungHyun sorriu e acariciou seu rosto. Ji-Yong sentia-se mal por ter dito aquilo, e a consequência disto eram lágrimas grossas escorrendo de seus olhos. “Pare com isso, Ji-Yong. Mas você está certo, me perdoe se eu estou sendo protetor demais. É só...”, não terminou de dizer e não fora cobrado para isso.
Havia certa tensão entre os dois, entretanto, era o de menos no momento. Um cheiro de queimado invadiu o quarto e SeungHyun tratou de voltar para a cozinha. Quanto ao outro, refletiu até decidir segui-lo e tentar ajudar. Ao chegar lá, encontrou uma panela queimada e seu hyung completamente desesperado jogando fora a comida praticamente carbonizada. “Eu sabia que tinha me esquecido de algo. E agora não sei mais o que fazer.”, dizia num tom um tanto baixo, contanto o outro pôde ouví-lo.
“Ei, se quer saber de uma coisa, eu não ligo.”, disse o menor de repente. Agora, os dois voltavam a se encarar e o clima pesado elevou-se um pouco. “Se estava preocupado comigo, não precisava, estou sem fome.”, finalizou e abaixou o rosto. Não querendo esperar alguma reação do mais velho, seguiu para o quarto desse e sentou-se na cama, de frente para a janela. Olhou para cima, em direção ao céu e tentou se distrair.
Tudo o questionava agora era se havia magoado o amigo. Não queria isso, e naquele momento percebia o quanto o maior estava se esforçando para ajudar. Talvez fosse egoísta demais para aceitar, e mesmo sendo recente o fim do namoro, algo lhe faltava. Há algum tempo já se sentia vazio e o fato de ter deixado Sandara partir só o fazia sentir-se pior.
Lágrimas continuavam a escorrer por seu rosto. Não quis pará-las, precisava delas. Um pequeno ruído no quarto chamou sua atenção, mas ignorou. “Por que está chorando? Me diga, por favor.”, SeungHyun questionava brandamente. Chegou perto de Ji-Yong, tentando ficar em seu campo de visão, tentou secar as lágrimas e acariciou seu rosto. “Eu não sei, eu realmente não sei.”, tentou não tropeçar nas palavras, tinha a respiração falha. “Só... me deixe em paz, por favor.”, se levantou.
Sem excitar, pegou as chaves em cima do móvel e seguiu em direção à porta. Não importava se estava imitando o ato da ex-namorada, queria apenas ir embora. Desceu as escadas o mais rápido que pôde, ignorando SeungHyun que o seguia e chamava por seu nome. Olhava para trás constantemente e a imagem do outro ficava cada vez mais próxima. Contrário ao que se era esperado, foi diminuindo os passos. Ensaiou algumas palavras, qualquer coisa que fosse válida para deixá-lo longe.
O que não esperava era a reação repentina do outro. Quando próximo ao seu carro, após Ji-Yong parar a fuga, SeungHyun pediu sua atenção. Como não teve resposta, pousou uma das mãos num ombro do rapaz. “Por favor, você quer me ouvir?”, e, agindo por impulso, o puxou de forma violenta para si. O olhar choroso do menor o deixava agoniado, mas continuou a encará-lo.
“Não posso hyung, eu não estou com cabeça para --“, mas teve a frase interrompida pelos lábios do mais velho nos seus. SeungHyun o abraçou e tentou aprofundar o ato, sendo rejeitado no começo. Mas não demorou até que Ji-Yong se deixasse levar, o correspondendo. Podia sentir o desespero nos movimentos rápidos e nas carícias que recebia. Ainda assim se entregou. Mesmo que aquilo pudesse trazer (ainda mais) problemas.
The faint sound of your breathing
Keeps my hands from staying still
My clothes are soaked and dripping from the heat
Accept this part of me
Após alguns instantes, se separaram ofegantes. Ji-Yong continuou de olhos fechados e não desfez o abraço. “Hyung, o-o que f-foi isso? Por que t-tão d-de repent-te?”, normalizava ainda a respiração e procurava se acalmar. Sem resposta. Um sinto muito fora dito, mas apenas isso. Ji-Yong enfim saiu de seus braços e seguiu para o carro. SeungHyun apenas o observou indo embora e ficou mais alguns instantes na garagem após a saída dele, pensando no que havia feito e no que sua atitude poderia causar. Se a relação entre os dois já estava ruim, se encontrava a ponto de piorar de vez – se é que havia como isso acontecer.
De volta ao apartamento, deitou-se no sofá e colocou-se a pensar. Tinha conseguido magoar seu melhor amigo e deixá-lo pior do que já estava. Não queria nem pensar no quanto aquilo podia afetar sua amizade ou – torcia para que não chegasse a esse ponto – suas relações de trabalho. Sem que percebesse, já estava em seu quarto e caminhava em círculos pelo cômodo. Na cama, havia uma blusa de moletom. Ji-Yong devia ter esquecido ali. Pegou a peça de roupa e a segurou por alguns instantes. Sentiu um aperto no coração e jogou-a de lado novamente.
Era assustador pensar no que poderia acontecer. Estava com o celular no bolso da calça e teve uma ideia. Se ligasse, ele não atenderia, sem a menor dúvida. Então, decidiu escrever. Eu sinto muito, por favor, me perdoe, foi o que sobrou. Enviada a mensagem, não sabia se ficava melhor ou pior. Queria apenas esquecer tudo por algum tempo.
Quanto ao garoto, apesar de todo o nervosismo, conseguira chegar sem demora e seguro onde morava. Devagar, após entrar em seu apartamento, seguiu ao bar e pegou a primeira garrafa que encontrara. Uma Johnnie Walker Red Label. Contou um, dois, cinco copos e aí perdeu a conta. Olhou o celular em cima do balcão e a tela estava acesa.
Se já se encontrava sobre efeito do álcool ou se estava com raiva de seu hyung pelo ato inesperado, não sabia, mas se encontrava em prantos novamente. E, definitivamente, sentia raiva. Sem pensar duas vezes, atirou o celular contra a parede e assistiu o aparelho quebrar-se. Começou a soluçar entre as lágrimas. Doía. Por algum motivo, doía muito.
Não sabia a quem culpar, mas chegou à conclusão de que ele mesmo era o culpado. O gosto do álcool em sua boca não podia substituir o gosto doce do beijo que recebera naquela noite. Ainda podia senti-lo ali, consigo. Como se tivesse esperado aquilo por anos e agora fazia questão de lembrar-se para sempre. Porque tinha sido bom e havia gostado.
Voltou ao balcão e encheu o copo de novo, virando-o de uma vez em questão de segundos. Não sentia mais o álcool queimar em sua garganta. Ainda esperava que aquilo fosse ajudá-lo, mesmo sabendo que não iria dar em nada beber tanto. Não custava tentar, ao menos iria ajudá-lo a esquecer por um curto tempo. E tentaria a noite toda se fosse preciso.
We can take it slow, with our shaking hands
Touch me with your smooth lips
Just like this, stay close to me
Whisper in my ear and tempt me with your love
• • •
Depois do ocorrido, foi difícil para SeungHyun tentar algum contato com Ji-Yong. Não apenas ele, os outros também tentaram. Dia após dia, o garoto mal dava sinal de vida. Dizia o empresário que Ji-Yong pedira um tempo de folga, mas não dissera quanto duraria. YoungBae telefonou, e até chegou a receber resposta. Mas com o tempo, a única coisa que recebia era um: sua chamada está sendo encaminhada para a caixa postal, tanto do celular quanto do telefone fixo.
Aquilo remoía SeungHyun por dentro, sentia-se tremendamente culpado. Sem que percebesse, começou a se isolar também. Estava lá com seus amigos, mas ainda assim parecia que estava sozinho. “Hyung, vai ficar tudo bem.”, SeungRi costumava dizer-lhe isso sempre. Agradecia, mas logo voltava à seu mundo particular. A cada dia que passava sem receber noticias mais dor e culpa sentia.
Aconteceu que duas semanas se passaram. Nenhum deles tentava mais contatar Ji-Yong, apesar da preocupação ser continua. Fazia frio naquela segunda-feira de outono, já próximo ao inverno. Daesung e SeungRi conversavam animadamente, enquanto YoungBae ensaiava alguns passos em outro ponto do salão. SeungHyun tentava relaxar com os fones de ouvido, sentado no chão e encostado na parede, aparentando sonolência.
Um barulho no corredor foi ouvido, e apesar de ter chamado atenção, nenhum deles deu importância muito grande. Outro barulho, e então a porta se abriu. Daesung deu um sorriso largo e foi em direção à pessoa que havia chegado. “Aish, já era hora de aparecer, Ji-Yong!”, exclamou após desfazer o abraço.
Tabi demorou para situar-se e perceber o que acontecia ali. Ainda um tanto lento, tirou os fones de ouvido e levantou-se. Deixou um sorriso escapar ao ver Ji-Yong abraçado em SeungRi. O menor sorria também e estava tão diferente da última vez em que o vira. “Ei, não vai falar comigo?”, cobrou ao chegar mais perto, cutucando seu braço. Enfim, o viu estender os braços.
Foi um abraço simples, mas confortável e acolhedor. Por todo o tempo em que ficaram abraçados, Tabi esqueceu-se de todo resto, de toda a culpa e toda a dor que o atormentaram por duas longas semanas. Ainda o via sorrir quando se separaram, e isso o fez se sentir relativamente bem.
Em pouco tempo, os rapazes já ensaiavam como cinco novamente. Mas apesar de não aparentarem, ainda estavam preocupados com Ji-Yong. Depois de tantos dias sem ensaiar, talvez ele pudesse ter problemas ou se atrapalhar com algo. Mas ao contrário disso, ele estava muito bem. Dominava tudo com perfeição, o que os deixava surpresos. Em um momento de pausa, Ji-Yong fora cerrcado pelos amigos, exceto por seu hyung. Este ainda tinha certo receio em chegar perto demais dele, embora não conseguisse evitar colocá-lo em seu campo de visão.
Vez ou outra os olhares se encontravam, e em todas as vezes, Tabi sentia uma dor inexplicável em seu peito. Quando achou que não aguentaria mais, viu-o sorrir e se aproximar. Fechou os olhos por algum tempo, abaixou a cabeça e virou-se, começou a andar em direção à porta. “Hyung, espere! Aonde vai?”, Ji-Yong perguntou. O rapaz parou, mas fez questão de não olhar para trás. “Não sei. Preciso respirar um pouco.”, e saiu de vez.
Ji-Yong tentou falar novamente, mas SeungHyun já havia saído da sala. De lá, o rapaz subiu as escadas e seguiu até o terraço. Observava o movimento ao longe e tentava deixar a mente livre de pensamentos que o deixassem perturbado. Sentia o vento frio bater contra o rosto e curvou os lábios em um sorriso. Gostava daquilo, era algo que lhe acalmava de certa forma.
“Hyung, está tudo bem com você?”, a voz de SeungRi o sobressaltou. Voltou-se para o amigo e tentou sorrir, mas aquilo não o convenceu. “Não finja que está tudo bem, a gente sabe que aconteceu alguma coisa.”, o garoto ia continuar, mas algo o fez deter-se, olhou para trás repetidas vezes.
“Aish, é claro que estou bem, de onde tirou isso?”, riu ironicamente. Estava mais do que claro que ele estava mentindo, o que fazia SeungRi não acreditara no que dizia. O garoto continuava a olhar para trás e ensaiava algumas palavras para dizer. “Não quero lhe preocupar, mas parece que Ji-Yong estava chorando. Daesung percebeu isso logo depois que você saiu da sala.”
Tabi arregalou os olhos e sentiu a respiração parar por um segundo. Claro que o mais novo poderia estar chorando por qualquer motivo, entretanto sabia que não era bem assim. “Ele ao menos disse por que está chorando?”, perguntou, mas SeungRi não respondeu, murmurou um vamos e voltou para dentro do prédio. Ji-Yong estava abraçado à Daesung num canto do estúdio. O mais novo mal se mexia, agarrava o corpo alheio como se tudo se limitasse apenas nisso. Por um momento, Tabi achou que seu coração fosse partir.
Daesung afagava seu braço o puxando contra seu corpo, deixando-o chorar em sua camisa, sem se importar com a mancha que já se formara. “Ele se recusa a falar, não sei mais o que fazer.”, sussurrou. A única reação de SeungHyun foi desviar o rosto, não queria ver aquilo, mas sentia que merecia. Tentou tocar seu braço gentilmente e o garoto pareceu não se importar com aquilo. “Não acha melhor deixarmos ele sozinho um pouco? Qualquer hora ele vai falar...”, Taeyang sugeriu e todos os outros concordaram.
Tabi tentou se concentrar em qualquer outra coisa enquanto os outros voltavam a se organizar. Estava no fundo do salão, tentando observar as outras pessoas à sua volta, mas seu olhar sempre caía no mesmo indivíduo. Pelo visto, Daesung conseguira acalmá-lo, no entanto nenhum dos dois parecia entusiasmado como mais cedo estavam.
Vez ou outra percebia um olhar nada discreto da parte de Daesung. Tentava desviar, mas agora que o amigo lhe mandava olhares de reprovação a todo instante, era impossível negar a curiosidade. Cuidadosamente, passou pelos dois e, pouco depois estava fora do recinto novamente. Encostou as costas em uma das paredes e suspirou. Não queria voltar lá, mas para onde mais iria? Começou a andar devagar, mas antes que começasse a subir as escadas, um ruído o fez parar e olhar para trás.
“Ah, aí está você. Pode me dizer por que ele está assim?”, era Daesung quem lhe dirigia a pergunta, e ele estava longe de parecer calmo. “Ji-Yong me contou que está triste contigo por causa de algo que fez, ele achou que você tivesse mudado.”, SeungHyun encarava a expressão séria que o outro mantinha. Não conseguia nem imaginar o que Ji-Yong havia lhe dito, mas isso não importava.
“Nós brigamos, tá legal? Foi uma discussão e acho que fiz mais do que devia naquele dia...”, Tabi respondera exaltado. “Ele foi um idiota também por não me deixar falar. Eu não ligo mais, se quer saber.” Daesung recuou dois passos e respirou fundo. Arregalou os pequenos olhos ao direcionar o olhar para a porta. Ji-Yong apareceu, com uma expressão triste no rosto, embora não chorasse mais. “Hyung, será que podemos conversar?”
Daesung se retirou e os dois ficaram sozinhos. Ji-Yong começou a subir as escadas e SeungHyun o seguiu, logo estavam no terraço do prédio – em silêncio e sem a coragem necessária, apenas os dois. Estava anoitecendo rápido, as luzes do prédio já se acendiam aos poucos, como a distância entre os dois que diminua gradativamente.
“Por que fez isso? Mais um dia e eu não sei o que faria. Podia ter avisado...”, Tabi murmurou de repente, sem olhar diretamente para o garoto. Ji-Yong engoliu em seco e, timidamente, segurou uma das mãos do mais velho. “Achei que não ligasse mais para o que eu fizesse ou deixasse de fazer.”, e separou-se dele. “Ouvi a sua conversa com o Daesung, não te falei nada, porque não queria que ficasse preocupado, se ainda quer saber.”, virou-se, então, e começou a caminhar de volta para dentro.
“Ji-Yong, espere, por favor!”, mas não teve resposta. Viu o rapaz entrar sem ao menos olhar para trás. Respirou fundo e enrolou o máximo que pôde até entrar novamente e fazer o mesmo caminho pela segunda vez no dia. Estava tudo aparentemente normal quando chegou ao salão onde ensaiavam mais cedo, se não fosse pela agitação ocasionada pelo término do horário de trabalho.
Pegou suas coisas e guardou tudo em seu devido lugar antes de sair. Despediu-se dos colegas e saiu. Porém, ainda procurava por Ji-Yong. Estava tão avoado que mal ouvia as pessoas que lhe chamavam enquanto caminhava e, no fim, esbarrou em alguém e quase o derroubou. “Ah! Por que não olha por onde anda, SeungHyun?”, a voz o acordou do transe após o pequeno acidente. “Me perdoe, Teddy-hyung. Está tudo bem?”, perguntou. Teddy o analisou da cabeça aos pés e permaneceu sério. “Comigo, sim. Já você parece que só tem olhos pra uma coisa. Procura o Ji-Yong, não é?”, Teddy disse, vendo-o simplesmente congelar instantaneamente. De fato, estava procurando pelo rapaz, mas se seu produtor sabia disso, talvez estivesse com mais problemas do que imaginara.
Teddy começou a andar e pediu para que SeungHyun o seguisse. “Ji-Yong também me ligou para avisar que se ausentaria por alguns dias e acabou me falando algumas coisas sobre você.”, comentou sem olhar diretamente para o mais novo. Depois de algum tempo, chegaram ao estúdio onde o grupo costumava gravar. A porta estava entreaberta e, de lá, puderam ver Ji-Yong sentado numa cadeira qualquer, ensaiando uma música qualquer e completamente sozinho.
“Eu disse a ele que voltaria e te traria para resolverem isso logo.”, o produtor disse severo. Seunghyun bufou e estava pronto para lhe responder, mas sua voz morreu diante do olhar sólido do mais velho. “Você quer falar com ele, eu sei. Ao menos tente, parece que ele está disposto a te ouvir.”, finalizou. Abriu um pouco mais a porta e o fez entrar. O rapaz ponderou, mas cedeu e acabou entrando.
Havia uma cadeira à frente de Ji-Yong, e assim que se sentou, o garoto direcionou seu olhar ao dele. Era a primeira vez em duas semanas que faziam isso de uma maneira natural e sem conflito algum. “Acha que seria diferente se tivesse me ouvido depois do que eu fiz naquele dia?”, o mais velho iniciou a conversa, sem resposta imediata. Ajeitou-se melhor na cadeira e passou a observá-lo, já que não teve como fazê-lo antes. O garoto estava mais magro, não muito, mas dava para notar uma diferença. Parecia frágil demais, como se estivesse a ponto de partir-se. Onde estava aquele G-Dragon confiante que costumava ver todos os dias? Ali não estava, e a culpa por tê-lo deixado assim só aumentava.
“Acha que seria diferente se não tivesse me beijado?”, a voz fraca retrucou. Sua voz mal saía, mas ainda assim era compreensível. Não era como se não merecesse ouvir isso, mas de qualquer modo doeu. Não havia uma resposta, nem pensara em formular uma. “Foi por impulso, acho. Devia ter me controlado, mas era algo que--“, quando começou a se precipitar e sua voz a falhar, foi então a vez de Ji-Yong lhe calar com um beijo inesperado.
Beautiful and special you, remember one thing
Gradually, I wanted you more and more
Saying many words is pointless right now
Do you know how I feel?
In this sweet moment, we know each other better than anyone else
Durou pouco, mas o suficiente para calar Seunghyun. “O que vai fazer agora?”, o garoto perguntou, no entanto, não teve retorno, apenas o viu se levantar e caminhar em direção à saída. “Eu entendo que queria me ajudar, mas fazer isso só me deixou pior.”, as palavras saíram devagar, mas foram firmes.
SeungHyun pensou no que acabara de ouvir, parado em frente à porta. Queria abrí-la e sair de lá, mas algo o impedia. Virou-se devagar e encontrou o rapaz na mesma posição. Tardou o quanto pôde até caminhar de volta, sentando-se novamente. “Pensei que fosse fugir. Não, aposto que ia me deixar aqui sozinho, como eu fiz com você naquele dia.”, sorriu forçado, sem olhar diretamente para ele.
“Eu o amo, Ji-Yong. Posso ter exagerado, mas eu só queria lhe proteger.”, declarou. Aproximou-se do garoto e segurou suas mãos. Ao contrário do que imaginara, não houve reação alguma de início. Ji-Yong levantou o rosto levemente e o encarou. “O que vamos fazer agora?”, perguntou, vendo-o esticar os braços em sua direção, porém levantou-se e voltou-se para trás. “Acha que vai ficar tudo bem entre nós?”, parou em frente a uma mesa mexendo nos objetos em cima da mesma.
SeungHyun refletia, mas não chegava a nenhuma conclusão. Estudava o rapaz, que parecia concentrado no que fazia, de longe. Sorriu ao pensar nele tão esperançoso daquela maneira. Deixou-se levantar e ir em direção a ele, abraçando-o. “É obvio que vai. Se você me perdoar, é claro.”, enfim lhe respondeu.
Ji-Yong levou as mãos às do outro, que o abraçava pela cintura. Permitiu-se encostar a cabeça em seu peito e fechar os olhos. Como naquele dia, ele ainda sentia um vazio enorme que apenas seu hyung conseguia preencher. Nunca precisou lhe dizer isso, e o agradecia internamente por nunca terem tocado no assunto ex-namorada. “Fico pensando no que a gente deveria ou não ter feito, mas isso não vai adiantar em nada.”, Ji-Yong se ajeitou nos braços de SeungHyun, que o abraçou com mais intensidade. “Eu lhe devo desculpas também, hyung, mas a única coisa que eu gostaria agora era acabar com isso de vez.”, e então o encarou.
“Então podemos encerrar isso agora, não?”, a voz grave saiu baixa, mas Ji-Yong sorriu em resposta, confirmando que o ouvira. O garoto se aproximou e o abraçou de repente. Como naquela triste tarde, as reações foram iguais. Seunghyun riu e o retribuiu. “Sabe, acho que ainda tem algum tempo para podermos ficar bem de novo”, concluiu Ji-Yong, levantando o rosto devagar e encarando o mais velho. “Deixar as coisas fluírem devagar e aí poderemos continuar bem.”, finalizou, sorrindo e vendo-o sorrir também.
“Devagar...”, SeungHyun repetiu e curvou ainda mais os lábios. Ji-Yong voltou a abraçá-lo e a encostar a cabeça em seu peito. Tabi acariciou seu braço com lentidão, aconchegando-o melhor. Deixaria as coisas fluirem devagar do jeito que ele pedira, porque era o melhor que tinham a fazer no momento, concordava com isso. Tentou não pensar mais no assunto e prometeu que o faria nos próximos dias também. Podia demorar o tempo que fosse, mas esperaria o necessário para ver Ji-Yong ficar bem mais uma vez.
We can take it slow, with our shaking hands
Touch me with your smooth lips
Just like this, stay close to me
Whisper in my ear and tempt me with your love
Notas finais
A @regrette_ betou a fic pra mim, então, qualquer erro, reclamem com ela :D AISUHAUSHAUDHADS apanha/ Obrigada de novo :3 *abraça*
Tem alguém aí? Então, se vc gostou, quer me dar um oi ou o BIG BANG de presente eu aceito numa boa 8D apanha/ Mas obrigada e qualquer forma a você que leu até aqui *-*
See you. :3
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