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-Vocês serão os encarregados da dianteira do batalhão! Alguma pergunta? Afirmou o capitão para o sexagésimo oitavo batalhão
-Não senhor!


-Você acha que ficaremos bem? Precisaremos passar por muitas mortes, de amigos e inimigos.Chuck olha para o chão imaginando o futuro. Passa a mão nos cabelos pretos e coça o couro cabeludo
-Vai dar tudo certo, estarei te cobrindo. Vou te proteger irmão, prometo. Vou fazer você ver sua esposa e filho novamente. Steeves, também de cabelo preto, passa o braço esquerdo pelo ombro do irmão. Tudo vai terminar bem


-Ponha o capacete ou quer morrer cadente?! Acha que os inimigos vão parar de dar tiros só pra você desfilar!. O capitão estava estressado por ter que ficar tanto tempo nas trincheiras como uma babá que tinha que ensinar como se vestirem aqueles moleques
-O capitão tá puto. Diz Chuck
-Ele está com medo. Diz Steeves
-Do quê?
— De morrer


-PUTA MERDA!! Essa granada quase nos mata! Fique mais atento Chuck! Steeves começa a ceder ao medo de o irmão morrer por simples falta de atenção
-Desculpa
Não devia tê-lo metido nisso. Não devia ter dado essa opção de servir às forças armadas só porque ele estava desempregado. Molly, por que fui meter ele nisso? Era pra ele ficar na reserva. Droga!
-Temos que dar a volta no morro.....ou o que sobrou dele e então irmos pra uma área mais afastada dos principais pontos de tensão nas frentes de batalha, poderemos nos esconder e quem sabe sairmos vivos daqui. Steeves tenta esconder o medo mas suas mãos tremem.
-Mas e seus homens?
-Vão conosco como parte do plano. Vamos então?
— Por que eles vão?
-Seria suspeito não irem


Os músculos dos soldados estavam contraídos com a tensão do semi-silêncio. Tinham acabado de contornar o morro. O barulho da batalha final nas planícies ecoava mas chegava a eles como pequenos sussurros os quais indicavam o fim de histórias inteiras, de vidas acabadas, de pessoas que morreram sozinhas, longe de seus filhos, de suas namoradas, de seus amantes.
-Tomem cuidado, essa área está com a terra muito fofa, vocês podem cair a qualquer momento em um buraco se colocarem muita firmeza nos pés. Disse um cadente aos seus amigos.
-Vamos arranjar um lugar para nos escondermos, 15 pessoas andando vai chamar a atenção que não precisamos. Steeves temia ser encurralado lá sem chance de suporte do resto do batalhão, morte certa.


Uma fenda no morro teria que servir, era tudo que encontraram.
-Como estamos de campo visual. Perguntou Chuck
-Muito ruim pra não falar que nos fudemos se 5 pessoas aparecerem bem armadas. Steeves tinha que ser realista, a situação não precisava piorar muito pra tudo acabar em vermelho. Faremos o segundo turno mata a dentro, descanse as pernas, vai precisar delas secas para aguentar um dia na lama
-Sabe que não sou mais uma criança, pare de agir como se fosse meu pai, Steeves, você tem outras coisas com o que se preocupar. Chuck tenta se mostrar autossuficiente, desde criança o irmão mais velho teve que bancar o pai, este fugiu de casa e largou a mãe com dois filhos, ela começou a se embebedar cedo e morreu após dois anos, não lembram o motivo.
-Desculpa irmão
-Não peça desculpas, você não haje assim. Os dois riram uma risada nervosa e sufocada.


-Acho que ouvi algo na mata. Os irmãos já tinham começado a patrulha dentro da mata, a noite estava densa e pesada pela fuligem da batalha que acabara.
-Não faça brincadeiras bobas assim
-Não é brincadeira. Sons de tiros ecoaram.
-Merda merda merda merda merda
-Vou voltar. Fique aqui.
-Nem ferrando. Vou com você!
-Então fique quieto.


O acampamento estava deserto mas não podiam tirar conclusões precipitadas, apesar de deserto, estava cheio de cadáveres e sangue.
-Ferrou. As pernas começaram a falhar, o suor agora era frio.
-Fique aqui, vou ver o que podemos aproveitar. Steeves tinha que acreditar que deixaram algo para trás, era a única chance de sobreviverem.


O barulho da bala perfurando a cabeça de Steeves foi quase que imperceptível devido ao outro tiro que Chuck recebeu no abdome mas a cabeça do irmão se fragmentando era impossível de não ser vista.
Vou morrer.....merda......Chuck coloca a mão sobre a ferida, seu corpo começa a pesar, suas pernas perdem o tônus e ele cai apoiando em um joelho......Molly......uma lágrima desce......queria morrer a seu lado, ao lado de meu filho, não ligaria se vivesse o bastante só para poder ver vocês dois novamente, uma última v......Sangue sai de sua boca, ele tenta se erguer mas cai pela última vez, perdendo a consciência.......vou morrer sozinho.........Ele acerta o chão mas mantém ainda alguns segundos seus sentidos......está tão escuro.......me desculpa Molly, não deveria ter questionado o patrão por causa da redução do salário, deveria ter perdido meu tempo procurando outra forma de ganhar a diferença para pagar as contas que viriam dos hospitais e do supermercado..........tão escuro......tão sozinho.........Molly.....eu ......te......a..........................Chuck fecha os olhos para nunca mais acordar.

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