TOC

15 15- Aulas


Não vemos ninguém até as três horas da tarde, quando Dot, Rachel, Alicia e Doug finalmente saem do quarto, de óculos escuros e com aquela cara enjoada de quem bebeu demais.

Estamos todos ao redor de uma mesinha no pátio entre os chalés. Entregamos garrafas de água e aspirina. Aliás, estamos lá só eu, Amanda, Josh e Danny, porque Taylor saiu com o tal de Pat, que acabou por ser bem gente boa.

— Que bonito, hein?- começa Amanda, rindo da cara deles- primeiro dia e todo mundo já tá bêbado. Quero só ver o resto da semana.

— Cala a boca, Mandy – responde Alicia, sentando e bebendo a água.

Nós continuamos conversando, sentados ali, até Taylor aparecer, todo animado.

— OLHAA QUEM SAIU DO QUARTO!- ele grita atrás deles, causando uma onda de resmungos. — gente, não vou jantar com vocês hoje.

— Taylor, já é tipo, noite. O que você vai fazer?

— Eu sei que é noite, amor, mas o Pat me chamou para jantar. De verdade, sabe. Com conversas.

— Aposto que só vão conversar, mesmo…

— Ai, Dorothea, deixa de ter a mente poluída!- Taylor se faz de ofendido, mas dá um sorrisinho malicioso no final da frase- enfim, tenho que ir me arrumar, só tenho meia hora! Adeus. — ele se direciona para o nosso quarto- Mas meu deus! — ele abre a porta, dá uma olhada lá dentro, e dá meia volta, nos olhando- que bagunça toda é essa?

Levanto e vou até lá, entrando no quarto. Ele entra comigo.

— Lily, pelo amor de deus, como se faz tanta bagunça? Espera, não diz. Não quero saber disso.

— Há! Não é tanta bagunça assim. Pode deixar que eu arrumo. Vai tomar banho, que se antes era meia hora, agora são vinte e cinco minutos.

Ele corre para o banheiro e eu coloco ordem no quarto. Não é muita coisa, então é rápido. Volto lá para fora.

— E aí, onde vamos jantar hoje?

— A gente tem que comer mesmo? — resmunga Doug.

— Obviamente.

Acabamos indo comer panquecas. Tudo bem por mim, mas nem isso aqueles quatro comeram direito. Voltamos para o chalé, e nem preciso dizer que Taylor não estava. Dormimos rápido, já que a outra noite não foi usada para descansar, e acordamos a tempo de ir para a praia.

— Cadê o Taylor? — estávamos tomando café quando Rachel pergunta.

— Ele não foi para o chalé esta noite. Sua cama está intacta.

Risadinhas maliciosas tomam conta da mesa. Logo, saímos para a praia, levando toda a tralha de sempre. Jogamos vôlei, nadamos no mar; uma hora depois, Taylor se junta a nós, feliz da vida. Exibimos as coreografias da torcida para os meninos, inclusive uma pirâmide tamanho mini, com seis pessoas. Por ser a mais baixinha e não termos qualquer segurança no momento, Rachel, com seus incríveis 1.57, ficou no topo. Quem ocupava o lugar no colégio era, geralmente, Dot, Amanda ou eu, mas ela era um pouco mais leve e fálcil de segurar, então…

Continuamos treinando as acrobacias na areia, e os meninos nos aplaudiam. Taylor era basicamente quem nos segurava, pois ele era um dos únicos meninos na equipe. E nunca nos deixou cair.

Eu conheci ele no balé antes de começar na torcida. Ele não era meu parceiro antes, mas como as nossas duplas começaram a namorar, nós trocamos. E formávamos um bom par, ele era um ótimo dançarino, só muito mais alto do que eu. E então, eu entrei nas líderes, e foi legal conhecer mais alguém lá dentro.

O tempo parece voar quando estamos nos divertindo, e logo é hora de voltar para casa. Descobrimos que o tal de Pat mora bem perto da escola, mas é um ano mais velho, ou seja, está na faculdade. Recolhemos tudo, pagamos a estadia e vamos para a estrada cedo, que a viagem é longa. Vou Mercedes com Danny, Dot, Amanda e Alicia. Só paramos três vezes durante o trajeto, uma para almoçar e as outras duas para ir ao banheiro e fazer um lanche. É noite quando chegamos, exaustos. Danny e eu trocamos a direção na última parada, e deixo as outras três em casa. Ao chegar na minha, saímos os dois do carro. Puxo minhas malas e mochilas, me despeço dele e entro, onde meus pais e bichos me recebem, contentes. Embora esteja feliz ao vê-los e morrendo de saudades, não enrolo muito e vou dormir. Eles sabem que a viagem é demorada, então não se importam.

Algumas semanas depois, as aulas recomeçam. Finalmente, último ano! Ainda está quente, e o uniforme está quase me fazendo suar.

— Bom-dia, Lily!- Danny grita de dentro do carro. Abro a porta e entro, devolvendo o cumprimento. — tudo bem?

— Tudo. Preparado?

— Completamente. E você?

— Idem. Hoje vai ter a seleção dos times. Vai querer assistir gente chorando de tarde?

— Hum… até queria, mas tenho um compromisso mais tarde. Vai ficar sabendo depois.

— Agora você me deixou curiosa. Tá bom. Tenho que ver os uniformes depois. Esse ano vai ter muita gente nova, já que metade do time se formou…

Continuamos conversando do início ao final das aulas, que duraram apenas até o almoço. Era o primeiro dia de aula, ou seja, dia de teste das equipe. As únicas equipes que tinham dois dias era vôlei e cross-country, não sei porquê. Todo o resto seria definido hoje, a não ser em caso de atestado.

Estava sentada à esquerda de Dot, e a sua direita estava Amanda. Vestíamos os uniformes do ano passado. Os novos chegariam amanhã pela tarde, pois logo depois de decididas as novas meninas, mandaríamos suas fichas para a loja. Os da equipe do ano passado estavam em caixas decoradas no armário do ginásio.

Quando bateu três horas, as meninas entraram. Nos levantamos, o resto do time atrás de nós como um exército.

— Boa tarde, garotas. Meu nome é Dorothea, e eu sou a capitã desta equipe. Estas são as minhas vices, Lilianna e Amanda. E como vocês podem ver, não tem nenhum primeiro ano por aqui. Então, calouras, é bom que sejam boas. Vamos começar, sim? A coreografia. Quem receber um toque no ombro deve sair imediatamente. Prestem atenção.

Alicia sai do lugar e liga a música. Logo, estamos todas fazendo a mesma dança do ano passado. Repetimos uma vez e Dot sinaliza que elas podem começar. Enquanto dançam, o restante da equipe caminha entre elas, tocando seus ombros. Só eu fico parada no lugar, porque simplesmente não sei fazer isso.

— Muito bom. As remanescentes podem tomar uma água. As outras, saiam.

Mais uma vez, metade das participantes sai. Quando quem sobrou volta para a posição, fazemos a mesma coisa.

— Agora, as acrobacias. Quem não quiser arriscar, já pode sair.- poucas saem. — ótimo. Tomem cuidado.

Música mais uma vez. Fazemos a série de acrobacias duas vezes e elas repetem. Obviamente, esperamos que terminem antes de eliminá-las, só para o caso de não querer levar um chute sem querer.

— Ótimo. Liberadas. Confiram amanhã o mural. Boa sorte.

Elas saem. Sentamos todas na mesa redonda, prontas para o julgamento. A equipe precisava ser formada por trinta garotas, e já tínhamos dezesseis, ou seja, podíamos escolher catorze meninas.