Tão Perto. Tão Distante.
6 Hannah
Passei os últimos dias das férias na casa da avó da Sasha. E pra ser sincera, eram exatamente como ela disse, alguns momentos era um tédio só. Mas a festa até que foi legal. Ri muito da minha amiga quando ela viu seus tios chegando. E era exatamente como ela havia dito. As mesmas frases e com direito a aperto nas bochechas. Mas independente das coisas loucas e sem sentido das famílias, é a única que temos.
Quando enfim chegou o domingo a noite, nos preparamos para voltarmos pra casa. Os pais de Sasha estavam arrumando as coisas no carro enquanto eu e ela corríamos atrás de seus irmãos pequenos para levarmos para o carro.
Depois de muita maratona atrás dos irmãos pestinhas da Sasha como ela diz. Subimos no carro e fomos embora.
Eu havia decidido ficar na casa da Sasha até a segunda, mas no tempo em que eu passei fora eu pensei melhor. Eu pensei em Billy. Não poderia evitar de vê-lo para sempre. Então tomei uma decisão de voltar para a minha casa.
Assim que entramos na cidade, os pais de Sasha me levaram pra casa. Assim que cheguei na minha rua e paramos na frente do portão o pai de Sasha me ajudou a tirar a minha mala do porta malas. Assim que me despedi de todos eu me virei e entrei.
Ninguém sabia que eu iria voltar, não havia ligado para a minha mãe avisando. Mudei de ideia de repente. Abri a porta e entrei, não ouvia ninguém. Fui procurar o pessoal pela casa, mas nada. A única que apareceu foi May na sala.
– Hannah! – disse ela surpresa.
– Oi May!
– Você voltou! – disse ela sorrindo.
Ri do seu comentário.
– Sim...Bem, eu iria pra casa da Sasha mas mudei de ideia.
– É claro! Esta com fome?
– Não...Onde esta todo mundo?
– Todos foram pra casa da senhora Rose jantar. Toda a família!
– Oh!
– Como você não havia avisado então...
– Sim...Claro! Eu entendo!
– Eu posso ligar pra sua mãe vir busca-la.
– Não precisa. Vou para o meu quarto arrumar essas coisas – peguei minha mala – E também tenho que arrumar as coisas pra amanhã também. – comecei a sair da sala em direção as escadas – Boa noite May?
– Boa noite! Vou ficar mais tempo acordada, se quiser alguma coisa é só chamar!
– Ok.
Assim que subi para o meu quarto, larguei a minha mala em um canto e me sentei na cama. Não iria até lá. Era uma reunião em família! É claro que eu era parte dela agora, mas chegar do nada sem avisar seria um pouco vergonhoso. Decidi então ir tomar um banho e ir para a cama.
Depois de um banho relaxante, coloquei o pijama e fui para debaixo das cobertas. Repassei mentalmente minhas coisas para o próximo dia. O primeiro dia do ultimo ano da escola.
Suspirei e tentei dormir, mas um barulho no andar de baixo me chamou a atenção. Todos estavam de volta. Olhei no meu celular e vi que era quase meia noite. Ouvi conversas e passos perto da minha porta. De repente senti alguém entrando no meu quarto.
– Filha? – era a minha mãe.
Levantei a cabeça para olha-la.
– Oi mãe!
Ela se aproximou da cama e ligou a minha luminária.
– Por que você esta aqui? Aconteceu alguma coisa?
Me sentei na cama.
– Não! Só decidi voltar!
– Hum! – ela me olhou desconfiada.
– Só foi isso mãe!
– Só isso mesmo? Não aconteceu nada?
– Não!
– Tudo bem então! – disse ela me dando um beijo na testa.
– E o resto do pessoal?
– Estão lá embaixo, a Carly voltou dormindo.
– E como foi o jantar?
– Foi ótimo! Estava tudo muito perfeito. O senhor e senhora White decidiram fazer um jantar de boas vindas para neto que voltou.
– Legal.
Minha mãe me olhou atentamente.
– Por que não foi para o jantar com a gente?
– Eu cheguei faz uma hora mãe! Estava um pouco cansada.
Minha mãe sorriu.
– Tudo bem. Então vá dormir por que amanhã você tem que se levantar cedo.
– Sim. – disse me deitando e ela me cobrindo. Ela me beijou na cabeça.
– Boa noite querida.
– Boa noite mãe.
Assim que ela saiu eu consegui pegar no sono.
Meu relógio despertou era seis e meia da manhã. Achei que iria me levantar com mais preguiça, mas não, me acordei disposta. Levantei, fui ao banheiro me lavar e logo depois foi escolher a roupa para o primeiro dia de aula. Sasha disse que tínhamos que arrasar no primeiro dia, por que agora nós éramos como veteranas. Ria só de me lembrar dela falando isso.
Coloquei minha calça jeans novinha que minha mãe havia comprado um mês antes. Decidi não usa-la antes, queria usar quando as aulas começassem. Meu casaco preto lindo com capuz, uma blusa vermelha por baixo e um cachecol azul. Peguei minha touca preta e minha mochila e desci. Era uma época fria, mesmo assim eu amava.
Assim que desci as escadas e cheguei na sala, Alex já estava de pé. Ele olhava um jornal com uma xícara de café ao lado. Ele agora andava de terno mas sem a gravata. Ele sempre me pareceu jovem assim como a minha mãe.
– Bom dia querida! – disse ele me olhando e sorrindo.
– Bom dia! Preparado pra mais um dia de prefeito? – disse brincando.
– É claro! E eu aprendi a gostar! – ele se levantou e soltou o jornal e veio me abraçar – Como foi esses dias na casa da avó da Sasha.
– Foi legal...E engraçado! – disse rindo me lembrando de algumas coisas.
– Essa sua amiga é uma figura.
– Com certeza! – disse largando minha mochila e a touca em cima do sofá – O Davis ainda não acordou?
– Já acordou! Esta na cozinha tomando café.
– Então eu vou lá.
Eu sabia que minha mãe dormia um pouco mais, por isso não perguntei. Fui em direção à cozinha e quando cheguei vi Davis sentado tomando seu café. Ele mandava mensagens pelo celular. Provavelmente para Sarah.
Me sentei ao lado dele.
– Bom dia maninha! – disse ele com as bochechas cheias de pão e largando o celular.
– Bom dia! – disse rindo.
– Não sabia que estaria aqui hoje.
– Mudança de ultima hora.
Davis riu.
– Não aguentou mais estar com a Sasha?
Comecei a rir.
– É claro que não! Só achei melhor vir pra casa.
– Uhum! – disse ele me olhando.
Eu o encarei, mas ele olhava por cima da minha cabeça. Fiquei intrigada e me virei.
Me deparei com Billy na entrada da cozinha. Ele estava escorado na batente da porta. Ele tinha um sorriso engraçado no rosto. E eu estava em choque.
– Oi Hannah! – disse ele.
O Billy realmente não era mais o garoto que eu havia conhecido a mais de um ano atrás. Ele estava mais alto, mais forte, parecia mais homem e os mesmos olhos verdes. Só o seu cabelo que estava um pouco mais longo, caído um pouco na testa. Aquele loiro do seu cabelo meio dourado agora havia algumas mechas mais claras. Era o Billy ao natural, só mais maduro.
– Err...Oi Billy! – eu disse de um jeito meio estranho. Meia sussurrando. Estava decepcionado por mim.
Ele sorriu.
– Oi.
Ele se aproximou da mesa. E eu ainda estava muda.
– Ele dormiu aqui. – disse Davis. O olhei surpresa.
– Ele dormiu? – disse meio atordoada.
– Sim. – disse Davis dando uma mordida em seu sanduíche.
Minha mãe e nem Alex me disseram nada. Me senti traída.
– Humm...Tá.
Peguei minha xícara e enchi de café. Percebi que Billy se sentou a mesa com nos dois. Ele ficou de frente para mim. Como eu iria encara-lo com meu rosto vermelho tomate!
Ouvi ele e Davis conversando coisas. Não olhava para cima com medo de ele estar me encarando.
– Bem, eu preciso ir! Tenho que pegar a Sarah! – disse Davis se levantando.
Olhei para ele, na verdade eu supliquei pelos meus olhos para não me deixar ali com Billy. Mas ele só olhou pra mim, sorriu e se despediu de nos dois e se foi. E eu ainda não consegui formar uma frase com mais de três palavras.
Depois que Davis saiu, o silencio mais ensurdecedor se abateu na cozinha. Olhava para a minha xícara. Mas então senti coragem e comecei a levantar os olhos devagar. Ele estava olhando para sua xícara também. Mas de repente ele levantou os olhos e me olhou. Eu poderia ter abaixado meus olhos mas não fiz. Dentro de mim eu decidi me permitir essa coragem.
– Me desculpa – eu disse.
Ele piscou sem entender.
– Por que esta se desculpando?
Suspirei.
– Senti em dizer! Me desculpe por tudo... Por esse momento constrangedor! – disse ficando vermelha.
Ele riu.
– Peguei você desprevenida não é?
Sorri sem jeito.
– É por causa disso que eu estou pedindo desculpas. Eu não esperava você aqui...Hoje.
Ele tomou um pouco de café e me olhou.
– Foi de ultima hora que decidimos que eu viria aqui. Davis me disse que você iria dormir na casa de uma amiga, por isso eu vim. Achava que você não iria estar em casa.
– S-Sim, foi uma decisão de ultima hora.
Ele concordou, mas não desviava o olhar do meu.
– Como você esta? – ele perguntou.
– Eu estou bem. E você?
Ele sorriu.
– Melhor agora.
Engoli a seco.
– Bem...err... – de repente estar sentada se tornou um tormento – E você fez muitos amigos por lá?
Ele me olhou por alguns segundos. Eu pensei comigo, de onde surgiu essa pergunta idiota?
– Alguns amigos, quer dizer, alguns colegas.
– Legal!
– Eu soube que você tem outros amigos.
Eu sorri com o pensamento.
– Sim. Tenho dois grandes amigos. A Sasha e o J.
– Fico feliz por isso.
– Eles são legais.
De repente o silencio volta. E eu ainda não consigo formar mais perguntas.
– Hannah...
Eu olho para baixo e encaro minha xícara novamente.
– Sim?
– Olhe pra mim? – ele pede de um jeito tão carinhoso que eu olho para cima.
Ele me olha por alguns segundos.
– Senti sua falta. – ele diz.
Minha respiração fica difícil. Eu não digo nada, só fico olhando para ele. Sei o que ele sente por mim. Mas eu realmente, às vezes fico pensando se eu sou merecedora dele. Ele merece uma garota que não seja tão indecisa como eu.
– Eu também! – de repente essas palavras saíram sem ao menos eu raciocinar. Eu queria dizer isso sim. Sentia a sua falta...Do meu jeito, mas sentia.
Ele sorriu. Eu também sorri, mas peguei minha xícara pra tomar mais um pouco do meu café.
De repente minha mãe entra na cozinha com Carly nos braços.
– Bom dia! – diz ela toda feliz.
E o encanto foi quebrado. E eu voltei a ficar vermelha.
– Bom dia mãe!
– Bom dia Brenda! – disse Billy.
– Dormiu bem querido? – perguntou minha mãe a Billy.
– Muito bem.
– E você filha? – disse ela se sentando com Carly no colo.
– Uhumm – resmunguei mastigando meu pão.
– Ótimo! – minha mãe pegou uma xícara para se servir, mas Carly queria agarrar. – Não minha querida! – minha mãe afastou a xícara dela antes que pegasse e jogasse no chão.
– Posso pegá-la se quiser! – disse Billy. Fiquei surpresa.
– Oh, obrigada Billy. – minha mãe arrumou Carly para que Billy pudesse pegá-la. Ele estendeu as mãos na direção dela, e Carly jogou seus bracinhos pra ele. Aquilo foi fofo.
Assim que ele a ajeitou em seu colo. Ela logo encostou a cabecinha em seu peito. Eu derreti.
– Ela gosta de você! – disse minha mãe sorrindo.
– Eu gosto dela também. – disse Billy ajeitando Carly que ria pra ele.
Depois que nos tomamos o café, eu fui para a sala pegar minhas coisas. Billy estava atrás de mim.
– Como você vai ir à escola?
Peguei minha mochila e minha touca e enfiei na cabeça.
– Vou de carro. Alex me deu um carro!
Ele sorriu.
– Legal.
– E você?
– Estou com o meu carro aqui.
– Ok.
Mais segundos de silencio.
– Eu preciso ir, tenho que estar no jornal da escola antes de começar a aula. Temos reunião! – disse.
– Tudo bem. – ele começou a caminhar para a saída. Eu o acompanhei.
Assim que estávamos na garagem. Eu fui em direção ao meu carro. Que alias é um Jipe vermelho que eu adoro. E Billy foi para o seu famoso carro conversível.
– Hannah! – Billy me chamou antes de entrar no carro.
– Sim?
Ele me olhou do outro lado da garagem.
– A gente se vê na escola! – disse ele sorrindo.
Acabei sorrindo também.
– É claro! – assim entrei no meu carro e saímos.
Billy me seguiu até um certo ponto. Depois eu virei para um outro lado, pois iria buscar Sasha.
No caminho eu fiquei pensando. Não seria tão ruim assim! Talvez fosse diferente. Eu estava me preocupando à toa.
Mas quando me lembro da forma que ele me olhou,eu sei que era algo real. Ele estava de volta. E o seu retorno tinha um motivo. E esse motivo era eu.
Agora só dependia de mim.
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