Tão fora da terra

6 Capítulo 6- Não creio


Notas iniciais
Preparem-se para algo meio, só um pouco hard...rs

Hyoga acordou sentindo o corpo todo formigando. Alguma coisa estava errada. Sentiu o cosmo de Shun muito fraco ao seu lado. Tudo estava confuso. Lembrava-se de ser tragado para outra dimensão, depois estava em Libra lutando contra seu mestre, Camus. Sua mãe nunca mais poderia ser visitada, seu coração queimava em ódio de seu mestre, e por fim, um sono frio.

Aos poucos tudo foi tomando foco. O teto de Libra ficou finalmente nítido. Ao se virar, Shun estava ao seu lado. Desmaiado. Um pouco frio.

–Shun.

Nenhuma resposta. Pegou em sua mão. Muito fria.

–Shun, Shun, acorda. Por favor Shun...

A compreensão do que estava acontecendo foi deixando Hyoga desesperado. Ele havia sido congelado por seu mestre. A armadura de Libra estava ali. Então seus companheiros deveriam ter conseguido libertá-lo, e Shun ficara para trás para esquentá-lo com seu cosmo. Mas pelo jeito Shun extrapolou os limites, agora ele estava desmaiado, parecendo quase morto.

Hyoga abraçou Shun comovido. As lágrimas que começaram a rolar agora foram de total compreensão. Shun realmente o amava, e iria até o limite para que ele vivesse.

“ Shun, Shun... quem não te conhece, acharia que você é um covarde... e você é um dos homens mais fortes e gentis que eu conheço. Só você conseguiria manter tanta força para chegar até aqui, e ainda ressuscitar um homem congelado por Camus. Só você praticamente deu a vida por mim Shun. Não morra meu amigo, por favor. Não morra, antes de eu ter a chance de falar o que você sempre quis ouvir. Não morra antes de eu te dizer ‘te amo’ olhando no fundo dos seus olhos. Fique vivo. Por mim. Por nós. Eu não te pedi nada ainda, então peço agora, fique vivo, Shun!”

Como se fosse uma resposta, Shun soltou um gemido fraco. Respirava devagar, mas seu corpo estava reagindo.

Hyoga sentiu o cosmo de Seiya e Shiryu não muito longe. Os dois estavam atacando juntos? Então eles ainda estavam batalhando. Não havia tempo a perder, Atena precisava de ajuda. Seus amigos também. Todos estavam vivos ainda. Colocou Shun em suas costas, e começou a correr em direção a casa de Escorpião. O cosmo de Shun renovara suas forças, seu corpo nem parecia mais tão cansado.

“Shun, eu prometo. Eu vou vencer cada batalha que vier, e no final, eu vou assumir meu amor por você. Nunca mais vou me afastar, nem tentar distanciar você, nem nossos amigos. Nós vamos ficar juntos. Todos. Por Atena!”

Camus sentiu que Hyoga avançava. Estava livre. Camus estava preocupado. Seu pupilo iria voltar a ser aquele homem hesitante? Se ele não houvesse mudado, iria sucumbir diante do inimigo. E ele iria enfrentar um inimigo que era realmente preocupante.

Milo. Milo sempre soubera do carinho de Camus por Hyoga. Enquanto Camus tinha que treinar o jovem cavaleiro, Milo estava cumprindo missões para o santuário. Os últimos seis anos foram horríveis, eles estavam se vendo cada vez menos. Milo sempre dava um jeito de ir atrás de Camus, entre uma missão e outra, e acabava indo parar nos arredores da Sibéria, onde Camus o encontrava, e eles quase morriam de amor um nos braços do outro. Camus também, ultimamente quando ia ao santuário, fazia o máximo por ficar com Milo. Mas eram dias, poucas vezes o luxo de semanas. Camus e Milo queriam ficar mais tempo juntos, mas isso era impossível. Milo, teimoso como sempre, culpava a missão de Camus em treinar Hyoga por mantê-los afastados, chegava até a sentir ciúmes do jovem pupilo de Camus. Até que ele o convencesse que Hyoga era como um filho, Milo quase acabou partindo em uma missão suicida, achando que Camus o havia trocado pelo rapaz loiro. Agora Milo tinha a desculpa da batalha para acabar com o jovem cavaleiro, e se Camus conhecia Milo, ele iria realmente exagerar.

Milo, Milo... exagero era seu sobrenome não?

Camus acordou, na esperança que Saga houvesse falado com o mestre, e esse houvesse liberado ele daquele treinamento desnecessário. Estava treinando uma variação do seu “pó de diamante”, e os diários de Degél haviam ajudado muito. O único problema que o incomodava era que, mesmo sendo extremamente competente, e descrevendo cada golpe com detalhes, as táticas de guerra que usaria contra as tropas de Hades, entre tantas outras lendas históricas, Degél descrevia também detalhes de sua “intimidade”, com o cavaleiro de Escorpião.

Tantos outros cavaleiros, e ele tinha logo que se apaixonar por um de Escorpião? Camus antipatizou com Degél nesse ponto. A descrição que Degél fazia era como se ele estivesse falando de Milo. Inconveniente, desagradável, exagerado, meio pirracento, vingativo até. Não conhecia Milo a esse ponto, mas sabia que ele era exagerado e descontrolado. Mas não era só isso. Certa altura Degél se apaixonou por Kárdia, o contato diário, sua doença que os unia, acabou por uni-los de tal forma que Degél assumira que amava Kárdia por inteiro. E era recíproco.

Isso assustou Camus. Uma paixão tão forte entre dois homens, dois cavaleiros... isso era normal? Isso era certo? Era tão estranho... e se ele e Milo...?

O maldito beijo... aquele dia na biblioteca... suas conversas, como o tempo passava rápido quando estavam juntos. Seu jeito desaforado que o tirara do sério- Degél havia dito algo sobre isso em Kárdia também- e seu corpo, seu cheiro, seu jeito... e a porra daqueles malditos olhos azuis, que o deixavam sem ar.

Não chegava a ser paixão, nem tiveram tempo pra isso, mas Camus sentiu algo diferente em si. E estava com medo

Decidiu ir falar com o mestre ele mesmo. Trocou de roupa, e ia subindo para lá, quando encontrou Saga descendo as escadas do jardim imperial. Estava diferente do habitual, nervoso, até seu cabelo parecia mais escuro...

–Saga, oi!

–Não enche!

Saga passou correndo, Camus não entendeu nada. Continuou subindo, e bateu na porta.

Um dos guardas abriu, e deu passagem para ele. O mestre estava tomando algo em uma taça. Suas mão tremiam.

–Mestre, com licença.

–Sim, Camus de Aquário, pode falar. Posso ajudá-lo?

A voz do mestre estava estranha.

–Está tudo bem mestre? Saga passou por mim um tanto estranho, agora parece que o senhor não está bem.

–Hum... Camus, você parece muito com um grande amigo meu do passado. Nada passa despercebido, não?

–Não mestre, é só que...

–Tudo bem rapaz, tudo bem. Saga está realmente assim por causa de Aioros.

–Aioros? O que aconteceu?

–Aioros disse que só volta a ficar junto de Saga quando ele provar que é leal a Atena e ao santuário. Você deve ter percebido que os dois são amantes, não?

Camus se assustou com forma direta e natural que o mestre falava. Gaguejou um pouco.

–Sim, reparei sim...

–Aioros é o único que sabe como Saga pode ser um anjo e um demônio ao mesmo tempo. Foi muito difícil para ele tomar tal decisão, estava inconsolável na sua casa. Eu recomendo que você o procure, Camus. Ele deve estar precisando de um amigo.

O mestre tomou um gole do líquido na taça. Falou devagar.

– Quando um homem decide assumir sua paixão por outro, as consequências podem ser devastadoras, mas também maravilhosas. O apoio dos amigos é fundamental nesse processo. Camus, estreite seus laços com os outros cavaleiros. Aconselhe, ouça, brinque, ria, chore. Viva intensamente. Como guerreiro de Atena você não sabe nunca quando será seu último dia. Por isso, aproveite ao máximo. Quanto ao seu pedido, a resposta é não. Você assume a partir de agora o treinamento com Milo exclusivamente. Saga não vai estar, digamos, disponível por um tempo. Você derrotou Milo em batalha ontem, está apto para conduzir o treinamento por hora.

Camus entendeu que era hora de se retirar. O mestre já sabia por que ele fora ali, e já dera sua resposta.

–Sim mestre...

Camus se levantou e ia caminhando, quando o mestre falou:

–Camus, mais uma coisa. Faça o favor de cuidar dos ferimentos de MM. Acho que Afrodite foi um pouco bruto com ele, e ele é temperamental, não vai aceitar muita ajuda dos outros. Você é o mais próximo de um médico por sua cultura. Por isso...

–O que aconteceu com MM mestre? Afrodite o machucou?

–Digamos que Afrodite revidou uma ofensa de MM, que agora precisa de um pouco de cuidados médicos, e de um ouvido. Depois dele, visite Aioros. Hoje não precisa treinar Milo. Mas procure vê-lo a noite. Vai ser bom para vocês.

Camus não entendeu nada. Mas ordens do mestre eram ordens do mestre. Iria executá-las rapidamente.

No caminho para as doze casas encontrava-se uma longa escada que era ladeada por um jardim. Jardim esse cultivado por Afrodite agora, que também ocupava os degraus do acesso a sala do mestre. Camus sabia que as flores que os piscianos cultivavam tinham poderes de batalha, mas enquanto não soasse um alerta de invasão, Afrodite manteria aquele lugar apenas como decoração. Se houvesse algum ataque inimigo, as suas rosas e outras flores iriam atuar como um escudo, minando os cinco sentidos de quem ousasse passar por ali. Na descida Camus reparou que as rosas habitualmente vermelhas, hoje estavam negras. Era um espetáculo belo, porém muito estranho, quase que perigoso.

Afinal, o que teria acontecido com Afrodite e MM?

Entrou na casa de Peixes. Estava com um cheiro mais fraco hoje, havia pétalas espalhadas por todo lado.

Manchas de sangue marcavam um caminho do quarto até perto da saída, e isso deixou Camus alarmado. As manchas já estavam secas, o que significava que estavam ali há algum tempo. O que será que havia acontecido?

–Afrodite.

Nenhuma resposta.

– Afrodite. Sou eu, Camus. Você está por aqui?

A porta do quarto se abriu. Afrodite apareceu, com os braços totalmente arranhados, um dos olhos roxos, com sua túnica antes branca, agora rasgada e salpicada de sangue. Espalhado por sua pele branca, manchas roxas. Um corte na lateral do ombro esquerdo, e o rosto como se houvesse passado em um espinheiro.

Camus levou um susto.

– Afrodite., o que aconteceu? Tem algum inimigo por aqui?

–Tinha um babaca sim, mas agora duvido que ele vá aparecer por aqui tão cedo.

–Mas o que aconteceu com você?

–Eu te explicaria, mas estou todo dolorido Camus, estou quase sem forças.

Afrodite estava quase desmaiando. Camus o amparou, o levou até sua cama, e olhou em, volta a procura de algo para o limpar e tratar de seus ferimentos. Afrodite percebendo sua intenção, disse:

–Não se preocupe, Milo foi buscar algumas ervas para mim aqui perto, vou fazer uns chás e uns cataplasmas, e logo vou ficar bem.

–Milo? Mas o que aconteceu aqui Afrodite?

Afrodite ia falar, mas sucumbiu e acabou desmaiando.

– Afrodite. Afrodite. Afrodite acorda.

–Pode deixar Camus, ele me avisou que ia desmaiar.

Milo entrou carregando em um cesto um monte de ramos, estava com uma expressão preocupada.

–Milo, o que foi que aconteceu com ele?

–MM.

–MM? O que ele fez?

–MM tentou envenenar Afrodite, colocando alguma coisa na sua comida. Mas não adiantou, Afrodite percebeu pelo cheiro que havia algo errado. Então MM veio botar fogo no jardim do Afrodite. Eles começaram a brigar, Afrodite minou os sentidos de MM, e praticamente o estuprou.

–O que? Estuprou o MM? O Afrodite?

–Isso mesmo. Também fiquei surpreso. Se bem que eu não sei se foi exatamente isso...

–Como assim?

–Acho que essa birra dos dois é atração, isso sim. Não dizem por aí que amor e ódio andam juntos?

–Oras, mas a ponto de Afrodite sair todo arrebentado assim? Que raio de amor, ou doença é isso?

Milo ficou sério. Camus não havia visto ele assim ainda.

–Diz o mestre que o amor entre dois homens é maravilhoso e terrível- Camus se lembrou do mestre ter dito algo parecido há pouco- Se Afrodite está assim, você não viu MM. Mas Afrodite me disse que antes dos dois se arrebentarem, ele deu vazão a algo reprimido, diferente, não soube explicar. Sei que depois desse quebra pau, o mestre os liberou do treinamento. As armaduras os reconheceram. Queria saber o que eles fizeram... mas por hora, eles precisam de cuidados médicos. Vou cuidar do Afrodite. Você pode dar uma olhada no MM?

–Estava Indo lá agora...

–Leve isso- Milo repartiu algumas ervas- Afrodite disse que isso aqui foi cultivado por ele para fazer pílulas que ajudam na recuperação de um cavaleiro. Você deve entender de alguma coisa disso.

–Sim, sim, entendo. Obrigado Milo.

Milo olhou para Camus ainda sério.

–O mestre me disse que o Saga não vai nos treinar mais. Agora você é meu tutor?

Camus trocou o peso do corpo de um lado para outro.

–É, parece que é isso...

–Sua armadura te reconheceu já?

–Não.

–Então por que?

Milo falava de si para si. Camus, temendo que Milo começasse a falar demais, resolveu ir até MM.

–Milo, vou indo. Obrigado pelas ervas, qualquer coisa vou estar na mansão de Câncer.

–Hum. Até.

Milo estva de costas. Usava uma calça branca, e uma toga púrpura. Seu cabelo estava amarrado, Camus nunca havia visto ele daquele jeito. Estava tão bonito...

Afastando o pensamento, correu até a casa de Câncer. Parecia não haver ninguém lá.

–Máscara. Máscara. É Camus, você está onde?

Atrás de uma pilastra, sentado com as mãos na barriga, sua camiseta preta em frangalhos, descalço, estava MM.

–Vá embora. Não quero ver ninguém...

Camus se aproximou. Máscara estava todo machucado do pescoço pra baixo. Seus pulsos estavam arroxeados, assim como seus tornozelos. Usava uma calça que estava toda manchada de sangue. Especialmente nas virilhas.

–O mestre me pediu para vir vê-lo.

–Eu disse pro velho que só precisava ficar sozinho. Já passei por coisa pior. Eu me viro.

–Ei- Camus reparou pela sua voz que não era para os machucados que realmente doíam em MM. Era seu orgulho.- Você não pode mais ficar se virando sozinho. É um cavaleiro de Atena, tem seus companheiros. Estou aqui pra te ajudar, como um tipo de médico. Sigilo total. Pode me contar tudo, mostrar tudo, nada vai sair daqui. Eu sei que você pode se recuperar sozinho, você pelo jeito é muito bom nisso. Mas caso aconteça alguma coisa, precisamos estar 100%. Vou te ajudar a se recuperar mais rápido, se você permitir. Ainda mais agora que você foi reconhecido pela sua armadura.

Camus sabia como usar as palavras. MM foi ficando mais maleável.

–Bom, se você não abrir a boca, eu deixo você me dar uma força. Não posso negar que tá tudo doendo.

–Consegue se levantar?

–Não...na verdade, não.

Camus ajudou MM a se levantar, e o levou até seu quarto. Sentou o canceriano em uma cadeira, enquanto enchia uma tina com água para banhá-lo. Colocou água para fazer um chá na cozinha que ficava ao lado do quarto, e foi conversando.

–O que aconteceu entre você e Afrodite? Eu o vi lá em cima todo arrebentado, agora vejo você aqui também todo machucado...

MM suspirou.

–Preciso realmente falar disso?

–Eu prefiro que sim... quero saber o por que disso tudo, e o que aconteceu...

Camus enquanto falava, despiu o canceriano. Sem muita dificuldade, sua roupa estava em trapos. Colocou o amigo na banheira. Quando entrou, xingou alto.

–Tá tudo bem?

–Essa porra dessa água tá doendo.

–Calma... eu vou te banhar devagar, depois coloco umas pomadas pra aliviar a dor. Mas primeiro preciso limpar você, antes que fique todo infeccionado. Vai doer um pouco no começo, mas logo passa.

–Maldito Afrodite.

–O que aconteceu?

Humph...-MM suspirou e começou a falar.

–Eu resolvi pregar uma peça no Afrodite.

–Botando veneno na comida dele?

–Não era veneno. Era uma relaxante muscular. Ele ia apagar, e eu ia deixar ele umas horinhas na colina de Yomotsu.

–Máscara!

–Qualé? Nada de mais. Ele ia ficar no máximo assustado.

Camus o censurava com o olhar, mas passava sabonete devagar enquanto MM falava.

–Sei que ele reparou que havia algo errado. Aí me mandou uma carta me mandando virar homem e ir resolver meus problemas com ele. Desafio dado é desafio aceito. Fui lá, e toquei fogo nas florzinhas dele.

–Máscara! Vocês parecem duas crianças. Pra que essa implicância toda?

–Eu não gosto dele!

–Por quê?

–Por que ele é... oras, eu simplesmente não gosto.

–Máscara, lembra? Sigilo total.

MM olhou para Camus. Ainda estava sendo lavado, fazendo mil caretas e xingando em mil idiomas diferentes. Mas sentiu que podia confiar no aquariano.

–Camus, Afrodite é bonito.

–Isso eu sei. E?

–Bonito demais. Eu não consigo parar de pensar nele desde que bati meus olhos nele.

Camus estava surpreso.

–Pensar nele? Como?

–Primeiro eu achei que ele fosse uma mulher, aí me interessei, entende? Então descubro que ele é homem. Porra, fiquei muito puto. Jurava que ele era um travesti. Fiquei mais puto ainda por que eu, homem com “H” maiúsculo, achei aquela aberração bonita.

–Uau... e então...

–Então eu o desafiei. E ele não tem nada de mulher. Mesmo. A Afrodite deusa devia estar muito puta pra fazer uma sacanagem dessas com ele. Eu enxerguei ali um amigo em potencial. Papeamos legal no começo. Mas ele não gostou, no dia que nós fomos enganados pelo Saga, quando saímos juntos, de eu ter passado a mão na bunda dele, quando estávamos conversando tranquilos.

–Pra que você fez isso Máscara?

–Não sei, te confesso que não sei. Simplesmente olhei aquela túnica, a bunda dele estava tão marcada ali, deu vontade e eu passei a mão com tudo. Ele ficou irado, e me jogou um monte daquelas rosas vermelhas. Quase morri. Depois disso, sem saber por que, fiquei admirado de um cara tão bonito, ser quase tão violento quanto eu em batalha. Eu brigava e saia todo arrebentado, e ele saía como se tivesse acabado de sair de um salão de beleza. Ainda por cima cheiroso. Fiquei indignado.

–E...

–Me peguei pensando nele várias vezes esses últimos dias. Se ele era mesmo homem, queria ver como ia lidar com minhas palhaçadas. E ele fez o que eu achava que ia fazer mesmo. Mas quando eu torrei as plantinhas dele, aí ele ficou macho mesmo.

–Por que?

–O que eu botei fogo eram as últimas flores que ele havia plantado em homenagem a namorada que morreu... ele ficou fora de si. Duelamos, ele me envenenou com algumas rosas que tiram os sentidos, e acabou me amarrando com uns cipós que havia no jardim. Quando ele veio para cima de mim, estava aos prantos perguntando por que, por que eu fizera aquilo, por que ele tinha que ser sempre mal interpretado, e não sei mais o que.

–Máscara, Máscara.

–Mas aí vem o pior...

–O que?

–Eu... eu... não aguentei ver ele ali, chorando... sabe, me deu vontade de tomar ele no colo, ali, todo choroso, vulnerável, em cima de mim. Aí ele me liberou, e me mandou ir embora. E eu fui abraça-lo...

–O que? Você?

–É, eu não entendi direito também... nem ele...

Camus havia terminado de lavar MM. O enrolou em uma toalha e o levou a cama.

–Aí, não me pergunte e nem tire sarro, eu.. eu...

–Você?

–Eu olhei aqueles olhos azuis claro... vermelhos de lágrimas... e acabei beijando ele.

–HUM? Você beijou o Afrodite?

–Beijei... maldita hora...

–Por que?

–Não sei Camus, já disse. Deu vontade e eu fiz, foi só. Ele me olhou de volta meio assustado, eu também estava assustado... mas continuamos a nos beijar. Ele colocou a mão no meu pescoço, eu o beijei com mais vontade... alisei seu cabelo, e desci a mão até suas costas...

–E o que aconteceu?

–Ele contraiu o corpo quando eu estava perto da bunda dele, me encarou, relaxou e disse: “Já sei que você deve pensar que eu sou bicha... então vamos acabar logo com isso”. Aí tirou a roupa, e me beijou. Eu estava fora de mim Camus, de verdade. Eu gostei do beijo. Tinha gosto de menta. Ele beija bem. Ele tirou a minha roupa, me deitou na grama, e estava por cima de mim. Esquecei que estava ali, beijando um homem. Ele tinha a pele tão macia, cheirava tão bem. Mas aí senti seu pau em cima do meu. Seu peito quadrado, forte. Seus braços fortes também. Meio que me assustei. Tentei fugir, mas ele me amarrou com os cipós de novo.

–Então...

–Ele me olhou, afastou minhas pernas e... bem, veja você mesmo...

MM virou-se de bruços e separou as nádegas. No cóccix tinha um machucado, e ao redor do ânus, estava tudo esfolado e vermelho.

Camus se assustou. Não queria acreditar. Afrodite? Logo ele...

–Entende? Ele me penetrou assim, a seco, sem falar nada. Só encostou o pau lá, e em um segundo estava enterrado em mim. Soltei um berro de dor, mas ele me beijou com força, mordia meus lábios, eu tentava me soltar mas não conseguia. A dor era uma desgraça, Camus, aquilo queimava, ardia e doía, tudo ao mesmo tempo. E ele não parava. Ficou uns minutos num vai e vem interminável. Mas isso não é o pior...

–Não?- Camus não entendia nada, só acompanhava a história chocado.

–Camus... eu gozei...

–Como assim Máscara?

–Não sei, sei que no meio daquilo tudo, com ele me prendendo, indo e vindo, mordendo minha boca, esfregando a barriga no meu pinto, eu... eu... não aguentei, gozei, e gozei muito. Estava morrendo de vergonha...

–E o que ele fez?

–Quando viu que eu gozei, ele saiu de mim, forçou o pau na minha boca e gozou lá... me fez engolir a porra dele toda.

Camus estava morto de vergonha. MM não podia dar menos detalhes, e falar menos palavrão?

–Aí ele riu, e perguntou quem era o viado ali agora? Aí eu saí daquela prisão besta, e agora você tá vendo o resultado...

Camus ficou quieto enquanto passava um cataplasma de ervas nos ferimento de MM. Então era aquilo, estar com outro homem era tão cruel assim? Não parecia isso que Degél descrevera...

–Camus... você entende?

–Hum? O que?

–Camus, eu odeio isso... mas acho que to meio que gostando do Afrodite...

–Antes ou depois de hoje?

–Antes... mas depois de hoje...eu tô com raiva... tô com medo, mas acho que também tô gostando dele... tô confuso demais... quer dizer, ele me beijou também, era um beijo bom, e foi recíproco... droga, Camus, o que eu faço?

–Bom, primeiro você sara desse monte de machucados... depois você pensa. Toma isso aqui.

Camus deu um chá para MM, e quando ele começou a adormecer, passou um cataplasma na sua bunda.

Limpo, medicado, e agora desabafado, MM estava pronto pra outra. No dia seguinte. Agora ele tinha que descansar.

Camus saiu devagar, pensativo. Ele não conseguia entender aquilo. Paixão, amor, era tudo muito confuso... Atração ele até podia entender, mas além disso...que coisa mais confusa...

Ainda mais entre dois homens...

Notas finais
Nos vemos semana que vem Bjossss