Só Mais Uma Escritora.
2 Capítulo 2 - "Oi, tu é canhota?"
Notas iniciais
Boa leitura.
Tudo começou em uma escola da área nobre da cidade, a New Perspective, era primeiro dia de aula e Alice, para variar, estava desanimada.
-- Alice --
Hoje foi o pior dia da minha vida até então (Na verdade, muita pouca coisa se passa nela, então esse posto não é assim, tão concorrido). Acordei uma hora antes do planejado, devido ter errado ao ajustar o meu despertador. Me levantei semi-cambaleando e fui tirar um cochilo no sofá mais próximo. Segundos depois o meu celular toca, e eu atendo sem olhar o visor.
-Alô? -Disse eu, confusa.
-Te levanta, pequena.
-Desde quando você sabe quando estou dormindo ou não?
-Ah, haha. Desde que tu esqueceu a janela aberta. Vai, se veste. Quero ir conhecer teus amiguinhos novos hoje.
-Menos, Gustavo. Tu sabe o quão sociável eu sou.
-Tão sociável quanto um bicho preguiça.
-Ah, engraçadinho. Olha pela janela agora. -Enquanto falo, mostro o dedo do meio para a janela.
-Olha mocinha, esses gestos não vão te levar a lugar nenhum.
-Poderiam me levar a tua cama, não acha?
-Acho que poderiam mesmo é te tirar daí, tu sabe que tá sem a camisa né? -Disse ele, rindo.
Eu desligo o telefone, jogo delicadamente uma pedra em meu amiguinho e torno a vestir minha camiseta da farda, toda amarrotada. Mas quem se importa com a farda da menininha invisível? Isso não seria problema.
-EI GUSTAVO -Gritei pela janela, provavelmente acordando todos os vizinhos do condomínio.
-Fala, guria.
-Tô pronta, tu vai comigo hoje?
-Se não me barrarem na entrada do colégio, vou sim. -Disse ele, com um sorriso torto na cara.
Caminhamos até a parada de ônibus, que estava excepcionalmente lotada. Bom, eu pensava isso, até ver o estado em que o ônibus se encontrava. Mas eu não tinha opção, era isso, ou a bela face da pior megera/coordenadora do mundo, a maravilhosa Aparecida, me dando uma advertência.
Faltavam cerca de 15 minutos para o sinal tocar, e eu ainda não estava nem no meio do caminho. Perfeito, terei de esperar passar-se um horário inteiro perdendo a melhor aula da semana, ao lado da lenda viva.
(Jaz uma lenda, que se você falar "Aparecida" três vezes, dentro de uma escola, um monstro terrível aparece e petrifica todos com seu olhar fulminante)
Ao menos eu tinha o Gustavo para me acompanhar, pelo menos por hoje. Onde pessoas de outras escolas podem entrar despercebidas e assistir as aulas.
...
Entrei na sala de aula já no segundo horário, quase não haviam lugares disponíveis, então eu e o Gus tivemos de sentar no fundo da fila da parede (Que por acaso, sempre foi a minha favorita). Todos estavam se apresentando por ordem alfabética, e eu, com toda a sorte do mundo, fui a primeira a ser chamada.
"Alice, fã de Fresno, futura escritora."
Em seguida, chamaram uma guria que me prendeu a atenção.Não sei se foi o seu olhar, seu sotaque bobo ou seu sorriso envergonhado. Só sei que no momento em que á vi, soube que ela seria parte da minha vida. A mais importante, talvez.
"Seguindo o exemplo, Ana Clara, Beatles, futura fotógrafa."
Após isso, nada de interessante ocorreu na aula. Apenas nos mandaram copiar algumas páginas, e eu fiquei conversando, um pouco deslocada, com o Gustavo.
Até que do nada, chega a "Anita" (Tenho mania de criar apelidos "fofinhos" para as pessoas, mas quase ninguém sabe disso) e me pergunta:
-Oi, tu é canhota?
-Ahn, sou. — Respondi sem jeito -Por quê?
-Na verdade eu estava apenas procurando um assunto, sabe?
-Oi, como vai você, gatinha? Eu existo também. -Interveio Gustavo, brincando.
-Oi
-Nossa, que "Oi" seco. Vamos de novo.
-Parou a palhaçada, Gustavo. Deixa a...
-Ana
-Desculpe guria, deixa a Ana em paz.
-Então fiquem aí logo, aproveitem e se comam.
-Também não é assim.
-Mas seria uma boa -Disse a Ana, com uma cara de safada.
Nós rimos, e logo em seguida, o ultimo sinal toca. Hora da saída. Arrumei meu material e me despedi da Ana, a abraçando. Até o momento, tinha sido o melhor abraço que eu já havia recebido. Era confortador e aconchegante. Mas isso não foi capaz de tirar esse dia do topo da lista dos "Piores dias da minha vida".
Teria sido ótimo simplesmente ir para casa, se não fosse a chuva torrencial que raramente cai por aqui.
Cheguei encharcada e tossindo, quase morta de cansada. Nem tirei a roupa molhada e me deitei, deixando tudo igual ao exterior do meu apartamento. Devidamente molhado.
O que aconteceu quando acordei, ah, isso é história para outros capítulos.
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