Eu sei que não era comigo, mas presenciar e fazer parte deste acontecimento na vida de Mona me fez ver que eu não fui e nunca serei a única a passar por isso. Mesmo que não tenha perdido alguém, isso é doloroso.

A mãe de Mona não aguentou as varias lesões e não suportou ficar tanto tempo sem socorro, mesmo que fomos ajudá-la. Minha mãe ligou para Alex para pedir ajuda. Mona não tem parentes então praticamente ficou sozinha. A polícia mandou o namorado de sua mãe para a cadeia e espera por julgamento. Alex vai ter que entrar em contato com o serviço social para ver como será a vida de Mona a partir de agora.

O medico conversa com minha mãe e eu ainda fico em um canto pensando. Não gostava de Mona, pois ela sempre fazia intrigas e ficava dando em cima de Billy, mas neste momento sinto uma afinidade com ela. Mesmo que fosse indireta.

Sinto braços ao meu redor e um beijo no lado da minha cabeça. Eu sei que é ele.

— Tudo bem? – ele pergunta perto do meu ouvido.

Só balanço a cabeça concordando.

Billy fica ali comigo na janela. Ele não faz mais perguntas. Ele ainda esta me abraçando. Ficamos alguns minutos ali até ver que Alex chega seguido de Davis. Nos separamos e fomos em sua direção.

Alex vai até mamãe e a abraça. Davis aos nos ver vem em nossa direção.

— Você esta bem? – disse Davis me abraçando.

— Sim.

Estou meio que no modo automático.

— Fomo até lá...mas não deu. – disse Billy parecendo triste também. Pego na mão dele. Ele não esta sozinho neste sentimento.

— Papai contou no caminho. Vocês poderiam ter se machucado! – disse Davis.

— Nos sabemos Davis, mas só queríamos ajudar! – eu disse.

Davis suspirou.

— Eu vou ligar pra Sarah pra dizer que chegamos bem. Eu já volto!

Davis se afastou. Vi que minha mãe e Alex sumiram. Olhei para o lado e não vi Nico em lugar nenhum. Ele não sairia sem avisar. J e Sasha ainda estavam sentados nos bancos na sala de espera. Sasha estava dormindo no ombro de J. Olhei no meu celular e vi que já era quase dez da noite.

Fomos nos sentar na sala de espera. Foram quase uma hora até minha mãe, Alex e Nico aparecerem. Fiquei curiosa, o que Nico fazia com eles. Me levantei e fui até eles.

— Mamãe, o que esta acontecendo? – perguntei. Ele me olhou e se aproximou.

— Estávamos vendo o que faríamos com Mona, querida.

— E o que vão fazer?

— Como ela não tem mais ninguém, provavelmente irá para alguma instituição e ficará sobre guarda da justiça. Pelo menos até ela completar dezoito anos.

Fiquei triste por ela.

— E o que o Nico estava fazendo com vocês?

Minha mãe olhou para ele que conversava com Alex.

— Ele disse que a sua mãe conhecia um lugar que poderia ajudar Mona. Então ele pediu permissão a Alex para ligar para ela. Ela esta vindo com seu marido.

Eu me lembro dos pais de Nico, realmente eles pareciam bem importantes.

Alguns minutos depois, eles chegaram, eles estavam acompanhados de um outro homem. Foram levados para uma sala com o medico e Alex.

— Mãe? – me aproximei dela – Quem era aquele homem junto com os pais do Nico?

— Ele é um assistente social. Vai ver o que farão com ela. – minha mãe suspirou. – A Mona vai ter que dar depoimento depois que sair do hospital. Eles irão guia-la.

— Quem vai contar a Mona sobre a mãe dela?

Minha mãe olhou para mim triste. Ela me abraçou pelos ombros.

— Vamos ter que ter jeito para falar com ela. Provavelmente um psicólogo do hospital.

O destino de Mona estava sendo resolvido naquele dia. A instituição que ela ficaria estava cheia, então ela teria que ir embora para outra cidade. Ela teria que deixar a nossa escola.

Ao saber disso, eu fiquei triste por ela partir e nós não termos a chance de nos conhecermos melhor.

J e Sasha foram embora a meia hora. Ficamos eu, Billy, minha mãe, Alex , Davis e Nico na sala de recepção. Os pais de Nico ainda estavam em reunião.

Me levantei e fui até Nico. Me sentei ao seu lado.

— O que vai ser dela? – perguntei. Nico estava sabendo bem mais do que eu.

— É como eles estão dizendo, ela vai para outra cidade! Não tem uma vaga para ela aqui perto.

— Isso é injusto! Ela nasceu aqui e viveu aqui. Teriam que dar prioridade as pessoas daqui.

— Se ela tivesse parentes, seria mais fácil. – disse Nico pensativo.

— Verdade...ou um lugar que ela pudesse ficar sem que fosse instituições. Sempre penso que lugares como esse não são tão bons, por mais que eles dizem que sim.

— Eu também acho. Já fui com a minha mãe em vários deles. Ninguém vive feliz lá não! Acho que é pior que orfanato.

— Não queria que ela fosse embora! – disse de coração. Era a verdade!

Nico me olhou e sorriu.

— Você é uma pessoa muito boa Hannah!

Eu sorri tristemente.

— Eu tento!

Ele se virou e ficou pensando. Ele me olhou.

— Eu já volto Hannah!

Ele se levantou e pegou seu celular. Ele sumiu no outro corredor.

Voltei a sentar ao lado de Billy. Ele me abraçou pelos ombros.

— O que foi?

— Só estávamos falando sobre o que será dela.

Billy beijou minha o lado da minha cabeça.

— Vamos torcer que tudo fique bem.

Minha mãe decidiu que teríamos que ir embora. Pois não adiantaria ficarmos ali. Mona estava agora em um quarto e ainda não tinha acordado. Então fomos todos para a casa.

No outro dia soube que Mona havia acordado. Assim que ela parecia mais sóbria, eles contaram sobre a sua mãe. Ela é claro, ficou devastada. Tiveram que dopá-la novamente para que se acalmasse. Minha mãe me contou e eu não contive as lagrimas. Mamãe também.

À tarde, decidi que queria ir vê-la. Então fui até o hospital. Chegando lá, fui informada sobre o seu quarto. Quando eu bati na porta, esperei um pouco e abri. Ao entrar, vi que o medico estava com Mona junto com uma enfermeira. Ao me ver Mona ficou me olhando um pouco surpresa. Ela estava pálida. Seu cabelo que sempre foi tão bonito estava uma bagunça. Mona, apesar da sua fama era uma menina muito bonita. Tinha cabelos longos lisos e escuros que vão até o meio das costas. Seus olho castanhos que sempre estavam com maquiagem agora pareciam quase sem brilho.

Me aproximei.

— Com licença! – disse. O medico me olhou e sorriu.

— Agora vou deixá-la com sua amiga. – disse o medico que saiu seguido da enfermeira.

Me aproximei mais da cama.

— Oi Mona!

Ela estava com olhos inchados. Aos poucos ela me olhou mas não disse nada.

— Eu quis vir pra vê-la, espero que não se importe!

Ela olhou para o outro lado do quarto e fechou os olhos com força.

— Eu deveria ter feito alguma coisa... eu deveria...

Ela chorou. Senti meu coração partir por ela.

— Mona...- segurei sua mão. Ela poderia ter puxado sua mão, mas não fez, ela simplesmente segurou firme.

— Foi minha culpa!

— Mona por favor, você não pode se sentir culpada, foi sua culpa! Não faça isso!

— Você não sabe de nada Hannah! Você nunca passou por isso!

Suspirei.

— Mona, é você que não sabe...pois eu sei bem o que é passar por isso!

Ela virou a cabeça para me olhar.

— C-Como assim? – perguntou ela com os olhos marejados.

Puxei uma cadeira e me sentei perto da cama.

— Você não esta sozinha – ainda segurava sua mão – Eu vou te contar.

Assim, abri meu coração a ela. A nossa ligação naquele momento era forte. Ela me ouviu o tempo todo. As vezes ela ficava emocionada, mas me ouviu. Abri meu coração a ela. Não escondi nada. Compartilhei a minha historia com alguém que pedia por ajuda.