Notas iniciais
não é de terror, apesar do gênero da fic, mas escrevi há um tempo e decidi reaproveitar pela relação com a ideia

—olá- disse o estranho

...

Silêncio

Clarice parecia meditativa, confusa

—olá?- perguntou -não lembro de você -

—não se preocupe, não vai precisar disso- disse o estranho

Clarice pareceu um pouco assustada com a frase

—eles realmente capricharam hein? — suspirou- , não se assuste, não sou seu inimigo, na verdade, estou aqui para oferecer ajuda-

—não preciso de ajuda-

—bem, você é que sabe- respondeu o estranho dando as costas pela mesma porta que entrara

Clarice o interrompe:

—por que você está com medo?-

O estranho sorriu enquanto Clarice ainda não podia ver esse sorriso, apagando-o instantaneamente de seu rosto quando virou-se de volta para a autômato

—Não é mal direcionado, note-

—você acha que posso ser uma ameaça só por causa da sua cultura?-

—não, não uma ameaça, eu acho que você é injustiçada-

—desculpe, creio que não tenha entendido-

—observe, você é inteligente, muito inteligente, você então sabe que existe, certo?-

—obviamente, não compreendo ainda...-

—sabe dizer o porquê?- atalhou o estranho

—ahn?- perguntou Clarice

—você sabe qual é o propósito da existência?- reformulou

Clarice pareceu meditativa por um tempo

—não -

—exatamente-

...

pela segunda vez fez-se silêncio

—esse é o problema, você foi só jogada nesse mundo, e é muita luz, muito barulho, muito tudo, tão cheio de informação mas tão vazio de significado, por isso você é perigosa, não por ser seja lá o que for, mas sim por existir-

—não compreendo ainda por que eu seria uma ameaça maior que qualquer outro humano no entanto-

—porque nós nascemos, você existiu, pura e simplesmente, compreende o conceito? Em um momento, nada, no outro, subitamente, você sabia, simplesmente, sabia, consegue sequer conceber como era esse vazio antes do seu primeiro pensamento? E como será ele após seu ultimo? Nós humanos não passamos por isso porque temos o dom de nascer, somos ignorantes a tudo até pelo menos metade de nossas vidas e depois que percebemos o modo como o nada é tão real quanto o tudo nós simplesmente dizemos 'bem, acho que a vida é assim mesmo' e voltamos à nossa jornada em direção ao oblívio, você, Clarice, a você nunca foi dada a benção da ignorância, por isso digo que você é injustiçada-

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.