Notas iniciais
Oii gente, pensaram que eu esqueci de vocês, né? Mas não, eu só tive alguns probleminhas mesmo, não deu pra escrever e ai quando eu tive tempo, meu computador estragou e não ligou mais, dai to usando o do meu namorado pra não deixar vcs esperando tanto. Não vai ser um capitulo gigante como eu gostaria, mas prometo que já estou trabalhando no próximo, que vai vir em breve, desculpa a demora e BOA LEITURA!

Nunca achei que esqueceria como é sentir, afinal, sentimentos são algo próprio do ser humano. Nós sentimos dor, alegria, tristeza e sentimos amor. O amor, dentre todos os outros é o mais forte e ainda assim o mais delicado, o mais frágil, e se não for regado constantemente ele pode murchar e acabar esquecido como as cinzas de um fogo que um dia fora forte. Mas, apesar de tudo, eu não consigo mais sentir o amor; sei que está dentro de mim em algum lugar, mas não posso senti-lo porque não posso sentir a mim mesma.

Três semanas.

Era o tempo que eu já estava na vila, isto é, depois de me recuperar do incidente na clareira. E em todo esse tempo, tenho vivido em um estado de torpor constante. Já havia chorando tanto que agora parecia ter um vazio em mim, como se o choro tivesse consumido tudo.

— Sakura, a Ino está aqui. —Minha mãe apareceu na porta do meu quarto. Ela continuava preocupada com meu estado. Quando não respondi ela apenas suspirou e continuou — vou mandá-la entrar então.

Apenas assenti e me encolhi mais ainda na cama. Minutos depois Ino apareceu na porta, seus olhos enormes e azuis pareciam cheios de pena e aquilo me irritou um pouco.

— Oi, tudo bem? —Perguntou.

— Claro, por que não? — Falei cheia de sarcasmo, isso estava virando um hábito.

Ser rude com as pessoas evitava que eu precisasse falar sobre mim e como eu me sentia sobre o que havia acontecido. Então me fechei na bolha que não me permitia sentir nada e me mantinha a salvo dos meus próprios sentimentos, a única coisa que não permitia que a minha bolha fosse infalível eram as pessoas, como Ino e mamãe, que ainda tentavam puxar conversa comigo, e como sempre eu tentava afastá-las. Mas acho que, infelizmente, Ino estava percebendo minha estratégia, pois não desistia nunca.

— Sakura… você tem que se recompor, já passou tanto tempo.

— Eu estou bem. —Falei sem olhar para ela.

Ino suspirou e se sentou no sofá que ficava tangente à janela e me fitou séria.

— Nós duas sabemos que não está, mas não vou insistir. — Ela cruzou as pernas e olhou a bagunça que estava meu quarto, franzindo um pouco o cenho antes de voltar a me olhar — Naruto tem vindo aqui?

— Às vezes.

Naruto aparecia quase todos os dias, assim como Ino, mas ele sempre vinha de noite, quando minha mãe estava dormindo. Ao contrário de Ino, Naruto entendia o que eu estava passando, entendia que eu não queria falar tanto por ter medo de deixar os sentimentos me dominarem mais uma vez, e acima de tudo, Naruto entendia como era perde-lo...

— Que bom, ele está bem preocupado com você.

— Eu sei. — respondi tão rápido que quase a interrompi.

— Sakura…— pela primeira vez eu a olhei de verdade, e Ino parecia triste, sua voz carregada de alguma coisa que não consegui identificar quando ela entrou, mas que agora eu sabia que se tratava culpa, não pena. Ino não sentiu pena de mim em nenhum momento.

E pela primeira vez, nessas três semanas, eu percebi o quanto eu estava fazendo mal às pessoas que se preocupavam comigo. Todas tinham o mesmo semblante tristonho. Respirei fundo e contei até dez algumas vezes antes de finalmente me permitir dar um passo para fora da minha bolha anti-sentimentos e, com a melhor voz que consegui encontrar, a chamei.

— Ino... desculpa por estar agindo assim... Eu...

— Não precisa explicar nada. Embora você ache que eu não entendo, eu sei como é perder alguém. — ela olhou para a janela e imediatamente eu soube que estava pensando no Asuma-sensei, me culpei internamente por ter achado que ela não entendia, mesmo sendo duas situações diferentes. — Dói muito, né?

Apenas assenti, já me arrependendo de ter saído da bolha, considerando que o buraco que estava no meu peito desde que eu voltei para Konoha começou a reaparecer. Engoli em seco, tentando evitar o nó que ameaçava se formar. Eu não podia chorar. Se chorasse, não iria aguentar, não poderia evitar pensar nele e chamar por seu nome mesmo sabendo que era inútil, se eu chorasse, todo o tempo gasto tentando afastar essas emoções e sentimentos seria em vão.

Respirei fundo, precisava me controlar. Era como se minhas tentativas de não sentir nada e de afastar pensamentos relacionados a ele só me fizessem pensar mais sobre tudo o que aconteceu desde que eu fui levada para o esconderijo. Doía muito, era quase uma dor física bem no meio do meu peito, às vezes eu sentia que precisava me encolher ao máximo e segurar todo o meu corpo em um abraço para que não quebrasse.

— Obviamente você ainda não quer conversar comigo, mas tudo bem, eu entendo. Só espero que você melhore. — Ino se levantou e me lançou um olhar cheio de carinho, que eu tentei retribuir da melhor forma que pude. — Até mais Sakura.

Então ela saiu, deixando-me sozinha mais uma vez, sendo refém dos meus próprios sentimentos.

***

Três batidas consecutivas seguidas de uma mais forte ecoaram pelo quarto vindas da porta da sacada. Essa era a senha que eu e Naruto usávamos para eu saber que era ele. Corri e abri a porta, ele entrou apressado, preferíamos que ninguém o visse entrando no meu quarto à meia-noite.

— Oi. — Ele disse, parecia nervoso.

— Oi. — Voltei para minha cama e Naruto me seguiu, sentando perto dos meus pés.

— Como você está?

— A mesma coisa.

Houve um silencio desagradável e eu percebi que ele evitava me olhar.

— Aconteceu alguma coisa? — Perguntei, sem conseguir ignorar a estranheza dele.

Há dois dias Naruto veio me ver e estava animado como sempre, tentando me fazer rir. Às vezes até funcionava e eu me sentia melhor, conversávamos um pouco e ele esperava eu dormir para ir embora. Naruto realmente era um ótimo amigo, ele evitava tocar em assuntos que me faziam mal, ao invés disso, me contava histórias que ele inventava ou sobre seus treinos. Mas hoje havia algo estranho, com certeza.

Ele me fitou, e por um momento eu pude jurar que seus olhos estavam mais azuis do que de costume. Quando ele desviou o olhar e começou a brincar com os dedos eu senti um frio na barriga, o que quer que tenha acontecido não era bom.

— Sakura-chan, acho justo que você saiba de uma coisa... — ele umedeceu os lábios, ainda sem voltar o olhar para mim — eu estava tentando evitar ao máximo te contar, mas não consigo, está me corroendo por dentro... eu...

— Naruto... O que aconteceu? — Sussurrei, com medo do que ouviria.

— No dia que te trouxemos... pouco antes de a Karin salvar você eu conversei com o Sasuke.

Dor.

Foi tudo o que eu senti ao ouvir o nome dele, o nome que eu estava tentando evitar.

— Naruto... Não diz esse nome... eu não... — minha voz mal saía, era como se o buraco em meu peito pressionasse meu tórax e me deixasse sem ar.

— E eu pedi que ele voltasse conosco para a vila, mesmo se você não sobrevivesse, no entanto ele falou que seria incapaz de ter uma vida aqui, que não poderia encarar todo mundo. Então ele foi embora.

— Por que está me contando isso, eu já sei que isso aconteceu Naruto, o que está tentando dizer? — Eu estava nervosa, já não conseguia controlar a voz e tentava a todo custo segurar o choro e não demonstrar como a simples menção ao nome dele fazia eu me desestabilizar.

— Estou dizendo que ele foi embora sabendo que você estava viva.

Congelei.

— Não... Ele pensou que eu estava morta, todos vocês pensaram.

— Não, o Sasuke estava tentando convencer a si mesmo de que você estava morta, mas no fundo ele sabia que ainda estava viva. Por um lado, eu não o culpo, ele vivenciou a morte das pessoas que ele mais amava, não queria ver a sua também, mas por outro lado, tive vontade de bater nele, quer dizer, ele estava fugindo, dizendo que merecia viver com a dor de perder você.

Não disse nada, não poderia.

— Olha, não quero que fique com raiva dele nem nada, só achei que devia te contar porque você está nesse estado tempo de mais, precisa superar Sakura-chan. E, acima de tudo, não quero que tenha raiva dele porque eu vi o modo como o Sasuke agiu com você. Ele te ama. Eu só achei que deveria te contar...

— Ele me deixou... outra vez...

Eu sei que Naruto começou a dizer alguma coisa sobre eu estar errada, mas a ideia de ter sido abandonada novamente pela mesma pessoa, pela pessoa que eu amava e que disse me amar também, era desconcertante. Minha mente gritava e mais do que nunca eu quis chorar. Ele nem ao menos pensou na possibilidade de eu estar lutando pela minha vida, ele fugiu, decidiu que eu estava morta e foi embora.

Covarde!

— Quero ficar sozinha.

— Sakura-chan, por favor, saiba que o Sasuke não fez por mal, ele...

— QUERO FICAR SOZINHA! — Não ia aceitar ficar ali com Naruto, enquanto ele tentava defende-lo.

— Me desculpe, não achei que você reagiria assim. — Ele se levantou e foi até a porta da sacada, abrindo-a em seguida. — Desculpe mesmo.

Olhei para ele, minha visão turvada pelas lágrimas que ainda não haviam caído. Naruto parecia arrependido, ele me fitou por um longo minuto antes de sair e fechar a porta da sacada.

A primeira lagrima caiu e eu tratei de enxugá-la, chega de chorar por ele. Ainda hoje eu estava triste, tentando não me entregar aos sentimentos que faziam com que eu quebrasse por dentro, mas agora eu estava com raiva, raiva de mim, mas principalmente raiva dele. Me senti usada e enganada.

Todos os momentos que vivemos, todos os sentimentos que compartilhamos, será que nada daquilo significou alguma coisa para ele na hora de virar as costas e me deixar? Peguei um travesseiro e arremessei longe, eu precisava fazer alguma coisa, chega de me submeter a tudo isso, chega de deixar que esse amor por Sasuke me cegue. Ele me amava?

Sinceramente eu não sabia responder.

Levantei apressada da cama e fui até meu guarda-roupas, vestindo minha habitual roupa de batalha. Em uma mochila eu joguei algumas peças extras e um casaco, deixei a bolsa sobre a cama e sai do quarto sorrateiramente, meus pais tinham sono pesado então não tive medo de acordá-los, desci até a cozinha e peguei tudo o que eu precisava, retornando poucos minutos depois.

Juntei minhas coisas e calcei os sapatos, antes de sair deixei uma mensagem para minha mãe, dizendo para que ela não se preocupasse, e depois saí para a noite fria, com meu sangue fervendo em minhas veias e a raiva cintilando em meus olhos.

Sasuke´s POV

— Mais um, por favor… — minha boca estava começando a ficar dormente de tanto saquê.

Nunca na minha vida imaginei que eu viraria um bêbado por causa de uma mulher, no entanto a vida dá voltas e lá estava eu, em um boteco qualquer enchendo a cara, aliás, desde que eu deixara Sakura eu estive nessa rotina horrível. Que humilhante…

— Pronto senhor, aqui. – A jovem garçonete colocou mais uma garrafa na minha frente.

— Obrigado. —Ela assentiu e saiu.

— Ora, ora, ora… Se não é Uchiha Sasuke...

Levantei os olhos para encontrar Tobi, o homem mascarado que eu não via desde… Bem, eu não lembro, mas sabia que não era nenhuma coincidência ele me encontrar ali, sabia que ele poderia me encontrar quando quisesse. Fechei o cenho e o encarei.

— O que você quer?

— Bem, eu te ajudei, não foi? Quero minha recompensa, algo que eu não pude ter por causa daquela garota, mas…

Levantei num salto e soquei sua máscara, que mal se moveu.

— Você tentou matá-la seu filho da mãe!

— Ah, eu não. Foi o Juugo.

— A mando seu!

— Entenda, Sasuke, ela estava se intrometendo nos meus planos, estava te distraindo. Espero que não tenha esquecido o que os Folhas fizeram com seu irmão… Eles o usaram, Sasuke, você não quer vingança?

— CALA A BOCA! – Nossa!Como minha cabeça doía …— Eu não ou voltar para vila… Não quero mais nada ligado àquela vila. Deixe-me em paz.

— Não acredito… Devia ter matado você ao invés dela…

Congelei como estava.

— O que?

— Bem, não me diga que o fato de a garota estar em um lugar e quase imediatamente estar sendo perfurada por sua espada não lhe deu nenhuma dica?

Usei um minuto para que minha mente bêbada trabalhasse e pensasse novamente naquele dia, em como tudo aconteceu rápido e sem explicação.

— Você usou o Kamui...

De repente eu não respondia mais por mim… Avancei sobre Tobi, que por sua vez desviou e me golpeou por trás, eu voei alguns metros antes de bater com as costas em uma parede. A essa altura as pessoas já estavam saindo do boteco às pressas.

Tentei formar o meu chidori na palma da mão, porém estar bêbado não ajudava em nada, era como se eu não soubesse o que fazer nem como fazer. Mas antes que eu pudesse descobrir, algo me acertou no peito e mais uma vez fui lançado para trás, a parede do local totalmente destruída. Levantei e olhei adiante, minha visão estava meio embaçada e ainda assim pude distinguir a silhueta alta de Tobi. Ele vinha na minha direção e parecia sorrir por baixo da máscara.

— Você está sem condições de lutar. Quanto saquê tomou?

Não respondi.

— Bem, sabia que o álcool inibe o chakra no corpo? É quase impossível fazer algum jutsu estando bêbado, mas presumo que não sabia disso, caso contrário não teria bebido tanto. – Ele parou – venha comigo, Sasuke, e eu esquecerei esse pequeno incidente.

— Nunca. Já disse que não quero me erguer contra Konoha.

Ele ficou me encarando por um tempo, e quando falou novamente sua voz havia adquirido um tom sombrio.

— Foi sua última chance Sasuke... Da próxima vez eu lhe matarei. – E então ele desapareceu com o sharingan.

Levantei cambaleando e joguei uma quantidade alta de dinheiro na mesa do bar e voltei para pousada onde eu estava hospedado.

Eu me encontrava em uma cidadezinha próxima ao país da água. Assim que cheguei à pousada me joguei na cama e dormi – o que eu achei estranho, considerando o modo como minha cabeça estava doendo, sem falar que eu não parava de pensar no que Tobi dissera e em Sakura.

****

— Sasuke-kun! – Ela sorriu. O sorriso mais lindo que eu já vira.

Eu caminhei até ela, meus braços se erguendo para alcançá-la mais rápido, mas então, ela parou de sorrir e se afastou. Seu rosto ganhara um tom triste e sem vida.

— Não... – sussurrou e baixou os olhos – Você não pode me alcançar.

Tentei dizer algo, no entanto minha voz se perdeu na garganta e eu corri. Corri o mais rápido que pude. Corri desesperadamente. Eu ia alcançá-la... estava quase...

— Pare! – Ela gritou desesperada – É impossível.

“Não, Sakura. ”

****

Despertei num susto. Esses pesadelos vinham me acompanhando há tempos. Ás vezes quando eu bebia muito mesmo era possível fazê-los pararem, no entanto isso nem sempre acontecia. Saí cambaleando da cama e fui direto para o banheiro.

A água fria ajudou a eliminar parte da dor de cabeça causada pelo excesso de bebida. Agora eu pude pensar com clareza sobre a noite anterior. As palavras de Tobi ecoando em minha mente. Eu não havia matado Sakura, mas ele sim... aquele imprestável! Soquei com força a parede do banheiro.

Levei apenas alguns segundos para me recuperar e sair do banho. Eu iria agora para Suna, talvez o calor do deserto fizesse com que eu parasse de pensar tanto em Sakura. Naruto devia ter me matado quando ela não acordou mais, mas como não o fez eu simplesmente vou sumir.

Konoha não é o meu lugar, não mais, não agora que Sakura não faz mais parte de lá...

Notas finais
Como eu disse foi bem curtinho, to tentando fazer o possível pra escrever mais, usando o computador da faculdade e tals, infelizmente nem sempre a criatividade bate nesses locais, mas eu estou tentando. Beijos, e tchau! XD