TRÍADE DO VAZIO

PRÓLOGO

Antes do Despertar

Antes dos reinos.

Antes das guerras.

Antes que homens e mulheres aprendessem a controlar a mana...

existia apenas o silêncio.

Um silêncio profundo, antigo e infinito.

Então veio a criação.

A energia começou a fluir pelo mundo.

Dos oceanos às montanhas.

Das florestas aos céus.

A mana nasceu como uma força que conectava todas as coisas.

E a humanidade aprendeu a utilizá-la.

Com ela, ergueram cidades.

Criaram impérios.

Dominaram os elementos.

Transformaram o impossível em realidade.

Durante milhares de anos, acreditaram que haviam encontrado o maior poder existente.

Estavam errados.

Porque além da mana...

existia algo que não pertencia ao mundo.

Algo que não criava.

Algo que não protegia.

Algo que apenas consumia.

O Vazio.

Os primeiros registros sobre ele foram apagados.

Livros foram queimados.

Templos foram destruídos.

Nomes foram esquecidos.

Mas algumas histórias sobreviveram.

Histórias sobre uma força capaz de atravessar mundos.

Uma força que não poderia ser derrotada.

Apenas selada.

No centro do antigo continente existia um lugar que nenhum mapa ousava registrar.

Uma região onde a própria realidade parecia quebrada.

Lá, os antigos guerreiros fizeram aquilo que acreditavam ser impossível.

Criaram uma prisão.

Não feita de pedra.

Não feita de ferro.

Mas feita de poder.

Três chaves foram criadas.

Três forças foram unidas.

Magia.

Lâmina.

Destino.

A primeira controlaria a energia do mundo.

A segunda protegeria contra qualquer inimigo.

A terceira guiaria aquilo que deveria acontecer.

Juntas, formariam a Tríade.

O único poder capaz de manter o Vazio adormecido.

Mas toda prisão possui uma fraqueza.

Ela precisa de um guardião.

E o guardião precisava ser alguém que não pertencesse completamente àquele mundo.

Alguém que pudesse tocar a mana...

sem ser consumido por ela.

Alguém que pudesse enfrentar o Vazio...

sem desaparecer dentro dele.

Por isso, uma antiga profecia foi escrita.

Não sobre um rei.

Não sobre um guerreiro lendário.

Mas sobre alguém que nasceria sem aquilo que todos consideravam essencial.

A mana.

Aquele que seria chamado de fraco.

Aquele que seria rejeitado.

Aquele que carregaria dentro de si aquilo que todos temiam.

Durante séculos, o mundo esqueceu essa profecia.

Os reinos cresceram.

As guerras começaram.

A humanidade dividiu-se entre aqueles que possuíam mana...

e aqueles que não possuíam.

Os 99% olharam para o 1% como inferiores.

Sem saber que a maior defesa contra o fim do mundo poderia nascer justamente entre eles.

Muito tempo passou.

As antigas histórias se tornaram lendas.

As lendas viraram contos.

E os contos foram considerados mentiras.

Até que, em uma pequena vila distante dos grandes reinos...

uma criança nasceu.

Uma criança sem mana.

Sem bênção.

Sem futuro aos olhos do mundo.

Seu nome era:

Kael Moretti.

Naquele momento, ninguém percebeu.

Nenhum rei.

Nenhum mago.

Nenhum sacerdote.

Nenhum guerreiro.

Mas algo antigo havia despertado.

Algo que esperava há milhares de anos.

Algo que conhecia o nome daquele garoto.

Muito abaixo da terra.

Além das ruínas esquecidas.

Atrás de correntes criadas pelos antigos...

um olho se abriu.

Uma voz ecoou pela escuridão.

Fraca.

Distante.

Mas viva.

— Finalmente.

As correntes tremeram.

— O portador nasceu.

Naquele dia, o mundo continuou como sempre.

As cidades permaneceram de pé.

Os reinos continuaram suas disputas.

As pessoas seguiram suas vidas.

Ninguém sabia que o equilíbrio estava prestes a desaparecer.

Ninguém sabia que uma antiga guerra estava retornando.

Ninguém sabia que o garoto considerado sem valor carregava o destino de todos.

Porque algumas pessoas nascem para governar.

Algumas nascem para lutar.

E algumas...

nascem para carregar aquilo que deveria permanecer preso para sempre.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!