Só Eu Quem Quis...

3 Capítulo 3: O Vácuo no Lugar do Toque


Sasuke estava pronto para partir novamente. A cena se repetia como um filme antigo, riscado, que eu insistia em assistir. O sol mal havia nascido, e as sombras nos portões de Konoha pareciam dedos longos tentando segurar o que já estava destinado a ir embora.

Eu dei um passo à frente, esperando um abraço, um beijo real, algo que fizesse meu coração sentir que eu não era apenas uma figurante na história dele. Mas, como sempre, ele parou a uma distância segura.

You say I'm unfamiliar, changed into the one you used to love (Você diz que sou estranha, transformada naquela que você costumava amar).

Ele estendeu a mão e, com dois dedos, tocou minha testa. O famoso gesto que ele herdou de Itachi. Por anos, eu romantizei esse toque. Eu dizia a mim mesma que era o "beijo Uchiha", que era a promessa de um retorno, que era mais íntimo do que qualquer palavra.

Mas hoje, o toque pareceu frio. Pareceu um botão de "pausa". Um gesto para me manter onde eu estava, para me calar, para garantir que eu continuasse esperando sem reclamar.

I wanna be a good man, just for you (Eu quero ser um bom homem, apenas para você).

Eu queria ser a mulher perfeita para ele, a que entende o seu silêncio e aceita sua distância com um sorriso heróico. Mas quando ele se virou e começou a caminhar, eu senti o vácuo. O espaço entre nós dois não era feito de quilômetros, era feito de falta de entrega.

Eu ficava ali, parada, tocando o lugar na minha testa onde os dedos dele estiveram. Eu tentava transformar aquela pequena pressão em uma chama para me aquecer durante os meses de solidão que viriam. Mas a chama não acendia.

Why you sad? I don't know. I don't know (Por que você está triste? Eu não sei. Eu não sei).

Se alguém me perguntasse por que eu estava chorando, eu teria que mentir. Diria que era saudade. Mas a verdade era mais profunda: eu estava triste porque percebi que ele não me toca para me sentir; ele me toca para me afastar gentilmente.

Só eu quem quis ver amor em um gesto de despedida. Só eu quem quis acreditar que o silêncio dele era "profundidade", quando talvez fosse apenas vazio.