Só Pode Ter Alguma Coisa na água!
9 Capítulo 10
Notas iniciais
POV EDWARD
Quando a noite chegou, Ed já estava de banho tomado, cheiroso, e não mais melado pelo suco derramado por Bella. Porém, a garota em si, não saía de seus pensamentos. De certa forma, o que ela fez chamou a atenção dele. Nunca, em toda a sua vida, havia sido rejeitado de alguma forma, muito menos alguém tinha sido tão audacioso.
Não que ter lhe molhado todo de suco fosse uma coisa legal, mas de alguma maneira que ele não sabia explicar, a Swan havia ganho pontos extras com ele, e não conseguia evitar um sorriso ao lembrar de como ela era bravinha.
Com os cabelos ainda molhados, ele saiu do seu dormitório com destino ao salão comunal, que estava típico de uma noite dominical: lotado.
Passou os olhos por vários alunos, procurando um rosto amigável (o que era raro, levando em consideração de que Edward, apesar de adorar fazer coleção de mulher, não era de ter amigos; além, claro, de Alice e Rose).
Ele suspirou ao não encontrar a francesinha em canto nenhum, e então seu olhar caiu sobre Rose, sentada em um excelente lugar, de frente para a lareira. Ela tinha o olhar perdido, e vez ou outra... Sorria!? Rosalie Masen Cullen, sua irmã, sorrindo?
Com as sobrancelhas erguidas, ele se aproximou dela, expulsando um primeiranista que, anteriormente, estava sentado ao lado, e ocupou seu lugar.
- Seja lá quem for vc, deveria agir como a Rose age, sabe... E não como um ser abobado que fica flertando com a lareira.
Rosalie deu um pulo em seu lugar, saindo imediatamente de seus devaneios, dirigindo sua atenção total ao irmão.
- Onde você esteve? Não te vi todo o final de semana!
- O mesmo pra você... Aconteceu alguma coisa que eu deva saber? – perguntou, desconfiado, ao que a irmã desviou o olhar de volta para a lareira.
- Já ouviu falar que, quando se quer tirar notas boas nas provas, se tem de estudar?
- É, claro... – Ed riu, se acomodando melhor no sofá de couro preto e esticando as pernas para cima da mesa de centro. – Hey, você sabe se a Alice está doente? Não a vejo desde ontem...
Rose bufou, sem esconder a irritação.
- Ah, qual é?! Eu tenho escrito na testa “INFORMAÇÕES SOBRE A DORÉ”? Todo mundo nesse colégio sabe que eu não simpatizo com a francesinha de porcelana! Pq, qdo de repente ela desaparece, vem todos perguntar logo pra mim?
Agora Ed estava realmente curioso.
- E quem mais iria te perguntar sobre a Alice, Rose? Vocês não tem mais ninguém em comum, além de mim.
Rose sentiu as bochechas esquentarem e Edward pode notar o tom vermelho surgir nas maçãs do rosto da menina.
- Ninguém, Edward, e pra encurtar o papo, a Doré sumiu, ninguém sabe onde tá, mas tenho certeza que logo os amiguinhos dela vão encontrá-la.
- Como assim, ela sumiu!? – Edward perguntou, alarmado.
- Sumiu, sumindo! – E contou a mesma história que contara para Emmett, horas antes.
- E você fica aí, sentada, na maior tranqüilidade?!
- Ah, é, me perdoe! Eu deveria estar desesperada pelos corredores, chorando feito uma criança, pedindo o colo da mamãe e implorando pra pessoas que nem me conhecem para que a Doré aparecesse. Realmente, isso seria muito mais útil!
- Não, mas comunicar algum superior já seria alguma coisa! – Edward disse, em tom de sermão.
- Ah, nem vem, Edward! A minha parte eu já fiz, defendi quando o idiota lá a estava agarrando bem na minha frente. Mais do que isso, você está pedindo pra que todos no planeta se preocupem com essa aí! Ela já tem amigos o suficiente pra isso!
- Aposto que se fosse você, ela estaria preocupada também!
- Ah, eu não teria tanta certeza se fosse você! Eu a salvei de uma, das grandes, e ela nem pra me agradecer! Então, não vá pensando que ela é a Dorothy perdida e eu sou a Bruxa Má do Sul. Ou do Norte, que seja!
- É do Oeste! Nunca assistiu o filme não?!
Edward bufou, levantando do sofá, e saiu do local, não sem antes escutar Rose resmungar:
- Aposto que se eu tivesse desaparecido, ninguém estaria preocupado!
POV JASPER
Mais tarde, Jazz estava no salão principal, conversando com Christine, mas sua mente não estava realmente ali. De repente, se desvencilhou da garota, que o estava abraçando.
- Que é que há com vc hoje, Pudinzinho?
O rapaz disfarçou o desagrado com o apelido, e resolveu ser o mais sincero possível.
- Uma amiga minha desapareceu. E eu estou muito preocupado.
- Ah, ela deve estar se agarrando com alguém por aí. Fica tranquilo que mais cedo ou mais tarde ela aparece...
- Vc ouviu bem, Chris? Eu digo que uma amiga sumiu do mapa, e vc diz pra eu não me preocupar?
- As mulheres são assim mesmo! Ás vezes precisam de um tempo sozinhas!
- Não. Tem algo muito errado. Ela faltou a uma aula que a gente havia combinado e ela não é disso...
- Pudim... eu aqui com vc e vc preocupado com outra garota? Tenha santa paciência! Aposto que ela sabe se cuidar muito bem!
- Sabe que vc é muito cética? Você não conhece a Alice como eu pra saber se ela é safa ou não!
- A Doré?! Foi ela que sumiu? Ela é meio esquisita, vc não acha?
- Não, eu não acho... — disse Jasper, mas pensando que Alice realmente tinha uma parte dentro dela que não mostrava a ninguém. — Sabe, acho que vou ali falar com o Cullen e já volto.
A garota pareceu contrariada, mas não falou nada. Já havia percebido que a francesa era importante de certo modo pro namorado, e não queria bater de frente. Precisava ser esperta a fim de manter o namoro.
Jazz se aproximou de Edward, que estava sentado em uma das poltronas no salão, lendo um exemplar do Washingnton Post, que noticiava as mais novas ementas nas leis trabalhistas, e Arthur Swan, o político responsável por elas, explicava como algumas idéias de seu neto, Emmett McCarty Swan, influenciaram na criação delas, e previa um grande futuro para o neto na carreira diplomática, que era o sonho dele.
Jasper gostaria de saber o que o Cullen achava disso tudo. Já tinha lido a matéria mais cedo, e Emmett ficara muito vexado com a corujice do avô, muito embora tivesse gostado de ver suas idéias sendo colocadas em prática.
Mas o momento era outro.
O outro desviou os olhos do jornal por um momento, e Jasper notou que o rapaz não estava tão concentrado nas notícias quanto deveria. — Sim, Hale, o que vc quer? — disse ele, com aquele arrogante ar de condescendência.
- A Alice sumiu.
Edward colocou o jornal de lado, e, para o espanto do rapaz, indicou a poltrona em frente.
- Eu estou sabendo. O que vcs sabem?
- Ela não está em lugar algum nos terrenos da escola. Pelo menos não em um lugar mapeado.
- Ela foi atacada ontem. Minha irmã me contou. E disse quem foi. — Ela não é disso. Não sumiria assim, sem avisar a alguém.
- O que vc acha que podemos fazer?
- Já comunicamos o desaparecimento dela ao diretor. Mas acho que devíamos dar um jeito de procurá-la fora do colégio.
- Posso tentar conseguir uma permissão do professor Cullen a alguma "pesquisa" fora da escola...
- Então vai falar com o seu pai?
- Não, eu já disse. Vou falar com o professor Cullen. E, mais tarde, vou dar um "apertãozinho", naquele tal de Gwendsnajder...
Ele falou isso com tal entonação, que se Jazz já não estivesse possesso com o tal de Gwen não-sei-lá-das-quantas, ele ficaria com pena do sujeito.
E dito isso, Edward se afastou, rumo aos corredores, em direção aos aposentos do "professor Cullen".
E Jasper voltou pra perto de Christine, mas mal conseguiu se concentrar na garota pelo resto da noite...
POV CARLISLE
Carlisle se recostou na sua cadeira, esticando bem o corpo. Aquela última semana estava sendo muito estressante. Na segunda feira, Edward viera aos seus aposentos na escola, e ele automaticamente se preparara para mais uma discussão com o rapaz.
Nem sempre fora assim. Até os dez anos de idade, o filho era praticamente uma cópia dele. O imitava nos gestos, nas palavras, vivia querendo agradá-lo. O pai era o herói dele.
Mas algo acontecera e mudara tudo isso. O garoto se tornara desafiador e parecia fazer de tudo para o atormentar.
Lembrava-se de um dia ter chegado em casa, quando ele tinha doze anos, e o ter apanhado com um violão na mão. Não que ele tivesse nada contra que o filho gostasse de música ou tocasse um instrumento, mas Edward fez questão de dizer a ele que iria ser músico, que um dia iria tocar profissionalmente, ao invés de cuidar dos negócios da família.
Nenhum dos filhos dele iria seguir a carreira musical, no que dependesse dele.
Rosalie, se não dava muitas alegrias, pelo menos não o atormentava, acatando as decisões dele, como o casamento com o príncipe de Volterra. A garota sabia de sua responsabilidade para com a família, ao contrário daquele ali que estava na sua frente, que se envolvia com qualquer garota bonita, independente de ser da sociedade ou não, sem nem ligar se estava enxovalhando o nome da família. Só esperava que não se enrabichasse por uma Swan, aí já seria decadência demais...
Mas não. Não era por causa da mesada cortada (Carlisle adoraria ver o filho abaixar um pouco a crista, mas o moleque era persistente e orgulhoso como ele. Não pode deixar de sentir uma ponta de satisfação ao notar isso) ou qualquer outra pendenga entre eles que Edward havia procurado por ele.
Não... ele viera pedir um passe de saída da escola, a fim de poder fazer uma pesquisa de história na biblioteca local, alegando que a da escola não possuía um livro satisfatório sobre o assunto que tinha de pesquisar.
Ele estranhara, mas dera o tal passe, com a condição de Edward trazer um comprovante da biblioteca, dando conta de que estivera realmente lá.
Isso fora há uns três dias atrás, e outro assunto ocupava sua mente agora. Havia sumido uma aluna do colégio e não havia rastros de seu paradeiro. Um comunicado fora mandado para a avó da menina, na França. Como é que uma garota sumia assim, dentro de um colégio? O tal garoto de nome complicado foi interrogado, seus pertences revistados, e nada de pistas. E ainda tivera que receber uma queixa do rapaz, que dizia que Edward o ameaçara e coagira, para que ele desse conta de onde estava Alice.
Uma batida na porta o fez acordar dos pensamentos.
- Entre.
Uma mulher loira, de seus sessenta anos, ainda muito bonita, entrou na sala.
- Oi, filhote! — Mãe. Quantas vezes eu vou ter de te falar que eu odeio quando vc me chama assim?
- Para uma mãe, seus filhos nunca crescem... — disse ela, em um tom de voz que Carlisle não conseguiu captar bem do que se tratava. — Como vão as coisas?
- Complicadas. Estou com uma bananosa nas mãos.
- O que aconteceu? As crianças estão bem?
- Normal. Como sempre. O problema é outro. Uma das alunas do colégio desapareceu.
- Como assim?
- Sumiu do colégio. Evaporou. Ninguém consegue achar. E, o pior, é que tivemos de avisar a avó dela, lá na França, e claro, ela não está nem um pouco satisfeita! — França?! A garota era francesa?
- É. Foi transferida esse ano. Alice Lion Doré. Mãe? Mãe!!!
Levantou-se, para acudir a mulher. Diana havia tombado ao chão, desmaiada.
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