Só mais um adeus
1 Conto Só Mais Um Adeus
Notas iniciais
Na praça perto do aeroporto, em um dia ensolarado vejo um cara se aproximar de uma mulher. Ele usava uniforme militar. Exército talvez? Não dá bem para dizer, se ele tirasse o bonezinho do uniforme daria para saber de qual pelo tipo de corte do cabelo. Ponho meu caderno de lado e presto atenção na cena que está acontecendo bem na minha frente.
Ele se aproxima dela devagarinho, parecendo assustado demais para falar e espantá-la. Não os conheço. Não posso dizer nada da vida deles a não ser as minhas especulações. Ela estava de vestido. Um vestido bom e caro, vendo pela marca. Ele era branco e tinha alguns desenhos azuis e amarelos. Pareciam flores, mas pela distância não pude ter certeza. Ela devia ter um emprego bom para consigo sustentar aquele tipo de luxo. Ou acabado de ganhar um, apenas dizendo pela cena que se passava agora.
Ele se aproximou dela e com as suas mãos envolveu o rosto dela. Ele era ligeiramente mais alto que ela. Não sou nenhum detetive Holmes, mas pelo colarinho de ouro que ela estava mexendo agora pouco devia ter sido presente dele. Os olhos dela estavam cheios de água, segurando as lágrimas para conseguir passar por aquela despedida dolorosa. Ele olhava fundo nos olhos dela, com suas mãos quentes esquentando as bochechas dela. Ele tentava ser forte. Ela também. Provavelmente ele fora transferido para outra base. Outra vez, a julgar pelas medalhas presas no uniforme, ele devia ser um bom soldado. Mas talvez um péssimo esposo. Ou noivo? A aliança no dedo dos dois nos dizia que já conheciam a um bom tempo.
Eles trocaram algumas palavras sem jeito. Ela abraçou ele, e ele surpreso por alguns segundos, logo se recuperou e abraçou-a de volta. Um abraço forte e correspondido. Mas logo após se desvincular do abraço, ele devolveu a aliança para ela, que já não conseguia mais segurar o choro e agora soluçava ao abrir a mão e revelar as duas alianças.
Mas que merda está acontecendo? Não era assim que os finais deviam ser… a não ser que esse não seja o final dos dois. Mordi a língua ao pensar tal coisa. O banco no parque nunca pareceu tão gelado. Tirei o cabelo do rosto, por causa do vento, para não me impedir de ver a cena. Ele fez o mesmo com ela.
E então ela se esticou e beijou ele. Foi muito do nada. No momento em que eles se separaram consegui ouvir ela dizer:
— Desculpa. Não deveria ter feito isso. — E simplesmente virou as costas. Mas, ele mais esperto do que parece, sorriu e pegou a mão dela e a puxou para perto de si roubando-lhe o beijo que faltava.. Não consigo descrever o que eles deveriam estar sentindo naquele momento, mas cara, que beijo, tirou até meu fôlego, e olha que sou mera espectadora desse evento. No entanto, uma pena que era um momento de despedida e o telefone dele tocou. — Tenho que ir — ele disse sem fôlego. Então, deu mais um beijo demorado nela. E com o telefone tocando foi embora. Não sei se ela percebeu o momento em que ele estava de costas para ela e enxugou a lágrima que caía do olho.
Assim eles se despediram e o toque do telefone é provavelmente a última coisa que ela se lembra, pois era a música deles — “Run away with me” “Foge Comigo” (Carly Rae Jepsen), que dançaram tantas vezes antes. E com as mãos tremendo e o rosto cheio de lágrimas aquilo era tudo o que ela queria fazer naquele momento — fugir com ele.
Pego meu caderno novamente e começo a escrever o conto deles. Sorriu ao primeiro título que vem à minha cabeça: “ Só mais um adeus ”, parece ser um ótimo título.
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