Títeres

5 Descoberta, Comando e Ação


Notas iniciais
Mais uma vez, conspiraram contra mim. Estava sem internet então demorei mais do que queria para postar esse capítulo. Espero que gostem. Pronto, consegui concertar o problema do negrito ^^

Pouco mais de um mês havia se passado desde que 4, agora Luke, entrara para a Brigada Especial. A primeira semana fora bem difícil para Valentin, que estava com medo. Entretanto, com o passar dos dias, o loiro percebeu que o menino parecia mais um cachorro, fiel ao dono, do que um assassino frio. A única vez que o comportamento do garoto se repetira fora quando o próprio Valentin corria perigo. Fora isso, Luke evitava ao máximo matar alguém. Vivendo todas as horas de todos os dias juntos, os dois criaram uma intimidade grande. Apesar de ainda achar estranho, o militar se banhava com o garoto e dormia na mesma cama sem nenhuma reclamação.

O inverno havia acabado de chegar, mas seus primeiros dias mudaram completamente o clima. O outono mais quente que o normal se tornou um inverno tão frio como sempre. Luke estava em pé olhando a janela da sala que agora dividia com Valentin puxando as peles da boca rachada pelo frio. Vestia um sobretudo bege com a gola peluda. Os pelos brancos eram pouca coisa mais claros que a face do garoto;

– Não faça isso, Luke. Vai acabar sangrando. – o loiro disse enquanto se aproximava. Trazia consigo um pequeno pote com um bálsamo dentro. Valentin usou os próprios dedos para espalhar o bálsamo nos lábios feridos do amigo.

Seus dedos ainda se encontravam sobre a boca rósea do menino quando a porta se abriu. Era Sadha, a secretária do marechal. Sadha era uma mulher irritante, além do sotaque de um país que Valentin desconhecia, tinha uma forma afetada de falar.

– O marechal quer ver os dois. – disse a mulher. Seu coque estava tão repuxado que sua testa não se mexia direito. – Estão avisados, não demorem.

Dizendo isso se virou e saiu saltitando.

–Não sei o porquê de ela andar como um coelho quando parece mais um rinoceronte azul. – bufou Valentin irritado com a petulância da mulher.

A verdade era que Sadha tinha um corpo largo e um busto enorme. Somado a isso, ela usava o uniforme militar menor do que deveria, dando a impressão que seus seios saltariam a qualquer momento. Seu nariz sempre empinado parecia o chifre que a tornava um rinoceronte e não um elefante.

O militar loiro terminou de passar o hidratante nos lábios do menino e se encaminhou para o gabinete do marechal. Luke, como sempre, o seguiu. O menino havia crescido agora que sua alimentação provia os nutrientes necessários. Ainda assim, era menor que um garoto de catorze anos. Estava mais forte também, seus músculos se definiam com facilidade.

Não levaram muito tempo para percorrer os longos corredores. Valentin tinha as penas longas e seu parceiro havia se acostumado com o ritmo do loiro. Perto da escada que levava à sala do marechal uma voz chamou por eles.

–Hey, esperem. – era uma menina e estava arfando por ter vindo correndo.

–Oi Cleo, quer ajuda aí? Você ta sempre carregando peso. – Valentin logo se ofereceu para ajudar a menina.

Cleo também estava no auge dos vinte. Devia ser um pouquinho mais velha que Valentin. Seus cabelos eram curtos, terminavam logo abaixo do queixo. Sua franja sempre tapava os olhos, como uma cortina castanha. Raramente era vista pelos corredores, estava sempre no laboratório ou lendo na biblioteca. Quando saía de lá, como todos os pesquisadores da base, ela estava sempre de jaleco branco e sempre carregava consigo uma quantidade grande de livros que tapavam seu rosto. Era uma menina bem envergonhada e só conversava com Valentin e seu antigo parceiro, Roy, que a ajudavam com o material sempre pesado.

–Não não,hoje são só alguns documentos pra mostrar pro marechal. Vocês estão indo encontrá-lo também né?! – respondeu ela após recuperar fôlego. – Andem, andem, o marechal não gosta de esperar.

Os rapazes obedeceram e subiram as escadas seguidos pela cientista. Ao adentrarem no cômodo se deparam com o marechal e Roy, que mantinha distância do menino mais novo. Ainda tinha medo dele por ter levado uma surra.

O marechal se aproximou dos recém chegados e apoiou uma das mãos na cabeça de Luke. Sorriu pra o menino antes de começar seu discurso.

– Cloe...

– O nome dela é Cleo marechal, não Cloe – Roy interrompeu rapidamente

–Foi o que eu disse. – continuou o mesmo sem se importar coma interrupção. – Você disse que descobriu alguma coisa importante nos registros mais antigos da marinha. – O homem se virou, caminhou lentamente até sua cadeira e sentou-se, só então continuou a falar- Nos conte suas descobertas. Mas por favor, sem essa sua mania irritante de repetir as palavras.

– Ok ok. – disse a menina e imediatamente ficou vermelha. –Desculpe. É uma história meio longa, mas resumindo eu achei uns documentos de mais de vinte anos atrás falando sobre umas experiências com humanos. O governo, àquela época, queria criar soldados mais fortes ou simplesmente humanos melhores. O objetivo não estava claro. De qualquer forma eles levaram quase cinco anos para inventar uma máquina e mais de três para fazê-la funcionar. O problema era que nenhuma das cobaias sobrevivia. Dois anos depois de tentativas frustrantes começaram a usar crianças e acho que a máquina meio que funcionou. Nessa mesma época ocorreu o golpe de estado e o nosso líder mudou. Ele era o mesmo que governa agora, Alexander Thirlwall, e foi ele que cancelou as pesquisas. Os gastos eram grandes e houve muito tempo desperdiçado para não se obter resultados. Só que na verdade, um laboratório no norte já tinha conseguido alguma coisa. Eles tentaram avisar os governo mas ninguém quis ouvir e as ordens de destruição da pesquisa foram mantidas e o laboratório se desfez. E aí que vem a parte estranha. O relatório dos militares que desmontaram o laboratório diz que um grupo de cientistas fugiu antes que eles chegassem. Muito tempo depois, quase um ano, o corpo de um tal de Dr. Giles, que trabalhava para nós, foi encontrado em uma cabana na floresta nevada em Niublin, aquela cidade lá no norte do país. Junto ao cadáver estava esse diário. Eu acho que o senhor deveria ler marechal.

Após o longo discurso, Cleo deixou um livro surrado sobre a mesa de mogno. Todos os olhos do recinto apontavam em direção ao pequeno conjunto de folhas amareladas com uma capa grosseira de couro verde. Até Boris, o implacável, estava apreensivo, porém quando ameaçou abrir o livro a porta da sala fora escancarada. Um rapaz de rosto muito sarapintado e vermelho por causa do esforço entrou falando entre arquejos. Era um dos recrutas que estavam de plantão no dia.

–Senhor, estamos com um problemão. – o garoto falou mas seu fôlego não permitiu que continuasse.

–Anda menino, diga o que aconteceu. – Roy estava estressado, muita coisa estava acontecendo, e aquele suspense não ajudou.

– Toda a policia foi mandada para o outro lado da cidade porque haviam fortes indícios de que algo grande estava acontecendo por lá. Só que era uma isca e um grupo de arruaceiros está atacando o banco aqui perto. Os seguranças foram rendidos.

– Mande o Alfa para lá agora. – O marechal não se abalou com a notícia. Ainda estava focado no caderno.

Alfa era o primeiro grupo da Brigada de Operações Especiais. Essa brigada, mesmo sendo a mais importante, era pequena, composta de quatro grupos. Alfa era o primeiro. Possuía quase cinquenta membros. Era também chamado de grupo de ataque rápido. Os soldados alfa eram os mais jovens, tinham muita disposição e grande força bruta. Eram usados em emergências onde estratégias não eram necessárias. O grupo Beta era do mesmo tamanho, mas atuava em uma área diferente. Eram chamados de coletores, mas na verdade eram os espiões da Brigada Especial. Seus membros, das mais variadas idades, se especializaram em se misturar com qualquer ambiente e extrair informações sem que os interrogados reparassem. Gama era o menor, apenas onze membros. Era o grupo que Roy, Valentin e Luke atuavam apesar desses dois últimos estarem afastados do cargo porque o marechal queria testar o menino, então mandou tarefas simples para o mesmo. Todos os grupos eram muito mais treinados que os militares normais, porem os Gama eram sem dúvida os mais perigosos. Não só munidos de força bruta assustadora mas de estratégias demoníacas. Cuidavam apenas dos casos mais raros como invasão de sedes criminosas (nesses trabalhos usavam a ajuda dos outros grupos) ou assassinos em série muito perigosos. O último era o grupo Omega. O grupo de pesquisa avançada do qual Cleo participava. Apenas seis membros, todos com uma inteligência superior a dos humanos normais, formavam este último.

– O Alfa está fazendo a avaliação hoje senhor. Eles não estão perto daqui. – o menino das sardas respondeu desesperado.

Boris levantou os olhos até estes olharem para o rapaz. E perguntou calmamente.

–Quantos são?

–Q-Quê? – o recruta tremia.

– Quantos bandidos são? – repetiu o homem.

– No-nove, senhor. Contaram apenas nove.

– Podem ir. – e dizendo isso o marechal abriu o livro e começou a ler, movimentando a boca em palavras silenciosas.Antes que a frase fosse terminada, três vultos saíram da sala em uma velocidade absurda deixando Cléo e o recruta sozinhos com o general que os ignorava completamente.

– Já disse o que sabia, se me dá licença, vou me retirar. — disse a menina como se aquilo fosse normal, e saiu. O recruta continuou atônito aos acontecimentos.J

Já na rua, os três militares corriam em direção ao banco. O ar, frio e úmido, fazia pequenas nuvens de respiração na boca dos pedestres assustados com a velocidade dos três. Não tardaram a chegar ao local desejado, afinal não era longe. Os bandidos eram uma quadrilha de assaltantes de banco que estava sendo procurada há um tempo. Mas eles nunca tinham sido vistos em Buccaner.Valentin fez alguns sinais com as mãos e os seus parceiros entenderam.

O primeiro a entrar no prédio foi Luke. O menino usou a janela para isso e chamou atenção dos assaltantes que logo começaram a atirar. Mais do que acostumado, o menino não teve dificuldade nenhuma em desviar das nove balas. Enquanto os capangas tentavam recarregar suas armas, o líder se escondeu atrás de um balcão para fazer o mesmo. Valentin e Roy entraram em seguida, pela mesa janela. Dois tiros, dois feridos. Os militares acertaram dois dos criminosos, um na clavícula e outro no rim. Os dois caíram de dor. Valentin desembainhou sua rapieira e, velozmente avançou contra mas um. A arma era linda e letal. Um raio dourado e o homem que sofreu o ataque do loiro estava no chão. Valentin fora atacado por mais dois,ao mesmo tempo e, sem dificuldade, derrubou os mesmos com alguns cortes severos.

Luke usava as mãos e os pés mesmo. Pulando de um lado para o outro derrubara com uma joelhada no estomago um dos delinqüentes e passou a lutar contra outros dois, ambos munidos de pequenas lâminas. Nenhum deles conseguiu causar nenhum dano ou menino, que, sempre com movimentos, rápidos nocauteara um após o outro.O que os três não sabiam é que havia mais dois no cofre que não tinham sido vistos. Esses dois saíram atirando e acertaram um tiro de raspão no loiro.

Roy jogou a arma descarregada para cima e puxou mais duas, uma da cintura e outra do pé, acertando em cheio os agressores de Valentin. Restara só o líder da organização. Ele estava de pé, atrás do balcão de atendimento. Sua arma já estava carregada e apontava para a cabeça de uma refém.

–Você não têm escolha. Deixe-me ir ou eu matarei essa mulher antes de ser preso. – Ameaçou no líder.A verdade era que a quadrilha não era perigosa, mas eram rápidos e inteligentes, por esse motivo nunca eram capturados. Roy e Valentin estavam de pé fitando o chefe criminoso enquanto pensavam no que fazer. Luke, bom, ele tinha sumido. Mas o ladrão não percebera.

– Nossa, essa é a força da Bri.. – a frase do bandido foi interrompida pela faca de um de seus capangas. Quem a empunhava era Luke. O moreno estava preso de ponta cabeça na esquina da parede atrás do líder. E enfiou a faca na nuca do homem. A sua refém gritou e saiu correndo.

Valentin não entendeu o motivo. O menino havia parado de matar. Roy, no entanto, sabia. Sabia que aquilo era uma arma e armas nunca param de matar. Nenhum deles falou nada. Seguiram os procedimentos padrões. Prenderam os vivos e mandaram o morto para o necrotério, tudo isso com a ajuda dos recrutas que chegaram minutos depois da ação acabar.

Os três foram os primeiros a voltar para a sede da Brigada e foram direto reportar ao general o acontecido. Luke ainda tinha algum sangue espirrado em seu rosto sem expressão, mas Valentin limpou antes de entrarem na sala. Antes que pudessem falar qualquer coisa o marechal, recostado na mesa, perguntou.

–E o líder?

–Está morto, Luke matou. – Foi Roy quem respondeu a pergunta.O marechal gargalhou em resposta.

– É menino, você sabe mesmo obedecer até as ordens ocultas.– Foi aí que os militares mais velhos perceberam que o marechal Boris não estava lendo em silêncio. Ele disse “mate o líder” assim que abriu o livro. O único que percebeu fora o mai novo. Eles eram realmente assustadores, o marechal e o menino.– Bom, isso não importa mais. Vocês têm mais uma. Arrumem suas malas porque irão viajar.



Notas finais
Espero que tenham gostado.
Reviews por favor :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.