TOC
13 13- Férias!
Finalmente, Danny volta para a escola. O ajudo a descer do carro de seus pais. A senhora Lisset vai, depois de muito tempo, levar a Mercedes para casa. Caminho devagar ao lado de Danny, que, além do gesso, ainda usa um protetor na perna que impede qualquer movimento. Ele usa muletas, e tudo aquilo o deixava incrivelmente lento. Estou carregando nossas mochilas e praticamente sendo engolida por um casaco de frio grande demais ao seu lado.
— E então?- pergunto, me virando para Danny – como se sente voltando para a escola?
— Por mais contraditório que pareça, me sinto muito bem.
Paro um segundo, ficando para trás, porque meu gorro caiu nos meus olhos. Ele continua andando, sem notar minha parada. Com alguns passos largos eu o alcanço.
— Eu também. Fico feliz por você estar de volta.
Passamos pelos grandes portões da escola. Já na entrada, estão colocados dezenas de cartazes convocando os alunos para os times. A maior parte dos times do colégio estava desfalcada depois do ocorrido, já que muitas das equipes estavam no pátio quando tudo aconteceu. Talvez eu me inscrevesse no time de vôlei, já que eu gostava de jogar. Caminhamos até a aula de história. Já tinha quase um mês que tudo aconteceu, mas o clima da escola ainda era horrível.
Os dias passam rapidamente conforme retornamos à rotina escolar. É claro que muitas outras homenagens são prestadas, muitos discursos são proferidos, mas naquele momento tudo o que se queria era esquecer e seguir em frente.
Ganhei um dia extra com a psicóloga, além da consulta mensal. Passei a ir toda quarta-feira. Era até bom, eu gostava dela. Nossas longas conversas geralmente eram bastante produtivas
Um mês e meio se passou. Um dia, Dot, ainda meio triste, mas bem melhor, sentou na minha mesa, animada.
— Lil- exclama – o que você acha de ser líder de torcida?
— Líder de torcida? Eu?
— É. Nossa equipe está meio… desfalcada. Precisamos de mais meninas. E, se eu me lembro bem, até o começo do ano você fazia ginástica, então…
— Hum. Eu posso tentar. Não vai fazer mal.
— Isso! Os testes são hoje, logo depois da aula. Te vejo lá! — e sai da sala, juntando-se com outras meninas antes de eu poder falar alguma coisa.
— Líder de torcida?- viro para Danny quando o ouço falar.
— Por que não? Provavelmente não vão me querer, mas que mal faz tentar?
— Nenhum. Acho ótimo. Adoraria te ver naquele uniforme.
Reviro os olhos e viro para frente quando o professor entra na sala. Ele começa a dar a matéria, mas eu só penso no teste de mais tarde. Deve ser legal ser líder de torcida, mas é tão perigoso…
As aulas passam em um piscar de olhos, e logo estou de shorts e camiseta naquele frio horrível. Pelo menos estamos dentro do ginásio. A líder das líderes, Lis, se apresenta, seguida de Dot e de outra menina, chamada Ana. Elas, junto das outras garotas, mostram a coreografia. Não é muito difícil. Todas nós a repetimos. É incrível a quantidade de meninas ali. Algumas claramente não levavam o menor jeito. Depois que terminamos, as líderes caminham por entre nós, tocando nossos ombros.
— Quem for tocada, deve sair imediatamente. — percebo que todas as chefes de torcida usam uma fitinha preta no uniforme. — agora!
Mais da metade das outras sai. Fico parada no meu lugar. Dot sorri para mim.
— Muito bem – diz ela, alto – agora, vamos às acrobacias. Quem sabe que não consegue e não quer arriscar, que se retire, por favor — cinco meninas saem- ótimo. As outras, tomem cuidado, pelo amor de deus. Prontas?
Toda a equipe começa a fazer acrobacias no ar e no solo, perfeitamente sincronizadas. Olham para nós e esperam que façamos o mesmo. Fico nervosa, mas para minha surpresa, é fácil executar os movimentos, e acho que me sai até bem.
— Muito bom, garotas – diz Ana – podem ir. Amanhã, os nomes das aprovadas vai estar no mural. Boa sorte.
Saio do ginásio e vou para casa tomar banho. Já estou deitada quando recebo uma mensagem.
Danny: Oi! Como foi o teste?
Lily; Muito bom. Tudo bem com você?
Danny: Sim, tudo bem. Estou indo dormir agora.
Lily: Eu também. Tô exausta. Boa noite ♥
Danny: Boa noite!
Desligo o celular, fecho os olhos e durmo rápido, pensando no dia. Acordo de manhã ansiosa. Visto o uniforme, pego a mochila e disparo escada abaixo. Pego o carro e vou buscar Danny. Chegamos na escola, e eu não consigo esconder minha empolgação para ver o mural.
Lá está a lista. Dou uma olhada, mesmo sem muitas esperanças. Mas, contra tudo e todos, meu nome está lá, Lilliana Vogelmann. Me viro, sorrindo, para Danny.
— Eu entrei!
— Sério?
— Sim! — Dot se aproxima, sorrindo – Dot, eu entrei!
— Eu sei! Busque seu uniforme depois das aulas no ginásio, ok?
— Tá bom! — ela vai embora, e eu volto para Danny.
Naquela noite, saio com meus pais para comemorar. É divertido, e me pergunto porque não fazemos mais disso. Talvez eu precise entrar em mais atividades ao que vem…
Os meses passam, as aulas terminam, e logo estamos de férias. Esse ano, combinamos algo diferente: uma viagem! Mas uma viagem só entre o grupo. Danny e eu, Dot, Amanda, Josh, Doug e Alicia, e outros dois novos amigos, Rachel e Taylor. Nós usaríamos três chalés, e os dividimos em: no primeiro, eu, Dot e Taylor. No próximo, Danny, Josh e Doug. No último, Alicia, Rachel e Amanda.
Éramos nove pessoas, então fomos em dois carros. Eu estava sentada ao lado de Josh, que dirigia, ouvindo Alicia, Rachel e Taylor cantando como loucos no banco de trás do Jipe. Eu cantava junto com eles, ainda meio contrariada. Era relaxante sentir o calor do sol na pele ver todo mundo se divertindo, especialmente depois do ano que tivemos.
Olho para o retrovisor, enxergando a Mercedes de Danny. Nem preciso dizer que ambos os carros estavam lotados, de gente e de malas. Estava até surpresa de todo mundo ter cabido no jipe.
Aliás, eu nem devia estar no jipe. Foi um acidente, fruto da falta de organização da minha parte e da teimosia das outras. Foi o seguinte: Alicia e Rachel tinham brigado com Dot e Amanda minutos antes de partimos. Então, elas reorganizaram tudo para ficarem longe umas das outras, mas não levaram o resto do grupo em consideração. Pra não causar mais tensão, todo mundo concordou, mas eu fiquei longe do Danny e da Dot.
A viagem é longa, mas uma hora chagamos lá. Os chalés de madeira são bonitinhos e arrumados, mas parece um acampamento. Entro no meu. Não é muito grande, tem três camas de solteiro, dois criados-mudos, uma mesinha, uma minicozinha e o banheiro. Nada muito luxuoso, mas confortável.
Escolho a cama da parede, a mais longe da porta e mais perto do banheiro. Pego minhas malas e as jogo em cima da cama, saindo do quarto logo depois.
— Precisa de ajuda? -pergunto para Danny.
— Oi, Lil! Não, obrigado. Aliás, pode pegar aquela mochila ali? — assinto e pego a mochila, surpreendentemente leve. O sigo para dentro da casinha. Ele coloca as coisas na cama que escolheu, na mesma posição que eu. Então se senta na beira e me puxa para si, me fazendo sentar em seu colo.- senti saudades.
Ele me beija, de verdade, com língua e tudo. Estamos tão distraídos que nem ouvimos quando alguém entra no chalé.
— Ei, bora parar com essa pegação e tomar vergonha na cara, vocês dois! — Josh grita e Taylor dá risada atrás dele.
— Vai achar alguém pra você, Joshua! — respondo, rindo.
— Essa doeu, Lily – ele fecha a porta e vai embora, gargalhando. Volto para Danny.
— Eu também estava com saudades. Na volta, eu vou com você, mesmo que as outras tenham que ir andando. — ele olha para mim, sorrindo, e volta a me beijar. Passamos alguns minutos assim até que ouvimos alguém bater na porta.
— Mas o que foi agora? — me separo dele e vou abrir a porta. — O que foi?
— Lily, vamos para a praia? — Dot e as outras meninas, que pelo jeito tinham feito as pazes depois de todo aquele drama, estão paradas ali, me olhando.
— Vamos, só vou me arrumar.- elas se viram e eu fecho a porta – você vem com a gente, né?
— Sim. Vai se vestir que eu já te encontro. — assinto e saio do quarto, me direcionando ao meu. Coloco o biquíni e a saída de banho, chinelos, pego uma toalha, meus óculos de sol, protetor solar e saio, encontrando todo mundo vestindo trajes de banho.
Nós caminhamos até a praia, porque é perto. Temos esteiras e cadeiras, tudo empilhado no carrinho que Doug carrega. Ele, Josh e Danny caminham na nossa frente, sem camisa, enquanto as meninas e Taylor observam a cena.
— Ah, se eu tivesse um desses pra mim…- sussurra Taylor, dando risada. Ele era gay, e não tinha namorado, mas sim vários ficantes, ao mesmo tempo, e estava sempre procurando mais um. E sempre conseguia, porque era simplesmente lindo. Nós sempre dizíamos que, no caso de ele se descobrir hétero um dia, estávamos aí…
— Ah não, que o Danny já é meu!- respondo.
— É mesmo, que eu não sou fura-olho. Mas só porque eu te amo, viu, que se não…
— Vamos parar com a safadeza, gente? Onde já se viu… — Dot entra na conversa, sorrindo maliciosamente para nós dois.
— Safadeza?- ele exclama – isso aqui? Safadeza é o que eu vi lá no quarto entre uma certa senhorita Vogelmann e um certo senhor Lisset. Isso sim é safadeza.
— Ai, ai!
— O que foi? Eu fui obrigada a ficar longe do meu namorado por horas. Vocês não podem reclamar.
— É, tá. — Taylor concorda – agora, Dot, você e eu, como pessoas bem resolvidas, temos que ir a uma balada. E eu, como um bom ser humano, digo que iremos hoje. Só para os solteiros...
— Ou seja, todo mundo…
— Quase. Enfim, achei uma bem boa aqui perto, comida, open bar, música, luzes, essas coisas. E a Lily pode ir, junto com o Danny, obviamente, mas não sei se ela vai dispensar a chance de ficar sozinha com o boy…
— Não mesmo – penso alto, sem perceber.
— Safada. — eles dizem ao mesmo tempo. Reviro os olhos, rindo das caras deles.
Mal percebo que chegamos à areia. Os meninos arrumam o guarda sol, e nós arrumamos as cadeiras. Rachel e Amanda se deitam para tomar sol, enquanto o resto do pessoal corre para a água. Fico com Danny para fazer a melhor coisa da praia: jogar na areia.
Nós usamos raquetes de madeira e uma bolinha de borracha para jogar, e é tipo tênis. Eu e ele conseguimos trocar vários passes antes da bolinha cair. Também jogamos vôlei, mas logo ficamos com calor e entramos no mar. Tentamos chegar aos outros, que estão meio longe. Vamos espirrando água um no outro. Ele me levanta e me joga na água. Caímos os dois juntos. Ficamos brincando até alcançar o grupo, que faz basicamente a mesma coisa, só mais fundo.
Ficamos um tempo conversando e furando ondas. A companhia era legal, e todos riam muito. Amanda e Rachel ainda estão tomando sol, e espero que tenham protetor. Taylor anuncia os planos da noite, e todos concordam. É muito estranho eu estar ali, tão no fundo. Era um grupo de pessoas incrivelmente altas, e tirando Rachel, eu era a única que poderia ser considerada “baixinha”, com meus 1.62, enquanto a mais baixa do restante do grupo, Dot, tinha 1.75. Então o que não era tão fundo para eles era acima da minha cabeça, tanto que Danny estava quase me erguendo para me deixar respirar.
Estávamos bem distraídos e não notamos que uma onda imensa se erguia atrás de nós. Pelo menos uma coisa era mais alta que todo mundo. Quando finalmente alguém nota, é só o tempo de eu ouvir um “mergulhem”, de quem, não sei, e sentir Danny me soltando. Pulo para baixo d’água, mergulhando até sentir a areia em meus dedos. Não consigo abrir os olhos, por mais que queira. Espero alguns segundos para subir de volta. A onda já passou, mas não tem ninguém comigo. Será que a onda levou todos eles? Não, impossível todo mundo ser tão burro assim. Aguardo mais um pouco, até que Danny surge. Nado até ele, pois meus pés ainda não conseguem tocar o chão.
— Oi – ele diz, ofegante, e me segura. — cadê o resto do pessoal?
— Não sei. Devem estar subindo.
Um por um, eles reaparecem, menos Dot. Começamos a ficar preocupados. Mais um minuto se passa, e quando completa dois, mandamos Doug ir chamar os salva-vidas, morrendo de preocupação.
Então ela aparece, sã e salva.
— Meu deus do céu!- Grita Taylor – quer nos matar de susto, menina?
— Desculpa! — ela responde, rindo. Josh corre para avisar que não precisamos mais de salva-vidas.
Resolvemos sair da água, que esfriava. Recolhemos tudo e voltamos para casa, rindo da situação.
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