Takaishi Takari

1 Único ~ Mistura Perfeita de Takeru e Hikari


Notas iniciais
Olá, caro leitor de bom coração que decidiu dar uma chance a minha história! ^-^ Espero que goste e se divirta lendo.
Essa é minha primeira - e acho que talvez única - fanfic de Digimon, mas mesmo assim, espero que a história esteja a altura da categoria E do shipp maravilhoso que é Takari *-*

Beijos e boa leitura ^^

O pôr do sol era lindo naquela tarde em Odaiba. Embora fosse verão, uma gostosa brisa soprava, refrescando a todos. E isso incluía os alunos do jardim de infância, que acabavam de deixar a sala ao som do sinal. Entre as muitas crianças que saíam naquele horário, duas se destacavam: Um garotinho loiro de olhos azuis e que levava um apito pendurado no pescoço; e uma garotinha de cabelos castanhos medianos e olhos também azuis. Ambos aparentavam oito anos.

— Ahh, estou com tanta fome... O que será que a mamãe vai fazer hoje? – Perguntou o menino.

— Eu quero omelete! – Exclamou o Pagumon no colo do loiro.

— Ai, vocês dois não tem jeito. – Murmurou a Koromon ao lado da menina.

E por falar na moreninha, essa apenas observava e sorria. Koromon tinha razão, Hikaru não tinha concerto, mas ela gostava de seu irmão bem assim. Só às vezes que ele passava dos limites.

— Ei, corrida até o portão! — Como quando anunciava corridas repentinas por exemplo.

— Isso não vale, Hikaru! – Ela exclamou, ainda sorrindo, e correndo atrás do irmão.

Porém, em sua vontade de alcançar o loiro, ela acabou esbarrando em outra criança. Toda aquela área do pátio se aquietou instantaneamente ao verem os dois caídos de bunda, na frente um do outro.

— Me-me desculpa. – A morena pediu, olhando para menino, que tinha como principal característica seus cabelos castanhos surpreendentemente claros. Ela o reconheceu como Yoru, um de seus coleguinhas.

Mas apesar do pedido de desculpas, Yoru olhou para ela com uma cara brava. Levantou-se rapidamente e bateu a terra do uniforme antes de encarar a menina, ainda sentada no chão. E com um tom zombeteiro, falou:

— Tinha que ser a menina Taka.

Um coro de “Ohh...!” e algumas risadinhas puderam ser ouvidas na plateia que se formara em volta deles. Com o apelido, a morena fechou a cara, e quanto Koromon rosnava para Yoru, ela finalmente se levantou e devolveu a encarada.

— Eu já disse que não gosto que me chamem assim!

— Mas é a verdade, tudo no seu nome tem Taka! Takaishi Takari! – Yoru também aumentou o tom de voz, frisando bem as sílabas que possibilitavam a gozação com a menina. -

E parece que seu nome foi só por causa disso mesmo. Por que, afinal, o que é Takari? Nem em outras línguas eu já ouvi essa palavra!

— Como se você conhecesse todas as línguas do mundo, Yoru! – Finalmente alguém partiu em defesa de Takari.

Hikaru voltou ao notar a confusão, se metendo entre a irmã e o colega de turma. Seu olhar estava arisco; podia ser só dois minutos mais velho que Takari, mas ainda sim era o mais velho. E mesmo se a diferença fosse de dois anos, eles sempre cuidaram um do outro.

- Conheço mais do que você. – Praguejou Yoru; mas resolveu tirar proveito da chegada do loiro para continuar implicando com Takari. – Mas já que ela é sua irmã, isso você deve saber. De onde vem o nome dela?

Hikaru engoliu em seco, continuando a encarar bravo o de cabelos castanhos. Nem ele sabia como seus pais decidiram aquele nome.

- Não sabe, né? – Yoru debochou, olhando para a menina por cima do ombro do loiro. – Eu estava certo, seu nome foi feito pra ser uma piada, TAKAishi TAKAri! Menina Taka!

- Argh... Chega, Yoru!! – Hikaru finalmente gritou, se controlando para não bater no colega de classe. – Vamos embora, Takari. Você não precisa ouvir esse idiota. — Ele pegou na mão da irmã, que se manteve quieta até então, e saiu dali, puxando-a sem machuca-la.

Quando enfim saíram da escola e chegaram na esquina, pararam esperando o sinal. E foi só aí que Koromon se pronunciou.

- Nee, Takari, o Hikaru está certo, não dê ouvidos ao Yoru. – Tentou animar a parceira, vendo que essa estava de cabeça baixa a ponto de cobrir os olhos com a franja.

- É sim, seu nome é... legal. – Concordou Pagumon. Elogios não eram bem seu forte, mas além da menina ser irmã de seu parceiro, era uma das poucas humanas que realmente gostava. Talvez porque ele gostasse de Hikaru e o loiro se importasse muito com a irmã.

Mas nem com o apoio dos dois digimons Takari pareceu se animar, continuava de cabeça baixa.

- Esqueça isso, Takari. – Hikaru falou mais uma vez, puxando-a pela mão ainda unida quando o farol ficou verde para os pedestres.

E não trocaram mais nenhuma palavra o resto do caminho.

Porém, isso não impediu Takari de ir divagando o resto do caminho. Os neurônios da garota estavam a mil, pensando nas palavras de Yoru. O apelido, menina Taka, não foi nenhuma surpresa; todos já a chamaram assim alguma vez para irritá-la (até mesmo Hikaru durante uma discussão). O que a estava incomodando mesmo era um fato que o colega de classe falou, sobre de onde viria o seu nome. Também estava curiosa agora. Nunca ouviu falar de outra pessoa chamada Takari, nem de nada que possuísse esse nome. Seria realmente uma palavra de outra língua? E se fosse, o que significava? Deveria ser algo beeem especial, porque não valia a pena ter um nome que parece uma piada à toa.

~DingDong~

O som da campainha a puxa de volta para a realidade. E Takari se surpreende ao ver que eles já estavam na porta do apartamento em que moravam. Ela nem percebeu que havia entrado no prédio. O quão longe estavam seus pensamentos?

A porta foi aberta por uma mulher com cabelos castanhos idênticos aos de Takari, só que um pouco mais compridos. Os olhos castanho-avermelhados pousaram nas crianças e um sorriso se abriu na face da mais velha.

- Okaeri, Hikaru, Takari. – Mirou os digimons. – koromon, Pagumon.

- Tadaima. – Hikaru ouve a irmã responder, para sua surpresa. Ela esteve tão distraída que nem prestava atenção no caminho, ele teve de arrastá-la esse tempo todo pela mão. E soltá-la foi a primeira coisa que fez ao constatar que a menina não precisava mais disso.

Hikari abriu espaço para que os filhos pudessem entrar e enquanto eles iam para o quarto ela retornou a cozinha, dando o costumeiro aviso.

- Tomem um bom banho rapidinho que o jantar está quase pronto.

- Hai, okaa-san! – Os dois responderam juntos, em uma sincronia incrivelmente perfeita. Hikari sorriu com aquilo.

- Eles são mesmo gêmeos. – Tailmon transformou em palavras os pensamentos da antiga digiescolhida.

- É... são sim. – Hikari apenas concordou, voltando parte de sua atenção para a panela de arroz.

Digo uma parte porque o restante focava em seus filhos. Sempre que Maio chegava ela ficava assim, nostálgica, pensando que eles logo completariam mais um ano de vida quando viesse o dia cinco. Há nove anos que isso acontece... Eles não eram mais aqueles bebezinhos que ela trouxe ao mundo num avião a mais de vinte mil pés do chão (A: Longa história, talvez um dia eu conte). E só viriam a crescer mais e mais! Agora estavam completando nove, mas daqui a pouco teriam onze, e então catorze! Só essa ideia lhe arrepiava, afinal foi com quatorze que ela e Takeru começaram a ter algo mais que amizade.

Por falar no marido, ele não se demoraria muito mais na editora, onde foi acertar as coisas para o lançamento de seu novo livro. Assim como ela, que se tornou professora, Takeru também realizou seu sonho de ser escritor e colocou todas as aventuras do digimundo em uma de suas obras. Ambos alcançaram tudo o que queriam e muito mais. E a prova disso era a aliança em seu dedo e as duas crianças que, nesse momento, se divertiam fazendo bagunça no banho.

- Hikari, o arroz vai queimar! – Taimon avisou, ao ver alguns grãos ficando marrons de tão tostados. A morena se apressou em desligar o fogo, verificando se aquele deslize não havia comprometido a refeição, e suspirou de alívio ao constatar que não. – No que estava pensando para ficar tão distraída? – Indagou a digimon.

- Hm... Só em umas coisas boas. – Foi a resposta de Hikari, antes de se concentrar de vez na panela. O jantar para a sua família não podia atrasar.

8-8-8-8-8-8-8-8-8

Menos de uma hora depois, a família Takaishi estava inteira reunida à mesa.

- E então, eu consegui pegar a bola e fazer uma cesta! – Hikaru narrava animadamente sobre seu dia.

- Pelo visto temos um aqui um jogador de basquete. – Hikari sorriu para o filho.

Nem ela nem Takeru se incomodavam com a falação do menino, aquilo já era normal. A hora do jantar era quando eles mais podiam dar atenção aos filhos e os gêmeos usufruíam o máximo desse tempo. Se bem que... Takari estava estranhamente quieta hoje, apenas cutucando a comida do prato, parecia perdida em pensamentos.

- Takari? – E claro que Takeru reparou no comportamento da menina. Ficou preocupado, afinal é de sua filhinha que estamos falando. – Tem alguma coisa incomodando você?

A morena pareceu ser acordada de um torpor com aquela pergunta do pai. Ergueu os olhos só para ver que tanto seus pais quanto seu irmão a encaravam, esperando por uma resposta.

- Na verdade... – Takari começou, meio hesitante se deveria contar ou não. Olhou para Hikaru, como que lhe pedindo um conselho sobre o que fazer, e apenas com o olhar também, o loiro responde “Se você quer contar, conta.”. Podia não ser o melhor concelho do mundo, mas bastou para a menina se decidir. Ela queria respostas, então por que não perguntar? – Otou-san, okaa-san... De onde vem o meu nome?

Aquela pergunta pegou os dois adultos de surpresa.

- Por que isso agora? – Indagou Takeru.

- É que... Eu preciso saber. – Ela apertou a barra de sua camiseta verde, tentando reunir coragem para falar. – Preciso saber de onde meu nome veio, o que ele significa. Porque assim, não vai incomodar tanto o fato de ele ser estranho.

Ok, agora até mesmo Hikaru se surpreendera com as palavras da irmã; ele não imaginou que ela as colocaria desse modo. Hikari rapidamente se voltou para Takeru, preocupada. E viu nos olhos azuis, que ainda se mantinham em Takari, uma pontinha de dor e culpa.

- Estranho...? – Repetiu o loiro mais velho.

- É. – Takari afirmou. Já tinha começado a falar, então agora iria até o fim. – Afinal, o que é Takari? É alguma outra língua?

- Bom, não exatamente. – Hikari respondeu, pensando se aquilo que formara o nome da filha podia ser considerado uma língua ou não.

- E o que significa?

- Takari, por que isso agora? – A mãe da menina respondeu com outra pergunta, mas parecia mais que ela queria se esquivar desse assunto. – Seu nome não tem nada de estranho, ele é muito bonito.

- Até pode ser, — Takari franziu o cenho, ficando brava. — mas quando junta com o sobrenome, não!

Silêncio.

Um pesado e incômodo silêncio instalou-se no locar após aquela exclamação de Takari. Hikari encarava a filha espantada com aquelas palavras; Hikaru também estava surpreso; E Takeru ainda tinha aquela culpa nos olhos, só que agora com maior intensidade.

Porém, Takari não parece se importar com o clima ruim que criara e por isso, ainda imersa em raiva, continuou a falar:

- Takaishi Takari. Takaishi Takari! Tudo tem Taka! E o fato do meu primeiro nome não existir só faz com que a graça seja maior ainda! Era pra isso ser uma piada?! – E com um bufo, concluiu seu discurso enraivecido.

Mas não ficou por ali para saber a reação da família. Desceu em um pulo da cadeira e correu para o quarto que dividia com Hikaru, só dando tempo para que Koromon entrasse antes de fechar a porta com força. E deslizou pela mesma assim que o fez, soltando um longo suspiro.

- Nee... Takari... – Koromon tentou chamar pela companheira após alguns segundos. – Você não acha que exagerou um pouco?

Exagerado? Takari ponderou sobre isso. Sim, ela tinha exagerado com aquele último discurso, mas a raiva que lhe assolou fora demais. Então quer dizer que seu nome, além de ser usado em brincadeiras de mau gosto, não tinha nada demais? Era simplesmente o que era? Somente... Takari?

Ela não prestou atenção em quanto tempo se passou após jogar-se em sua cama e enfiar a cara no travesseiro. Achou que tinham se passado horas enquanto remoía os últimos acontecimentos, mas ao erguer os olhos para o relógio, viu que mal passara dez minutos refletindo. Isso explicava porque Hikaru ainda não invadira o aposento.

Mas mesmo passando pouco tempo, Takari já reunia a coragem para sair do quarto e encarar a família novamente. Sabia que devia desculpas a eles, principalmente ao seu pai, já que falara mal do sobrenome que ele lhe dera. Também deveria se redimir com sua mãe por ter deixado a comida intocada no prato. É... a lista de desculpas a serem pedidas era longa.

Toc-Toc-Toc

O som de batidas na porta chamou a atenção de Takari. E sua garganta secou. Já sabia que não era Hikaru, pois ele nunca batia, quanto mais para entrar no próprio quarto. Então só podia ser um de seus pais.

- E-entra. – Takari autorizou, sentando-se direito na cama e deixando assim seu colo livre para Koromon se acomodar.

Quem adentrou o quarto foi ninguém menos que Hikari. Ela parecia calma, e trazia um prato de comida (o mesmo que Takari deixou para trás) e um sorriso. Mas aquilo não acalmou a menina, ela sabia que sua mãe tinha o dom de ensinar-lhe o certo e o errado sem precisar levantar o tom de voz.

- Oi. – Cumprimentou Hikari, andando calmamente até a filha. — Achei que teria fome então trouxe sua comida. – Explicou, deixando o prato com talheres sobre a cômoda.

- Obrigada. – Takari respondeu num murmúrio, sem conseguir parar de fitar o chão. Ter sua mãe tratando-a bem depois do que fez era pior que levar uma bronca.

- Posso me sentar? — Ainda sem erguer os olhos, Takari assentiu e sentiu a cama se mexer quando Hikari sentou ao seu lado. Uns segundos se passaram até que a mais velha resolveu falar: — Takari, os meninos ainda te chamam por aquele apelido?

Mais uma vez, a barra da camiseta verde foi segurada com força. Claro que Hikari sabia sobre seu terrível “apelido” dado pelos colegas, desde o primeiro ano do jardim, quando ele foi criado. Na época (dois ou três anos atrás), Takari, ao invés de ficar brava, começava a chorar quando a chamava de menina Taka. E Hikaru, sempre disposto a defender sua irmã, descia no braço em quem quer que fizesse isso. E não podia se esperar que uma atitude dessas fosse resolvida em outro lugar além da diretoria, com a presença dos pais. Resultado: tanto seus pais quanto os pais da maioria de sua classe e muitos outros alunos da escola conheciam aquele apelido.

- Sim, chamam. – Decidiu ser sincera. — Mas... isso não me incomoda mais. – Ou quase.

- Tem certeza? – Mas Hikari quase sempre sabia quando seus filhos estavam mentindo. – Takari, eu já expliquei que não tem nada de errado ter Taka no nome e no sobrenome. É chato eles ficarem te chamando assim? É, e também é errado, mas o problema não é você. – Ela repetiu pela milésima vez o mesmo discurso. Mas vendo que Takari mal erguera o rosto para lhe encarar, suspirou, resolvendo tocar no assunto que fora tratar ali. – Você quer ouvir uma história?

Finalmente Takari olhou para a mãe, ficando confusa. Uma história? Agora? O que a ex Yagami estava pretendendo?

- Sobre o que?

Hikari apenas sorriu. Um sorriso doce, nostálgico e apaixonado.

- É sobre duas pessoas, uma garota e um garoto, que você conhece muito bem, aliás. Aconteceu em uma manhã de primavera, quando eles resolvem assumir o namoro para os amigos.

Flashback on:

Tem jeito melhor de comemorar os tempos de paz do digimundo que com um piquenique? Na opinião das crianças escolhidas da segunda geração, não. E era por isso que naquela fresca manhã de primavera eles estavam no topo de um morrinho, com uma toalha estendida e vários lanches somente esperando para serem devorados. Um pouco ao longe, perto do rio, os digimons deles brincavam todos juntos.

- Podem atacar, pessoal. Eu trouxe só o melhor do mercadinho! – Miyako falava com uma empolgação evidente, sentada ao lado de Ken.

- Eu também trouxe uns lanches que minha mãe fez. – Iori pronunciou-se.

- Ei, Hikari-chan, quer provar o macarrão que eu mesmo fiz? – Daisuke tinha uma tigela em mãos e, com sua típica cara de bobo apaixonado, estendia-a para Hikari.

- Você quem fez? Está mesmo se empenhando em virar um cozinheiro. – A Yagami comentou sorrindo, enquanto aceitava a tigela.

- Sim, sim! Ainda vou virar um famoso cozinheiro de ramen. – O digiescolhido da coragem estufou o peito com orgulho, antes de acrescentar com um olhar sugestivo para ela: — E minhas habilidades na cozinha vão ajudar muito quando for fazer o jantar para minha esposa e filhos.

Hikari repentinamente começou a tossir, engasgando-se um pouco com o macarrão ao ouvir aquelas palavras.

- P-pois é, né? – Tentou sorrir para o amigo, mas o gesto saiu evidentemente nervoso. – Sua família vai ter muita sorte.

- Nós vamos ter muita sorte! – Daisuke exclamou, já sonhando acordado com quatro ou cinco crianças, misturas dele com sua amada Yagami.

Enquanto o Motomiya divagava, Hikari olhou de soslaio para Takeru, que estava relativamente próximo a eles para ouvir a conversa. E o semblante do loiro era, sem dúvida nenhuma, incomodado (para não dizer também enciumado). Tadinho, já estava até com um leve tique no olho, não deveria ser fácil para ele ver aquilo e se manter calado. Se bem que ela também não estava mais aguentando esconder aquele assunto.

Ao ter uma ideia, abriu um leve sorriso. Fazendo questão de chamar a atenção de todos os amigos, foi para o lado de Takeru. Sentou-se com ele, que apenas lhe olhava confuso. E na frente de todos, segurou a mão do loiro e aproximou seus rostos, depositando um leve beijo... na bochecha dele.

Mas apenas aquilo foi suficiente para desencadear uma série de reações. O próprio Takeru ficou vermelho, olhando ainda confuso para a morena. Daisuke começou a ter um ataque, gritando, arrancando os cabelos e até pensando em ir para cima do loiro, mas não conseguia com Hikari tão perto do mesmo. Ken estava levemente constrangido por presenciar a cena, e apenas isso. Iori no início pareceu surpreso, porém depois ficou com uma cara de quem já esperava aquilo. E Miyako... Bem, ela ainda estava em choque.

- Hikari-san, Takeru-kun... – Ela começou, recuperando-se gradativamente. – Isso agora... O-o que quer dizer...?

- Minna, temos uma novidade para contar. – Decretou Takeru, finalmente mais tranquilo pelas últimas atitudes da “melhor amiga”. Sorrindo e segurando um pouco mais forte a mão de Hikari, deixou a grande revelação para ela.

- Eu e o Takeru-kun estamos namorando há três semanas.

Dois gritos ecoaram por todo o local (se não por todo o Digimundo!) com aquela declaração. Um era o “NÃO!!” de Daisuke, e o outro era o “KYAH!!!” de Miyako. Enquanto o Motomiya se estapeava tentando ver se aquilo não seria apenas um pesadelo, a garota de cabelos arroxeados praticamente dançava no lugar.

- UHU!! Meu Pai do céu, meu shipp virou cannon!! Chupa, responsáveis pelo epílogo do Zero Two, Takari é o que há! Hahahahaha!! – E continuou seu ataque de histeria, com todos (exceto Daisuke) observando com gotas na cabeça.

- Takari? – Hikari repetiu, estranhando aquela palavra. – O que é isso, Miyako-san?

- É o nome do shipp de vocês, ué! – Respondeu como se fosse óbvio. – A mistura perfeita de Takeru e Hikari: Takari!

Apesar de ter achado um pouco estranho o fato de ser “shippada”, Hikari acabou por rir das ideias da amiga, logo se esquecendo dessa frase da mesma.

Mas Takeru não deixou aquilo se perder tão facilmente.

- Hum... – Murmurou ele, com o olhar distante, sonhador. E de repente, abriu um sorriso. – Takari, heim?

Flashback off:

- Seu pai nunca se esqueceu do que a Miyako-san disse naquele dia. – Hikari contava, ainda sorrindo e tendo atenção total da filha. – E quando você nasceu, com os meus cabelos, mas olhando para tudo com os olhos dele, não houve dúvidas. A mistura perfeita de Takeru e Hikari, – Olhou para a menina, mais terna do que nunca. – É você, Takari.

O silêncio novamente reinou, mas não incômodo como na mesa de jantar. Takari só precisava de um tempo para processar tudo o que ouviu. E pelo tremelicar de suas íris azuis, podia-se dizer que ela passava por fortes emoções.

Então era esse o significado de seu nome? Era por isso que ele era tão diferente, único? Takari sorriu, soltando uma leve risada. Não acreditava que reclamou de algo tão especial!

Mas espere, se tinha sido seu pai a lembrar daquilo...

- Mãe! – Chamou, ficando séria de repente. – Foi o papai quem escolheu o meu nome?

- Foi. – Hikari respondeu simplesmente, já sabendo aonde o raciocínio da filha chegara.

- Eu tenho que falar com ele! – Takari declarou determinada, descendo da cama num pulo. Mas antes que saísse do quarto, sorriu para Hikari. – Obrigada.

Encontrar seu pai não foi uma tarefa difícil, logo o viu na sala, mais precisamente no sofá, assistindo a um jogo de basquete com Hikaru.

- Papai! – Exclamou, chamando a atenção de ambos os loiros. Sem esperar mais um segundo, correu até eles e se atirou nos braços de Takeru. – Me desculpa! – Pediu desesperada, circulando o máximo que conseguia do tronco do pai com seus bracinhos. – Desculpa mesmo, eu não sabia! Não queria ter dito aquilo!

- ... Takari, o que foi? – Takeru não estava entendendo nada, mas mesmo assim correspondeu ao abraço da filha.

A moreninha ergueu a cabeça para fitar o pai. E Takeru se espantou ao ver que, apesar de sorrir, ela tinha lágrimas nos cantos dos orbes azuis. Dando uma fungada para espantar o choro, a pequena declarou:

- Só quero que você saiba que eu não me importo mais com o que os outros dizem. – E abriu ainda mais seu sorriso. – Eu vou sempre me orgulhar de ser Takaishi Takari!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!