Só o tempo talvez possa curar
5 Fechando nossos corações
Notas iniciais
“Ah kuchiki parece que está tudo sobe controle!” disse o sorridente taichou lendo os relatórios “bom trabalho! Kurumadame-kun está quase bom, e dentro de uma semana ele vai retornar a seu posto.” Rukia olhou com uma expressão interrogativa para Ukitake.
“Kuru... quem?” Ukitake olhou confuso pra ela.
“Kurumadame o shinigami responsável pela cidade de karakura, pensei que você conhecia ele” disse ele confuso.
“Ah Imoyama-san, sim conheço” agora Ukitake que não entendeu nada e olha com o ar interrogativo “não é nada não taichou!” disse Rukia percebendo que seu taichou estava confuso. Afinal ela não tinha culpa de não decorar o nome do Kuru.. imoya.. A deixa pra lá.
“Então voltando ao assunto, você ficara responsável por Karakura só por mais uma semana”
“Hum” disse Rukia ela adorava estar com seus amigos. Mas estava se sentindo muito cansada nos últimos dias graças ao stress do mundo humano e também sentia falta de alguma coisa era como se estivesse incompleta, ela só não sabia por que.
“Bom por hoje você esta dispensada, acho que agora você só vai retornar pra cá daqui uma semana” disse Ukitake tirando Rukia de mais uma enxurrada de pensamentos.
“Ah... taichou bem Ichigo disse que cuidaria de tudo ate amanhã cedo” disse meio nervosa.
“É mesmo! Já é noite e você parece cansada kuchiki” disse Ukitake olhando sereno para sua fukutaichou “Ichigo-kun tem razão volte amanhã cedo, vá para casa e descanse.“ Rukia assentiu antes de se despedir de seu taichou.
“Boa noite”
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Ela já estava nos jardins da mansão quando se lembrou do seu braço. Olhou para as ataduras ’depois eu mesma dou um jeito de curar isso com kidou’ pensou. Quando de repente ela sentiu uma reiatsu aconchegante, uma voz firme a tirou dos seus pensamentos.
“Rukia” era noite, mas ela pode ver sua expressão interrogativa.
“boa noite... Nii-sama” disse curvando em reverencia. Rukia sorriu internamente quando viu seu irmão... Por que estava feliz em vê-lo?
“Você não estava em missão no mundo humano?” perguntou em seu tom inexpressivo.
“Bem eu estou por mais uma semana, mas como esta tarde eu vou voltar só amanhã de manhã.” Disse a shinigami com a cabeça baixa como de costume, mas que estranhamente lutava para não olhar para cima e encarar Byakuya nos olhos.
“Hum” disse ele com seu tom desinteressado.
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Mais um dia cansativo, mais um dia que ele se segurou para não ir na 13° para ter noticias sobre Rukia no mundo humano. Ele se permitiu um suspiro inaudível, o que estava acontecendo?
As sensações que ele não entendia e reprimiu durante quase 50 anos estouraram nessas duas semanas. E parecia que mesmo suprimidas elas tinham crescido com os anos. Ele sinceramente não fazia ideia do que estava sentindo. Talvez esses sentimentos viessem pra fora por causa da culpa. Sim deve ser por isso, será que era por isso que ele pensava nela todos os dias? Ou o porquê dele demorar pra dormir todas as noites...? Ou o porquê de ele querer que ela volte logo só para sentir seu reiatsu e saber que ela estava bem e ao seu lado? ‘Não! Que demônios esta acontecendo comigo?’ pensou. Por que diabos ele tinha que pensar tanto nela, se fosse só a maldita culpa deveria ter melhorado com a distancia não é? E por que não aconteceu assim?
Era logico que a culpa o assombrava, mas por que lhe incomodava mais não ter noticias dela e saber que estava com Kurosaki Ichigo? Uma expressão de leve irritação apareceu em sua face, estava sozinho e ninguém o veria demonstrar emoções. Ele estava irritado por não entender. Isso Kuchiki Byakuya o 28° líder do clã Kuchiki e um dos taichous mais fortes da sereitei não conseguiu entender o que estava acontecendo consigo mesmo. Não importa ele ia conseguir suprimir todas suas duvidas como sempre fez. Isso era só Rukia voltar, o que ele sente deve ser preocupação só isso.
Enquanto Byakuya tentava em vão se convencer que uma das suas teorias fazia sentido uma reiatsu suave lhe trouxe de volta a realidade. Ele aliviou sua expressão quando percebeu a silhueta da pequena menina a sua frente, era Rukia! Ele se sentiu estranhamente... Feliz? Sem pensar muito foi em direção a ela.
“Rukia” chamou e logo olhou interrogativo, ela deveria estar no mundo humano ainda não devia? Ou sua missão já acabou e ele não sabia...
“Boa noite... Nii-sama” ela o cumprimentou formalmente como de costume.
“Você não estava em missão no mundo humano?” perguntou mascarando toda sua curiosidade e vontade de fazer outras perguntas.
“Bem eu estou por mais uma semana, mas como esta tarde eu vou voltar só amanhã de manhã.” Ele olhou para ela por alguns segundos e viu como o vento balançava sua mecha teimosa que caia no meio de seu rosto. Era tão adorável...
“Hum” ele respondeu. Sabia que esse era o momento que ele deveria seguir andando sem olhar pra traz, mas ele não conseguiu. ”Vamos entrar, amanhã cedo você deve retornar a sua missão tente descansar.”
“Hai” disse ela indo em direção a casa andando ao lado dele. Simplesmente era tão bom tê-la ao seu lado, era bom e confuso. Rukia estava estranhamente bem agora, caminhar ao lado de seu irmão era tão bom, parecia que sua presença seu reiatsu lhe completava. Ela estava com saudades de Byakuya... Nii-sama? Era esse o vazio? Ela estava sentindo falta de seu irmão?
Isso era confuso demais. Eles caminhavam em silencio secretamente apreciando a presença um do outro, Byakuya em um impulso olha para a pequena figura ao seu lado, e uma carraca se forma em seu rosto.
“Você esta ferida” ele afirmou com sua voz fria. Rukia olhou para seu braço, pronta para repetir seu discurso ’é só um arranhão’ quando ele parou pegando seu braço delicadamente e começou a desenfaixa-lo. Ela gelou ao senti-lo segurando seu braço e desfazendo seu curativo, então olhou pra cima procurando seus olhos cinza. Mas seus olhos estavam concentrados no seu ferimento, em seu olhar concentrado ela pode ver lá no fundo uma pitada de preocupação...
“Nii... nii-sama não é nada, eu vou curar com kidou antes de dormir” ele olhou ela por um instante e voltou ao seu machucado.
“Você não deve negligenciar seus machucados assim, use kidou para cura-los de preferencia na hora que se machuca” disse ele serio, aplicando um kidou curativo sobre o braço de Rukia.
“Não precisa se incomodar Nii...”
“Não se mexa, em poucos minutos terei terminado de cura-la” ela então olhou para a luz que emanava da mão de Byakuya e envolvia seu braço ferido. Enquanto sua outra mão mantinha seu braço imóvel. Era estranho, mas ela se sentia tão confortável recebendo cuidados de seu ‘irmão’ e ao mesmo tempo era estranho receber tal atenção e preocupação dele. Ela fechou os olhos aproveitando aquela sensação boa que a presença dele trazia, era difícil decodificar oque estava acontecendo com ela, suavizou sua expressão e começou a sentir que seu corte estava melhorando.
Byakuya não sabia oque o levou a fazer isso, ele agiu por impulso quando viu o braço de Rukia enfaixado, só pensou em examinar a ferida e cura-la. Normalmente ele no máximo iria chamar alguém da 4°divisao para fazer isso ou simplesmente mandar Rukia se curar com kidou ou nem se importar com aquele ferimento e não falar nada. Mas não ele ficou preocupado e estava curando pessoalmente. Podia sentir sua pele delicada em sua mão enquanto curava o corte, e ver sua adorável expressão serena. O cheiro doce inebriante que ela exalava fez com que ele fechasse os olhos por um tempo. As mesmas sensações inadequadas e confusas de novo, ele voltou a si quando viu que a braço de Rukia estava curado. Então ele teve que solta-lo. Rukia abriu e fechou a mão e mexeu o braço como se estivesse testando-o.
“Arigatou Nii-sama” disse com um sorriso sincero. Byakuya olhou para ela.
“Esta melhor agora?” perguntou.
“É como se nunca tivesse me machucado!” ela levanta seu olhar para ele nos olhos.
“Que bom, vamos você deve descansar.”
“Hai” eles seguem caminhando até que Rukia se distrai como reflexo da lua sobre o lago de carpas e acaba ficando para traz. A lua essa noite era excepcionalmente linda.
Byakuya percebendo que Rukia tinha parado volta a olha-la, e se depara com a jovem deslumbrada com o belo luar. Raras as vezes que ela viu a lua tão bela assim, se aproximou do lago e viu seu próprio reflexo se juntar com o da lua olhou para céu por uns instantes antes de voltar a olhar o lago. Quando olhou paras os reflexos na água tinha outro além do seu e o da lua. Então ela se assustou, tinha esquecido que deixou Byakuya seguindo sozinho para a mansão. Ela já ia se preparar para pedir desculpas se curvando quando Byakuya falou.
“A lua esta linda hoje, são raros os dias que podemos aprecia-la assim.” Rukia olha para seu irmão que estava com seu olhar mais leve olhando para o luar. Ele parecia tão bonito e... Sereno? Sob a luz da lua. Ela então desistiu de pedir desculpas e só concordou com o que ele disse e já esperando que ele a mandasse entrar em casa.
“Sim” Mas ele não mandou.
“Sob a lua é como se por um momento nossos corações fossem limpos de tudo “
“Ah é uma visão muito bela, realmente tranquilizadora ” ela segue o exemplo de Byakuya e volta a apreciar a lua em silencio. Depois de um tempo em silencio contemplando a bela visão Rukia da um suspiro profundo e quebra o silencio. ”gostaria de sentir meu coração sempre assim, livre de tudo” ela diz mais para si mesma que para Byakuya.
Byakuya olha para Rukia por um instante como que decifrando suas palavras, em seguida desvia seu olhar para seus reflexos no lago, no fundo dos seus olhos pode se ver melancolia.
“Eu também” ela olha para o lago também, até que uma folha cai sobre a água desfazendo os reflexos. “mas infelizmente não podemos” diz Byakuya voltando a si. Não sabia há quanto tempo eles estavam ali olhando o luar, não sabia por que ele estava olhando o luar com Rukia e falando o que normalmente ele nunca diria, ele só sabia que estava se sentindo em paz naquele momento.
Ele é tirado de seus pensamentos ao ouvir um bocejo vindo de Rukia, que parecia extremamente cansada.
“Eu não me importaria de ficar a noite toda aqui observando esse belo luar” parou olhando ela de soslaio “Mas você tem que acordar amanhã cedo e parece que precisa de umas horas de sono agora” Rukia olhou para ele com um olhar sereno e cansado, sim ela estava precisando de umas horas de sono.
“Hai Nii-sama” então seguiram caminho para a mansão. Antes de Byakuya ir direto para seus aposentos Rukia puxa a manga de suas vestes, ele olha pra traz um pouco surpreso com sua ação.
“Obrigada... por hoje, Nii-sama tenha uma boa noite” disse ela se curvando e em seguida indo em direção ao seu quarto. Byakuya observou a pequena ir embora antes de responder quase em som inaudível.
“Boa noite, obrigado você... obrigado por não me odiar”
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Rukia saiu do banho olhando para seu futon, já pronta pra ir dormir, quando viu uma bandeja sobre a mesinha de seu quarto, ela olhou curiosa para os alimentos quando viu um bilhete que os servos deixaram.
‘favor comer algo antes de dormir, foram ordens de Kuchiki-sama’ ela estava tão cansada que ia dormir sem se preocupar com comer nada. Ela deu um leve sorriso, Byakuya tinha adivinhado que ela não iria ir jantar, e se preocupou em mandar que lhe preparassem algo para ela não dormir com fome. Isso foi tão inesperado vindo dele, tão amável. Ela comeu uma fruta para não desobedecer às ordens de seu irmão e foi dormir.
Ela dormiu tão tranquila abraçada ao seu chappy de pelúcia. Enfim ela não teve nem sequer um pesadelo ela estava de alma limpa por aquele momento, como se estivesse ainda sob o luar junto a Byakuya.
O dia amanheceu rápido e com os primeiros raios de sol ela já estava pronta para voltar para o mundo humano. Rukia desembainhou sua katana e abriu o senkaimon, parou por um instante respirando fundo dando uma ultima olhada para aquela mansão. O que quer que seja que a confundia seria esquecido, nada nunca aconteceu nem àquela noite fatídica, esquecendo isso ela e seu irmão estariam bem. Voltariam a ser como eram antes, sim eles já podiam se sentir bem um ao lado do outro de novo. Eles seriam bons irmãos. Irmaos? Quando fomos realmente irmãos? Então desapareceu no portal.
De longe um homem observava a shinigami desaparecer no portal. Ele teve medo de seus possíveis sentimentos. Sim uma noite acordado criando teorias para entender oque estava passando em seu coração e quando de repente uma teoria fez um pouco de sentido ele se negou a acreditar, ele se nega a acreditar isso era estupido, mas se era isso ele já tinha resolvido. Ele fechou essa coisa impropria dentro de si, trancou a sua confusão e agonia para nunca deixar sair e com o tempo ele a mataria. Sim agora ele, poderia ser o irmão que ele nunca foi antes... Ele tentaria ser.
Os dois estavam trancando suas incertezas, decidiram não decifra-las fechando seus corações. Seria melhor assim, será melhor para ambos.
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