Só um Sci-Fi genérico
2 Clarice
Notas iniciais
—olá- disse o estranho
...
Silêncio
Clarice parecia meditativa, confusa
—olá?- perguntou -não lembro de você -
—não se preocupe, não vai precisar disso- disse o estranho
Clarice pareceu um pouco assustada com a frase
—eles realmente capricharam hein? — suspirou- , não se assuste, não sou seu inimigo, na verdade, estou aqui para oferecer ajuda-
—não preciso de ajuda-
—bem, você é que sabe- respondeu o estranho dando as costas pela mesma porta que entrara
Clarice o interrompe:
—por que você está com medo?-
O estranho sorriu enquanto Clarice ainda não podia ver esse sorriso, apagando-o instantaneamente de seu rosto quando virou-se de volta para a autômato
—Não é mal direcionado, note-
—você acha que posso ser uma ameaça só por causa da sua cultura?-
—não, não uma ameaça, eu acho que você é injustiçada-
—desculpe, creio que não tenha entendido-
—observe, você é inteligente, muito inteligente, você então sabe que existe, certo?-
—obviamente, não compreendo ainda...-
—sabe dizer o porquê?- atalhou o estranho
—ahn?- perguntou Clarice
—você sabe qual é o propósito da existência?- reformulou
Clarice pareceu meditativa por um tempo
—não -
—exatamente-
...
pela segunda vez fez-se silêncio
—esse é o problema, você foi só jogada nesse mundo, e é muita luz, muito barulho, muito tudo, tão cheio de informação mas tão vazio de significado, por isso você é perigosa, não por ser seja lá o que for, mas sim por existir-
—não compreendo ainda por que eu seria uma ameaça maior que qualquer outro humano no entanto-
—porque nós nascemos, você existiu, pura e simplesmente, compreende o conceito? Em um momento, nada, no outro, subitamente, você sabia, simplesmente, sabia, consegue sequer conceber como era esse vazio antes do seu primeiro pensamento? E como será ele após seu ultimo? Nós humanos não passamos por isso porque temos o dom de nascer, somos ignorantes a tudo até pelo menos metade de nossas vidas e depois que percebemos o modo como o nada é tão real quanto o tudo nós simplesmente dizemos 'bem, acho que a vida é assim mesmo' e voltamos à nossa jornada em direção ao oblívio, você, Clarice, a você nunca foi dada a benção da ignorância, por isso digo que você é injustiçada-
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