T.N.T
2 Contatos
Notas iniciais
AGORA
Na estrada-Nevada
Ashley parou o carro no acostamento, procurou o mapa, queria o menor caminho possível para chegar a casa de Bobby, ainda assim teria que atravessar uns três estados antes de chegar a Dakota do Sul.Não pode evitar que seus pensamentos voltasse para o amigo.
Ela e Bobby estavam a meses sem se falar, ele estava ajudando dois irmãos com sobrenome estranho... winter... winches...winchester? Seria isso?
Se a noticia de Garth provasse ser verdadeira, então a ultima conversa entre os dois tinha sido fria e totalmente profissional. A garota se arrependeu por não ter falado o quão importante ele era para ela.
“Não, ele vai estar lá.” -disse para si mesma, enquanto guardava o mapa e voltava sua atenção para a estrada.
***
DAKOTA DO SUL
Dean saiu do hospital sem saber como as coisas de repente tinham acabado daquele jeito. Em um momento era apenas os dois caçando como sempre e no outro estavam envolvidos em um plano diabólico sobre o apocalipse e agora poderia perder o irmão, de novo. Era difícil, até mesmo para um caçador, acreditar que aquilo estava planejado para eles desde antes de terem nascido, quando Azazel resolveu cruzar o caminho de sua família. Agora além de terem perdido um amigo por causa de um bando de leviatãs, sentia-se cavando o tumulo do irmão. Como poderia ser tão fraco a ponto de deixar as coisas chegarem a esse ponto?
Perguntou-se como teria sido se tivesse tomado decisões diferentes, se ainda estaria na frente do hospital enquanto seu irmão morria lá dentro.
Claro que, no fundo, tinha consciência que tinha feito o que pode pelo irmão, eles sempre tinham feito tudo um pelo outro. Mas naquele instante simplesmente não parecia ter sido o suficiente. Nunca era.
A sensação de culpa o tomou. E se nunca tivesse pedido a Sam para deixar a faculdade, se simplesmente o tivesse deixado seguir pelo caminho que queria. Longe do family business, levando uma vida normal. Talvez isso nunca estaria acontecendo.
As possibilidades que agora se esvaíam perturbava o Winchester.
***
KANSAS
Mia ligou o notebook, enquanto saboreava sua torta, e começou a pesquisa. Sabia que se houvesse algo para encontrar assim, Ashley, já teria encontrado e ligado para elas, ou melhor, para Kath, já que as duas estavam sem se falar desde que a do meio tinha ido levar uma “vida de gente normal”. Mas, mesmos que não encontrasse nada, não podia simplesmente cruzar os braços e esperar que o destino fizesse o resto. Tinha que encontrar uma forma de ajudar a irmã. Recusava-se ficar sem fazer nada.
No fundo tudo que acontecia é que a moça se sentia culpada, por não ter visto nada naquela noite, culpada por não conseguir evitar a dor que afligia a mais nova...
Se ao menos não estivesse chovendo tanto naquela noite...
***
Na estrada- COLORADO
Katherine parou o carro roubado em um beco, e tirou a mochila e uma mala grande. Precisava descobrir o que fazer.
Pensou em ligar para Ashley,mas sabia que a irmã insistiria para ela continuar com Mia ou ir morar com ela na Califórnia. Não podia mais colocar as irmãs no meio da bagunça que era sua vida.
Seguiu a pé até um pequeno hotel, não teria dinheiro para ficar muito tempo ali e não podia mais mexer com seus cartões já que as irmãs a encontrariam. Seus pensamentos fluíram para a época que as três caçavam juntas, foi uma época boa. Perguntou-se como ficaria a relação entre Mia e Ashley agora que ela não estava mais ali para intermediar as noticias.
Era bobagem que as duas tivessem parado de se falar só por que Ash resolveu ir embora, agora ela era capaz de ver as coisas da perspectiva da irmã, e entendia o porquê dela ter ido embora, mesmo que Ash tivesse pedido desculpas, Mia era orgulhosa demais para admitir que também teve sua parcela de culpa, pela irmã ter ido atrás de outra vida.
***
DAKOTA DO SUL
Dean chegou a casa de Bobby, era estranho estar ali sabendo que nunca mais o velho estaria ali novamente, mas era sua ultima esperança de encontrar alguma ajuda para o irmão, e como Bobby mantinha vários contatos...
O loiro já tinha ligado para todos os números da agenda do “tio”, sem obter sucesso. Levantou-se impaciente e encarou o céu enquanto as últimas cores do dia desapareciam no horizonte. Tinha que encontrar uma forma de salvar Sam, não podia desistir, mas agora estava sozinho para procurar ajuda, precisava encontrar forças para continuar lutando.
Dean estava seguindo para o carro, quando se lembrou de uma coisa, o diário de caça de Bobby. Era a última esperança.
O Winchester seguiu para uma lanchonete onde pediu os seus pedidos clássicos, enquanto esperava seu x-burguer com bacon chegar, começou a ler o diário.
Ficou surpreso, quando apareceu um nome desconhecido, o senhor falava com carinho sobre a garota, percebeu que ele cuidava dela assim como cuidara dele e de Sam. Nos últimos meses percebeu que ele passou a citar o nome desconhecido com mais frequência, aparentemente a garota estava muito ocupada atrás de um demônio, não qualquer demônio, Crowley, este ele conhecia bem e isso aumentou ainda mais sua curiosidade.
Começou a ler mais atentamente descobrindo que a moça que Bobby citou levava uma vida comum na Califórnia e, aparentemente, não se considerava uma caçadora e sim uma pesquisadora, descobriu também que a tal “Ashley” estava tentando se esconder de anjos e demônios, por que ela tinha “algo importante”.
Depois os relatos passaram a ser sobre os leviatãs, a alma de Sam e outras coisas, continuou a folhear, mas agora estava tudo em branco.
***
KANSAS
Mia tinha passado a noite em claro atrás de qualquer cosia que pudesse ajudar a irmã, ou levar até ela, mas como já desconfiava, não encontrou nada e ela sabia o que isso significava. Ela teria que procurar Ashley.
Tudo que ela sabia é que a irmã morava na Califórnia, teria que tentar, esperava que Ash ainda estivesse disposta a falar com ela.
***
WYOMING
Ashley entrou no carro e saiu cantando pneu do estacionamento. Como tinham a encontrado ali? Quando encontrasse o Crowley ela o mataria, não importa quantas respostas ele poderia ter ou o quanto poderia ajudar a irmã se conseguisse recapturá-lo, ela não o queria preso, o queria morto. Por que ele não podia deixá-la em paz? Por que tanto interesse nela? Só por que estava investigando o passado de Katherine? Se fosse por isso, isso significava que estava no caminho certo, mas se não fosse isso queria dizer que...
–Não, não é nada comigo. Claro que não. Eu sei quem são meus pais, sei o que aconteceu com eles. –sussurrou a si mesma.
Mais três horas na estrada e chegaria a casa de Bobby. Três horas... Se ela não respeitasse nenhuma regra de transito.
Quando estava há alguns quilômetros longe do motel que se hospedara, se sentiu melhor, perguntou-se se um dia essa perseguição acabaria, e se sairia viva para contar a história.
***
DAKOTA DO SUL
Dean saiu do hospital novamente,não adiantaria nada ficar ali.
Entrou no carro e seguiu novamente para a casa de Bobby, iria procurar por qualquer coisa que pudesse leva-lo até a tal Ashley, tinha certeza que encontraria um jeito de salvar Sam se a encontrasse.
DAKOTA DO SUL
Ashley parou em frente à casa conhecida, percebeu as luzes acessas, sorriu, Bobby estava bem, só um mal-entendido. Estava quase descendo do seu carro quando percebeu um Impala preto parado mais a frente, a garota congelou. Ou Bobby estava bem, ou outra pessoa estava na casa dele.
Um arrepio percorreu seu corpo.
Pegou o sobretudo que deixava no banco de trás e vestiu por cima do vestido curto que tinha colocado na Califórnia, nas botas enfiou uma adaga e na liga abaixo do vestido colocou uma arma de fogo. Pegou a outra arma carregada com cartuchos de sal.
Saiu para o dia frio e cinzento que começava. Amaldiçoando o ser que inventou o frio, seguiu até a porta da frente da casa sem fazer barulho e abriu com cuidado, a arma junto ao corpo, enquanto as costas estavam contra a parede.
A garota não demorou a perceber que fosse quem fosse estava na cozinha. Parou alguns passos antes da porta, respirou fundo e entrou. E deu de cara com uma arma apontada para ela.
–Quem é você? –perguntou ela, depois de um longo minuto em silêncio, ela e Dean se encaravam, cada um medindo o oponente. Cada um segurando uma arma na direção do outro.
– Me diga primeiro. Quem é você? –perguntou o mais velho, a garota estreitou os olhos.
–Sou Ashley, Ashley Evans. E você?
Mas o Winchester não prestou atenção a sua pergunta, só uma coisa vinha a sua cabeça: “ela é a Ashley.” Ele a mediu de cima a baixo, uma criatura de no máximo um e sessenta, sendo generoso, não poderia ser a mesma pessoa que Bobby se referia.
–Vai me responder ou vai ficar me encarando? O que faz na casa de Bobby? O que quer aqui? Onde ele está? –Ashley começou com as perguntas ficando impaciente. Isso tirou o Winchester do transe.
–sou Dean. –respondeu simplesmente como se fosse algo importante, estando convicto que não se tratava da mesma pessoa.
–Ótimo, foi ótimo te conhecer, pode responder o que está fazendo aqui? – ela estava sendo irônica, mas precisava saber onde estava Bobby.
–Não, não falo com demônios. –respondeu ele, e ela o encarou atônita.
–Você me chamou do quê? – perguntou ela o encarando agora com raiva.
–isso mesmo que ouviu. – respondeu o loiro, e com excesso de confiança continuou: — Se você fosse qualquer coisa importante para Bobby saberia mais do que ficar conversando com um desconhecido. Já que não desconfiou que eu poderia ser um demônio significa que você é o demônio.
Ashley olhou o Winchester, sem saber o que falar, ele tinha entendido tudo errado.
–Mas eu sei que você não é um demônio. –murmurou ela sem saber o que falar. Dean ergueu uma sobrancelha sugestivamente. –Olha vou deixar minha arma aqui, posso provar que eu não sou um demônio, tá legal? Apenas não atire. –pediu ela enquanto abaixava a arma cuidadosamente a deixando, por fim, no chão.
Os dois ficaram parados, Dean não via isso como uma prova e a garota não sabia como provar que não podia ser um demônio, sua tatuagem ficava na parte de baixo das costas e ela estava de vestido.Teria que ser da forma difícil. Com um suspiro Ashley se jogou contra uma das cadeiras.
–Vamos lá, você deve ter água benta aqui não? –perguntou, e o Winchester mais velho a olhou desconfiado. Ashley revirou os olhos. – Hey Dean você quer saber se eu sou ou não um demônio e eu quero saber onde está Bobby, então, vamos logo com isso.
***
NEVADA
–É isso! –gritou Katherine sorrindo dentro do Mustang roubado há algumas horas. –Las Vegas, estou chegando.
Enquanto dirigia, tentava imaginar como Mia estava, e como seria começar uma nova vida do nada, novos costumes e rotinas. Como Ashley tinha feito?
Sabia que , segundo a irmã, nunca conseguiria ter uma vida cem por cento normal. Ashley tinha tentando, e não deu certo, era uma sensitiva e sabia demais sobre os monstros que ninguém mais acreditava. E vendo o que via, Katherine tinha certeza que não conseguiria levar uma vida normal, então qual o melhor lugar para não levar uma vida comum do que Las Vegas, era a cidade dos sonhos para uma vidente.
Reconstruiria sua vida,de alguma forma, acharia uma forma e algum dia, talvez, pudesse reencontrar suas irmãs.
***
DAKOTA DO SUL – casa do Bobby
Ashley olhava a adaga de prata que Dean apontava para ela.
–Vamos lá. –apressou o mais velho e a garota revirou os olhos antes de pegar a adaga.
–Quando eu me cortar e perceber que não sou um monstro quem vai fazer o curativo é você! –murmurou a garota, erguendo a manga do sobretudo e fazendo um corte no antebraço. –Viu? Agora me diga onde está Bobby.
O Winchester respirou fundo, ela era humana afinal. Será que era realmente a Ashley?Tudo indicava que sim, então se era ela como ia dar a noticia?Dean ficou perturbado, mas precisava dizer.
–Eu ... sinto muito. –eram apenas três palavras, mas Ashley sentiu como se seu mundo de repente, tivesse sido tirado de si.
Dean observou enquanto aos poucos os olhos da garota se enchiam de lágrimas e o sangue se acumulava na manga do sobretudo dela.
–Quando? –perguntou num fio de voz. Isso fez com que qualquer duvida que ele tivesse sobre a ela desaparecesse, era a Ashley, assim como Bobby cuidava dela como um pai, a garota o via da mesma forma. Estava claro na forma que a garota olhava fixamente um lugar sem nada ver, com a forma que a sua expressão estava retorcida de uma forma que só podia ser de dor, nas lágrimas que ela já não controlava.
Por um momento o Winchester viu apenas uma garota que parecia ter recebido a noticia da morte do pai, desprotegida e desamparada. Ele queria cuidar dela. Como um irmão mais velho.
***
UTAH –algum lugar
Mia jogou no banco do passageiro com raiva. Qual o problema em atender a droga do celular?Estava tentando entrar em contato com Ashley há horas, já tinha deixado dezenas de mensagens na caixa postal da irmã.
Estava começando a ficar preocupada, uma irmã fugida e outra desaparecida, Mia estava a beira de um lapso.
Parou em um bar a beira de estrada, precisava de um hambúrguer e uma cerveja isso a faria se sentir melhor.
Fale com o autor