TOC

12 12- Volta às aulas


Arrumo minhas coisas na cama portátil colocada ao lado da maca, na qual Danny está sentado. Viro de costas para vestir o pijama, e quase posso sentir seus olhos queimando minhas costas. Termino de me vestir e vou para o banheiro escovar os dentes. Bob, o enfermeiro, chega para ajudar Danny com essas coisas assim que eu saio.

Pulo na minha cama enquanto espero. O pijama comprido e as meias fofas me esquentam rapidamente junto ao edredom branco. Danny e Bob saem do banheiro. O enfermeiro o ajuda a deitar e me entrega o controle da maca, caso precise por algum motivo, e sai.

— É a primeira vez que eu uso calças em mais de duas semanas.

— E como se sente?

— Incrível. — rio da empolgação dele e apago a luz. Não estou com sono, porém.

— Lily? Tá acordada? — ouço sua voz no escuro.

— Sim.

— Vem cá. — levanto e me aproximo, com todo o cuidado para não bater em nada. — deita aqui. Tem bastante espaço.

— Tá. Espera um segundinho – busco um travesseiro. — chega pra lá.

Subo na maca, deitando do seu lado direito.

— Oi.

— Oi.

— Como tem se sentido ultimamente?

— Bem. Cada dia melhor. E a senhorita?

— Mesma coisa. — junto nossos lábios num beijo calmo, suave. Ele retribuí o carinho. Aprofundo mais o beijo, me controlando para não subir em cima dele ou puxá-lo muito para mim. Ele parecia estar fazendo o mesmo. Antes que eu não consiga mais parar, afasto o rosto, sorrindo na escuridão- Acho melhor dormimos. Não confio em mim mesma neste momento.

— Acho melhor…

Viro para o lado e fecho os olhos. Tento ocupar o menor espaço possível da maca. Surpreendentemente rápido, eu durmo.

Danny me acorda de manhã, usando a mão “livre” para cutucar minha cabeça.

— Bom-dia, flor do dia! Dormiu bem?

— Bom-dia! Dormi maravilhosamente bem, e o senhor?

— Igualmente.

Levanto da cama e me jogo na minha, para dar uma bagunçada. Depois volto para o seu lado. Logo, Lynn e Bob aparecem.

— Bom-dia, meus queridos! — Diz Lynn – Daniel, Bob, vamos começar os trabalhos? Caso a senhorita queira, pode se trocar no final do corredor, que isso aqui sempre demora.

Assinto com a cabeça, desço da maca , pego a mochila e saio do quarto. Vou até o fim do corredor de pijama e casaco, o que novamente me rende olhares de pena. Lavo o rosto e me visto, passo um pouco de maquiagem e volto para o quarto, ainda vazio. Ouço o chuveiro. Não tenho nada para fazer, então dobro os cobertores. Sento na poltrona, esperando. Realmente demora um monte. Quando finalmente a porta é aberta, Lynn e Bob me entregam o mais uma vez seminu Danny e vão embora. O médico chega logo em seguida, olha as feridas, até então descobertas. Já parecem bem melhores do que nos primeiros dias.

— Muito bem. Vejo que as feridas estão cicatrizando conforme o esperado. Você tem sido um bom garoto, Daniel, por isso vou te dar um presente. A enfermeira que vier aqui fazer o curativo vai trazer uma cadeira de rodas. Ela vai te ajudar a se vestir e ensinar vocês dois como trocar da maca para a cadeira e da cadeira para a maca. Podem ir nos jardins, mas usem casacos.

— Obrigado, doutor! — Danny agradece, feliz da vida por finalmente poder sair daquele quarto.

A enfermeira chega, refaz os curativos e veste ele, como o médico disse. Ela me mostra como transferi-lo de um lugar para outro e o coloca sentado na cadeira. Logo depois, ela sai do quarto.

Depois de um momento, nos encaminhamos, cheios de casacos, para os jardins imensos do Florinha. Está congelando lá fora. Nossa cidade é considerada a mais fria da Flórida, e não é difícil saber o porquê de tal fama. Mas os jardins são lindos de qualquer forma. Tiro uma foto de Danny em sua cadeira de rodas nos jardins do hospital, todo sorridente, e a envio para sua mãe e Liza.

Passamos horas e horas no jardim durante todos os dias até ele finalmente ter alta. Eu estava lá junto com seus pais quando o médico o liberou. Na saída, recebemos um monte de coisas para fazer curativo, tipo, sacolas e sacolas. Eles alugaram muletas e a cadeira de rodas. Eles vão para o carro deles e eu vou para o meu, parado havia um tempão.

Vou para casa. Tem um pouco mais de três semanas que aconteceu. As aulas voltavam segunda, e o uniforme seria opcional naquele dia, pois pediram que todos usassem preto.

Arrumo minhas coisas, mesmo faltando dois dias para a escola. Arrumo minha roupa, calças jeans escuras e blusa preta, bem simples. Danny não vai ir na aula, o que me faz sentir mal; mas era melhor que ele evitasse aquele tipo de clima.

Quando finalmente chega segunda-feira, minha vontade de levantar era nula. Mas levanto, me visto, me arrumo, me preparo psicologicamente e vou. Até dirigir devagar eu dirijo. Entro nos portões da escola só para perceber que estava adiantada. Paro ao lado da Mercedes de Danny, que ainda estava parada ali. Pelo amor de deus, porque ninguém tirou esse carro dali. Desço do Volvo e examino a Mercedes. Não parece ter sido danificada ou roubada. Só espero que alguém lembre onde estão as chaves do carro.

Entro no prédio. Então me toco que não, eu não estava adiantada; a escola que estava mais vazia. É difícil olhar para as paredes recém-pintadas e não lembrar do motivo pelo qual as reformaram. Caminho até o grande auditório e sento ao lado de Dot, que já está meio chorando.

A diretora nos recebe, já com lágrimas nos olhos. Dá um pequeno discurso sobre o ocorrido e sobre a vida, respira, pega uma folha e lê os nomes dos falecidos:

— Professora Clarissa Wane, de Álgebra.

— Professor Han Hudson, de Música.

— Os coordenadores Edna, Jules, Floyd e Raquel.

— Lana Wool, primeiro ano.

— Diana Steel, terceiro ano.

— Florence Lang, segundo ano.

— Amber Louis, último ano.

— Celia Flash, primeiro ano.

— Felicia Reynalds, segundo ano.

— Richard Van Hermond, terceiro ano.

— Michelle Jordant, último ano.

— Felix Junior, último ano.

— Avery Swimer, terceiro ano.

— Hazel Collins, segundo ano.

— Austin Clark, primeiro ano.

— Mark Edsen, último ano.

— Michael Wiss, último ano.

— Isabelle Bellaville, segundo ano.

— Elena House, último ano.

— Dakota Fletcher, terceiro ano.

— Sharon Roberts, terceiro ano.

— Plum Hooper, primeiro ano.

— Daniel Lisset, terceiro ano.

Daniel Lisset? Danny? Mas ele estava vivo algumas horas atrás! Saio correndo do auditório, chorando. Alguma coisa aconteceu, alguma coisa séria.

Entro no carro e dessa vez dirijo o mais rápido que posso pelas ruas vazias da cidade, só parando na garagem. Toco a campainha. A diarista dos Lisset abre a porta e me deixa entrar. Corro escada acima e invado o quarto do Danny, o encontrando sentado na cama, jogando videogame.

— Oi, Lily! — ele exclama ao me ver parada ali. E então nota meu rosto molhado e vermelho – o que houve?

— Você está vivo!

— Sim. Porque não estaria?

— Acabaram de te dar como morto na escola, quando estavam lendo os nomes. Achei que tinha acontecido alguma coisa. Vim correndo pra cá.

—Sério?

— Sério.

— Devem ter se enganado. Vem cá.

Sento ao seu lado. Ele me entrega um controle e arruma as coisas. Logo, estamos jogando Mario Kart. Ele fica um pouco mais devagar que eu, já que não tem todos os movimentos. Jogamos a manhã inteira. A diarista nos traz almoço no quarto mesmo, já que é complicado para Danny descer as escadas.

— Depois de amanhã eu vou na aula. De muletas, é claro.

— Sério? Que bom. Eu nem fui na aula, mas senti sua falta. Aliás, seu carro ainda está no estacionamento, no caso de você ter esquecido.

— É mesmo. Meu pai vai ter que buscá-lo, já que eu não tenho condições de dirigir agora. Ele não foi danificado, foi?

— Não, eu conferi. — meu celular vibra na mochila.- é a Dot.

Dotty: L, o que houve? O Daniel está bem?

Logo em seguida, chega uma nova mensagem.

Dotty: A diretora agora está se desculpando. Confundiram ele com Daniel Laier, um menino do último ano. Mas ela ainda emendou que Daniel Lisset tinha sido ferido, por isso não estava com a gente hoje…

Lily: Tudo bem, todos estão muito abalados. Qualquer coisa me avisa.

Dotty: Tá bom. Beijo

Lily: Beijo

Explico o que aconteceu para Danny, que ri da situação. Voltamos para o videogame e jogamos até seus pais voltarem para casa.

Notas finais
Finalmente tirei essa gente do hospital! Comentem! bj bj ♥