Tainted Garden
3 Befouled Words.
Notas iniciais
Mas enfim, culpem os exames. Afinal de contas, não passei à primeira fase de física/química, por isso tenho que ir à segunda. O que significa que ainda não estou de volta a 100%. Aliás, nem sei se vou estar mesmo depois dos exames.
Deixo isso para as notas finais thought. Boa leitura~
Fechado, e ao mesmo tempo livre. Preso, e ao mesmo tempo solto.
Era como eu me sentia.
Já se haviam passado vários dias desde que Lucine se tinha ido embora, apesar de ela ter dito que apenas demorava um dia. Uma das vampiras veio várias vezes trazer-me comida e mais comprimidos de sangue, apesar de não me dirigir uma única palavra. De certo modo, parecia que ela me olhava com repugnância. Mas ela era um dos meus pensamentos mais distantes.
Se Lucine demorasse muito mais tempo, sem dúvida nenhuma eu iria enlouquecer de vez. Olhando para o espelho que aquele quarto tinha, havia notado várias vezes os meus olhos verdes adquirirem um tom vermelho que desaparecia tão depressa como vinha. E claro, havia ainda a presença daquela vampira…mesmo que ela ficasse um minuto no meu quarto, sentia uma vontade imensa de a atacar. Notei também que os meus caninos haviam crescido e haviam ganho uma forma mais afiada.
Voltei a deitar-me na minha cama. Naquele quarto, nunca havia muito o que fazer. Não podia sair dele segundo as ordens de Lucine, e a única coisa que eu podia fazer era pensar. E os dias que passei aqui fechado mais pareciam anos. Já não sabia o que haveria de pensar, nem o que fazer. Estava a mudar contra a minha vontade e não podia fazer nada em relação a isso. Eu nunca me dei com a minha família nem tive muitos amigos, mas pensar que nunca mais veria nenhum deles…com certeza fazia-me sentir solitário.
E agora que estou neste estado, começo a perceber que talvez eu lhes devesse ter dado mais atenção. Afinal de contas, tudo o que eles vão saber é que eu tinha desaparecido.
– Ah, nem tive uma oportunidade de me despedir…
– Assim que te habituares ao sangue podes ir despedir-te deles.
Sentei-me na cama assim que ouvi uma voz. Percebi imediatamente que não se tratava de Lucine pelo tom frio e infantil, mas não fazia ideia de quem era. Até a ter visto, e ter percebido que era a vampira que me trazia comida e comprimidos todos os dias.
Ela entrou e pousou a comida e os comprimidos na mesinha, fechando a porta atrás de si. – Akira, não é? Eu sou a Rubia.
Os seus longos cabelos loiros ondulados caiam-lhe pelas costas e os seus olhos azuis estavam focados em mim friamente. Lembrei-me então que Lucine havia falado dela uma vez.
– Obrigada. – Disse, levantando-me e dirigindo-me para a mesa. Rubia colocou-se à minha frente, olhando directamente para os meus olhos. O olhar dela era penetrante; parecia que ela estava a ver a minha alma apenas por me observar. Ela suspirou e olhar dela pareceu ficar menos frio.
– Por muito que eu venere a Lucine por ela estar acima de mim…o comportamento dela é inadmissível. Como meio vampiro dela…leva-a pelo bom caminho.
– Bom caminho?
– Sim. Para Astraea, ela é muito importante. Se fosse qualquer outro de nós a tentar revoltar-se contra o sistema, com certeza seria eliminado. Mas Lucine…
– Hm. – Fechei os olhos e respirei fundo. Voltei-me para a janela e olhei lá para fora. – Não percebo o que queres dizer com o sistema e essas coisas todas, por isso não sei exactamente como te ajudar.
– Lucine tem uma conexão contigo. Afinal de contas, és o primeiro meio vampiro dela. Apesar de nenhum vampiro admitir isto, existe sempre uma conexão especial com o nosso primeiro. Por isso, peço-te…para nos ajudares.
Olhei para ela e pude ver que, pela primeira vez, a expressão dela demonstrava algum sentimento. Lucine deveria, sem dúvida, ser bastante importante para ela.
– O que é que ela fez de errado?
– Ela…
Rubia foi interrompida pela porta que foi aberta. Um dos vampiros que eu havia visto previamente na entrada do castelo encostou-se à ombreira da porta e cruzou os braços, dando uma risada discreta. – Não estás aqui há tempo demais, Rubia? Vais acabar por ficar infectada pela estupidez dos meios vampiros.
– Apenas estou aqui a fazer o que a Lucine me pediu. Porque é que não vais tomar conta do teu meio vampiro, Vance?
Ah, então aquele era Vance. Lembrava-me agora que ele havia sido o único vampiro a falar com Lucine no dia em que cheguei ao castelo.
Havia algo interessante em mim que eu gostava de considerar uma qualidade. Eu era capaz der ler facilmente a maioria dos pensamentos das pessoas quando falava com elas. E sem dúvida nenhuma, havia entendido perfeitamente que Lucine não gostava de Vance, e que ele não gostava do comportamento dela.
Mas, eu era bom a ler pessoas. Eles eram vampiros. Podiam ter a mesma aparência, mas sem dúvida nenhuma eram diferentes. Talvez eu estivesse errado. Mas por algum motivo, havia alguma coisa que me dizia que eu deveria ter cuidado com eles…principalmente com Vance.
– Ele não precisa que eu tome conta dele. Ao contrário do teu inútil que morreu, o meu sabe controlar-se e receber ordens. Ele é sem dúvida o melhor meio vampiro que alguém pode ter. Não só me dá o seu sangue quando eu preciso como arranja várias presas para mim, o seu mestre. – Ele sorriu ironicamente e olhou para mim. – Não concordas, Akira?
Senti calafrios percorrerem o meu corpo ao sentir o olhar dele sobre mim. Com certeza, Vance não era uma pessoa com quem eu me quereria meter. Se Lucine não gostava dele, como eu achava, tinha que haver uma razão por de trás disso. E sendo ela a única pessoa que eu conheço aqui no meio, devo confiar nela e não me dar com ele.
– Bom…os meios vampiros devem ser devotos aos seus mestres, afinal de contas.
A expressão de Vance pareceu adquirir uma mistura de surpresa com a minha resposta. Fingi não me importar e olhei para a janela.
– Exactamente. Afinal não és tão inútil como pareces. Sabes, demoraste mais para te transformar do que esperávamos. Normalmente os meios vampiros demoram cerca de 3 dias…quanto menos demoram, mais fortes são. Mas tu…demoraste uma semana.
– Vance. Lucine disse–
– Ah, e sabes que mais? Na verdade, Astraea não–
– Acho que já é suficiente, Vance. – Rubia e Vance voltaram-se para trás para ver quem havia falado. Reconheci imediatamente a voz como sendo a de Lucine, sem precisar de a ver. – E que tal ires para ao pé do teu meio vampiro e não incomodares o meu?
Novamente, aquele sorriso sínico estava nos lábios dele. – Claro, querida Lucine. – Fazendo uma vénia, ele retirou-se do quarto. Mas não sem olhar uma última vez para trás. Mais especificamente para mim. E como é óbvio, sorria daquele jeito falso dele, como se toda esta situação o divertisse.
– Rubia, por favor.
– S-Sim, Lucine. – Rubia fez uma reverência a Lucine tal como Vance e retirou-se, fechando a porta atrás de si. Ela suspirou e olhou para mim.
– Akira…desculpa demorar tanto tempo. Espero que não tenha acontecido nada de grave na minha ausência.
Suspirei profundamente e sentei-me na cama, forçando um sorriso. – Não, não. Está tudo bem.
Ficámos alguns segundos em silêncio enquanto ela olhava ao seu redor. Depois de algum tempo, ela dirigiu-se para a minha cama e sentou-se ao meu lado. – O que quer que o Vance te tenha dito…não é algo que deve ser confiado. – Olhei para ela enquanto ela mantinha o seu olhar focado num ponto qualquer do quarto. – Não sei exactamente quanto sabes neste momento, mas…
Sem intenção, ri-me de um modo discreto, fazendo com que ela olhasse para mim. – Não sabes o que quanto eu sei…? Lucine, não deverias estar preocupada com o que eu não sei. Deverias era estar preocupada em contar-me tudo, não? Estou aqui fechado neste quarto há dias sem saber quase nada do que se passa. Apenas me chamam meio vampiro, dizem-me para não sair daqui, que te tenho que te levar para o bom caminho e–
– Bom caminho? – Ela olhou para mim, com a sua habitual face sem expressão.
– Rubia não o explicou como deve de ser, mas disse algo como…seres importante para As– Maiden Astraea e por isso as tuas revoltas contra o…”sistema”, não serem punidas. – Desviei o olhar para a janela, mais uma vez. Pude ver através do canto do meu olho que ela olhou para o chão.
– Então Rubia confia em ti. Isso pode ser uma vantagem.
– Vantagem para quê? – Murmurei. Não estava a perceber absolutamente nada daquela conversa estranha.
– O sistema, a que ela se referia…é algo que não é correcto. E se ninguém se impor, o sistema continuará corrupto como sempre. As palavras sujas deles, cheias de mentiras que apenas servem para levar mais seres pelos caminhos escuros…não devem ser confiadas. – Ela levantou-se e voltou-se para mim. – Akira. Por agora, não te poderei adiantar mais nada…mas peço-te que confies em mim. Se isto tudo funcionar…talvez exista uma possibilidade de poderes voltar a estar com os humanos.
Olhei para ela, surpreendido. Havia passado os dias todos fechado neste quarto a mentalizar-me que nunca mais iria ter nenhum contacto…humano, com outras pessoas. E agora, subitamente, havia uma possibilidade de isso acontecer? No fundo, eu não acreditava que fosse possível. Mas por algum motivo, eu acreditava na Lucine. E se ela dizia aquilo, então era porque era verdade.
Levantei-me e olhei para ela seriamente. – Diz-me o que fazer então.
Pela primeira vez em muito tempo, ela esboçou um pequeno sorriso gentil.
Se era ela…então eu podia confiar nela.
Se existia uma remota possibilidade de voltar atrás…então eu tinha que o fazer.
Só esperava não me vir a arrepender.
Notas finais
Para variar, Shinobu e os seus capítulos-de-desenvolvimento-que-não-interessam-a-ninguém atacam novamente. =v=
Então, passando ao que disse nas notas iniciais. Eu não sei se vou voltar ao site a 100%, mesmo depois do exame. Para mim, o site acabou por perder a piada. Já não me fascina vir aqui ler fanfics dos outros usuários, nem me fascina postar as minhas histórias aqui. Não por culpa dos leitores; todos vocês são estupendos de todas as maneiras possíveis. Apenas...o nyah perdeu a magia que era antes. Como eu disse, há muito tempo numa certa discussão conhecida por alguns usuários, "o nyah tinha tudo para ser a nossa Wonderland e acabou por a destruir". Eu deixei de me sentir em casa aqui. Antigamente, isto era a minha segunda casa. Passava aqui a vida a ler, a postar, a responder a reviews, a deixar reviews. Hoje em dia, se entrar aqui uma vez por semana, é muito.
Enfim. Quanto a quem está à espera do Lenka (mais conhecido como No Amount of Masks), vai ter que esperar mais ainda. Depois de várias reviews decidi estender um pouco a fic...e para o fazer, preciso de ideias. E essas ideias, até agora, não chegaram. E a Lenka é o meu "bebé", e por esse motivo só gosto de a escrever quando estou inspirada para isso. Não me vou a forçar a escrever um capítulo para essa fanfic, por muito tempo que passe sem eu a actualizar.
E pronto, assim acabam as minhas notas gigantes que não interessam a ninguém. Quero agradecer-vos a todos mais uma vez, pelos anos estupendos que me fizeram passar aqui no nyah. Cada um de vocês vale milhões para mim, a sério. Por muitas vezes que eu vos agradeça por todo o vosso tempo e apoio a ler as minhas histórias-sem-graça-e-mal-escritas, nunca será suficiente para expressar a minha gratidão. E, mais uma vez, volto a repetir...
Obrigada. ^w^
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