ANTES DE UM ANO

Todos devem saber que de manhã cedo, não é o melhor horário para se ter aulas de Conhecimentos Gerais, Sociais ou melhor Históricos. E por incrível que pareça teríamos História, estudaríamos mais uma vez, como foi o desenvolvimento do Brasil, seus presidentes e claro, seu possível e nada interessante futuro. Eu não tinha nada contra o Brasil, mas é que morar aqui em um bairro tão pequeno, dentro de uma cidade maior ainda, não foi escolha minha, e sim de meus pais, e dos pais deles – vamos resumir mais esta coisa sou descendente de tudo quanto é gente, que veio por infortúnio parar aqui, no bairro pequeno da cidade grande – e do restante da família. Eu não era nascida para palpitar em algum assunto, então eu deveria estar em algum lugar, como um anjo, espírito, ou sei lá, uma bolha de ar, só observando e resmungando como um idoso.

Mas com o tempo fui me acostumando com a ideia de morar em um país quente, alegre, envolvente e que geralmente – na maioria das vezes – quase nenhum dos meus ídolos aceitam fazer um show, mesmo que fosse particular.

A aula de história, me fez pegar no sono, nunca me senti tão bem dormindo em sala de aula em toda minha vida, talvez fosse porque eu ainda estava de pijama, e que quase todo o 2º ano estava. Senti-me como se estivesse em casa – não em casa mesmo, porque eu estudava em casa, algo que nenhuma instituição de ensino aceitava meu pai diretor de uma das escolas mais próximas de nossa casa, fez um acordo com a rede publica que possibilitou que eu ficasse até pelo menos o primeiro ano do ensino médio – e simplesmente deixei-me levar pela corrente suave do cansaço.

Segundo horário, a Velha estava sentada na mesa e balbuciava o que entendia sobre equações do segundo grau, e conjuntos numéricos, uma matéria tão simples que ela a tornava dramaticamente complicada.

– Já que está se divertindo tanto Vivian, poderia explicar o que são os conjuntos reais e intervalos reais? – larguei o lápis, desconcertada e olhei para os lados, voltando à realidade, estávamos tendo uma breve revisão para o segundo ano, e tudo o que meu sabia pensar era – uma das coisas que mais faço é pensar, talvez porque eu não tinha muito contato com pessoas de fora, mas tudo bem – corei ao perceber que só tinha uma única Vivian na sala, e gaguejei a explicação, que acabou saindo melhor do que a da Velha.

Acho melhor eu parar de chamá-la de Velha – vai que de alguma maneira absurda ela descobre? Eu não vou arriscar – seu nome é Eliete, tinha os cabelos cortados nos ombros, grisalhos e usava um óculos redondo em sua face mais redonda ainda, andava engraçado porque tinha problema de coordenação motora em uma das pernas, e vivia pegando no meu pé, pelo menos nas duas últimas semanas nunca fui tão julgada por uma professora.

As aulas ainda iriam começar, estas eram as de revisão, no caso semana que vem, viriam os estudos intensivos, só estou aqui por não ter o que fazer, a não ser dormir com a ladainha dos professores, mas eu incentivo os estudos! Não é como se eu não tirasse notas boas.

Intervalo, ah como eu te amo! Poderia me casar com estes 30 minutinhos só para poder comer bastante e dormir só mais um pouquinho. Peguei minha carteirinha na bolsa e passei pela roleta, durante o intervalo, que se passa entre o prédio um e dois, passamos por uma roleta para que o dinheiro do nosso lanche caia na nossa carteirinha de estudante, para os que moram longe, estes passam no portão de entrada como passagem e etc. Não vou explicar por ser muita confusão, palavras de mais e o pior mexe com o tão precioso vale refeição.

Sentei-me ao longe do refeitório, uma pequena área verde perto do portão de acesso do primeiro prédio – tudo era tão bagunçado e ao mesmo tempo organizado, uma mistura suave e tão singela, que parecia tudo parecer mais confortável com o tempo –, posso dizer que entrar nesta escola era uma das melhores escolha de meus pais. Belisquei um pedaço de pão com maionese e mussarela – montávamos nosso lanche, por isso estava meio sei lá, o nome do sanduíche montado por mim, seria gororoba! – beberiquei o suco de manga natural, meu preferido.

Desde que cheguei eu fiquei tão sozinha, e ao mesmo tempo acompanhada por tantos estranhos, que transmitiam juventude. Posso dizer que sou uma velhinha gagá por dentro, encantada com o mundo por fora do asilo e da vida charmosa que possuía.

Em minha casa, lá em São Paulo, eu estudava em casa, até meu primeiro ano – isso vocês devem ter percebido, acho que já contei... Só acho – e nesse meio tempo, meus professores eram selecionados a dedo, uma vida tão cuidadosamente calculada e com um roteiro tão enjoativo, que acabei me rebelando. Em uma noite qualquer, não me lembro quando nem o porquê, e simplesmente fugi de casa, devo ter ficado uns cinco dias desaparecida da sociedade. E ninguém se quer notou isso, já que onde eu morava, um condomínio fechado e protegido até o teto, nenhum de seus moradores me conhecia, a não ser o vizinho, com quem me encontrava escondida às vezes. Mas isso foi há tanto tempo, tipo anos. Minha memória não é boa com datas, e nem nada do gênero.

Mas o garoto com quem eu tinha contato vez ou outra, tinha se tornado meu melhor e único amigo, se é que posso dizer assim. Foi com ele que aprendi a me soltar um pouco mais, fomos ao terraço várias vezes, quando tínhamos mais ou menos 10 para 12 anos, às vezes dormíamos juntos debaixo dos cobertores que levávamos, foi uma amizade inocente, e bela. Sinto muita falta dele, literalmente, em seu aniversário de 14 anos, ele se embebedou – pelo menos foi o que eu soube, tínhamos jurado um para o outro que não beberíamos até termos a maioridade, sim uma promessa chula e clichê, mas que eu pretendia levar a sério, tão serio quanto o amor que eu começava a nutrir por ele –, meus pais disseram que seu amigo também estava bêbado e que de alguma maneira, eles foram atropelados e o enterro seria naquele dia, — com que cara eu iria aparecer no enterro do meu único amigo? Se seus pais nem sabiam da minha existência, e os meus só souberam por que invadiam constantemente minha privacidade e leram meu diário? Claro que no momento eu não havia pensado nisso, eles podiam invadir, não podiam? – tranquei-me no quarto pelas semanas seguintes.

Meses, quem sabe, não me lembro! Mas eu estava cansada de ficar presa, quando finalmente fiz 14 anos, pensei na possibilidade de suicídio, e em todas as maneiras possíveis de me juntar ao meu amigo, que a propósito se chamava Nendell, um nome tão diferente quanto sua personalidade, eu nem se quer disse a ele o quanto o amava, e que queria que ele fosse o único homem da minha vida, mas isso não seria possível se eu ainda estivesse viva, não é? Eu era mais nova que ele dois anos, mas isso nunca nos impediu de termos uma amizade, e porque a morte se atreveria a nos separar?

Foi então que fugi de casa – bem talvez eu me lembre o motivo e quando aconteceu, eu preciso contar tudo desde o inicio para poder encaixar, outro defeito GIGANTESCO –, levando minhas economias, mais ou menos cento e cinqüenta reais, era o único que eu tinha, era para comprar flores para seu túmulo, já que eu sabia o cemitério só me faltava coragem o suficiente para ir até lá. Não quis –pedir aos meus pais – apesar de amá-los, eles não entenderiam o porque de naquele momento, depois de dois anos, eu querer visitá-lo, eles me impediriam! E eu não queria isso, eu era capaz de fazer sozinha. –, aconteceu tudo tão rápido, a polícia atrás de mim, ligações, roubo, a noite fria na calçada, a fome, a saudade, o desespero e a descoberta. Arrependi-me, mas não o suficiente para não ter gostado de fugir de casa, e deixá-los preocupados uma única vez comigo.

Para compensar a o tempo que não passavam comigo, minha mãe desistiu de seu emprego como jornalista e dedicou-se inteiramente a mim, como se fosse recuperar o que havia perdido, eu gostava, mas acho que talvez tivesse gostado mais se eu ainda tivesse cinco anos. Isso é outra longa história, como se já não bastasse a minha.

Abandonei os pensamentos, e voltei a me alimentar, peguei o celular no bolso da mochila, e procurei por uma playlist alegre, como a manhã. Mas estava tão difícil e desisti.

– Talvez devesse parar de escutar tanto Kpop, vai que seu humor melhora. – uma voz feminina e suave se pronunciou.

– Talvez, mas só talvez você não devesse se preocupar com minhas músicas Katie! –resmunguei, me levantando trazendo comigo a mochila e a badeja com meus lanches inacabados.

– Vamos, aula de Educação Física! – ela deu um gritinho agudo, e me empurrou na direção oposta do refeitório, andávamos pela área verde rápidas de mais, chamando atenção de mais! Droga, como eu posso não morrer de vergonha? Conhecíamos-nos há apenas algumas semanas, e ela me ligava ao mundo externo – o que acabava ficando fora, quando eu decidia mergulhar em pensamentos, músicas e é claro! LIVROS – corei como um pimentão e mordisquei o lábio inferior, que vergonha, Santo Deus!

Depositei a bandeja em qualquer lugar, antes de sair da área verde, elas logo seriam recolhidas, e fomos para o vestuário. Não tínhamos armários, só o banheiro, seus boxes, e cabines para nossas necessidades – que chamo desnecessariamente de número 1 e número 2 – tínhamos três chuveiros, mas só um funcionava, puro defeito de fábrica!

Trocamos de roupa, e Katie, me direcionou para a quadra, mais uma vez me puxando, fazendo com que chamássemos atenção dos garotos que treinavam futebol, íamos para a outra vizinha, vestíamos uma camiseta com o logo do colégio, o short era tão justo, que mostrava o quanto eu era esbelta, mas isso não era um ponto positivo, eu possuía sardas pelo rosto, espalhadas principalmente na região no nariz, olhos esverdeados temperamentais, que também não colaboravam! Não queria chamar mais atenção ainda. Eu não era boa o suficiente para isso, não é?

– Meninas, nossa aula hoje será com a turma 202. – o professor nos chamou, quando virávamos para a quadra vizinha. Voltamos envergonhadas por ter chamado tanta atenção, as turmas eram divididas por gêneros, e era quase impossível unir os mesmos, garotos e garotas separados por prédios.

– Mas professor, hoje seria queimado... E não podemos jogar contra os garotos! São mais fortes! – resmungou Katie, seguida por Lucia a nossa vizinha de quarto, tão fofa e pequena, ela no meio daqueles garotos parecia uma criança, tão altos e másculos. Seria injustiça para nós jogarmos contra eles.

– Sim! Não apoio sua decisão professor, me desculpe. – ela disse baixo, Lucia eu conhecia há menos tempo, talvez a uns dois ou três dias. Troquei poucas palavras com ela, sua estatura mediana, tornava-a quase uma miniatura perto de Katie e das outras meninas, eu era só um pouco mais alta, com quase um e setenta.

– Katie você sabe que podemos fazer mudanças, e como o ano letivo mal começou, mudamos de ideia quanto às separações dos sexos, o segundo ano será misto, e se der certo, faremos com todos os anos. – o professor Lauro se explicou, ou melhor, tentou explicar para ambas as contrariadas, ou melhor, não eu não estava tão revoltada assim, apenas me sentei na arquibancada onde outras garotas estavam, e meus cabelos caíram sobre os ombros.

Guardei os meus óculos, ah me esqueci disso também, eu uso óculos retangulares, que me deixam intelectual, era isso que minha tutora dizia. E fiquei lá, parada, depois de amarrar meus cabelos em um rabo de cavalo, observando a divisão dos times, times mistos obvio, me encolhi ao ser deixada de lado, o professor olhou pára a arquibancada e me avistou, poderia ter me esquecido, não é Lauro? Eu te amaria por isso.

Juntei-me ao time onde Lucia estava ao fundo, e me preparei flexionando as pernas meio abertas para poder pegar a bola, sempre jogam com força, um ponto fraco para os garotos, eu gostava de bolas fortes e rápidas – fui obrigada a fazer várias aulas particulares de Educação Física, e auto defesa, desde que fugira de casa, por isso odiava. Eu tinha que me manter em forma, ao menos isso – o apito soou alto, e o jogo começou, e como previsto mandaram a bola em direção a pequena Lucia, corri até ela pegando-a a tempo, e arremessei para um dos garotos que me encarava. Talvez eu quisesse me exibir um pouco, só um pouco, e mostrar que eu era boa em algo, além de ficar sozinha.

– Você é boa, onde aprendeu a jogar tão bem? – a respiração ofegante atrás de mim, fez com que me arrepiasse, uma voz tão conhecida, que me fez pensar em Nendell, em como ele poderia estar agora, e em como sua voz teria engrossado depois da puberdade. Não me virei, dei de ombros e voltei a jogar, o suor começava a escorrer, grudando alguns fios de cabelo em minha testa.

Assim que terminou, Katie correu até mim, e me abraçou tão forte que pensei que iria morrer, estávamos grudentas, e o sentimento afetivo também estava presente. Sorri. Um sorriso interno, e repleto de felicidade e tantas outras complexidades, que eu não poderia explicar. Tudo isso por causa de um jogo de queimada.

– Você nos deu um banho! – ela riu, cruzando seu braço com meu, enquanto pegávamos nossas mochilas, fomos para o vestuário, e lá tomamos nosso banho, em um fila, onde éramos quase as ultimas. Resolvemos ir para nosso quarto, pois lá ao menos o banheiro era um pouco maior do que a cabine do chuveiro, e poderíamos tomar um banho rápido para podermos ir para a aula de inglês.

Finalmente quando as aulas acabaram, fomos nos deitar, ela na cama de cima da beliche e eu na debaixo, por ter medo de altura, combinávamos, eu e ela tínhamos coisas em comum, e não poucas, ela gostava de clássicos, e eu também, líamos bastante, outro ponto positivo, ela fumava e bebia, ponto negativo, mas isso tudo eu listava em uma agenda memorial, apesar de me esquecer várias vezes. Ela sempre bebia dentro do quarto, ou melhor, no banheiro, bebia pouco, mas bebidas com um alto teor alcoólico, já tive que colocá-la para dormir umas seis vezes só neste mês de revisão. Meus pais não me ligaram nenhum dia, e eu estava no interior de Minas! Não era tão longe assim, não sei porque decidiram me mandar para outro estado.

Talvez não me amem – sim, meus pais não amam, só olham para seus umbigos e mesmo assim, fingem que só eles existem! –, minha tutora me telefonou três vezes este mês, ela era como uma tia, mesmo que não seja de sangue, ela estava ali por mim.

– Amanhã, temos prova de Geografia, quer dizer que daqui a alguns dias começam o verdadeiro bimestre, que saco! – Katie tragou o cigarro, e depois soltou a fumaça pelas narinas, e abriu a boca para que o restante saísse, era seu primeiro maço acabado do dia. Ela fumava bastante, o quarto tinha um purificador de ar que ela havia trago e um ar-condicionado. Que mantinha o cheiro de cigarro fraco o bastante para a coordenadora não sentir.

– E você deveria parar de fumar tanto. – revirei os olhos e ela sorriu, acariciando o topo da minha cabeça, mexendo nos fios ondulados de meu cabelo.

– E você deveria namorar! Ainda é virgem, não é? – ela riu, e eu corei, voltei a mexer no celular, e encontrei minhas fotos antigas com Nendell... escolhi uma em especial em que ele beijava meu rosto e eu estava levemente corada, mordendo o lábio inferior, e a coloquei como minha foto de bloqueio, um arrepio me atravessou, a lembrança da noite em que sai a procura de seu túmulo, ainda não me escapa, quando perguntei ao proprietário se ele poderia me mostrar onde ele estava enterrado. E...

– Vamos sair hoje à noite! Ouvi dizer que iram fazer uma comemoração para os alunos, e que será na quadra e abrirão a ala das piscinas! Você não vai perder, não é mesmo? Vou ligar para o Marcos e o Otávio para combinarmos, vamos nos encontrar com eles daqui a meia hora, pelo menos eu acho que vamos. – ela discou o numero no celular e se levantou da minha cama, eu girei na cadeira da escrivaninha, e parei a cadeira em direção ao ar-condicionado, grudado na parede, perto do teto, o quarto era simples, não era grande o suficiente para tantos livros que tínhamos, mas com toda certeza nos unia.

– Tira esse traseiro daí! Anda, vá tomar um banho e ficar sensual! – ela me puxou pelo braço, e me empurrou para dentro do banheiro, ferrou a porta, enquanto eu batia para ela abrir.

– Katie! Me tira daqui! Não quero ir. – fechei os punhos e bati contra a porta de madeira, ela riu e começou a falar ao telefone.

Tomei o bendito banho, tomando cuidado para não escorregar na cerâmica lisa e escorregadia. Lavei meus cabelos, e passei um creme esfoliante pelo corpo. Desliguei o chuveiro, e o cheiro de morango pairou sobre o banheiro, abafado pelo vapor, que me impedia de ver o meu reflexo. Sai do banheiro, e procurei por alguma roupa decente, para uma noite abafada, encontrei uma regata e uma bermuda jeans, não muito justa e não tão larga, um jeans claro que realçava meu quadril, vesti-me e penteei meus cabelos.

Neste meio tempo, Katie estava do lado de fora do quarto, ainda falando no telefone, quando sem mais nem menos, trouxe Marcos e Otávio com ela e fechou a porta rapidamente, se eu não estivesse VESTIDA, Santo Deus, que vergonha!

– Pensei que já estivesse pronta! Vocês já se conhecem, então esperem por mim! Preciso de dez minutos. – ela falou pegando minha toalha, que eu havia deixado no beliche, e uma muda de roupa, e se trancou no banheiro, os meninos sentaram na cama observando o quarto.

– Bem, eu... Espero que não se incomodem. – sorri amarelo, enquanto terminava de colocar o brinco de pedrinha.

– A conhecemos de vários carnavais, sempre foi maluca deste jeito, não se preocupe com a gente, termine de se arrumar. – Marcos tomou a palavra, antes que Otávio pudesse dizer algo, eles começaram a falar de algo, e eu peguei outra toalha para secar meus cabelos ainda úmidos, a ponto de pingarem no chão e molhar as costas da blusa branca.

Meus cabelos estavam quase secos, quando meu celular vibrou em cima da escrivaninha, tocando uma musica coreana, de uma girl band.

– Com licença. – mordisquei o lábio, ao ver o nome, e sai do quarto.

– Filha! Que saudade! – a voz melancólica invadiu meus ouvidos.

– O que foi? Aconteceu alguma coisa?

– Não, por quê? – ela pareceu ofendida, por um momento. – Estou com saudades tuas!

– Também estou mãe, mas... Estamos no toque de recolher e preciso desligar. – menti, menti muito bem, não sentia sua falta, e pouco me importava com ela.

– Mas faz tanto tempo que não nos falamos. – eu senti um nó em sua garganta como se evitasse chorar. Na verdade, quase meses! E só agora se lembrou da existência de sua única filha? Como ela ainda pôde me ligar?

– Mãe! Preciso ir, tchau! – meu peito pareceu se encolher e o coração decidiu sair pela boca. Fechei os olhos com força, e apertei o celular.

– Vivian! Esper... – desliguei a ligação, e algumas lágrimas embaçaram minha visão, entrei no quarto depois de um tempo, encontrando Otávio, Marcos e Katie conversando animadamente, então forcei um sorriso e perguntei com o animo que começou a brotar – um enorme motivo para eu poder ir a comemoração – em meu peito, e uma ideia tilintou em mim.

– Estou pronta e vocês? – sorrimos e saímos do quarto, nós quatro, e fomos para a quadra, uma musica agitada tocava, e vários alunos grudados na quadra, suados e alegres, transpiravam juventude, a bela juventude que eu aparentava mas não demonstrava.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.