Tão fora da terra

9 Capítulo 9- Limbo


Notas iniciais
Ola pessoas^^ Muito grato pelos comentários e pela companhia. Fico feliz que tenham dado uma chance a história. Esse capítulo na verdade é uma união, quando postei a história houve um hiato, e então postei dois capítulos curtos. Aqui estou juntando eles em um só ok? Boa leitura!!!

–Mu, obrigado mesmo, estava uma delícia!

–Disponha, Camus. Eu penso que nós deveríamos conversar mais.

–Sempre que der. Já adianto um convite, pros dois, vocês devem ir lá em casa qualquer hora.

–Lembrarei disso, Camus- Aioria disse sorrindo.

–Bom, vou indo. Marquei com Milo na biblioteca, ele deve estar lá já.

–Pense no que eu te disse Camus.

–Estou pensando já... Boa noite pros dois. Ou você sobe comigo, Aioria?

–Não, vou ficar mais um pouco por aqui. Boa noite. E boa sorte.

–Sorte? Pra que?

–Milo está meio inconformado com o fato de você treinar ele, e não o contrário... antes de vir pra cá, vi ele em Gêmeos, conversamos uns minutos, e ele não parecia muito satisfeito...

“O que ele fazia em Gêmeos?”- Camus pensou meio inquieto.

–Bom, vou precisar, obrigado. Boa noite de novo.

Camus saiu de Áries, e foi subindo. O dia foi longo, mas ainda estava longe de terminar: reunião com o mestre, MM machucado, Aioros depressivo, jantar com Mu, e agora, a pior parte do dia. Milo.

O que estava incomodando era o fato de Milo mexer com Camus em tantos extremos. Quer dizer, só hoje ele foi da raiva completa, até uma simpatia sem igual. Milo não podia ser simplesmente fácil de lidar o tempo todo? Tinha que ter esse acesso de... Camus não queria nomear “ciúmes”, mas nenhuma outra palavra se encaixaria tão bem. Fora o beijo... argh.

Camus reparou que Aldebaram não estava em sua casa. Gêmeos estava vazia, MM ainda dormia, Aioria estava com Mu, Shaka não havia aparecido ainda, Milo já estava na biblioteca, Aioros também dormia. Sentiu o cosmo de Shura junto com o de Aldebaram, lembrou que eles iriam jantar. Afrodite também dormia. A noite começara a pouco, mas sentia-se totalmente esgotado.

Chegou a biblioteca, entrou devagar. O cosmo de Milo estava por ali. Caminhou em silêncio até sua mesa, e achou estranho ver um diário aberto, o de Degél, na página que ele havia marcado. Camus sempre marcava o livro onde parava, e fechava. Tentou lembrar se havia por descuido feito algo diferente, mas não, havia marcado a página, fechado o caderno e guardado na gaveta. Como aquilo estava para fora?

Milo. Só podia ter sido ele.

Camus deu meia volta, e foi em direção ao cosmo de Milo. Quando virou um dos corredores, viu os cabelos loiros do escorpiano agora soltos, pelas costas. Estava com uma expressão concentrada, pelo pouco que via do seu lado do rosto, estava vermelho. Camus pigarreou.

–Oi Camus. Nossa, desculpa não ter te visto.

–Humph. Podemos nos sentar?

–Claro...

Camus se virou e caminhou até a mesa. Milo o seguia meio intimidado com o jeito do aquariano, que estava mais estranho do que a tarde na casa de Aioros. Sentaram-se.

–Bom, o que foi?

–Hum...nem sei por onde começar, mas vamos lá: o Saga e o Aioros brigaram, e o mestre me mandou assumir o treinamento. Disse que eu sou mais apto que você no momento, e que o Saga vai estar indisponível até se resolver com o Aioros.

–Eu sei disso...

–O problema é que eu havia pedido ao Saga pra falar com o mestre, e me liberar de tudo isso. Não quero treinar com você. E quando fui falar com o mestre, ele me disse um não dos maiores.

–Por que?

–Não sei também, mas...

–Por que você não quer treinar comigo?

–Oras Milo, ainda pergunta? Eu não quero ficar perto de você. Você é volátil, inconstante, e me irrita. Me irrita quando você fica lembrando pros outros que eu existo, me irrita quando você quer conversar e eu quero ficar quieto, você me tira do sério, essa é a verdade, e eu odeio qualquer coisa ou pessoa que me tire do meu sossego. Entendeu?

Milo arregalou os olhos. Camus ficou alguns segundos perdido naquelas safiras.
–Eu... nunca quis...

–Não me interessa o que você queira ou não. Mas ordens são ordens. Vou ter que continuar treinando com você. Então quero deixar claro que vai ser apenas o necessário, certo? Não quero ser seu amigo, basta sermos companheiros de luta. Sem intimidade, sem liberdade. Colegas. Eu na minha, você na sua. Não vejo jeito melhor de fazer isso funcionar.

–Nossa Camus... eu nunca imaginei...

–Não importa. Vamos ao que realmente importa. Duas coisas. A primeira é que, ao que parece, as armaduras pra nos reconhecerem, exigem que nós sejamos homens completos em matéria de crenças e convicções. Temos que saber o que queremos e para onde vamos. É só isso que nos falta. É fácil, então quanto antes nós descobrirmos o que seja, mais cedo fico livre de você.

Milo passou da surpresa anterior para uma expressão carrancuda.

–A segunda é: por que você mexeu no diário do Degél?

–Por que me acusa?

–Nenhum outro cavaleiro veio aqui além de você. É quase como se fosse uma violação ao meu próprio diário, ele era o meu antecessor. Por favor, contente-se em ler os diários do Kárdia, e dos outros, deixe os dos outros signos para seus respectivos proprietários, certo?

–Por que? Eu sei que o Kárdia falava tanto do Degél, quanto o Degél do Kárdia. Pela página que você marcou, eu acho que os dois eram bem íntimos, não Camus? E você já sabe disso. É praticamente a mesma história, só de ângulos diferentes. Não se sinta “violado” por isso.

–Eu não...

–Quem vai dizer que basta agora sou eu, certo? Vai ser como você quer, cavaleiro de Aquário. Sem diários, sem diálogos, só o necessário. Nunca achei que querer ser seu amigo te incomodasse tanto. Acho que quando for tentar isso novamente, vou pegar algumas dicas com o Aioros, ou quem saber ficar pelado e te pedir pra “ensaboar” meu corpo na banheira.

Milo se levantou e saiu andando. Camus ficou irado, e foi atrás dele.

–Eu não admito isso Milo.

–O que?

–Você insinuar que eu e o Aioros...oras...

–Por que te incomoda tanto? Assuma logo que gosta dele, quem sabe assim sua armadura não te aceita, e você fica livre de mim? Pra que esconder? É medo do Saga?

– O Aioros nunca me deu qualquer motivo para achar que ele quisesse alguma coisa comigo, ele só tem olhos pro Saga. E eu nunca quis nada com ele, e com nenhum outro homem. Não aceito que você julgue uma situação entre eu e um amigo que estava precisando de ajuda, por causa de um... sei lá, ciúme.

–Certo, continue.

–Sem cinismo comigo! Medo do Saga... me poupe, acha que eu sou homem de ter medo de alguém? E por que motivo do Saga? Que eu saiba, você apoiou o Aioros naquele papo absurdo de andar pelado por aqui, dizendo que é costume de vocês, gregos. Aliás, esses costumes gregos de vocês é que são estranhos.

–Que costumes? Você que é reprimido.

–Será possível que só eu percebo isso? Todo mundo por aqui é gay? Não ouvi falar em um cavaleiro que gostasse de mulher por aqui. E outra coisa, por que você fica com esse... sei lá, ciúme comigo?

–Oras Camus, não é ciúme, era só...

–Só?

–Oras, eu queria ser seu amigo, só isso. Amigos sentem um tipo de ciúme, não esse que você está pensando.

–Depois que você me beijou, eu só posso julgar e entender um tipo de ciúmes Milo.

–Que eu saiba eu não beijei sozinho. Você correspondeu.

–Eu fui pego de surpresa! Oras, não é algo que eu tenha gostado, ou esperado.

–Hum...não foi o que pareceu.

–Tá vendo? Você me irrita cavaleiro!

Milo deu um suspiro. Suas safiras adquiriram um tom arroxeado. Abaixou a cabeça, seus cabelo cobriram o rosto.

–Está bem Camus. Se em tão pouco tempo que nos falamos, você só consegue se sentir mal comigo, será do seu jeito, como eu já disse. Só o necessário. Sem conversa, sem intimidade, sem dor de cabeça.

Camus sentiu um alívio. Agora parecia que Milo entendera.

–Até que enfim! A partir de amanhã, então, ao amanhecer na arena!

Milo se virou e foi andando. Camus não entendeu por um momento.

–Milo?

–Já entendi, não precisa falar mais nada. Amanhã.

E foi embora.

Camus estava realmente aliviado. Achou que ia ter muito mais trabalho, mas até que Milo fora mais racional dessa vez.

Sentou-se na mesa, e resolveu dar mais uma lida no diário de Degél.

Milo foi caminhando para sua casa. Sentia-se mal como nunca antes. Não iria admitir que era tudo por causa de Camus, mas no fundo, sabia que era. Pelo menos ele havia tentado. Não iria acreditar mesmo nessa história de reencarnação, se isso fosse verdade, ele e Camus já seriam no mínimo amigos a essa altura.

Quando passou por Sagitário, reparou que Saga estava parado ali.

–Saga?

–Milo? O que faz aqui essa hora?

–Voltando pra casa. E você?

–Pensando.

–Em como se acertar com o Aioros?

–Exatamente.

–Deve fazer isso mesmo se acredita que vale a pena. Ele está péssimo. Vi ele hoje, nuca imaginei que um guerreiro ficaria assim.

–Muito mal?

–Péssimo mesmo. Chorou o dia todo, não quis fazer nada, só comeu pra evitar que eu e Camus nos matássemos.

–Você e Camus? Como assim?

Milo contou como se passou o episódio,omitindo a parte do nudismo de Aioros. Saga deu um sorriso fraco.

–A cara dele, o mundo caindo e ele, mesmo mal, tentando mudar o ambiente.

–Não vai chorar também, vai? Por que você não resolve isso? Vai lá falar com ele.

–Ele é teimoso que nem uma mula, não vai me ouvir, e não sei o que fazer pra ele acreditar em mim.

–Por que vocês brigaram?

Saga ficou calado por uns momentos.

–Por que eu sou doente.

–Como assim?

–Eu sou meio maluco tem hora Milo.

–Todo mundo é Saga.-”Todo mundo mesmo”, Milo pensou lembrando dele e de Camus.

–Eu sou um pouco mais que os outros... mas isso não vem ao caso. Vou pensar em alguma coisa. Mas você pode fazer um favor pra mim?

–Claro! O que é?

–Entrega isso pro Aioros? Amanhã?

–Claro.

Saga deu uma sacola pra Milo.

–Pesadinha. O que é?

–Algo que ele vai gostar, e talvez faça ele pelo menos me escutar. Por favor, não esqueça.

–Pode deixar.

–Obrigado.

Saga desceu as escadas, depois de lançar um olhar comprido e triste a nona casa. Milo ficou pensando sobre ele e Aioros, e sobre ele e Camus.

–Que coisa chata.

Jurou que não ia deixar qualquer sentimento por Camus crescer dentro de si. Não mais.

Na manhã seguinte, Camus acordou mais bem disposto. Tomou um café rápido e foi para a arena. Milo estava lá, sentado em uma coluna.

–Bom dia Milo.

Milo se limitou a olha-lo.

–Vamos começar? Pensei em uma série de socos e chutes que vi nos diários de Degél e...

Antes de terminar Milo já partira pra cima dele, com uma sequencia básica de socos e chutes. Camus teve que reagir. Passaram a manhã assim, Camus nem terminava de sugerir algo, Milo já começava a executar. Não disse nenhuma palavra. Era tudo maquinal, socos, chutes, rodopios, piruetas, golpes de energia, sequencia de tapas, tudo no corpo a corpo. Lá pelo meio dia Camus disse:

–Bom, ótimo. Vamos fazer uma pausa. Em uma hora voltamos, acho que...

Milo virou as costas e saiu andando.

–Milo, hei, eu disse que talvez...

–Em uma hora. Entendi.

Camus estava cansado, não quis falar mais, foi a uma casa próxima se lavar, e comer algo. Iria ver como MM estava mais tarde. Andara pensando em como poderia agilizar o tal processo de reconhecimento das armaduras. Estava lavando o rosto, quando fitou a água na bacia. Mu havia dito algo sobre reconhecer o que estava sentindo. Pensou um pouco vendo seu reflexo na água, o que faltava? Ele era bem consciente de si, não tinha muitas complicações nem nada... não tinha dúvidas como guerreiro, como defensor de Atena, em nenhum aspecto. O que será que faltava para que sua armadura o assumisse por completo?

Terminou de colocar os pratos na pia e se lavar, e voltou para o campo de treinamento. Quanto tempo mais iria passar com Milo, naquele treinamento sem sentido? Milo era um cavaleiro de ouro como ele, e quase tão bom quanto, salvo sua impetuosidade e teimosia, o fato de agir sem pensar também.

Milo já estava lá, olhando pras nuvens. Camus se colocou a seu lado.

–Dia bonito, talvez chova a noite não?

Milo não respondeu. Levantou-se e perguntou:

–O que vamos fazer agora?

Camus ficou meio sem graça. Ele tinha dito que não queria assunto com tanta insistência, querer puxar papo a toa agora seria quase maldade, e se Milo entendesse que estava tudo bem e resolvesse conversar de novo, ficasse daquele jeito bobo mais uma vez? Melhor deixar como estava. Continuaram a trocar golpes.

Quando começou a anoitecer, Camus achou que bastava.

–Bom, por hoje chega Milo. Amanhà podemos começar um pouco mais tarde, lá pelas 8, 9 horas.

–Certo.

Milo se virou e foi caminhando. Camus olhou o escorpiano se afastando. Resolveu subir e ir a sua casa.

Passou-se um mês assim. Milo e Camus treinavam todos os dias, Milo não pronunciava uma palavra além do necessário, Camus várias vezes tentava conversar, e depois se arrependia; Saga voltou ao santuário definitivamente, mas pedia para o mestre para sair em tantas missões quantas fossem possíveis. Aioros treinava Aioria com uma obsessão quase doentia. Afrodite e MM já haviam se recuperado e andavam bem amigos ultimamente. Shura e Aldebaram também. Praticamente não se desgrudavam. Mu andava bastante em sua terra natal, e Shaka saia bastante também. O mestre estava mais calado que de costume. Os quatro dourados que faltavam ainda não haviam obtido o reconhecimento de suas armaduras, e Shion se preocupava. Ao redor do planeta havia sinais claros de que um mal estava para despertar, junto com a breve vinda de Atena novamente a terra.

–- -- -- -- cap 2

Foi em uma manhã de inverno que Shion fez a primeira convocação oficial dos 12 dourados pra uma missão.

–Cavaleiros, a deusa Atena deve em breve despertar na nossa época. As estrelas de Star Hill já me indicaram que há um inimigo que pretende impedir o nascimento da garota. Se não impedir, ao menos atrasar. E vocês serão responsáveis por impedir que isso aconteça.

Aioros, Aioria e Mu estavam inquietos, querendo agir. Shaka, Shura e Aldebaram estavam pensativos. MM, Afrodite e Milo estavam ansiosos, e Saga e Camus estavam aéreos, ouvindo sem escutar.

Saga ainda estava afastado de Aioros. Apesar de estarem se tratando cordialmente, Aioros não dava espaço para intimidades, nem eventuais brincadeiras. Era o que a educação exigia, e só. E Camus estava agora, caindo em si que Milo mexia com ele, e ter consciência disso o deixou assustado. A atração estava crescendo, iria se tornar algo mais forte em breve.

Os onze dourados estavam em clima total de romance. Apesar dos casais não assumidos. Shura e Aldebaram estavam firmes, assim como Afrodite e MM. Milo E Camus estavam na corda bamba, Aioros e Saga nitidamente querendo se pegar, mas ainda afastados, e Aioria queria Mu, que o queria também, mas andava mexido por Shaka, que por sua vez não tinha nenhum sentimento em especial por ninguém. Dohko e Shion estavam ardendo em angústia pela separação forçada.

–Mestre, pode nos explicar melhor?- pediu Mu.

–Como vocês já devem saber, a essa altura, Atena tem por inimigos aqueles que tentam destruir a terra, ou causar algum tipo de mal a ela. Se alguém pretende impedir o renascer da deusa nessa era, é por que pretende causar algum mal ao planeta. Vocês são escolhidos para defender a deusa que protege a terra. E agora é o momento.

–Como faremos isso mestre?- dessa vez quem perguntou foi Shaka.

–Atena não utiliza hospedeiros, mas seus inimigos, eventualmente, sim. Hades, Poseidon, Éris, entre outros deuses não gostam de “encarnar”, por assim dizer. Escolhem pelo movimento estelar seus hospedeiros, que tenham o máximo de proximidade possível com suas combinações astrológicas. Pois bem, dessa vez um deus resolveu, como Atena, vir em forma humana a terra. Mas há um porém...

–Qual?-Era Saga quem falava, um tanto curioso.

–Isso aconteceu já, alguns milênios atrás. E o resultado foi um tanto desastroso.

–Por que mestre?- Saga continuava curioso.

–Ele simplesmente queria impedir o retorno de Atena, para poder obter um minério raro, capaz de fazer sucumbir um deus com um golpe, dependendo de qual arma fosse utilizada. Minério esse encontrado na terra, mas que só é obtido através de sangue.

–Sangue?- Saga estava cada vez mais aguçado. Aioros o observava de canto de olho

–Com o sacrifício de algumas centenas de humanos, esse metal ganhava força o suficiente para “derrotar” um imortal. Digamos que em matéria de tempo divino, seriam 500 gerações sem notícias do deus que fosse atingido por um golpe de uma arma feita com esse minério. Caso você se esqueça de um deus, vocês imaginam o que acontece.

–Eles ficam enfurecidos, mas acabam enfraquecendo. Se sumirem na história, podem vir a sumir na sua esfera dimensional, até obterem influencia sobre alguém que reative o culto a ele... não é isso?

–Isso mesmo Saga. E isso sempre gera uma guerra entre os deuses. Por isso eles entraram em um acordo, e a terra ficou como o único lugar onde poderia ser encontrado esse minério.A cada mil anos, um dos olimpianos é responsável por guardar a fonte desse minério...

–Limbinus- disse Mu em voz baixa.

–Isso mesmo, Mu. Limbinus tem o poder de exilar um deus no esquecimento. Caso você atinja Afrodite com uma seta feita com limbinus, a deusa do amor pode cair no esquecimento. Atinja Ares com uma lança, Poseidon com um raio, Zeus com um tridente, Hades com uma adaga, ou Atena com um báculo, e eles ficam alguns milhares de anos fora da memória das pessoas. Bem, agora é a época do limbinus ser guardado por Atena. Faltam dez anos para que a deusa Hera, esposa de Zeus assuma a guarda. Por faltar tão pouco tempo, o deus rejeitado resolveu agir.

–Mas por qual motivo mestre?

–Vingança.

–Contra Atena? Por que?

–Não contra Atena, Saga. Contra Ares.

–Contra Ares? Mas quem?

–Saga, se você soubesse que a pessoa que você ama está te traindo, qual seria sua primeira reação natural?

–Acabar com o amante dela.

–Pois bem. Sendo você casado com a deusa do amor, mas sendo constantemente rejeitado por ser aleijado, e sendo troça do olimpo por ser corno, de quem você se vingaria? Ares é dito que é o amante de Afrodite, que é casada com...

–Hefesto- Mu disse com o rosto sombrio- o deus ferreiro!

–Quem mais saberia forjar uma arma que desse fim ao seu rival? Mas para manusear o limbinus, ele precisa ser humano. Assim, como Atena, ele resolveu encarnar. Com oito anos, ele terá seu potencial divino desperto, e poderá fazer a lança que atingirá Ares, e o deixará no esquecimento.

–E isso não é bom, mestre?-Shura ponderou- Assim muitas guerras não seriam evitadas?

–Pode até ser, Shura, mas quem irá controlar o derramamento de sangue? Quem colocará fim nisso, senão o deus da guerra? Os outros deuses estão ocupados cada um com o que acha que faz de melhor. E outra coisa, e caso Hefesto queira se vingar dos outros deuses? Caso queira se vingar das humilhações, piadas, e etc? Material e tempo ele terá... mas somente se Atena não impedir.

–Mas Atena ainda não despertou mestre. Isso quer dizer que o mais provável é que quando Hefesto tiver atingido a idade, se ele nascer por esses dias, a troca de época de vigia estará praticamente na mão de Hera. Mas Atena já terá renascido, e poderá impedir sua ambição. Não é assim?

–Na verdade seria Shura, se Hefesto não houvesse adiantado seus planos.

–Como assim mestre?

–Hefesto já encarnou. Hoje com sete anos completos,três meses para despertar seu poder ao completar oito anos. E Atena, pelas previsões, só virá dentro de três anos, ou mais. Entendem agora o que acontece?

–Ele pode utilizar o limbinus. E caso isso aconteça...

–Todos corremos riscos. Por isso sua missão, cavaleiros, é encontrar o garoto que é a reencarnação de Hefesto, e trazê-lo ao santuário, para que possamos entregá-lo nas mãos dos olimpianos. Assim, eles resolverão o problema entre si, e a terra continuará segura até que Atena desperte.

–Até aí é fácil- disse Milo- é só trazer um garotinho, então.

–Que é a reencarnação de um dos doze deuses do olimpo e está com sede de vingança, prestes a despertar. Caso isso aconteça, quem poderá lutar contra um deus?

Aquilo deixou os cavaleiros em silêncio.

–Tragam-me o garoto. De preferência vivo.

–Como assim mestre?

–Mu, caso ele esteja próximo de despertar seu cosmo divino, não terão outra opção a não ser matá-lo. Um golpe humano apenas suspende a atividade divina no corpo por apenas alguns dias. Quando voltar, ele volta mais forte. Ou seja, se for preciso, matem-no, sem pesar. Ele é um deus, não irá morrer de verdade, mas poderá buscar vingança a quem o atrasou quando despertar.

Os guerreiros se entreolharam. Aquilo estava ficando sério.

–O que me preocupa é que Aioria, Milo, e Camus ainda não foram totalmente aceitos por suas armaduras. Aldebaram foi reconhecido a pouco, e um guerreiro deve estar completo, ainda mais em uma situação como essa. Assim sendo, todos vocês sairão em busca do garoto. Em duplas. Há quatro lugares prováveis para localizar o garoto. Mas Milo e Camus ficam no santuário, precisamos de alguém para proteger o local. Aldebaram e Shura, MM e Afrodite, Mu e Shaka, Aioros e Saga vão para os locais indicados. E Aioria vai para os cinco picos.

–Por que os cinco picos mestre?

–Mestre ancião vai precisar de um cavaleiro com ele para encontrar algo, você saberá quando chegar lá. Em três dias vocês partirão. Aprontem-se guerreiros!

Milo e Camus se olharam. Apenas os dois para trás...

Notas finais
É isso ae... teremos yaoi pela frente sim, e uma participação curta, tensa e especial do Hefesto. Bjos e até semana que vem E mais uma vez, MUITO OBRIGADO SEUS/SUAS LINDOS/AS