TAN-World - Fic Interativa
8 O grande evento - Parte 1
Notas iniciais
No mundo inteiro, os TANs eram motivos de euforia. Campeonatos e eventos eram formados quase todo mês em cada canto dos continentes. E naquele momento, Camila estava em um dos vários eventos de enfoque nessas grandiosas máquinas: o TANinBahia, um dos eventos anuais de sua cidade, reunia fãs de todas as idades, gêneros e tipos apenas pelo amor aos TANs. Vinham saber mais sobre suas origens, fazerem campeonatos, se atualizarem sobre as novas gerações ou saber mais sobre as antigas. Para Lívia e Zodiac, aquilo já não era novidade, mas o difícil era convencê-los a irem lá: os “TANs caseiros” eram conhecidos por serem mais potentes, só que por conta disso, gastavam mais energia e em consequência disso, se apegavam facilmente as suas casas, sendo difícil levá-los para outros locais, precisando muitas vezes desligá-los para isso. Por sorte, Camila conseguiu convencer Lívia a ir ao evento: ela poderia conhecer novos parceiros de marca e inclusive interagir com o público. Já Zodiac, que já sabia sobre esses eventos, preferiu não arriscar; pelo que vira na internet, não passaria de uma “bancada de Lan-House”.
Ambas as duas andavam pelo local com os olhos cintilantes: para Camila, sempre haveria alguma novidade e para Lívia, aquilo era um mundo totalmente novo e prometera exatamente o que sua dona disse. Logo a TAN viu ao longe um imenso palco: nas suas margens, haviam dois Xbox 360 com seus respectivos donos, ambos projetando um jogo de luta em um telão ao centro, de forma frenética. Aquela cena e a animação da torcida excitaram Lívia ao ponto dela se parecer mais com uma criança do que com uma máquina.
– Olha eles lá! – Lívia puxava Camila pela manga da blusa, apontando freneticamente para o palco. — Imagina que incrível, a sensação de estar em um palco, disputando uma final, sendo o completo centro das atenções! Eu quero estar ali! Me diz que temos uma reserva ali!
– Calma, calma! – Camila puxava a manga de volta para o braço, tentando acalmar a euforia da TAN. – Eu sei que é sua primeira vez aqui e que toda essa atenção te subiria a cabeça... E que viemos aqui mais para falar com o técnico, que é um assunto importante... – Ela já via o rosto de alegria da TAN se desfazer. – Mas...
Um fio de esperança passou nos olhos da Lívia. Camila começou a remexer seu bolso e por alguns instantes, procurou por uma peça fundamental para a alegria completa da TAN: um pequeno panfleto, sobre uma “Batalha de Consoles” naquele evento.
– Como você veio de bom grado, resolvi nos inscrever no campeonato, na categoria acirrada mesmo: jogos de luta!
Lívia começou a pular novamente: era uma verdadeira criança em uma doceira e acabou de descobrir que havia algumas guloseimas reservadas para ela. Porém, Camila teve que acalmar parte de sua euforia; elas jogavam geralmente sozinhas, raramente contra uma pessoa e quando era normalmente se tratava do irmão mais velho, de um amigo dele que mal sabia os comandos ou dos primos dela, que costumavam usar o mesmo comando todo momento. Elas teriam que usar tudo que tinham aprendido, jogando nos níveis mais difíceis dos jogos e ainda cruzarem os dedos para terem algum destaque. Logo, a euforia da Lívia foi vagamente se misturando com o nervosismo; ela estaria no palco, sendo o centro das atenções, possivelmente contra TANs mais experientes que ela. Enquanto o processo de seleção dos jogadores era através de testes de experiência, os TANs já eram por conta própria: a única obrigação deles era apenas ter os jogos prescritos na lista de exigências.
Os minutos se passavam e logo a multidão de dispersava; o “primeiro tempo” fora encerrado e a primeira divisão foi fechada. As habilidades de Camila fizeram-na entrar na segunda divisão; os jogadores intermediários. Ela e sua TAN já estavam entrando na fila de apresentação, quando ouviram uma voz familiar ao longe: “Camila, aqui!”. Assim que prestaram atenção, lá estava o técnico, perto do cordão de isolamento, levantando os braços e tentando chamar atenção. A menina levantou as sobrancelhas surpresa, pediu para que Lívia reservasse seu lugar e correu para tentar conversar com ele.
– Por que não veio mais cedo? – A menina já veio reclamando. — Combinamos de nos encontrarmos nas lanchonetes! Agora irei me apresentar com Lívia. E você sabe como ela fica quando quebro uma promessa pra Lívia!
– Eu sei, mas você acha que é fácil se encontrar dentro de um evento!? – Ele retrucou. – Olha, eu sei que está em cima da hora, mas assim que der, por favor, venha falar comigo; vou ficar aqui mesmo, para facilitar sua vida!
A menina apenas concordou e voltou para seu lugar na fila, sempre fitando o olhar no técnico; a ansiedade dela saber a verdade poderia ser tão grande quanto à ansiedade de sua TAN subir a um palco pela primeira vez. Lívia voltou a ficar eufórica, logo estaria no palco e poderia ser aplaudida por vários. Ela olhava rapidamente para alguns ali, até que outro TAN lhe chamou a atenção: ele tinha altura semelhante a dela, pele clara, cabelos pretos, longos e lisos (quase como as de uma mulher) e olhos verdes-claros como o seu olho esquerdo. Suas roupas eram bem parentescos com as de uma pessoa “normal”: jaqueta de couro, uma blusa preta de estamparia relativamente extravagante, calças jeans com os joelhos rasgados e uma touca cobrindo grande parte da cabeça. O TAN já parecia fitar Lívia com um sorriso de canto de boca há algum tempo, mas só agora ela percebera.
– Ai, me desculpe! – Ela ficou corada por um momento. – É que-- eu estou tão ansiosa, é minha primeira vez em um palco!
– Não se preocupe, gracinha. – Ele falou calmamente. – Tenho certeza que vai ser tudo calmo.
– Ah, que bom... Afinal, você é... Um daqueles Xbox pretos? – A TAN tentava puxar conversa com timidez; interagir com pessoas era fácil, mas com outras máquinas era difícil para a maioria, que poderia enxergar como “concorrência”.
– Na verdade, não. Mas tenho alguns jogos requisitados por esse pessoal... E ainda mais, se quiser saber!
Lívia riu por um instante, sem graça; mesmo ele não se identificando, já sabia que não era nenhum “colega” dela. A conversa poderia ter se estendido, se a chamada não tivesse começado; logo, ambos os dois e todos os outros logo estariam lá em cima. A apresentação da segunda divisão começara: a medida que subiam, era possível ouvir os aplausos. O apresentador botava emoção a cada um que chamara e logo, o grupo intermediário estava completo no palco e excitando o público. Lívia se sentia em um verdadeiro paraíso, com um sorriso que não expressava nem metade de sua felicidade. Em seguida, o apresentador anuciou:
– Muito bem, pessoal, vamos começar o campeonato! Iniciando com a série Mortal Kombat, irão se enfrentar: Camila Wei e sua fiel TAN, Livia, contra Oliver Dragomir e seu parceiro, Demolidor!
O público aplaudia ansiosos pela competição. Os outros membros logo se afastaram e sobraram apenas os quatro no palco. Eles foram para os seus lugares se preparem e a voz do locutor voltou a tomar o lugar:
– Como vocês podem ver, trata-se de jogadores com TANs de plataformas completamente diferentes e até poucos anos, fazer esse tipo de competição era impossível com TANs diferentes. Mas como vocês já sabem, graças a empresa “Evisa Vraps”, desenvolvedora de tecnologias multiplataformas e patrocinadora do nosso evento, eles criaram um novo sistema de interação entre TANs de diferentes empresas!
Ele começou a propagandear a empresa, falando todos os seus benefícios e o quão promissor era o produto, enquanto os competidores se arrumavam. Oliver colocava o chip de contato da empresa dentro do Demolidor e checava para que ficasse seguro.
– Tudo certo aí? – Ele perguntou.
– Sim: estou pronto para os Fatalitys! – O TAN riu.
Após alguns minutos de silêncio, lá estavam novamente os competidores. Um em cada lado do palco e no meio, o telão acendeu-se de novo, com a janela principal do Mortal Kombat. O público estava ansioso, como se fosse uma verdadeira luta sangrenta na frente de todos. Porém, nem tudo é perfeito neste mundo: quando os dois selecionavam seus jogadores, algumas luzes no local começaram a oscilar, até que esta oscilação se espalhou pelo local, causando falhas inclusive na tela do palco e em poucos segundos, um apagão afetou o local. Ainda foi possível ouvir um estranho som vindo ao longe, aparentemente dos geradores. A plateia logo começou a gritar e começaram algumas vaias: mal começara e apresentaram falhas? Mas para os donos de TANs, era quase motivo de desespero, atrás de suas preciosas máquinas: muitos deles não aguentavam ficar sem energia muito tempo, mesmo que sem fio, sendo que alguns logo “desmaiavam” sem energia.
–... Eu estou bem! Só estou tonto! – Demolidor já se apoiava em seu dono, tentando recobrar-se do pico de luz.
Enquanto os organizadores guiavam os participantes para fora da plateia, devido ao imprevisto, Camila entrou me pânico novamente, tentando levantar um corpo caído ao seu lado:
– A Lívia parou de funcionar!
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