Só mais um dia
25 Richard
O despertador me assustou, e eu agradeci por ele ter tocado. Eu estava tendo um sonho terrível, andava no meio da rua, tudo destruído, som alto e várias pessoas gritando, uma pessoa correu até mim em chamas e quando estava bem próxima, eu acordei. Me sentei na cama e respirei fundo, então me lembrei que eu tinha que ir ao médico hoje. Levantei e fui até meu guarda-roupa, peguei uma calça preta e uma blusa roxa e fui para o banheiro. Depois de tomar banho, me vesti e escovei os dentes. Me olhei no espelho e vi que meu rosto estava menos pálido, o que foi um alívio.
Calcei um all star e desci as escadas. Meus pais estavam acordados tomando juntos o café-da-manhã.
– Bom dia — falei ao me aproximar da mesa da cozinha.
– Bom dia filha — disseram os dois juntos enquanto eu me sentava à mesa.
Haviam várias frutas na mesa, fora alguns pães integrais, geleias, iogurtes, queijo e presunto. Peguei uma maçã, um iogurte e comi. Depois de acabarmos, me despedi de minha mãe e fui com meu pai até o carro.
– Filha acho você já sabe que não vou ficar com você no hospital até a consulta acabar, então combinei com o Richard, ele que virá te buscar — disse meu pai ligando o carro.
– Por que você não vai ficar comigo até o final da consulta? — perguntei.
– Meu chefe me mandou chegar mais cedo hoje. Mas você se importa de voltar com Richard? — ele perguntou duvidando de algo.
– Não, não — disse por fim e então o caminho seguiu em silêncio.
Ao chegarmos, desci do carro e entrei no hospital, dei sorte de a Dra. Emma estar passando no corredor.
– Evelyn! — disse ela ao me ver — venha, vamos começar com os procedimentos do tratamento.
A segui até o quarto que eu costumava ficar e me deitei na cama. Ela começou com o tratamento e fiquei quieta em silêncio esperando até acabar. De repente Richard apareceu na porta.
– Oi — ele falou ao me ver.
– Oi Richard, o que faz aqui tão cedo? — perguntei achando estranho.
– Queria te ver, como se sente?
– Bem, eu acho. Ainda não entendi o porquê de você ter vindo mais cedo...
– Eu queria saber se você está brava comigo por causa da Sophie — ele disse meio nervoso.
– Não, ela é sua prima não tem porque de eu ficar brava. Eu, eu... — me fugiram as palavras.
– Você? — ele perguntou me olhando.
– Eu gosto muito de você — falei meio tímida.
– Não precisa ter vergonha de dizer que me ama Evelyn — disse Richard rindo um pouco.
– Não tem necessidade de deixar você se sentindo o tempo todo garoto — falei grossa.
– Não tem necessidade de ter ciúme também Evelyn, você sabe que é a única garota que eu amo.
– Aham, sei — falei o olhando torto.
– Por que, você ama mais de um garoto? — ele perguntou um pouco preocupado.
– Não Richard. Agora é você com ciúmes? — perguntei começando a rir.
– Mais ou menos — ele também riu.
Dra. Emma apareceu e disse que já tinha acabado a sessão. Falou também que estava tudo "okay" para minha viagem, que não existia nenhum risco com minha saúde para que eu não pudesse viajar. Ficamos muito felizes com o que ela disse (eu e Richard) e então fomos embora.
Ao entrarmos no carro, Richard ligou o rádio, colocou o cinto e então seguimos viagem.
– Como você fica depois desses tratamentos? — ele perguntou me olhando.
– Me sinto um pouco fraca, mas depois de alguns dias fico melhor — respondi virando o rosto para olhar a janela.
– Sabe — ele disse segurando minha mão — estou muito feliz que vou viajar com você e sua família.
– Também estou feliz que você vá Richard — Eu o olhei -, eu te amo.
– Hmmm — ele riu -, eu também.
Passados uns 15 minutos em silêncio, chegamos na minha casa.
– Quer entrar? — perguntei a Richard.
– Já que você insiste... — ele disse e eu ri.
Saímos do carro e entramos em minha casa, não ouvi nenhum barulho, minha mãe deveria estar dormindo.
– Senta aí Richard — falei indicando o sofá — vou me trocar e já volto.
Richard se sentou no sofá e eu fui para meu quarto. Tirei a blusa e a calça e vesti uma blusa velha rosa-claro de manga longa,e uma bermuda. Quando estava saindo do quarto, dei de cara com Richard.
– Então esse é o quarto da minha namorada — ele disse entrando no meu quarto e me puxando junto.
– É, mas aqui está uma bagunça, vamos lá para a sala — falei com vergonha.
– Isso está bagunçado? — ele falou olhando minha cama que tinha algumas roupas em cima e o edredom não estava dobrado — diz isso porque você nunca viu o meu.
Ele sentou na minha cama, olhando tudo. Então se levantou e foi até minha escrivaninha e começou a olhar coisa por coisa.
– Não mexe aí Richard...
Quando disse isso, ele achou a foto que eu guardava dele. Era uma foto que eu tinha achado em seu Instagram (era uma foto dele tocando guitarra) e tinha revelado. Eu a deixava perto do meu diário.
– Uma foto minha? — ele virou para me olhar e então riu.
– É, o que tem de tão estranho? — falei puxando a foto de sua mão e jogando dentro de uma gaveta.
– Nada, achei que eu era o único que tinha uma foto guardada — ele pegou a carteira e tirou uma foto minha de dentro.
– Você tem uma foto minha? — puxei a foto de sua mão para poder olhar.
– Tenho — ele disse rindo.
Fui até Richard e o beijei. Ele me segurou pela cintura e eu segurei seu pescoço. Depois de alguns minutos, ouvimos um barulho e nos soltamos bruscamente, foi bem na hora em que minha mãe apareceu no quarto.
– Richard! — minha mãe o cumprimentou — Não sabia que você estava aqui.
– Oi Sra. Bennetti, como vai? — ele disse meio envergonhado — Evelyn me convidou para entrar e me mostrou seu quarto.
– E como foi lá no Hospital? — minha mãe olhou para mim.
– Foi tudo bem — falei tímida.
– Eu vou fazer o almoço, Richard almoce conosco — minha mãe disse educadamente.
– Claro, vou só avisar minha mãe — ele concordou.
Minha mãe saiu do quarto e eu olhei para Richard, então começamos a rir. Depois dei um tapa nele.
– Por que você está me batendo?! — ele me encarou.
– Você disse que eu estava mostrando meu quarto, isso pegou muito mal. Foi você que entrou aqui sem permissão garoto! — falei dando outro tapa no braço dele.
– Evelyn você acha que ela não sabe que nos estávamos nos beijando? — ele me encarou novamente.
– É, pode ser...
– E para de me bater que foi você que me beijou.
Olhei para ele e voltei a rir e ele me beijou novamente. Depois fomos para a sala, deixei ele assistindo televisão e fui ajudar minha mãe a preparar o almoço.
Fiz o arroz, a salada e a ajudei a fazer a batata recheada. Passamos um bom tempo preparando o almoço, e às vezes eu ficava olhando Richard rindo assistindo TV.
– Ele é um bom garoto — comentou minha mãe enquanto eu o olhava.
– É sim — concordei.
Quando tudo estava pronto, arrumei a mesa, trazendo toda a comida. Richard se sentou à mesa, depois eu e minha mãe nos juntamos a ele. Conversamos pouco enquanto almoçávamos, e quando acabamos acompanhei Richard até a porta.
– Foi muito bom você almoçar com a gente — falei depois que saímos de casa.
– Foi sim, estava ótima a comida. E o seus beijos antes do almoço também estavam maravilhosos — ele disse rindo.
– Besta — falei rindo e empurrando ele.
Ele me deu um beijo rápido e então foi embora. Richard era a parte feliz de mim que eu nunca encontrara e que finalmente eu tinha achado.
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