Com a notícia de Isaque, Draco ficou desolado. Começou a andar de um lado para o outro como louco e fazia sons de rosnado e choro ao mesmo tempo. Isaque estava parado perto da porta olhando o chão e Hermione estava no mesmo lugar no meio da sala parada olhando ele andar.

— O que aconteceu, Isaque?

— Ela estava doente...

O loiro rosna e se aproxima dele.

— Por que não me disse antes?

— Ele me obrigou a ficar quieto.

Draco solta um rugido de fúria e Hermione pula com o susto.

— Ele te ameaçou?

— Não só a mim...

Draco pensa um pouco e então olha para trás vendo Hermione com olhar confuso e assustado.

— Vá embora, Isaque...

— Se precisar de mim, estarei à disposição.

Draco acena fracamente. Isaque sai dali e fica um grande silêncio.

Quando Hermione pensa em se aproximar, Draco sai de seu lugar com fúria e começa a quebrar tudo que tinha em sua frente. A menina se assusta e corre para a escada sentando no terceiro degrau. Depois de um bom tempo ele para, pois já não tinha nada para quebrar. Respirava ofegante olhando os pedaços espalhados pelo chão.

Hermione finalmente levanta de seu lugar e se aproxima ao ver que ele estava se acalmando. Ela segura a mão dele fazendo com que a olhe. Assim que ele faz isso ela consegue ver as lágrimas nos olhos dele.

Sem conseguir se controlar ele desaba a chorar e senta no chão. Quem ele achava que o amava não está mais com ele. Agora seu pai poderia fazer qualquer coisa... Chorando feito criança o loiro continua sentado no chão e Hermione segurando sua mão. A menina se aproxima e o abraça.

Draco se assusta e arregala os olhos quando sente uma das mãos dela em seu ombro e a outra em seu rosto. Tinha os braços em volta dele e apoiou o queixo em sua cabeça. O loiro se permite chorar no peito dela.

Os dois ficam em silêncio um bom tempo. Hermione deixa ele colocar tudo para fora. Quando percebe que está parando de chorar, se afasta. Ele a olha. A menina pega a mão dele e o puxa, Draco levanta e deixa que ela o conduza.

Em pouco tempo estavam no quarto dela. Hermione o levou até a cama e fez ele sentar. Depois saiu do quarto e foi buscar algo. Draco ficou parado sentado na cama, estava totalmente perdido.

Hermione voltou com uma bacia com água e fez Draco franzir a testa. Ela colocou a bacia em cima da mesa de cabeceira e molhou um pano ali.

— O que está fazendo? – pergunta com a voz rouca de chorar.

— Cuidando de você – responde e se aproxima dele com a tolha em mãos.

O loiro se afasta um pouco, mas ela não se intimida e chega mais perto. Ele vai se afastando até que para quando chega ao pé da cama. Hermione passa o pano úmido lentamente no rosto dele.

— Pra que isso?

— Você está todo sujo...

— Está me limpando?

— Sim – molha a toalha na água e torce, logo continua tirando a tinta do rosto dele.

Draco fica a olhando todo o tempo que ela está tirando a tinta dele. Nem sua mãe tinha cuidado dele assim... Mas ele amava a mãe dele de qualquer forma, diferente do pai. Ele que merecia morrer e não ela.

Hermione tirou toda a tinta que estava no rosto dele e depois o secou com uma toalha.

— Sinto muito...

Draco desvia o olhar dela.

— Eu sei o que você está sentindo.

— Como?

— Perdi meus pais em um acidente.

O loiro a olhava em silêncio.

— Eu fiquei muito abalada, mas... Acredito que as coisas acontecem por um motivo.

— Que motivo teria para eu ficar sozinho? – pergunta feroz.

— Você não está sozinho...

— É claro que estou! Meu pai não liga pra mim. A única pessoa que eu achava que ligava está morta! – fala com raiva. – Isso não é estar sozinho?

— Bem, a menos que eu não seja ninguém...

Draco fica sem fala a olhando.

— Você só está aqui porque ele te obrigou.

— O Malfoy?

— Sim.

— É, mas...

— Não precisa sentir pena. Eu não preciso disso – fala feroz.

— Eu não estou com pena de você. Como eu disse eu te entendo e sei o que está sentindo...

— Não, não sabe! Ninguém sabe! – fala alto e levanta da cama com pressa.

— Se você me contasse eu poderia saber...

Os dois ficam em silêncio se olhando.

— Não – sai do quarto dela com pressa.

Hermione suspira. Ela queria ajudar, mas ele não colaborava...

Não foi atrás dele, pois poderia acabar o deixando mais irritado. Queria muito ir e nem sabia o motivo, mas achou melhor não.

Draco passou a noite sentado embaixo da roseira chorando. Sabia que seu pai ia fazer algo contra ele a qualquer momento. A única pessoa que o impedia de fazer era sua mãe e agora...

No dia seguinte Hermione acordou e foi até a cozinha. Ela preparou panquecas para todos e colocou na mesa. Draco não apareceu na hora de costume e fez Hermione se sentir bastante preocupada.

A menina franze a testa. Por que se importava tanto com ele? Nem com Rony ela se preocupava assim... Será que...? Não é possível! Ela não sabe nem quem ele é! Mas o pouco que conviveu percebeu o quão triste ele era e decidiu ajudá-lo no que pudesse, só que isso acabou indo longe demais...

Não era certo gostar dele.

Perdida em seus pensamentos ela apoia os cotovelos na bancada da cozinha. Droga! Como ela pôde deixar isso acontecer? Ele nunca ia querer ficar com alguém como ela... E ainda tem a maldição.

Hermione suspira e percebe que algo embaixo de seu cotovelo escorrega. Era um jornal. Ela pega e lê a primeira página.

Tinha uma foto grande do Malfoy e ao lado a mulher dele. Ela lê a legenda.

Falece a esposa Malfoy.

A garota arregala os olhos com o que lê.

Céus!

Ficou um tempo com a boca aberta olhando o jornal sem reação.

— Viu um fantasma?

Hermione pula e amassa o jornal sem querer com o susto.

— Desculpa.

— Tudo bem... – desamassa o jornal para olhar de novo.

— O que tem ai?

A menina vira o jornal em direção a ele. Isaque engole em seco.

— Ele é o Draco?

— E-eu...

Hermione levanta da cadeira e começa a andar de um lado para o outro roendo as unhas. Deus! Ela esteve convivendo com Draco Malfoy esse tempo todo! E pior... Está apaixonada por ele!

— Fica calma...

— Não – sai da cozinha.

Isaque levanta de pressa e vai atrás dela.

— Onde vai?

— Falar com ele – sobe as escadas.

— Mas...

— Fica ai! – olha para trás o ameaçando.

Isaque obedece. Hermione continua subindo e segue até o quarto proibido. Quando chega para em frente a porta e fica pensativa. Será que ele a mata se entrar? Bom, arriscaria então.

Abriu a porta e ficou paralisada. Em pouco tempo um alto rugido foi ouvido e a parede já estava em suas costas, assim como as mãos grandes em seus braços apertando um pouco.

— O que faz aqui?

— O que é aquilo?

— Eu disse para não entrar aqui! – grita.

— Mas eu entrei.

Draco rosna. Hermione fica o encarando séria. O loiro não via ela o olhar assim desde o tempo que conviveram na escola.

— O que quer aqui?

— Eu sei quem você é.

Ele fica em silêncio.

— Quem?

— Draco Malfoy.

O loiro rosna baixinho.

— Isaque te contou?

— Então é mesmo... – fala abismada.

Draco dá um alto rugido e sai do quarto correndo. Hermione vai atrás quando percebe o que ele ia fazer.

Quando chega na escada desce correndo, pois Draco tinha entrado na cozinha com fúria. Assim que chega lá se aproxima de pressa dele que imprensava Isaque contra a parede.

— Solta ele! – fala alto.

Draco rosna mais ao ver que ela o defendia.

— Vai pagar por contar!

Hermione pega o jornal em cima da mesa e joga na cara de Draco fazendo ele recuar e não acertar Isaque.

— Eu vi no jornal a notícia e deduzi, ninguém me contou!

O loiro pega o jornal nas mãos e lê, logo em seguida amassa o papel e taca longe.

Hermione respirava rápido e estava na frente de Isaque para que Draco não fizesse nada com ele.

— De qualquer forma a culpa é sua! Não deveria ter trago isso aqui! – tenta se aproximar e percebe que Hermione segura os braços de Isaque e fica na frente dele. O loiro rosna com isso.

— Ele não fez por mal. Para com isso, por favor! Você não é assim.

— Na verdade eu sou! Agora sabe quem sou de verdade e sim sabe que sou desse jeito.

— Não é. A pessoa que você me mostrou ser sem que eu soubesse a verdade é você.

— Não sou uma pessoa...

— É claro que é. Não é porque está desse jeito que virou um animal.

Ele rosna baixinho.

— Vai dar um passeio, Isaque.

O moreno sai da cozinha deixando os dois sozinhos. Hermione não tirava os olhos dele.

— Por que não disse que era você?

— Iria me tratar bem se soubesse?

— Não sei.

— Pois é...

Hermione se aproxima dele e segura sua mão. O que o surpreende muito, nem consegue disfarçar sua surpresa e fica com os olhos arregalados.

— Fico feliz de te conhecer melhor.

O loiro fica sem fala a olhando. Como isso era possível? Ela é tão... Boa.

Ele leva a outra mão ao rosto dela e acaricia levemente. Hermione fecha os olhos.

— Não tem raiva de mim?

— Não.

— Como não? Eu te fiz tão mal... – desvia o olhar e tira a mão de perto dela.

— Mas eu sei porque você fazia e isso é passado.

— Por que eu fazia?

— Porque você nunca recebeu ou sentiu amor de verdade, então soltou sua revolta dessa forma que fazia.

Draco a olhava em silêncio. No fundo sabia que ela estava certa.

— Sei que vai mudar agora.

— Como pode saber?

— Você já mudou – ela sorri.

— Você acha?

— Claro. Se fosse o Draco de antes não estaríamos conversando agora.

Ele fica pensativo e sorri um pouco.

— Tem razão.

— Vai me contar sobre a roseira?

Draco engole em seco.

— Eu não sei explicar.

— Tem a ver com a maldição?

— Sim.

— Posso ver?

O loiro fica pensativo.

— Pode – pega a mão dela e a leva até o quarto.

Assim que chega ele solta a mão dela e fica a observando. Hermione olhava fascinada as rosas. Ela olha embaixo e não tinha nada. Que estranho e incrível ao mesmo tempo! A menina percebe algumas rosas mortas, mas ainda penduradas na roseira. Ela se aproxima e coloca a mão em uma delas.

Quando Draco ia reclamar, fica em silêncio com os olhos arregalados. A rosa que ela tocou não estava mais morta e agora tinha a cor branca. Todas as outras eram vermelhas. A menina se afasta assustada.

— Como fez isso?

— Não sei...

— Você também é feiticeira?

— Eu não!

Draco se aproxima da roseira e observa a rosa bem de perto.

— Toque na outra.

Hermione se aproxima e toca. Como a primeira ela fica toda branca.

— Faça em todas...

A menina obedece. Agora a roseira tinha metade de rosas vermelhas e metade branca. Draco olhava de boca aberta e não fazia ideia do porque aquilo estar assim.

— O que as rosas querem dizer?

— Eu pensei que fosse porque meu tempo estava acabando.

— Tempo?

— Sim. Tempo para ver se volto ao normal ou fico assim.

— E como você volta ao normal?

— Não posso dizer.

— Por quê?

— Apenas não posso.

— Tá bom.

— Mas você modificou, fez alguma coisa... Por quê? – se aproxima dela.

— Eu não sei, só toquei a rosa... – de repente se sente extremamente incomodada ao lembrar o que pensava quando tocou a primeira rosa.

— O que foi?

— Que foi o que?

— Tem alguma coisa errada.

— Por que acha isso?

— Seu olhar está diferente...

Hermione fica em silêncio. Ele repara o olhar dela?

— É impressão sua... – desvia o olhar.

Draco se aproxima e fica bem perto dela. Hermione engole em seco.

— Tenho certeza que tem algo. Pensou em alguma coisa ou em alguém quando tocou a rosa?

— Sim.

— Quem?

— Você – franze a testa.

— Pensou o que?

— Nada demais.

— Nada demais? Você vem aqui, toca minha rosa, faz ela mudar de cor e criar vida e não pensou nada demais?

Ela desvia o olhar.

— Me conte.

— Não posso.

— Por quê?

— Porque não.

— Acho que eu tenho direito de saber, não é? – pergunta com uma sobrancelha levantada.

— Mas você...

— Eu o que?

— Não deve gostar.

— Conta logo!

— Eu não quero!

— Por que não?

— Já disse.

— Larga de ser teimosa! É só falar!

— Não é bem assim.

— É claro que é!

— Não.

— Por favor, me diga – implora.

Hermione respirava rápido. Não queria contar que pensava em seus sentimentos por ele. Claro que isso era inviável.

— Eu só pensei em você.

— E o que mais?

— Mais nada.

— Eu não acredito. Você é uma péssima mentirosa!

— Eu não quero falar! – diz já ficando irritada.

— Por quê? Qual o problema?

— O problema é que você vai rir!

— Quem disse?

— Eu sei que vai!

— Diga e verá.

— Eu...

— Pode falar.

— Tudo bem. Pensei no que sinto por você.

Draco fica em total silêncio a olhando paralisado. O que ela sente por ele?

— E o que você sente?

Hermione engole em seco.

— Eu posso ir pro meu quarto? – implora com o olhar.

O loiro suspira.

— Tudo bem.

— Obrigada – sai dali com pressa.

Draco fica parado no mesmo lugar pensando qual seria o sentimento dela.

Hermione corre para o quarto dela e fecha a porta. Ela senta na cama e desaba a chorar. Por que ficou mais difícil sabendo quem ele é de verdade? Seria bem mais fácil dizer se não soubesse... Que situação! O que ela faz? Fala tudo e vai embora se ele mandar? Mas como ficaria longe dele? Estava muito confusa no momento.

Depois de algumas horas viu um papel entrar por debaixo da porta. Levantou e pegou. Era um convite para uma festa. Franziu a testa. Que festa? Ninguém vinha aqui.

Deu de ombros e foi tomar um banho. No papel pedia para ela colocar um vestido e ir até o salão. Ela se arrumou e colocou um vestido que tinha levado, o mesmo do baile, era o único que ela tinha. Arrumou um pouco os cachos e se olhou no espelho. Não estava lá grandes coisas, mas ela nem sabia se a festa era real mesmo...

Terminou de se arrumar e seguiu até o salão. Quando chegou viu a mesa com bastante comida e bebida. Quantas pessoas vão vir? Achou que não tinha nada aqui...

— Que bom que veio.

A menina leva susto e olha para trás. Draco estava em pé bem perto dela e a olha de cima para baixo. Usava um terno.

— Eu acho que você fica linda nesse vestido.

Hermione desvia o olhar sem graça.

— Só vai ter a gente na festa?

— Sim.

Ela dá uma risadinha.

— Que foi?

— Tem muita comida ali...

— Eu como bem nessa forma.

Os dois riem.

— Bem... Então você está bem servido.

— Espero que você também.

— Por que me chamou aqui?

— Achei que ficou chateada com a conversa de antes... Não queria te pressionar, só queria entender porque mudou de cor.

— Eu não sei porque mudou de cor.

— Está tudo bem. Não vamos falar disso. Que tal uma dança?

A menina suspira.

— Não sei dançar muito bem.

— Não?

— Não.

— Mas você dançou com o Weasley.

— Você viu isso?

— Sim. E também dançou comigo.

Hermione fica em silêncio uns segundos o olhando.

— Mas eu fui conduzida.

— Então eu te ensino – estende a mão para ela.

Hermione o olha e depois sua mão. Ela a segura e Draco sorri.

O loiro a leva para o meio do salão e aperta o botão do controle que estava no bolso e a música começa. Hermione ergue uma sobrancelha.

— Coloque sua mão aqui – pega a mão dela e a coloca em seu ombro.

Ele coloca uma das mãos na cintura dela e se aproxima, não desviavam os olhos um do outro. Apesar de ver a camada de pelos no rosto dele, os olhos eram o que mais a lembrava de como ele era de verdade. Draco a puxa para mais perto e segura a outra mão dela no ar.

Começou a conduzi-la conforme a música e depois foi dando as dicas de como poderia fazer e o que fazer em determinados momentos. Em pouco tempo Hermione pegou o jeito e sorria ao dançar. Se sentia livre.

Tão livre que começou a se empolgar e a rodopiar pelo salão. Draco ficou parado observando. Era incrível o jeito feliz de ser dela. Era o que mais o encantava.

Quando ele pensou em observar alguém como observa ela? Nunca!

A menina passa perto dele rodopiando e perde o equilíbrio. Ela dá um gritinho ao ver que ia cair e fecha os olhos esperando o chão duro bater em seu corpo, mas isso não acontece, em vez do chão duro ela sente os braços fortes a segurarem com firmeza.

Hermione estava com as mãos apoiadas no peito de Draco, que assim que viu o que ia acontecer, correu e a segurou. Ela olhava para cima, pois ele era bem alto. O loiro respirava ofegante como se ele que estivesse rodopiando como louco por ai.

Draco se aproxima lentamente e Hermione engole em seco. Será que no quesito “usar as garotas” ele continua o mesmo? Faria isso com ela estando desse jeito? E como seria ficar com ele nessa forma? Ia ser esquisito...

A menina se afasta dele. O loiro fica parado no mesmo lugar sentindo uma tristeza que não era normal pra ele.

Ela não o quer.