Eu gostaria de arrebentar a cara dessa tal Nico. Ele parecia muito confiante perto de Hannah. Quando ele a abraçou, minha vontade foi de puxá-la pra longe. Mas eu sabia que não tinha nenhum direito sobre ela. Quando ele se afastou, eu estava cego de ciúmes. Hannah até tentou falar comigo, mas eu não quis conversa e me afastei. Quando fui em direção ao grupo dos garotos, olhei para trás e vi que Hannah estava me olhando. Ela parecia magoada. Me virei e continuei caminhando. Me senti um idiota. Fui estúpido com ela. Depois dos testes eu iria procurá-la.

Os testes começaram e eu estava longe. Até fiz, mas falhei em alguns momentos deixando Liam decepcionado. Os outros garotos me olhavam surpresos. Mas eu sabia que aquele dia não era o dia. Depois que o teste terminou, Liam veio em minha direção.

— O que esta acontecendo? – ele perguntou.

Suspirei.

— Eu só...hoje não é um bom dia.

— Percebi. – disse ele cruzando os braços – Se quer entrar, você precisa mostrar trabalho Billy!

Suspirei.

— Eu sei.

— Amanhã vai ter mais testes...então por favor, se concentre!

Liam se afastou e eu fiquei parado ali no meio da quadra. Olhei para o lado e vi Hannah sentada na arquibancada ajeitando a sua maquina.

Precisava falar com ela. Respirei fundo e fui em sua direção. Assim que estava mais perto ela olhou para cima e me viu. Parei em sua frente.

— Desculpe. – disse.

Ela franziu a testa parecendo não entender o por que de eu estar me desculpando.

— Pelo que? – disse ela.

— Pelo jeito que eu lhe tratei há uma hora atrás...foi mal.

Ela suspirou e olhou para o lado, segui seu olhar, ela estava olhando o tal Nico. Bufei.

— Foi por causa dele? – perguntou ela.

Fiquei um pouco incomodado com essa pergunta. Não queria parecer um idiota ciumento.

— Err...bem...

— O jeito dele é assim! E eu não sou do tipo que se derrete por caras como ele... acho que você deveria saber...

Hannah se levantou e me olhou.

— Preciso voltar para o jornal. Até mais Billy! – ela parecia chateada.

— Hannah! – a chamei. Ela já estava saindo, mas parou e me olhou. – Você me desculpa?

Droga! Ela parecia mesmo magoada! A maneira que eu falei com ela não foi legal.

— Sim Billy, sim! – disse ela sem ao menos sorrir.

Ela se virou e saiu. Não demorou muito para que Nico fosse correndo atrás dela.

Fiquei parado ali no meio olhando os dois desaparecerem pela porta. Passei o dia chateado comigo. Não vi mais Hannah naquele dia. Depois que as aulas terminaram fui embora para a casa. Precisava ficar só.

Depois que eu cheguei em casa, subi direto para o meu quarto. Fui caminhando pelo corredor quando ouvi risos. Era do quarto de Jenny. Parei na porta e fiquei ouvindo. Ela ria e falava com alguém. A outra voz era de um garoto. O namorado!

— Jenny! – chamei e bati na porta. Logo entrei.

Vi minha irmã. Minha irmãzinha na cama com o namorado. Eles estavam vestidos. Graças aos céus! Mas estavam bem íntimos. Assim que me viram, se desgrudaram.

— Billy! – disse Jenny assustada se levantando. Assim fez o garoto.

Ambos ficaram de cada lado da cama.

— Mas eu posso saber o que esta acontecendo aqui! – disse furioso olhando para os dois.

Jenny estava completamente corada e o garoto também.

— Você! – disse apontando para o fulaninho. – Pode me explicar o que estava fazendo em cima da minha irmã?

O garoto arregalou os olhos.

— Bem...err...eu...

— Billy, por favor! – suplicou Jenny.

— Se eu não tivesse chegado, provavelmente aconteceria algo a mais.

— Billy! – disse Jenny surpresa. – É claro que não! – ela veio em minha direção e começou a me empurrar para fora.

— Por que você não namora lá na sala? – disse saindo de seu quarto.

— Por que eu quero ficar no meu quarto!

— Ok. – disse olhando para o garotão – Mas eu estou de olho ouviram! E é de porta aberta que vão namorar!

Jenny iria dizer algo, mas fechou a boca quando viu meu olhar.

— Esta bem! – disse ela bufando.

— Muito bom mesmo!

Assim que sai pelo corredor, fui para o meu quarto, chegando lá me joguei na minha cama. Sei que sou duro com Jenny e seu namorado, mas não quero que ela faça coisas que depois vai se arrepender. Já tive 16 anos e sei como é. Os hormônios estão à flor da pele.

Balancei minha cabeça tentando não imaginar minha irmã e o namorado fazendo aquilo.

Depois de alguns minutos desci para a sala. Jenny e o namorado não estavam no quarto. É claro! Eles iriam procurar outro lugar para namorar.

Quando cheguei a sala, os dois estavam ali comendo pipoca. Jenny nem sequer levantou os olhos da Tv. Já o garoto me olhou sem jeito.

— Onde esta a Eva? – perguntei.

Jenny apontou para a direção do jardim. Sei que ela esta chateada comigo.

Fui até o jardim e a avistei. Ela estava sentada no banco da Tina. Já havia colocado esse nome antes dela morrer. Eva parecia no seu próprio mundo, comecei a ir em sua direção.

— Oi Eva! – disse quando me aproximei.

— Oh Billy! Não vi você se aproximando... – disse ela se levantando – Você quer alguma coisa? Eu posso...

— Não, esta tudo bem! Pode se sentar!

Ela me olhou um pouco e voltou a se sentar. Me sentei ao seu lado.

Ficamos em silencio por alguns segundos.

— As vezes me pego pensando na minha neta! – disse Eva.

Suspirei.

— Eu também!

— Ela me faz muita falta.

— Sim, ela faz.

— Como você esta? – perguntou Eva me olhando.

Respirei fundo.

— Err...bem.

Eva sorriu.

— Não parece tão bem!

— É que... sei lá Eva, parece que tudo esta tão estranho. Antes eu era tão confiante, mas agora parece que eu fico temendo algo.

Eva me encarou.

— É por que você esta mudando! Quando mudamos vemos a vida de um jeito diferente. Você esta cauteloso com algo...isso não é errado querido! É só por que você não quer estragar nada! Quer que tudo saia certo.

Sorri. Eva era uma ótima conselheira.

— Você tem razão.

— O que você deseja, se você buscar honestamente e com paciência, alguma hora vai vir.

— Obrigado Eva! – disse a abraçando.

— Disponha querido! Saiba que para mim, você e Jenny são como meus netinhos também.

Ficamos mais alguns minutos ali conversando coisas aleatórias, então ouvimos o carro da mamãe chegando. Nos levantamos e fomos entrar. Assim que coloquei meus pés na sala, minha mãe entrou na casa.

— Oi mãe! – Jenny se levantou e foi em sua direção. O namorado ainda estava ali. Ele também se levantou e a cumprimentou.

— Olá querida...olá Thomas! – disse ela.

Algo estava estranho. Ela parecia ter chorado. Ela me olhou e sorriu tristemente. Fui em sua direção.

— Mãe... – a abracei.

Ela me apertou forte. Senti que ela fungou. Quando me afastei, vi realmente que algo estava acontecendo ou aconteceu.

— O que foi? Por que esta assim?

Todos ali ficaram atentos a nós, inclusive Eva que ainda estava na sala.

Minha mãe largou a bolsa em cima do sofá e nos olhou.

— Mãe...fale alguma coisa? – disse Jenny apertando a mão de Thomas.

Ela respirou fundo.

— Recebi uma ligação a meia hora... – ela perecia com dificuldade de falar. – E a noticia não é boa.

— Mãe, por favor, fale logo! – disse me sentindo nervoso.

Ela fechou os olhos com força, quando abriu ela olhou para Jenny. Fiquei tenso. O que estava acontecendo!

— Mãe! – disse Jenny começando a tremer.

— É o pai de vocês... ele foi morto hoje.