Só o tempo talvez possa curar
2 Não posso odiar você
Notas iniciais
Rukia caminhava pelo campo de treinamento da 13º divisão, ela tinha passado a noite no alojamento do esquadrão, mas quase não conseguiu dormir se perguntava se devia ter ficado ao lado de Byakuya esperando ele acordar? Ele deve estar confuso, não deve se lembrar de nada!’eu deveria ter ficado cuidando dele’ o vento brincava com seu cabelo ainda úmido ela virou-se para olhar o céu azul, um longo suspiro quando imagem da noite anterior veio a sua mente imediatamente ela jogou essas imagens fora. Ela não queria lembrar, aquelas lembranças eram inapropriadas e confusas. Ela só queria saber como seu irmão ficaria quando descobrir ... Afinal não importa ninguém nunca ia saber que ele foi afetado pela habilidade do hollow, pelo seu orgulho ninguém nunca ia saber que isso aconteceu! Ela o conhecia ele não permitiria e... Ela também não deixaria que isso acontecesse.
“Kuchiki! ah você esta ai!” disse Ukitake a poucos metros de distancia se aproximava.
“ Ukitake taichou ? ...bom dia, desculpe eu não vi o senhor se aproximando” eu estava tão perdida em pensamentos assim?
“Que cara de cansaço é essa kuchiki? Parece que nem dormiu direito.” Suspiro “ sempre que você fica na divisão acaba não descansando direito” Ukitake olhou para Rukia com a expressão irritada e Rukia engasgou, seu taichou ficar tão bravo assim não era normal. Ukitake riu da cara de aflição de Rukia “ah Kuchiki você esta dispensada pelo resto do dia”
“O q-que?” de folga o resto do dia?” mas Taichou não é nem 8 da manhã”
“Tome o dia de folga você merece, tantas missões nesses últimos dias... e também você parece extremamente cansada, não só merece como precisa de uma folga” Rukia então deu um leve sorriso em agradecimento.
“Arigatou taichou” De certa forma ela tinha resolver algumas coisas só assim ela poderia descansar de verdade, mas era tão difícil. Um olhar distante e triste invadiu o rosto de Rukia.
“Kuchiki vá logo pra casa descansar, e não me apareça com essa cara de tristeza amanhã se não vou te encher de relatórios pra fazer!” disse Ukitake rindo mais uma vez da expressão assustada de Rukia.
“H-hai! Tenha um bom dia taichou” e assim ela saiu correndo ‘relatórios não!’
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O vento balançando as flores de cerejeira e algumas pétalas dançavam graciosamente até tocar o chão, enquanto olhos frios acinzentados as observavam caírem. Sentado encostado em uma arvore de cerejeira perdido em seus pensamentos.
Ele só conseguia pensar em procurar Rukia, saber se ela estava bem e cuidar dela. Mas isso era estupido, era obvio que ela não estava bem! E também ele deve ser a ultima pessoa no mundo que ela queria ver, ele era um monstro! Isso Kuchiki Byakuya era um grande maldito. Não importa se ele estava sobe o efeito da droga do hollow não tem desculpa ele devia ter resistido ele devia ter se mantido lucido, ele devia ter protegido Rukia dele! Ela nunca vai olhar pra ele como antes! com admiração, respeito com... afeto.
De tantos instintos ele foi dominado logo por esse? Ele não podia se perdoar a culpa dele ser dominado exatamente por esse instinto era dele! Ele odiava admitir, mas quando eles foram para a praia com a associação de shinigamis feminina ele se pegou com um olhar além do fraternal pra ela. Uma ou duas olhadas de cobiça não durou nem 5 segundos e esmagou aquela sensação impropria. E agora por causa de segundos de sentimentos inadequados ele fez a única coisa que ele nunca pensou fazer em toda sua vida. Abusar de uma mulher, não era bem pior que isso... Não era qualquer mulher era a irmã de Hisana, sua irmã adotiva... Seu orgulho! Ele suspirou fundo fechando seus olhos cinza deixando escapar uma expressão leve de ódio em sua face... Seu orgulho ele tinha jurado matar quem se atrever a se direcionar ao seu orgulho e ironicamente quem machucou seu Orgulho foi ele próprio, uma ferida que não iria cicatrizar. Ele a feriu, ele a manchou. Ela nunca ia superar isso, ele tirou a sua inocência da forma mais brutal e cruel possível. E não iria se perdoar nem só por um misero dia de sua vida por ter a feito sofrer.
Perdido e seus pensamentos e se torturando mentalmente nem percebeu que alguém estava se aproximando e parou a poucos metros de distancia, ele percebeu a presença da pessoa e virou pra encarar achando que era um de seus servos que estava voltando mais cedo da folga. Ele ficou paralisado quando viu a figura ao lado dele, então ele falou a única palavra que ele conseguiu formar no momento.
“Rukia...” quase em um sussurro que só os dois puderam ouvir. Então ela levantou o olhar para olhar o dele, o cinza e o violeta se encontraram um acontecimento raro, já que ele quase nunca falava com ela olhando a nos olhos. ”eu...”
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Mais angustia, ela não conseguia jogar as lembranças fora mais, caminhando entre as arvores de cerejeira aquilo lembrava ele, seu cheiro...
Ela estava confusa com sigo mesma, por um momento em meio aquela loucura ela sentiu que... Não isso é mais que inapropriado e insano, ela tinha que parar de pensar sobre isso sua mente estava confusa. Medo angustia e... Um sentimento estranho que incomodava mais que os outros, uma sensação que ela desconhecia ’chega não vou mais pensar nisso, não tenho que intender oque é isso! Só tenho que esquecer.’
Isso ela ia esmagar essas sensações junto com as lembranças da noite passada, e tudo estaria bem de novo. Rukia avistou uma pessoa em baixo de um dos pés de cerejeira, era Byakuya. Será que ele estava bem? Não ele deve estar confuso ele parece estranho. Ela pensou duas vezes antes de ir, logo decidiu ir se ela queria esquecer e agir como se nada tivesse acorrido era logico que ela deveria agir normalmente. Então ela lentamente se aproximou dele, ele estava de olhos fechados, ele estava distraído não percebeu sua aproximação então ela parou metros de distancia esperando por ele tomar conhecimento de sua presença e também escolher o que dizer. Mas logo ela ouviu seu nome em quase um sussurro.
“Rukia” ela levantou seu olhar pra encara-lo e encontrou seus belos olhos acinzentados, e viu neles algo que ela não tinha visto antes nele, tristeza. De imediato ela percebeu que ele já tinha entendido oque aconteceu na noite passada e que além da tristeza havia culpa em seus olhos ”eu...” ele começou a falar quando ela o interrompeu.
“Você esta bem Nii-sama?” então ela se virou pra frente de costas pra ele e abaixou a cabeça. Ela não conseguia esconder o desconforto de olhar naqueles olhos. Talvez fosse melhor não interromper ele já que ela não tinha a mínima ideia como tocar no assunto.
Byakuya não respondeu a pergunta ”me perdoe” ele cerrou os punhos para poder continuar “eu sei que não existe perdão, mas...” Ele não sabia oque falar ‘o me perdoe por ter destruído a sua vida’ pensou ironicamente, isso era estupido não existe perdão reparação a ser feita nada mudaria, ele engoliu um pouco de saliva antes de tentar continuar.
“Não há oque perdoar Nii-sama” Rukia levantou a cabeça e olhou para as flores de cerejeira que eram levadas pelo vento “não era você, não há pelo o que se culpar” espantado pelas suas palavras ele se levanta. Como ela podia dizer isso? Como poderia perdoar ele? Ou pior achar que ele não era culpado?
“eu machuquei você” ele afirmou olhando para ela “eu fui um monstro “ ele olhou para a pequena figura a sua frente e reuniu coragem pra fazer uma pergunta que obviamente era mais que idiota “você esta bem?... “ idiota obvio que não esta “eu- eu te...”Rukia virou para olha-lo nos olhos.
“Você nunca me machucaria... Não era você, não se culpe... ninguém teve culpa pelo que aconteceu” ela quebrou o contato visual e cruzou os braços e olhou para o chão e diminuiu um pouco a distancia entre eles antes de prosseguir” eu estou bem” levantou o olhar para encontrar com o olhar angustiado dele “ por favor não se culpe, eu me sinto péssima em ver você assim... esqueça por favor Nii-Sama.” Ele olhou confuso para ela.
“Como eu poderia esquecer que eu fiz isso? Mesmo que inconscientemente fui eu ...”
“Só quero que tudo volte ao normal, como era antes... só peço que não me olhe com esse olhar culpado, não se culpe te ver assim só vai me fazer lembrar oque eu quero esquecer” ele cerrou os punhos e olhou para o chão.
“Eu não entendo como você pode não ter ódio de mim...”.
“Eu simplesmente não conseguiria ter ódio de você nunca por que... ” ela analisou suas palavras antes de prosseguir “ você é meu Nii-Sama, você é minha única família, ou seja oque eu tenho de mais importante na vida”
“Rukia... você também é importante pra mim,... por isso prometo que nunca mais vou fazer você sofrer” Rukia deu um leve sorriso, só em uma situação como essa pra ele dizer isso, tudo ia ficar bem e voltar a ser como era. Byakuya varreu fora todas as expressões de angustia dor e culpa que estavam em seu rosto, se essa culpa estampada machucava Rukia mais ainda ele iria fazer de tudo pra não deixar transparecer isso nunca, ele ia guardar essa culpa eternamente não se perdoaria mais não iria deixa-la ver. No fundo ele estava ciente que ela saberia que ele só estaria prendendo essa culpa dentro de si, quem sabe talvez com o tempo ele possa se perdoar um pouco, não ele não acreditava que poderia, mas por ela ele ia tentar. “Desculpe-me” ela decide mudar o assunto o mais rápido possível.
“Taichou me deu folga hoje, me disse pra voltar descansada ou vai me encher de relatórios... “ deu um pequeno riso” você se sente bem? esta ferido ou cansado? Se quiser vou avisar Renji que não vai ao esquadrão hoje”
“Eu vou, vá descansar Rukia,... eu estou bem, preciso me distrair” ele olhou pra ela com sua habitual expressão “descanse... se não Ukitake vai te encher de relatórios”.
“Hai! Nii-Sama! tenha... um bom dia” ele fez um gesto com a cabeça e sumiu com shunpo. Ela sabia que ele só disfarçou sua culpa, mas com o tempo ele ia esquecer isso.
Byakuya mandou Renji treinar os recrutas tudo o que ele queria era ficar sozinho ele não estava de bom humor pra aguentar seu fukutaichou hoje. Ele não podia acreditar ela não o odiava, ela tinha o perdoado. A culpa ainda ia assombrar sua vida mais ele tinha o consolo de ter o seu perdão.
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