Só o tempo talvez possa curar
14 Sob uma cerejeira
Notas iniciais
Mais um encontro cansativo, Byakuya finalmente podia voltar para casa.
Nos últimos meses ele se afundou no trabalho. Toda vez que olhava para Rukia seu coração se enchia em culpa. Ele via que ela estava mal com o fato de ter seus direitos praticamente arrancados dela, por sua culpa. Ele queria se aproximar, mas achava que ela estava magoada, afinal ele não conseguiu chegar a um acordo, como tinha prometido. Ainda tinha que suprimir seus sentimentos por ela, já estava quase insuportável.
Ele então trabalhou muito mais que o normal, o casamento também era um dos fatos que lhe tiravam o sono. Ele era um bloco de gelo agora, seu coração era frio e sem vida... Ele amava e não podia dizer, estava sendo forçado a fazer oque não quer... Iria ser pai, mas não se sentia no direito de desfrutar disso, quando Rukia seria quase impedida também, por mais que ele quisesse resolver tudo isso não podia... Sua vida era frustrante, ele estava morrendo aos poucos.
Nos últimos meses o garoto ryoka estava cada vez mais próximo. Ele tinha que se controlar para não lançar senbonzakura sobre o impertinente pirralho! Era estupido, mas o grande Kuchiki Byakuya estava com ciúmes... Ciúmes de alguém que nem lhe pertencia, que nunca seria sua. Rukia tinha o direito de ficar com quem quisesse, mas essa ideia fazia seu sangue ferver em ódio. Franziu o cenho aborrecido. E pra piorar ele tinha que ir visitar a ‘noiva’, pelo menos uma vez por semana.
Ele já tinha conhecido a jovem Yamaguchi Yoko, ela era a filha mais velha de três irmãos. Em outras palavras, a mulher perfeita segundo os anciões para criar seu filho, e lhe dar o herdeiro legitimo.
Yoko era uma jovem alta de pele branca, seu longo cabelo era castanho claro. Seus olhos verdes como esmeraldas. Seu corpo era abençoado com curvas realmente perfeitas, seus seios eram grandes, mas não ao ponto de ser vulgar, ele não pode negar ela era dona de uma beleza imensa. Ela era linda, mas não era Rukia. Pelo pouco que ele viu pode concluir que era uma mulher muito serena e submissa, a típica jovem criada pra casar. Ele fez uma nota mental, nunca deixar que alguma descendente sua seja criada assim.
Byakuya respirou fundo, a moça parecia ser boa pessoa. Ele pode ver que ela estava triste e não se interessava pela vida dele ou por falar da sua, ela deixou claro que ambos eram obrigados a esse casamento. Ele então concluiu que ela já tinha alguém em seu coração.
Era irônico, os dois sendo forcados a se casar, e ambos tinham seus corações preenchidos com amores que nunca iriam se consumar, estariam cientes que nunca sentiriam nada um pelo outro. Seriam infelizes até o ultimo dia de suas vidas. Pensou rindo internamente da ironia.
Chegando a casa ele encontrou Rukia adormecida no jardim, embaixo de uma cerejeira, ele se aproximou pronto para acorda-la. Mas percebeu que tinham rastros de lagrimas em seu lindo rosto. ‘Ela estava chorando’ concluiu triste.
Observando mais um pouco ele pode notar um pequeno volume em seu abdômen, que normalmente ele não percebia sob as vestes de shinigami, mas que era bem visível agora, que ela estava usando um kimono de seda. Eram raros os momentos que ele podia observa-la. Ela estava serena dormindo, igual ao um anjo.
Ela se mexeu e abriu os olhos, olhando confusa para ele.
“Byakuya...?” perguntou confusa.
“Você estava dormindo aqui fora, isso é perigoso. Você pode ficar doente” disse se sentando ao seu lado, embaixo da cerejeira florida. “o que aconteceu Rukia?”
“Desculpe eu ando sonolenta nos últimos meses...”
“Não foi isso que perguntei. Você estava chorando, foi por causa de Renji ainda?” ela abaixa a cabeça triste.
Renji... Como adivinhado não entendeu o porquê dela querer manter sua gravidez, para ele era difícil aceitar que alguém teria que conviver com uma lembrança viva, de um ato doloroso. Ela ainda podia se lembrar de quando ele descobriu e foi tirar satisfações.
“Eu não entendo Rukia isso é loucura! Não faz sentido!” disse visivelmente irritado.
“Renji é uma escolha minha... é parte de mim também, por favor, tente entender” Renji olha para seu ventre, e vira o rosto de lado.
“Eu acho que nunca vou entender ou aceitar isso”
Dito isto ele saiu, e não voltou a falar com ela. Rukia ficou arrasada pela incompreensão do amigo de infância, ela ainda desejava que ele fosse entender cedo ou tarde.
Não o motivo de ela ter chorado não era Renji. Um dos motivos era o fato de seu filho ser arrancado praticamente dela, se Byakuya não conseguisse negociar... O outro ela ainda não entendia. Rukia sentiu uma tristeza, um vazio assim que viu Byakuya mais uma vez sair para seu miai. Ela só se lembra de ter começado chorar feito boba, com uma angustia injustificada. Por que ela ficou triste, pelo fato de seu irmão estar com sua futura esposa?
“São só os hormônios, eu choro por qualquer coisa ultimamente” disse sem graça, ela não iria dizer a ele que estava chorando pateticamente, pelo fato dele ir a um miai.
“Amanhã eu irei falar com Renji, ele está agindo como idiota, vou faze-lo ver isso” disse com sua voz fria.
“Não, por favor, eu só estava me sentindo... triste sem motivo algum” ele olha para a jovem sentada ao seu lado.
“Eu tenho trabalhado muito não é?” toma uma pequena respiração olhando a lua “aconteceu muita coisa recentemente, eu já não estou no controle de tudo.” Ela entendeu, essa era sua forma de pedir desculpas, por tudo oque estava acontecendo.
Rukia suspira triste, há quanto tempo ele não conversava assim com ela? As ordens do clã o fizeram mais frio e triste que antes. Ele sempre estava nas refeições, sempre se preocupava com ela, porém uma barreira era levantada toda vez que ele a olhava. Rukia sabia oque essa barreira era. Era culpa, ela sentia as vezes que ele queria perguntar algo ou se aproximar, mas ele não fazia, era como se estivesse preso a uma corrente imaginaria.
“Eu entendo não deve ser fácil, tudo isso sobre seus ombros”
“Eu não tenho muito tempo livre para estar em casa ultimamente. Como você está?” perguntou sinceramente, mas sem olha-la.
“Estou bem, como foi o miai de hoje?” perguntou visivelmente triste. Byakuya viu tristeza na pequena menina.
“Cansativo” disse inexpressivo. Ele raramente estava tão perto dela, nos últimos meses. Um dos motivos era a culpa obviamente, o outro era seu amor proibido, ele tinha medo que ela notasse algo.
Rukia de repente fica imóvel prestando atenção em algo, logo ela olha para seu pequeno volume abdominal e pousa a mão sobre ele. No mesmo instante Byakuya olha preocupado para ela.
“Está sentindo algo, alguma dor? Iremos a 4° divisão agora mesmo.” disse olhando para ela enquanto ela passava a mão sobre seu ventre.
“Não. É que eu não me acostumei com essa sensação ainda, é diferente” diz agora deixando um sorriso leve brotar em seu rosto. “ele começou a mexer ultimamente” Byakuya abaixa seu olhar para barriga de Rukia. “quer tentar sentir?” perguntou animada, porém logo viu que ele estava arredio com a ideia. Ela corou, não sabia de onde tirou coragem para dizer isso. ‘não seja estupida Rukia!’
“Eu...”
“Foi uma ideia boba, desculpe” disse triste. Byakuya a olhou por um instante.
“Se você não se importa” ele levanta sua mão hesitantemente e pousa sobre a barriga da pequena, acariciando timidamente.
Rukia sentiu seu filho mexer de novo, e olha para cima. Byakuya alargou seus olhos e logo suavizou sua expressão.
Logo que ele colocou a mão sobre o ventre de Rukia sentiu um leve movimento, não pode segurar a surpresa, e nem evitar a sensação de felicidade e afeto quando sentiu seu filho se mexendo, era tão surreal. A culpa foi jogada fora nesse momento, ele só queria poder fazer isso todos os dia, sentir seu filho crescendo diariamente.
Ele pode sentir que ela estava feliz em dividir esse momento com ele, apesar de tudo oque ele estava a fazendo passar.
“Sentiu?” perguntou com expectativa.
“Isso é incrível” disse sereno. “não te machuca?” perguntou olhando em seus olhos.
“É diferente, mas é bom. É como se ele estivesse dizendo que está bem”
Ele vê os olhos violetas se encherem de alegria. Seus lindos olhos violetas, ele podia se afogar neles. Só então ele percebeu seu erro, ele estava muito próximo dela. Rukia percebeu a proximidade também, porém simplesmente não conseguiu se mover, ela estava presa aqueles nebulosos olhos cinzentos.
‘Se mova! Pra traz agora!’ ele se ordenou, mas seu corpo não obedecia... Não dessa vez.
Já não tinha mais controle de seus atos, ele sabia que iria se arrepender mais tarde. A sua mão se levantou e tocou o rosto de Rukia, acariciando levemente. Era errado, mas ele já não podia se controlar, não podia mais se negar a isso ‘só dessa vez’.
A pequena ficou paralisada, hipnotizada. Outra vez ela sentiu aqueles sentimentos estranhos, se mexendo dentro dela. Seus olhos se fecharem, ao sentir a caricia da mão de Byakuya. Sua mão suave e quente, o calor de seu rosto tão próximo, sua respiração. Ela podia sentir seu coração começando a bater mais rápido, ela devia se afastar. Mas não conseguia, não queria.
Ele não podia se conter, seu rosto foi se aproximando ao dela como se tivesse vontade própria, Byakuya sentiu fome, fome de seus pequenos lábios rosados, sem mais hesitação ele fechou a distancia entre eles, e tomou os lábios que ele tanto desejava. Foi como uma explosão. Sentiu o mundo desaparecer, não existia nada ao seu redor, só existiam eles e nada mais. O beijo era calmo, mas cheio de amor e paixão reprimida.
Rukia nunca tinha sido beijada antes, mas seu corpo começou a agir sozinho, magicamente correspondendo o beijo. Era bom, não. Era divino. Os lábios de Byakuya eram tão macios... E tão quentes, seu gosto era embriagante. Ela simplesmente não queria mais parar, a sensação de seus lábios sobre os dela era indescritível. Suas mãos pousaram sobre seu peito e seguram as frentes de suas vestes, como se não quisesse que ele se afastasse. Seu coração bateu mais acelerado quando sentiu sua mão em sua cintura, puxando-a para mais perto. Sentindo o beijo se intensificando.
Ao sentir que Rukia começou a corresponder, uma onda de felicidade tomou conta de Byakuya. Seus lábios eram macios, tão calorosos e doces, o único doce que ele descobriu que gostava, não... Ele amava. A sensação de estar beijando-a era mil vezes melhor do que ele tinha imaginado. Seus lábios eram tão suaves sobre os seus, era inacreditavelmente bom.
O beijo calmo começou a ficar cada vez mais intenso. Byakuya lambeu levemente entre seus lábios pedindo passagem, sem hesitar Rukia logo abriu o caminho que ele tanto desejava. Ele deslizou sua língua na boca da jovem, fazendo-a dar um pequeno gemido, com a sensação até então desconhecida. A mão de Byakuya se moveu do rosto para seus cabelos sedosos, entrelaçando seus dedos neles, aprofundando o beijo. Sua mão a puxava pela cintura para mais perto dele, para ela não sair, para não fugir.
Era errado. Pecado, mas parecia muito bom. Muito certo.
Seu gosto, seu toque, seu calor... Era muito surreal, parecia um sonho... Ela só queria estar assim pra sempre. As sensações e sentimentos estavam explodindo dentro dela, era bom, era tudo que ela queria... Que sempre quis. Ela deixou sua mão pousar na nuca de Byakuya, enredando em seus cabelos macios. Para tê-lo mais perto, para senti-lo junto a ela.
Só dessa vez
O beijo tinha ficado mais urgente, e apaixonado. A falta de ar já estava insuportável, seu coração batia descompassado. Ela não queria, mas teve que quebrar o beijo. Seu corpo precisava de oxigênio. Ela quebrou o beijo ofegante, ele encostou sua cabeça com a dela, também recuperando o ar.
‘O que eu fiz?’ foi errado, muito errado. Ele não disse uma palavra e se levantou virando de costas.
“É tarde, está frio aqui fora. Entre, você deve ir dormir” Dizendo friamente. Como se nada tivesse acontecido, como se fosse um devaneio dos dois. Um sonho. Então ele saiu deixando Rukia para trás.
‘Eu sou um desgraçado, que não pode controlar meus malditos instintos. Perdoe-me’
Rukia ainda não tinha se recuperado, nem entendido o que acabou de acontecer, ela levou a mão para seus lábios inchados. E olhou para Byakuya que já estava longe dela, indo para casa.
‘O meu Deus, o que eu fiz?’ pensou com seus grandes orbes violetas em choque. ‘Eu beijei meu irmão? Quer dizer ele me beijou... ’ ela não sabia oque pensar, Byakuya se levantou como se nada tivesse acontecido e saiu. Sem olha-la.
Ele estava bravo com ela? Por ela ter correspondido... Por que ele a beijou então?
Um único pensamento fazia sentido, mas isso doeu. Ela era quase idêntica a Hisana... Deve ser esse o motivo, pelo qual ele a beijou. Afinal ele está tão triste e confuso nesses últimos tempos. A menina se entristeceu mais ainda, ele não estava a beijando. Byakuya estava beijando sua irmã Hisana. Era obvio que ele não a beijaria, não a tocaria se não estivesse confuso, não a beijaria com tantos sentimentos, se ela não fosse o fantasma de sua esposa. Ele saiu como se nada tivesse ocorrido, por que percebeu que ela não era Hisana.
Hisana a única mulher que teve seu amor. Amor...
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