Só o tempo talvez possa curar

26 Desperte para a vida


Notas iniciais
Postagens quarta é sábado estarão de volta!

Yoruichi colocou a mão sobre o ombro da jovem mulher, antes de sair, como forma de conforto. Rukia permanecia com os olhos marejados, olhando para o corpo inerte sobre a cama. O único movimento que ela conseguia observar era o descompassado subir e baixar de seu peito, que estava envolto em faixas que cobriam o profundo ferimento, que passou milímetros de seu coração. A pouca reiatsu que emanava era quase inexistente. A morena abaixou a cabeça na altura do ouvido da pequena.

“Ele é teimoso” disse tentando descontrair o local sem sucesso “precisaria mais que isso para derruba-lo.” Fechou os olhos tentando acreditar nas próprias palavras “Ele ira acordar em breve... eu sinto muito” disse saindo da casa.

Rukia permaneceu parada após a saída de todos, após alguns segundos se aproximou da cama observando as gotículas de suor que se formavam, sobre a face do homem. Pegou uma toalha úmida e colocou sobre a cabeça de Byakuya tentando aliviar a febre. Era o único que ela poderia fazer.

Esperar... esperar que ele realmente acorde, que volte a ser oque era antes. Sentou-se no chão ao lado da cama, e segurou a mão dele. Sua mão era tão grande, capaz de segurar com destreza uma katana. Impondo sua força, porem agora parecia tão desprovida de qualquer habilidade, sem nenhuma força aparente. Segurou aquela mão entre as suas e pousou sua face sobre ela.

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Ao sair da casa Yoruichi se deparou com os dois homens que já estavam a sua espera. Urahara abaixou a cabeça, escondendo seus olhos sobre seu chapéu.

“Já enviei uma mensagem para a soul society, eles já quebraram o selo” disse em voz baixa.

“Do que isso adianta agora?” perguntou sem expressão. Afinal se o selo houvesse sido quebrado antes, no momento da batalha nada disso teria acontecido. E provavelmente a criatura estaria morta.

“Ao menos vai acelerar a recuperação” disse se virando para ir embora.

“Se ele se recuperar” Tessai falou baixinho, atraindo o olhar da morena.

“Vamos ser otimistas” disse tomando a frente enquanto andavam. “Você mesmo disse que ele está fora de perigo, e que apenas não sabia se alguma sequela resultaria disso” disse olhando de soslaio para os dois.

“Quando...” fechou os olhos se autocorrigindo “Se ele acordar, oque não sabe se será daqui uma hora, anos. Não há como prever se ele será como antes” disse o grande homem. Urahara e Yoruichi o olharam, ficando pensativos.

“Não podemos deixar que esse monstro faça mais vitimas, já foram perdidas muitas vidas” disse o loiro pensativo.

“E sobre o incidente no bosque?” penguntou Yoruichi.

“Ninguém ira desconfiar de nada” disse serio.

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“Rukia-sama” Rukia ouviu uma voz distante a chamando. Com relutância abriu os olhos, olhando em volta percebeu que tinha adormecido ao lado de Byakuya.

“Rukia-sama, está tudo bem?” perguntou a mulher um pouco preocupada. Rukia rapidamente se levantou e abriu a porta, se deparando com Misaki.

“Eu acabei dormindo” disse olhando para traz antes de fechar a porta do quarto. Seguindo a mulher que ia em direção ao seu próprio quarto.

“Desculpe por acorda-la, mas a criança não está aceitando a mamadeira nas ultimas vezes e também quase não dormiu. Perdoe-me, mas tive que recorrer à senhora” Rukia abriu os grandes olhos violetas.

“Por kami, quanto tempo eu dormi?” disse olhando o relógio, da cabeceira de sua cama. Já eram 7 da manhã. Virou-se para olhar a olhar a filha que agora estava nos braços da mulher. “oh, Okaa-san está sendo tão imprudente com você, me perdoe” disse culpada, pegando a filha lhe oferecendo o seio, que o bebê aceitou rapidamente. “Nunca fiquei tanto tempo longe dela, sou uma péssima mãe” disse triste, seu emocional já estava mais que abalado nessas ultimas horas.

“Não diga isso minha jovem” disse a velha serva “Nenhuma criança nobre, teve tanto a presença de sua mãe como esse bebê tem” Rukia olhou para a mulher. “nenhuma nobre cuida pessoalmente de suas crianças, bebês são criados praticamente por servos. Sete ou oito horas sem ver os próprios filhos não é nada para elas.”

“Não sou nobre de berço” disse ainda culpada se sentando na beirada de sua cama “e mesmo que fosse, ser negligente com minha própria filha é inaceitável” disse voltando a olhar para a menina.

“Rukia-sama, você estava cansada. Não foi uma noite fácil” disse colocando a mão sobre o ombro de Rukia “não se culpe, sei que você está assim por tudo que aconteceu. Isso não é um pedido razoável, mas tente se acalmar. Essa energia negativa além de te fazer mal, de certa forma afetara sua criança”

“Você tem razão, desculpe” disse imaginado o olhar repreendedor, que receberia de Byakuya se a ouvisse pedindo desculpas a uma serva. “mas é tão difícil ficar calma sabendo que ele está naquele estado, e o pior... é que talvez...” disse com seus olhos sendo tomados por lagrimas mais uma vez.

“Ele vai acordar em breve, forte e saudável como sempre foi” disse tocando a face da pequena mulher. “agora se acalme, descanse” ao dizer isso se afastou rumo à porta.

“Ok, vou tentar. Afinal ele iria ficar bravo se me visse assim” disse secando as lagrimas. “Kuchikis não devem derramar lagrimas.” A velha sorriu.

“Rukia-sama eu tenho que retornar a soul society, é meu dever tomar conta da mansão” disse seria “mas posso ordenar uma das servas para vir ajuda-la com a menina e as coisas aqui” Rukia olhou para a mulher antes de responder.

“Não há necessidade. Posso cuidar de tudo sozinha, e Hikari não será mais uma nobre criada por outros, só irei recorrer a uma baba quando voltar a trabalhar.” A mulher sorriu ternamente para a jovem shinigami.

“É bom ouvir isso, adeus Rukia-sama. Espero receber noticias boas em breve” disse fechando a porta.

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“Até que enfim estamos em casa” disse Karin emburrada.

“Eu que o diga!” disse Ichigo entrando com uma mala na mão “Odeio ir à casa da tia Megumi, ainda bem que foi só um dia”

Isshin entra sorridente, aparentemente ele era o único que gostava desse tipo de viagem.

“Nada melhor que a viajem em família!” disse alegre “A próxima será uma acampamento! Onde o papai ira ensina-los tudo sobre sobrevivência na natureza!” disse estufando o peito.

“Dispenso” disse Yuzu desanimada. “queria tanto ter ido ao festival de ontem” disse chateada, sentando ao lado de Karin que procurava algo para assistir na tv.

“Ah esses festivais tem toda hora” disse Isshin com descaso “Agora os passeios da família Kurosaki são únicos!”

Ichigo olhou desanimado para o pai. Não pode negar, realmente eram ‘unicos’. A atenção de todos foi tomada pelo noticiário da tv.

“Ainda, não se sabe qual o motivo para o ataque terrorista, que matou mais de 400 pessoas, no bosque da cidade de karakura, onde ocorria um festival do fim de outono. Nenhum grupo se manifestou assumindo o massacre, a autoria da explosão é desconhecida. Mais informação sobre essa tragédia a qualquer momento”

“A viajem certamente foi melhor que ir ao festival” disse karin um pouco chocada, desligando a televisão.

Ichigo estreitou os olhos e olhou para o pai, que também estava serio sem nenhum traço de seu jeito bobo e descontraído.

“Eu vou ligar para Urahara, se isso não for um atentado ele provavelmente ira saber” disse baixo apenas para seu pai ouvir.

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Apesar de estar de licença, Rukia não pode evitar fazer relatórios sobre a noite passada. Precisava de alguma distração, sua cabeça iria explodir. Mas fazer relatórios não estava funcionado muito. Respirou fundo colocando a pincel sobre a mesa de centro na sala, enquanto massageava as têmporas. O silencio na casa era angustiante, já era 15h12min. Ela realmente não sabia mais oque fazer para tentar se manter calma.

A pequena quase deu um salto, ao ouvir a porta sendo esmurrada. Foi atender se deparando com Ichigo visivelmente preocupado.

“Rukia!” disse abraçando apertado a jovem e logo a soltando, olhando procurando por algo, até que avista o carrinho de bebê e se aproxima olhando Hikari que estava dormindo calma. “Ah, vocês estão bem” disse um pouco aliviado.

“Você já sabe, sobre ontem” disse triste.

“Liguei pra Urahara, ele me disse que vocês estavam lá. Não esperei ele dizer mais nada e vim aqui” disse se sentando no sofá, e olhando em volta “Onde está o Byakuya? Ele foi à soul society relatar algo?” perguntou sentindo falta da presença do taichou.

“Ele...” suspirou pesadamente “Ele está no quarto. Byakuya foi ferido, e teve quase todo seu reiatsu sugado, ele não acordou desde então.” Disse triste.

O rapaz olhou surpreso para Rukia, isso não fazia sentido Byakuya ser ferido de tal forma. Ele é um dos taichous mais fortes da sereitei.

“Como? Nunca ouvi falar que ele foi ferido de tal forma” disse confuso.

“Aquele homem tem uma habilidade estranha” disse franzindo o cenho “e Byakuya estava com seu poder selado” o garoto olhou com compreensão.

“Eu sinto muito. Ele corre algum risco ainda? Podemos leva-lo para clinica”

“Não, tudo que nos resta é esperar que ele acorde, sem nenhuma sequela”

“Inoue, ela vai voltar daqui a dois dias! Assim que ela chegar ela vai curar ele” disse tentando animar à amiga.

“Dependendo do que ocorreu, nem ela seria capaz” disse triste. ichigo viu o sofrimento nos olhos da amiga, e suspirou fechando os olhos por um instante.

“Posso vê-lo?” perguntou, ganhando um olhar surpreso da pequena.

“Er... sim” disse indo rumo ao quarto “Me siga” disse indo para o quarto.

Rukia abriu a porta dando passagem ao rapaz, antes que ela pudesse entrar ouviu os choros vindos da sala.

“Já volto, Hikari acordou” disse saindo. O rapaz a olhou saindo e voltou a olhar Byakuya que estava imóvel, e completamente vulnerável.

Aproximou-se do homem, o olhando seriamente.

“Isso não combina com você” disse “Rukia está sofrendo por sua causa. Ela precisa de você” disse olhando o homem que não fazia sequer um movimento, além do seu peito causado pela respiração, que agora estava normal “Você me prometeu que iria cuidar delas, não falhe com sua promessa” disse virando as costas para o homem rumo à porta. Antes de sair olhou para Byakuya mais uma vez. “sou um idiota, você não deve nem conseguir me ouvir nesse momento” parou ao lado da porta. “Mas quero que saiba, que enquanto você não voltar, eu farei de tudo para cuidar da segurança delas.” Suspirou triste “mas não posso te substituir em tudo, acorde logo.” Disse abaixando a cabeça.

Descendo as escadas se encontrou com Rukia subindo com Hikari, que o olhou confusa.

“Já vou indo, qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo me chame” disse com o olhar um pouco vago “E fique longe de qualquer hollow, e desse cara que fez isso com Byakuya” olhou para a garota que estava observando sem dizer nada. Antes de ir, pousou um beijo sobre a cabeça da criança que estava nos braços de Rukia, e foi embora.

Rukia olhou o amigo ir embora sem entender muito, a mudança de humor repentina.

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Com dificuldade conseguiu abrir um pouco seus olhos, tendo a visão do teto branco e a incomoda luz que lhe fazia sentir uma dor de cabeça. Fechou os olhos novamente e abriu até se acostumar com a claridade. Virou a cabeça para tentar se recordar onde estava, mas uma onda de dor atingiu seu corpo. Se apoiando sobre os cotovelos inclinou um pouco a cabeça para olhar para o quarto.

Ele estava na casa de Inoue, olhou mais um pouco para o local. ‘Estou vivo’ pensou. Fechou os olhos tentando sentir a presença de Rukia, mas não conseguiu. Abriu os olhos olhando para suas mãos, sentindo seu reiatsu. Em comparação em quando ele foi ferido, sua reiatsu já tinha triplicado, porém era muito fraco ainda, tão fraco que tinha dificuldades para achar a localização de Rukia.

Era oficial, ele teria que esperar no mínimo uma semana para ter todo seu poder de volta. Mas no fundo ele sabia, isso não era nada. Quando trouxe Rukia para casa de Inoue aquela noite, ele nunca imaginou que escaparia com vida.

Sentou-se sobre a cama ainda sentindo seu corpo reclamar, ao colocar a mão sobre a beira da cama pode sentir que ainda estava quente. Alguém tinha estado ao seu lado por um bom tempo. Concentrou-se um pouco e pode reconhecer o reiatsu de quer era.

“Rukia” disse baixo. Levantou-se, e olhou pela janela. Já era noite, o céu nublado e escuro, que às vezes clareava com os intensos relâmpagos. Mais uma vez sentiu uma dor incomoda por seu corpo. Sem pensar muito foi em direção ao banheiro, abriu o chuveiro enquanto se livrava das faixas que encobriam seu torço. Entrou de baixo da agua morna, e encostou sua cabeça ao azulejo do banheiro, sentindo seu corpo relaxar com a agua. Ainda preocupado com a ausência da jovem na casa.

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A atendente da farmácia ainda permanecia colocando as coisas na sacola. Rukia olhou para fora do estabelecimento, quando um forte trovão estremeceu o local. “Em breve cairá um diluvio” disse a atendente.

“Péssima hora para perceber que as reservas de fraudas estão acabando” disse olhando para o temporal que se aproximava.

“Lindo bebê, é sua?” perguntou a mulher, olhando a menina sonolenta.

“Sim” respondeu.

“Mas você parece tão jovem ainda” Rukia sorriu fracamente.

“Sou mais velha do que pareço” disse entregando o dinheiro.

“Bom, eu te daria uns 15 anos no máximo 17? Seu troco”

“Ah” pensou um momento “19” queria dizer 25 mais provavelmente essa mentira não iria convencer.

“Realmente não parece, mas mesmo assim ainda é bem nova” mais um clarão iluminou toda a farmácia.

”Vou indo. Tenho que chegar a casa antes dessa tempestade, até mais” disse saindo apressada do local.

Chegou a casa, e foi direto para seu quarto colocar a filha para dormir. Parou diante do berço observando o sono da pequena, quando ouviu um barulho estranho na casa.

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A dor incomoda tinha aliviado com o banho, entrou no quarto trajando apenas uma calça jeans preta, antes de vestir sua camisa parou diante do espelho olhando para a cicatriz encima de seu peito. Suspirou fundo, o único que lhe incomodava era que Rukia e sua filha não estavam na casa. Colocou a camisa e começou a abotoar, pronto para ir à procura das duas.

Ele foi surpreendido pela porta do quarto sendo aberta, olhou para traz depressa. Tendo a visão da mulher mais bela que ele já havia visto, o olhando diretamente com aqueles grandes olhos violetas. Parou de abotoar a camisa e a ficou observando.

“Te procurei por toda casa, e não te achei. Já estava ficando preocupado” disse normalmente. A garota não disse uma única palavra, apenas correu para seu encontro e o abraçou forte. Byakuya ficou sem reação por um instante e logo a envolveu em seus braços.

“Você não sabe com eu estava preocupada” disse sem solta-lo “O medo que eu tive de te perder, eu não sei se poderia seguir se algo acontecesse a com você Byakuya”

Ele abriu os olhos ao ouvir a declaração da jovem, o quarto mais uma vez ficou claro pelo relâmpago.

“Está tudo bem agora, não precisa se preocupar” disse tentando acalma-la. “Você não ira me perder” ela o solta e olha no fundo daqueles olhos cinzentos.

“Só imaginar viver sem você dói tanto” colocou a cabeça em seu peito, e voltou a abraça-lo. Byakuya tocou o rosto da garota, o levantando para poder olha-la. Aproximou-se lentamente beijando sua face.

“Eu também não iria conseguir viver sem você” disse capturando seus lábios de forma terna, suas mãos envolveram aquele pequeno corpo, trazendo-o para mais perto de si. A pequena mão de Rukia se enlaçou em seus longos e negros cabelos. Enquanto sua outra mão segurava a frente de sua camisa. Byakuya aprofundou o beijo, deslizando sua língua dentro da boca da pequena. Intensificando o beijo, sua mão se moveu até o rosto da menina, acariciando sua pele macia. Inesperadamente Rukia quebra o beijo se afastando um pouco.

Byakuya a olha sem entender, será que ele tinha feito algo errado? Rukia pousa as mãos uma de cada lado da face dele, seus orbes violetas irradiando um brilho que ele não era capaz de decifrar. Ele permaneceu imóvel, a fitando. Ela se aproximou dando um beijo suave sobre seus lábios, voltando a olha-lo.

“Tive tanto medo de não poder dizer isso” disse acariciando o rosto do homem com as costas da mão. “Eu te amo Byakuya”

Notas finais
Acho que já da pra imaginar oque vai acontecer no próximo capítulo :V Até sábado!