Só Existe o Agora
6 "Nós Dois Agora"
Notas iniciais
Realmente Wagner estava certo quando disse que não demoraria muito para sair daquela mansão. Meia hora depois, ele foi dispensado. Fez tudo o que tinha que ser feito, não havia mais nada. Ele saiu com Maciel de lá. Com os presentes e a comida.
Pegaram uma condução, foram de ônibus. Sorte deles que o veículo estava vazio, afinal era noite de Natal. Mesmo assim, tinham aqueles que tinham a ingrata missão de trabalhar em um dia tão especial, como foi o caso do mordomo.
Demorou um pouco para eles chegarem ao destino. Era um ponto escondido, e nada glamouroso da cidade. A rua era um pouco escura. A aparência do prédio em que ficava a quitinete de Maciel não era a das melhores. Eles subiram a escadaria e chegaram ao apartamento. Era um quarto pequeno, um pouco maior que o quartinho que os dois ficavam na mansão. E havia uma porta que dava para um minúsculo banheiro.
— Só não repare na bagunça. Eu tentei fazer o meu melhor.
Na verdade, não estava bagunçado. Estava antes, mas o moreno tratou de arrumar o lugar para receber o parceiro. Nele havia um colchão velho em cima de um estrado. De um lado, um guarda-roupa velho Do outro, uma geladeira velha e uma pequena pia. Estava até arrumado, mas era nítido que o lugar estava abandonado.
Maciel raramente ficava no apartamento. Estava sempre no trabalho, quase não tinha descanso. Com o pouco dinheiro que sobrava, comprou aquele lugar. O resto da grana era para pagar o tratamento de sua mãe, extremamente doente, que acabou falecendo. Ele já não tinha mais uma família. Aquela quitinete era o único lugar que ele tinha.
Os dois sentaram na cama, o único lugar para ficar, e comeram a ceia nos próprios potes mesmo. A comida realmente estava deliciosa. O tatuado era um cozinheiro de mão cheia, ninguém poderia negar. E foi esse talento pela cozinha que o levou a cidade grande.
Veio pra São Paulo não fazia muito tempo para fazer cursos de gastronomia e aperfeiçoar a tecnica. Fez alguns poucos cursos, e faria mais se o dinheiro não tivesse acabado. O jeito foi pegar mais pesado no trabalho. Trabalhou em restaurantes e casas de famílias até chegar a ser contratado para trabalhar na Mansão Khoury.
Foi o próprio Felix quem selecionou e contratou. Wagner tinha suas qualidades como copeiro, mas não foi isso que o patrão viu para admiti-lo. Poderia ser mais um amante que ele esconderia embaixo do nariz de todos. Mas o que ele não esperava era que o próprio seria o traído da história.
Edith viu no mordomo o homem de verdade que ela queria por perto, e que Felix nunca foi. E Wagner não só percebeu as investidas daquela mulher carente, como correspondia. Os pequenos flertes logo se transformaram em um caso intenso de sexo. Quase todas as noites, o copeiro entrava no quarto do executivo da San Magno e os dois se entregavam ao prazer sem qualquer medo.
Aquela mulher era uma leoa sedenta, queria cada vez mais aquela excitação que sentia naquela cama. Um vício que também tomava conta de Wagner, que se via mais envolto no prazer que ela proporcionava. E o tatuado não deixava por menos, era um verdadeiro animal que poderia deixar qualquer um em êxtase.
Ele realmente estava gostando daquela situação. O perigo de ser amante lhe excitava. Não tinha medo do que aconteceria, tinha absolutamente nada a perder. Mas essa paixão intensa se tornava muito pouco para o que ele queria oferecer. Ele realmente amava Edith, e não a queria apenas na cama, queria uma vida com ela. Ser “o outro” deixava de ser interessante para ser cansativo.
Não ligava se fosse descoberto e até desejava que isso acontecesse, pois assim tudo aquele teatro acabaria e os dois poderiam viver juntos e felizes. E viu essa chance crescer quando ela deixou a mansão e se separou do marido e se viu forçada a trabalhar com a mãe em uma loja de roupas de grife.
Mas não era isso que Edith queria. Mesmo com tanta insistência, estava presa demais no luxo que sempre viveu, que não conseguia se ver ao lado de um criado. A felicidade que ela deslumbrava era outra, mesmo sendo apenas uma aparência.
E quem sofreu mais com tudo isso foi o próprio copeiro. A sensação de ser usado que poderia ter sido boa lá atrás já agonizava. A visão de vida feliz a dois que ele nutria era pura ilusão.
Depois de comerem a “ceia” deles, Maciel foi até a pequena geladeira e pegou duas garrafas de cerveja. Os dois brindaram com as latas, e desejaram”Feliz Natal”. Wagner não se importava nem um pouco por não ter um Natal chique, não tinha motivos para ter. O fato dele trabalhar com luxo não significava que ele só gostava de viver nisso.
— Olha Wagner, vou te dizer. Você manda muito bem na cozinha, cara.
— Poxa, brigado.
— Se eles lá não querem comer, sobra mais pra gente, né? — Riu.
— É isso mesmo. — Riu junto.
— Quando é que você vai voltar a fazer aqueles cursos? Você disse que faz tanta falta.
— Faz falta, mas também falta tempo, você sabe. Vou ver ano que vem se der, aí eu pego pra valer.
— Acho que você deveria investir nisso. Você é muito bom.
— Valeu. Fico feliz que acredita em mim. Pelo menos você acredita.
— Eu sempre acreditei em você, sabe disso.
— É verdade. — Deu um sorriso singelo. — Mas, eu não sei se acho bom eu continuar com isso.
— Como assim?
— Já não tô mais tão empolgado. Sabe que eu tive que parar por conta do trabalho. Mas agora…
— Mas não é o seu sonho? Abrir um restaurante?
— Sim, mas tanta coisa aconteceu que eu nem sei mais.
— Perdeu a vontade?
— É isso. Não sei se vale mais a pena. Eu só me animei um pouco pra voltar por causa da Edith. Queria poder dar uma vida pra ela. Mas ela não tá interessada.
— Olha, sabe o que eu acho? Que você tem que parar de se preocupar com gente que não merece. Se você foi investir nisso tem que pensar em você. É o teu futuro.
— Eu sei, mas… falta vontade.
— Acho que eu entendo. Mas, tenta deixar isso pra lá. Eu sei que é difícil, mas você tem uma vida pela frente. Tenho certeza que você vai conseguir ser feliz no que quer.
— Nossa. Você acha isso mesmo?
— Claro que eu acho. Você tem muito mais pra viver. Diferente de mim.
— Diferente? — Estranhou. — Por que você tá falando isso?
— Você pode ser o que você quiser. Ter a vida que quiser. Já eu vou ser pra sempre o motorista pé rapado que só se fode na vida. — Abaixou a cabeça.
— Sabia que não devia ficar se menosprezando?
— Não é menosprezar, é verdade. Eu não tenho futuro, nem ninguém. Nem sei se dá pra chamar isso de vida. — Deu um gole na cerveja.
— Você tem a mim. Tá bom? — Sorriu.
— Eu sei. — Retribuiu o sorriso. — E isso me deixa um pouco triste também.
— Ué? Por que?
— A gente tá junto, estamos muito bem. Eu tô amando tudo. Mas eu sei que isso não vai durar. — Suspirou. — Depois que eu deixar o emprego, eu vou pegar outro sabe-se lá aonde. E vamos nos distanciar. Não tem jeito. E tudo isso só vai ser uma lembrança bonita.
— É. É verdade. — Se entristeceu. — Tava tudo tão bom que até me esqueci disso.
— Queria que isso durasse pra sempre.
— Eu também. — Os dois se olharam. — Mas… Maciel. Vamos tentar esquecer isso. Sei lá...— Colocou a lata de cerveja no chão. — Eu já falei, se esse é os nossos últimos momentos, pelo menos vamos aproveitar.
— É o que a gente tá fazendo. Mas eu tenho medo.
— Medo de que?
— Medo de acabar me decepcionando. Ficar me iludindo como das outras vezes. E voltar a fazer besteira como antes.
— Não precisa ter medo, cara. Eu tô aqui. — Ele se aproximou. — Também tenho meus problemas mas a gente vai superar juntos. Pode ser?
Por mais que Maciel serja um homem grande e forte. Emocionalmente era como se fosse um garoto. Só Wagner conseguia ver isso nele.
— Pode ser. — O barbudo sorriu.
Ele também se levantou. Aproximaram-se lentamente, e após alguns segundos trocando olhares, Maciel agarrou parceiro dando um beijo delicado que ficava mais intenso. O tatuado cedia e se entregava aquele momento. Um beijo selvagem com uma agarração forte que por pouco, não fez os dois caírem.
Não demorou nada para que tudo que estivessem em seus corpos fossem jogados ao chão. Eles queriam sentir a pele de um em contato máximo com a do outro. Maciel conduziu Wagner até prensá-lo bruscamente contra a parede gelada. O rosto do maior estava vermelho de tanta excitação que mostrava. Mais beijos, mais toques, muito mais roçadas. Os dois corpos pareciam imãs que não queriam se desgrudar em nenhum momento.
Naquele momento nada mais importava, qualquer atitude e pensamento racional sumira. Haviam apenas dois homens agindo como selvagens se entregando por completo aos sentimentos que tinham contido outrora.
As mãos percorriam por todo o corpo até desceram para as bundas. Era uma coisa insana e viciante tocá-las e apertá-las. Wagner hipnotizado em sentir o bumbum farto do barbudo, e Maciel em passar a mão pelas nádegas redondas e durinhas do tatuado.
E foi pela bunda que o motorista o pegou pelo colo. Pelados, ele conduziu até o colchão colocou lá. Jogando-se em cima lançando mais outro beijo feroz, com extremo contato físico. Maciel era realmente um homem forte, seu corpo que estava por cima fazia um peso no tórax de Wagner, e ele quase não conseguia respirar. Mas era algo que o tatuado pouco se importava, só queria aquilo. Nenhum dos dois pensavam no que estavam fazendo, e estava sendo maravilhoso.
Os membros se roçavam fortemente enquanto o mais alto fazia movimentos de vai-e-vem. Ele se curvou para chupar e lamber os mamilos do tatuado. Aqueles bicos salientes sempre lhe chamaram a atenção, mesmo não sendo da mesma maneira que chamavam naquele momento. Depois, ele se posicionou com o corpo no sentido oposto ao seu parceiro, ainda por cima, começando um viciante 69. Um saboreando o membro do outro sem cerimônia.
O oral naquela posição de igualdade pareceu ter durado uma eternidade, e eles queriam que fosse desse jeito. Até que eles desceram seus rostos até os orifícios. Tornou-se um 69 de cunete, entre lambidas, e principalmente, dedadas.
Era a primeira vez que estavam transando com penetração, e não se acanharam em nenhum momento com a dor e o incomodo. As dedadas serviriam para isso, e para o que viria a acontecer depois.
— Wagner. — Disse baixinho sem conseguir falar direito, nem respirar. — Eu trouce camisinha.
— Você quer tentar? — Perguntou enquanto os dois saiam da posição.
— E você quer tentar?
— Acho que já estamos aqui, não? — Deu um riso frouxo. — Eu topo tudo.
— Podíamos tentar isso juntos.
— Como assim?
— Podemos fazer uma troca, algo assim.
— Entendi. Eu tento e você tenta.
— Se você quiser você faz comigo. Aí depois eu faço com você.
— Tem problema pra você?
— Relaxa. Estamos juntos nessa. — Pegou Maciel pela nuca e deu outro beijo.
O barbudo se levantou pegou uma das camisinhas que estava na cartela. Voltou para o colchão, de joelhos colocou o preservativo no seu membro que pulsava tamanho tesão. Wagner deitou-se abrindo bem as pernas, Maciel se aproximou. e colocou seu membro vagarosamente no orifício dele. Foi quando o tatuado começou a se contorcer com o incômodo. Era a sua primeira vez, a sensação estranha era inevitável. A dor só não foi pior pois já tinha sido devidamente lubrificado.
Wagner meio que instruía o parceiro como ele deveria fazer. Maciel foi vagarosamente, e ficou por alguns minutos assim. Tentava se controlar, o buraco dele era tão apertado e quente. Foi quando o mordomo autorizou que ele começou a meter com mais velocidade. O tatuado mordia os lábios com o sexo, estava aguentando muito bem. A visão também era muito boa. O moreno ficava extremamente másculo metendo daquele jeito. Sua virilidade vinha a mil e tornava o momento muito mais picantes.
Enquanto socava com mais força, Maciel beijava as pernas do tatuado. Tão bonitas e torneadas, que naquele momento estavam nuas e tão próximas. E depois se curvou para para selar sua boca nos lábios fartos dele. Era impossível aquele contato corporal ficar mais extremo e excitante, mas ficou. Aqueles dois rapazes já não estavam mais curiosos, só queriam explorar os corpos e as sensações tão intensas.
Muitos minutos depois, quando o sexo quase fez Maciel gozar, ele parou o que estava fazendo.
— Agora é a minha vez.
— Tem certeza?
— Tenho. — Deu um sorriso frouxo.
Foi a vez de Wagner pegar uma camisinha e colocar no seu membro, enquanto Maciel deitou-se de bruços. A visão daquela bunda tão peluda e grande fez o tatuado não resistir e dar mais uns apertões.
Ele se ajeitou e posicionou para penetrá-lo vagarosamente. Maciel não falou nada, só deu gemidos com sua voz grossa. O tatuado já ficava louco com a penetração, tão quentinho. Enquanto o motorista mordia o travesseiro tamanho a dor. Ele não tinha a mesma resistência de seu parceiro. Mas como um homem que já passou por tudo na vida, ele fez questão de aguentar aquilo, e querer mais.
As socadas ficaram mais velozes e violentas. Maciel gemia incontrolavelmente, só conseguia parar com os beijos de Wagner. O sexo fez ele entender porque o tatuado era tão requisitado na cama. O copeiro era tão animal no sexo quanto o choffer.
Já bem suados e ofegantes, eles pararam. Se posicionaram sentados um de frente para o outro e um começou a masturbar freneticamente o outro. Wagner gozou primeiro, seu membro estava sensível pelo anal, e gemeu muito com o orgasmo. Depois Maciel lançou seus urros, e seu jato de esperma.
Trocaram olhares e voltaram a se beijar, se deitaram abraçados e continuaram o beijo.
Dormiram alí mesmo, naquele colchão velho com estrado. O sol mal nasceu por completo quando Wagner acordou. Se viu deitado de costas para a cama, com Maciel de bruços lhe abraçando e dormindo pesado. Os dois completamente nus, apenas com um lençol que cobria mal as pernas.
Sorriu ao se ver nessa situação nova. Sendo abraçado por um homem com braços tão fortes. Obviamente ele era o que sempre abraçava, e a posição oposta era muito boa. Uma sensação de aconchego, proteção, paz. Principalmente quando esse abraço de alguém que ele amava tanto.
Um amor tão bom, que ele sabia que não duraria por muito tempo. A menos que o destino seja irônico mais uma vez. Ou pense em algo que traga algo definitivo para a sua felicidade, e a dele.
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