Tão fora da terra

11 Capítulo 11- Como pode?


Notas iniciais
Espero que estejam gostando. Bjos e abraços, e boa leitura.

Camus chegou em sua casa sentindo o rosto quente, assim como uma sensação estranha na barriga. Céus, estava tão excitado que doía. Entrou em seu quarto, trancou a porta, e começou a se masturbar com força. Foi muito rápido, gozou logo e muito. O que afinal de contas ele estava fazendo? Como poderia lutar contra algum sentimento em relação a Milo, se estava virando rotina se masturbar pensando no escorpiano? Ainda mais agora que vira Milo na cama, nu, se masturbando e se penetrando, e ainda por cima chamando seu nome...

Camus sabia que Milo sentia algo por ele que ia além da afeição e curiosidade desde o primeiro dia. O jeito que o encarava, a mania de ficar atrás dele, falando por ele, lembrando dele... O problema era aceitar isso. Camus lia o diário de Degél, via o modo como os outros cavaleiros estavam entre si, e não queria aquilo pra si. Um homem pode ser amigo de outro homem, compartilhar coisas, até passar uma noite junto, mas se apaixonar, definitivamente não. Isso era inaceitável em sua cabeça. A certeza que tinha disso é que os dois sairiam machucados.

– — — -

Mu e Shaka chegaram ao local de sua pesquisa. A aldeia era tranquila. Estava anoitecendo, logo o sol iria se por.

–Shaka, precisamos achar um lugar para passar a noite.

–Gostaria de não ficar com os aldeões hoje Mu, poderíamos chamar a atenção.

–E onde vamos então?

–Bom, eu sei que você é muito regrado, mas não ligaria se usasse sua telecinese para nos levar pra lá- e apontou em direção a praia.

–A praia Shaka? Vamos morrer de frio.

Shaka sorriu. Sempre andava com os olhos fechados.

–Leve-nos naquela direção. Na minha meditação achei um lugar tranquilo em uma ilha pequena ali perto. Meu cosmo te indicará o caminho.

Mu não falou nada. Apenas se concentrou, e quando sentiu o cosmo do virginiano se elevar, os levou até onde o outro pedira. Sentiu que pisavam em algo macio.

Abriu os olhos. A terra era macia, estavam cercados por água a frente, e uma mata densa atrás.

–Por que não quis passar a noite na aldeia Shaka? Seria muito mais confortável, ficar em uma taverna ou algo do tipo.

–Não quero que descubram que dois cavaleiros estão na área. Somos bom em ocultar nossos cosmos, mas estamos lidando com um deus, é bom tomarmos cuidado. Aqui é um lugar tranquilo, podemos observar de longe e teremos privacidade.

–Bom, você está certo. Só não queria ficar com frio...

–Ultimamente você anda meio reclamão para um guerreiro.

–Mestre Shion tem me passado um treinamento pesado, não sei ao certo por que. Ando muito cansado, e quando tenho chance, gosto de descansar com todo o conforto posssível.

–Bom, assim sendo posso resolver isso. Vá a floresta, pegue alguns pedaços de madeira, e volte aqui para fazermos uma fogueira.

Mu se virou e foi caminhando. Shaka era uma boa companhia, e Mu gostava de ficar perto dele. Mas tinha umas manias que o irritavam. Mas como estava em missão, era melhor cooperar para que o trabalho fosse bem feito. Andou pouco, juntou gravetos e folhas secas, e através da telecinese, foi os guiando em direção a praia. Ao chegar lá, não viu Shaka por perto.

Tentou sentir seu cosmo. Nenhum sinal. Fechou os olhos, e se concentrou. Havia rastros de calor que ainda podiam ser seguidos. Foi caminhando, e em torno de 5 minutos, entre duas árvores grandes, encontrou uma entrada em uma rocha.

Achou aquilo estranho, mas a presença de Shaka estava ali. Ao entrar chamou:

–Shaka?

–Aqui no fundo.

Estava escuro, mas bem no fundo uma luz brilhava. Indo em sua direção, Mu avistou um espaço aberto grande, como se fosse uma sala. No meio havia uma círculo de pedras, e próximo a uma parede, duas esteiras de folhas. A luz vinha de uma tocha na mão de Shaka.

–Que lugar é esse?

–Essa gruta sempre esteve aqui, acho que alguém um dia a fez de abrigo. Juntei essas pedras, para fazermos uma fogueira. Coloque a madeira aí, e vamos esquentar o lugar. Juntei também algumas folhas, como você não está acostumado, e improvisei uma cama, boa o suficiente para ficarmos aqui durante nossa busca.

–Shaka, isso é incrível. Bom, vou pescar algo então, para comermos.

–Trouxe pão, e queijo do santuário. Se você não se importar, colhi algumas frutas daqui, e prefiro comer elas. Se quiser me acompanhar...

Mu achou estranho o fato de Shaka ter praticamente pensado em tudo, mas guardou consigo. Sorriu e disse:

–Bem, então acho melhor descansarmos.

–Isso. Amanhã cedo vamos fazer nosso trabalho, e torcer pra evitar uma batalha. Mas aqui estamos seguros. E sozinhos.

–Como você descobriu esse lugar?

–Já disse, em minhas meditações...e também por passar aqui por perto algumas vezes. Costumo ficar aqui, bem isolado de tudo, e medito quando estou em alguma missão não tão importante.

–Por isso essas pedras?

–É, coloco madeira aí no meio, elas mantém o fogo, ajudam a aquecer, e não deixam pular brasas. Eu durmo no chão mesmo, mas como você não está mais acostumado a isso, arrumei as folhas no canto. Devem esquentar sem pegar fogo...

–Entendo... obrigado, então... vamos comer...

Comeram em silêncio, Shaka havia pego algumas flores e fez um tipo de chá, com uma cor e consistência um tanto quanto estranhas.

–Tome Mu, isso faz bem

–O que é Shaka?

–Um chá de flores daqui da região. Simples, só pra aquecer mesmo.

–Meio feio, não?

–Não sei...não me lembro de ter visto...

–Hum, desculpa Shaka... esquecei que você não abre os olhos...

Continuaram em silêncio. Mu queria perguntar algo, mas estava meio inquieto.

–Não, não sou cego Mu.

–Hum?

–Você deve estar se perguntando se eu sou cego. Nào sou. Mantenho os olhos fechados pra concentrar mais cosmo. Se nós não estivéssemos em guerra, eu andaria normalmente de olhos abertos.

–Como você sabia...

–Que ia me perguntar isso? Tenho sentido sua presença Mu, já estou meio acostumado com você. Sei quando seu modo de falar,respirar, trocar o peso do corpo de um lado pra outro estão diferentes, nervosos, preparados em batalha, enfim...

–Consegue saber isso tudo...

–Escutando principalmente, mas sinto também o movimento do ar, o calor ou frio alterados, o cheiro...uso muito meus outros sentidos.

Outro momento de silêncio. Terminaram de comer.

–Vamos dormir. Amanhã estaremos descansados, e então tudo será mais fácil. Boa noite Mu.

Shaka se virou, foi em direção a uma das pilhas de folhas, e se deitou de costas para Mu. Usava uma calça e bata branca, e uma sandália.

Mu deu um suspiro e foi se deitar. Realmente aquilo estava confortável. Shaka jogou algumas das flores estranhas no fogo, e a caverna ficou com um cheiro doce. Logo pegou no sono.

– — — -

No subúrbio da capital, MM e Afrodite conversavam, enrolados um no outro em uma cama de uma taverna:

–MM, estou ansioso.

–Com o que?

–Com essa possível batalha...quer dizer, temos que lidar diretamente com um deus...e se formos nós ao encontrá-lo?

–Seria melhor para todos.

–Por que diz isso?

–Você pode colocá-lo pra dormir com suas rosas, e eu o envio para o outro mundo. Ele ficará dormindo lá, muito mais seguro e longe de todos. Se despertar, vai estar nos domínios de Hades, aí eles que se entendam.

–Bom plano MM. Quando foi que pensou nisso?

–Quando? Enquanto imaginava um jeito de arrumar tempo pra fazer um sexo gostoso com você.

–Estamos em missão seu tarado.

Câncer deu um sorriso. Estava deitado em cima do pisciano, com a cabeça em seu peito. Encarou o amante nos olhos, ele não queria sorrir, mas era difícil. Começou a se esfregar levemente no parceiro.

–Não quer mesmo então? Eu aqui, todo bonzinho, me oferecendo em uma hora que estamos meio livre de obrigações, e nada?

Afrodite deu um suspiro.

–Para com isso.

MM se esfregava com mais força. Afrodite estava duro.

–Tem certeza?

– — — -

Os quatro dourados chegaram juntos ao monte Cirene. Era um lugar muito tranquilo. Os habitantes da região eram simpáticos, ofereceram comida e abrigo a eles, mas eles disseram que precisavam achar uma certa família, fizeram perguntas, e o Mestre estava certo. Haviam seis famílias, duas no pé do monte, e quatro no topo.

Aioros e Saga se olharam. Aioros ainda sangrava cada vez que olhava para o geminiano.

–Vamos subir agora, ou amanhã?

–Quanto antes formos, antes acabamos com isso.

–Vocês ficam aqui então.

–Saga, posso falar com você?-Shura disse e deu as costas aos dois guerreiros. Saga o seguiu.

Sozinhos, Aioros e Aldebaram começaram a conversar.

–Dói muito?

–Como?

–Ficar longe dele Aioros. Dói muito?

O dourado ficou cabisbaixo.

–Muito mais do que parece.

–Por que então...

–Não aceito que ele se rebele contra Atena, e o ajudo nisso?

–Não, eu quis dizer...

–Eu sei, eu sei, Aldebaram. Mas não posso. Se Saga não for fiel a sua missão, como guerreiro de Atena,então ele não seria fiel a mim também, entende? Eu seria uma distração, e quando representasse uma ameaça, ele simplesmente acabaria comigo.

–Você acredita que ele faria isso? Com você?

–Não duvido de mais nada.

Os dois ficaram esperando.

–O que você quer Shura?

–Saga, não sei se alguém já te perguntou isso...

–Seja direto.

–Você está bem?

Saga ficou surpreso.

–Como assim? Bem?

–Depois que você e Aioros meio que, bom, você sabe, você mal para no santuário, pede sempre pra ir em missão, e sempre que te vejo você está mal, triste.

Saga vacilou um instante.

–O que aconteceu entre vocês?

–Eu... eu...

Shura colocou a mão no ombro do geminiano, e o encarou profundamente.

– Pode falar se quiser. Se não, use meu ombro.

Saga sentiu as lágrimas vindo, não deu pra segurar. Se lançou nos braços de Shura.

–Ninguém me perguntou isso, demonstrando que se importava- ele soluçava- eu não aguento mais isso tudo Shura...

Shura o afagava ternamente.

–Eu nunca quis fazer nada que machucasse o Aioros, entende? Mas eu mostrei um lado meu que ele rejeitou, e agora não sei o que fazer, ele quer que eu mude, eu estou tentando mas...

–Sim?

Saga chorava

–É tão difícil...

–Mais do que ficar sem ele?

–Tanto quanto...

–Olha pra mim-Shura levantou o queixo de Saga

–Não sei o que é, nem precisa me contar, mas estou aqui pra te ajudar, certo? O que eu puder fazer, pode ter certeza que farei.

–Por que?

–O que?

–Por que você faria isso por mim? Me ajudar?

–Por que eu sei o que sofrer por amor. E não deixaria um amigo passar por isso sozinho.

–Amigo?

–Sim Saga. Somos amigos, irmãos de guerra lembra?

–Mas eu...

–Não importa o que você faça ou demonstre. Apenas lembre-se disso, certo?

Saga secou o rosto.

–Sente-se melhor?

–Sim.

Saga estendeu a mão. Shura retribuiu o gesto.

Sorriram.

–Obrigado.

–Por nada. E se ajuda, o Aioros está quase morrendo de tristeza. Aproveite hoje pra conversar com ele.

–Tentarei.

–Ele te ama Saga. De verdade.

–Eu também...

Voltaram ao encontro dos outros dois. Aldebaram ficou meio enciumado, mas guardou para si. Não gostou do sorriso de Shura pra Saga. Aioros virou o rosto. Estava chateado demais para pensar. Queria logo cumprir aquela missão, e ir embora dali.

–Se já terminaram, podemos ir?

–Sim, vamos.

–Até mais, Aldebaram, Shura.

Aioros começou a escalada. Saga seguiu logo atrás.

–Bom, vamos ficar aqui no meio do mato mesmo?

–Eu acho melhor irmos para algum lugar tranquilo. Deve ter uma estalagem ou coisa parecida por aqui. Todo mundo é muito simpático, e só temos que ver duas famílias mesmo.

–Shura, o que você acha daqueles dois?

Shura suspirou.

–Acho que eles se amam demais. Acho que Aioros está certo. E acho que Saga realmente está tentando. Mas não sei se vai ser o bastante.

– Caso eles não fiquem juntos...o que pode acontecer?

–Nada muito bom.

Ficaram calados por algum tempo.

–Vamos andando?

–Sim...

–Aldebaram.

–O que?

Shura o encarou por alguns instantes.

Sorriu.

–Você é o máximo grandão.

Aldebaram sorriu sem graça. Foram caminhando.

– — — -

A subida foi calada. Caminharam lado a lado, hora corriam, ora paravam. Tentavam localizar algum sinal das famílias, mas nada por hora. O céu estava estrelado, e estava ventando frio.

–Saga, como vamos achar esse garoto?

–O mestre nos entregou alguns selos com o sangue de Atena. Eles estão enrolados nessa pulseira que ele deu. Se o garoto for o tal Hefesto, ela vai brilhar, vai reagir com o sangue divino. Senão, vai ficar como está.

–Nào precisaremos lutar.

–Não por hora.

–E quando o encontramos? Se o encontrarmos?

–Pensei nisso. Talvez eu consiga aplicar uma ilusão nele, e enviá-lo para outra dimensão. Assim evitamos uma batalha, e ele talvez não desperte. Mas não sei quanto tempo isso vai durar.

Ficaram quietos um pouco. Mais alguns metros, e viram uma cabaninha.

–Olha Saga. Aqui começamos.

–Vamos.

Saga foi caminhando, bateu na porta. Uma voz assustada perguntou:

–Quem é?

–Aioros, você é melhor que eu nisso.

Aioros respondeu:

–Boa noite. Somos dois caminhantes, queríamos saber se tem algum lugar por perto para passarmos a noite, acho que nos perdemos na nossa caminhada.

A porta se abriu. Uma mulher com um vestido simples, cinza, atendeu.

–Vocês estão longe da vila. Leva um tempo pra chegar lá, mas a essa hora é perigoso descer essa colina.

–Quem está aí?

Um senhor chamava de dentro da casa. A mulher disse:

–Dois homens procurando um lugar pra ficar, pai.

–Dois homens? Deixe-me vê-los...

–Pai...

–Vamos, ande. Se fossem ladrões já teriam nos matado, e visto que não tem nada a fazer aqui.

Aioros esperou. Contrariada, a mulher fez sinal para que ele entrasse.

Um velho fumava um cachimbo em uma cadeira. Uma lareira estava acesa, era o que esquentava o ambiente, e era toda a luz que possuíam. O velho deu um trago, e fez sinal para os cavaleiros se aproximarem.

–Venham aqui, sentem-se perto de mim e digam o que procuram.

–Boa noite senhor. Procuramos um lugar para ficar, mas acho que nos perdemos.

O velho parecia cego. Fumava, soltava a fumaça, e os encarava com estranhos olhos brancos.

Era cego.

Saga ficou meio incomodado. Cutucou Aioros, que fez sinal para ele aguardar.

–Acho que não é só isso que vocês estão procurando.

–Sim, é isso, nos perdemos e a noite esta fria, e...

–Poupe-me cavaleiro de Atena. Vocês precisam ser mais espertos se quiserem realmente defender sua deusa.

–Como o senhor sabe...

–Aioros, cuidado.

Saga vestiu sua armadura. O velho continuava a fumar tranquilamente.

–Quem é você? Diga logo!

–Senão você vai fazer o que cavaleiro da luz e sombra?

Saga ia desferir seu “Outra dimensão” quando foi paralisado. Aioros estava boquiaberto.

–Saga! Saga!

–Nào se preocupe cavaleiro, ele está apenas paralisado.

–O que o senhor...?

–Realmente, eu preferia ter usado o corpo da mulher, mas esses sertanejos são muito rudes, não é lá muito fácil se apossar do corpo deles por muito tempo. O velho é mais crédulo, foi muito mais simples. Se bem que gostei do cachimbo...

–Quem é?

–Isso não vem ao caso agora. O que importa é que vocês estão perdendo tempo. Hefesto está muito mais perto e adiantado que vocês. O santuário está vulnerável, e vocês não vão voltar para lá sem minha ajuda.

–E por que você nos ajudaria?

–Por que eu não quero, digamos, problemas com meu marido?

–Seu marido?

–Isso.

Os olhos antes brancos do velho agora exibiam uma cor rosa.

–Então você é...

Saga deu um rugido e caiu no chão.

–Conseguiu se libertar da minha prisão cavaleiro? Interessante...

Um cheiro de perfume emanava no ar.

–Você só pode ser...

–Afrodite!

Notas finais
O que acontece hoje é necessário pra explicar umas coisinhas da história. Até semana que vem