Takanori-chan
1 Oneshot
Notas iniciais
O que dizer pro nosso baixinho de voz maravilhosa e letras incríveis? Espero que ele tenha muito sucesso, que ele seja muito feliz em tudo o que fizer, que ele só melhore a cada dia sua voz, que ele PARE DE FUMAR... *ri* Obrigado por tudo, Takanori! m(_ _)m
E a todos vocês que leem... Boa leitura!
A branca neve que cobria as ruas e jardins começava a derreter lentamente conforme a primavera se aproximava. Faltava um mês e mais um tanto para a troca de estação, e o tempo continuava bastante frio embora tivesse parado de nevar. Takanori soltou um suspiro que durou vários segundos, insatisfeito com as coisas. Ele gostava do inverno, gostava muito, ainda que fosse um período meio tristonho. Mas era bonito e aconchegante, de certa forma.
O loirinho de 7 anos recém feitos chutava insistente uma pedrinha no chão enquanto caminhava cabisbaixo. Seu rostinho de bebê estava contrariado não só pela época do ano, mas principalmente pelo dia em questão. Era seu aniversário, todos sabiam disso, inclusive na escola. Todos os seus colegas estavam convidados para sua festinha no final de semana, não tinha como não saberem do seu aniversário. Mas ainda assim, Takanori tivera esperanças de que não fossem fazer aquilo. Qual é, já eram todos bem grandinhos para ficar cantando “Parabéns pra você” no meio da classe.
Takanori chutou a pedrinha na calçada com mais força, arremessando-a alguns metros à frente. Ele balançava sua pasta da escola para lá e para cá enquanto fazia o caminho para casa sem prestar atenção.
Tinha sido tão vergonhoso. Takanori tinha ficado a manhã inteira quieto no seu cantinho, cuidadoso com suas palavras para não lembrar ninguém que dia era. Ele nem falou muito, mas ninguém estranhou seu comportamento; em geral, Takanori era bastante quieto e tímido. Depois do almoço o menino pensou ter se salvado, mas sempre tem um linguarudo com boa memória... “Sensei, hoje é aniversário do Takanori!”, disse aquele peste lhe apontando o dedo. Ao invés da sensei ter ajudado Takanori, que arregalara os olhinhos escuros em desespero, ela ajudou os outros a cantar “Parabéns”. Todo mundo batendo palmas e cantando “Parabéns”, para todos os outros alunos de todas as outras classes ouvirem.
Que opção Takanori tinha além de admirar sua carteira enquanto seu rosto ficava vermelho como um tomate? Como se não bastasse toda a algazarra das outras crianças, no final do “Parabéns” a sensei foi até a classe de Takanori cumprimentá-lo diretamente. Takanori sentiu-se deslizar vários centímetros para baixo da carteira, completamente envergonhado.
E durante o resto da tarde, Takanori não conseguiu desviar os olhos da sua carteira, pois ele tinha certeza de que seus colegas o observavam com caras de deboche e zombaria. Que vergonha!
- Mas que droga! – o menino praguejou em voz alta – Eles não podiam se contentar com a minha festa de aniversário daqui uns dias? A sensei nem tinha se lembrado... Agora todo mundo vai pegar no meu pé!
- Falando sozinho, Taka? De novo?
Takanori ergueu os olhos para encarar o riso de deboche de Akira. Ele estava acompanhado de Kouyou, Yuu e Yutaka, claro.
- Estava fazendo contato com meus parentes ETs – o mais novo resmungou de mau humor.
- Estavam te mandando os parabéns? – Yuu ergueu as sobrancelhas escuras. A mão que não segurava sua pasta da escola estava dentro do bolso do casaco preto que ia quase até os joelhos.
- Não me fale em parabéns... – Takanori bufou, surpreendendo os quatro amigos recém chegados.
- Mas hoje é o dia do seu aniversário, Taka – disse Kouyou – Tem como falar em outra coisa?
- Aconteceu algo, Taka-chan? – perguntou Yutaka analisando o rosto bravo do menor – Você parece mais invocado do que de costume...
- Eu sei por que ele está assim – disse Akira presunçoso e todos se voltaram espantados para ele.
- Sabe???
- Claro, vocês não ouviram hoje? Aquele “Parabéns pra você” só pode ter sido para ele...
- Quê? Até vocês escutaram? – Takanori parecia angustiado – Droga, eu estou completamente ferrado... Não é pra rir! – o menor esbravejou para os amigos que gargalhavam.
- Tá, tá, desculpa, Taka-chan – Yutaka se controlou, segurando as duas alças da mochila em suas costas – Mas o que a gente vai fazer com os seus presentes se você quer ignorar seu aniversário?
- Me dêem no sábado, oras.
- Não é a mesma coisa! Hoje é hoje, sábado é sábado – argumentou Kouyou, os cabelos loiros e longos protegidos sob uma touca de lã.
- Brilhante observação... – debochou Takanori, mas Yuu o cortou.
- Acontece que seu aniversário é hoje, Takanori. E nós fizemos os presentes para hoje.
- E deu um trabalho do caramba! Se você não aceitar estará sendo muito baka – disse Akira, o que fez o aniversariante revirar os olhos.
- Tá bom, vocês venceram! – o baixinho parou na calçada e os outros o imitaram – Podem me dar os presentes.
- Não, não pode ser assim – Yutaka sorria abertamente, suas covinhas evidentes e os olhinhos quase fechados em fendas – Primeiro temos que cantar o “Parabéns pra você” e...
- NÃO! Vocês não vão fazer isso!
Takanori cobriu as orelhas com as mãos e saiu correndo para longe dos amigos que voltavam a gargalhar. Yutaka jogava a cabeça para trás e segurava a barriga; Yuu tentou chamar o mais novo, dizendo que era só uma brincadeira, mas ele não pareceu lhe ouvir. Akira estava quase se jogando no chão de tanto rir e Kouyou precisou correr atrás de Takanori para conseguir pará-lo.
- Taka, espera, era brincadeira – o loiro mais alto segurou o outro dos ombros, sentindo-se sem fôlego pela corrida somada às risadas – Nós não vamos cantar nada, ok?
- Humpf, acho bom mesmo!
- Deixa de fazer cena, Takanori... – Akira ainda sorria – De qualquer forma, todos nós vamos cantar “Parabéns pra você” no sábado...
- A situação é completamente diferente – o loirinho rebateu.
- Que seja, seu fresco. Quem quer começar?
- Eu! – disse Yutaka muito animado – Feliz aniversário, Takanori!
O moreninho estendeu um embrulho oval que fez barulho com o movimento.
- O que é?
- Abre para ver, oras!
Takanori abriu o embrulho e deixou-se surpreender com o conteúdo: eram biscoitos doces decorados manualmente.
- Arigato gozaimashita, Yuk-chan! Foi você que fez?
- Uhum! – o mais velho balançou a cabeça confirmando, o sorriso cada vez maior.
- Sugee! Arigato!!!
Akira foi o próximo, praticamente enfiando uma folha de papel debaixo do nariz do mais novo. A folha tinha um desenho de uma caveira grande cercada por várias outras menores e algumas frases de impacto em japonês e inglês.
- Você nem embrulhou meu presente?!
- Como é que eu ia embrulhar uma folha, Takanori?
- Colocasse num envelope, pelo menos.
- Se não quiser, me devolve.
Akira estendeu o braço para pegar a folha de volta, mas Takanori se esquivou, admirando o desenho.
- Não! Eu gostei do desenho. Arigato!
- Takanori-chan, omedetou! – Yuu estendeu ambas as mãos em direção ao aniversariante, fazendo uma reverência um pouco exagerada. Em suas mãos havia um trabalho de origami em vermelho e verde.
- Hey, isso é uma flor de lótus, não é? – o moreno assentiu – Sugee, ficou legal! Arigato, Yuu-chan! E você, Kou-chan?
O mais alto dos cinco parecia um tanto sem jeito. Ele coçou a cabeça e engoliu em seco.
- Bom... Eu fiz um haikai... Porque você gosta dessas coisas em verso e de escrever, né... Não ficou bom, mas... – ele engoliu em seco novamente, retirando um pedaço de papel do bolso para ler – Então... “Matsumoto Takanori. Um pivete baixinho. Mas com o ego inflamadinho”.
Os olhos de Takanori quase saltaram das órbitas enquanto os outros riam novamente, inclusive Kouyou.
- É isso que você tem pra me dar de aniversário, baka??? – o loirinho bateu com a pasta no mais velho – Você nem sabe o que significa a expressão “ego inflamado”, aposto!
- É claro que eu sei! – Kouyou não pareceu ofendido – De qualquer forma, era brincadeira, criança sem humor! Toma, tá aqui.
Dessa vez, Kouyou retirou um envelope vermelho do bolso do casaco e entregou-o a Takanori. Dentro do envelope vinha um cartão com alguns cumprimentos pelo aniversário.
- Hum... O que tá escrito aqui, Kou-chan?
- Ehh? – Kouyou se curvou para ler o que o outro apontara – “Felicidade”.
- Tá errado – Takanori ergueu uma sobrancelha.
- Quê? Não tá, não!
- Tá sim, falta um traço aqui.
- Mas... Oras, você entendeu!
- Não, por isso te perguntei.
Os outros riram.
- Arigato mesmo assim, Kou-chan! Arigato, minna-san! Obrigado por todos os presentes!
- Tornamos o seu dia melhor? – perguntou Yutaka gentilmente.
- Acho que sim...
- Temos que comemorar então! – gritou Akira, o indicador erguido para o céu – Comigo: “Parabéns pra você...”
- Vá se catar, baka! – Takanori usou novamente sua pasta como arma e atingiu em cheio o estômago do maior. Akira parou de cantar para poder gargalhar da cara de bravo do baixinho.
Akira passou o braço pelos ombros de Takanori e os cinco recomeçaram o caminho para casa.
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