Só Que Não
11 Sonho estranho
Notas iniciais
Finalmente a semana havia acabado. Leandro e eu não nos falávamos mais, e a gente se evitava. Era apenas "desculpa" ou "obrigado", e nada mais.
Ele parecia irritado comigo pelo fato de que bati nele. Eu apenas dava de ombros, meu orgulho não me permitia pedir desculpas.
A detenção finalmente havia acabado, e junto com ela o passeio que teríamos. Ninguém sabia onde iria, mas ninguém se importava de verdade. Estar longe daquele lugar era o que todos queriam.
E a notícia da semana: Leandro havia terminado com Clara.
Ninguém sabia o porquê (e não fazia questão de saber, pelo visto). Eu também nem ligava, óbvio.
Enfim, eu já tinha arrumado minhas coisas da viagem, assim como Larissa e Kioko, que tinha vindo morar conosco. Larissa achou tudo meio estranho no começo, mas depois expliquei algumas coisas e ela acabou aceitando no final. Ela acha Kioko super fofa e tudo mais. Nós viramos best friends.
E eu falei com Alejandra hoje de manhã.
– Hello, Branca!! — cumprimentou ela.
– Oi, Alejandra! — falei, animada. — Estou com muuita saudade!
– Como anda tudo por aí?
Contei tudo que havia acontecido pra ela desde que eu havia chegado no internato, e ela pareceu muito interessada na minha "relação" com Leandro, dizendo que no futuro eu e ele casaríamos e teríamos um lindo puddle chamado Dog. Falamos besteiras no telefone, e depois de Kioko dizer que se eu não desligasse iria perder o ônibus, eu desliguei.
Iríamos num ônibus, mas esse não foi o maior problema do dia. O maior foi: a querida diretora nos mandou ir em duplas/casais, e meu par foi...
O Leandro!
Eu tenho uma praga, só pode ser. Como a diretora pôde? Todo mundo no ônibus começou a zoar, e eu e Leandro nos levantamos e fomos falar com a diretora, que nem quis saber e nos mandou sentar se não quiséssemos ficar de fora da viagem.
Que ótimo.
Nós voltamos para os bancos (que eram mais macios que minha cama), emburrados, e nos sentamos. A diretora mandou todo mundo calar a boca e falou que a viagem duraria 4 horas, e o lugar pra onde a gente iria era surpresa. Eu nem ligava, porque estava mexendo no celular, e quando ela foi embora que me toquei do que havia perdido.
– O que foi que ela disse? — perguntei, em pânico, para Leandro.
– Tá vendo, fica mexendo no celular e não presta atenção! Ela disse que a viagem durará quatro horas. — falou ele, revirando os olhos.
Fiz cara de "você é um chato que se acha" e voltei ao meu telefone.
A viagem estava muito chata, apenas árvores e mais árvores. Fiquei entediada e dormi.
*
Branca só mexia no telefone, e eu, que estava na janela, fiquei vendo a paisagem. Eu não tinha mais raiva dela, e nem ela parecia ter de mim. Até tentei xeretar o que tanto ela fazia, mas não deu certo. Fiquei meio entediado, e ela largou o telefone e dormiu. Tipo, simplesmente dormiu.
Foi bem estranho.
Depois de alguns muitos minutos, a cabeça dela acabou caindo em cima do meu ombro. Só que seu nariz encostava no meu pescoço, fazendo cócegas quando ela fungava. Ela parecia estar muito confortável naquela posição, e como eu estava com sono, apenas encostei minha cabeça em cima da sua e passei meus braços ao redor dela. Seus cabelos louros eram macios, e a sua pele também. Não me impressionei, ela devia ter muito dinheiro e vários desses produtos de pele e etc.
Depois de um tempo, eu acabei dormindo, e tive um sonho muito estranho.
Branca e eu desfilando numa passarela, e fotógrafos batiam muitas fotos daquilo. No meio do palco, Branca me beijava e todo mundo batia várias palmas.
Falei que tinha sido um sonho estranho.
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