Notas iniciais
Boa noiteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee

Dominique

Eu e Aron já nos reunimos mais de uma vez, não assim, em um papo só os dois, estamos sempre nos cruzando, acenando, hora ele está em companhia de alguma mulher, namorada, noiva, hora eu estou em companhia de algum homem, nunca, namorado, noivo. Quando paramos em um ambiente para dialogar, estamos com nosso grupo de amigos em comum e apenas conversamos despreocupados, entre riso e provocação. Essa é a primeira vez que me vejo sozinha tendo ele como meu único interlocutor, vamos ver quanto tempo dura.

— Então a noite foi ruim. – Ele constata. Balanço a cabeça em negação.

—Não, o cara era um idiota, só falava de si mesmo, se elogiando a cada frase, mas eu me divertido.

— Não foi o que pareceu quando eu estava de saída, achei que estava odiando.

—Estava, acenei pedindo socorro, meu olhar era algo como, “me salve, Aron” você não entendeu, foi embora, então eu apenas resolvi rir do que era inevitável, fiquei mais um pouco e então fui para casa.

— Você faz isso como ninguém. Ri de tudo que te cerca.

—Sou positiva, tenho um olhar esperançoso, também sou linda. – Brinco para vê-lo sorrir em concordância.

— E o cara é que ficava só falando de si mesmo? – Provoco.

—Vê, ele devia ficar a ouvir o quanto sou maravilhosa. – Ela responde a brincadeira. Leva a taça aos lábios, eu a imito. O bar está cheio e acabamos ficando no balcão, Savannah está ocupada e Ethan também. – Me conte, trabalhou hoje também?

—Sim. Eu e o Theodor temos tido dias bem corridos, pleno domingo o escritório funcionou normalmente, e será uma semana agitada, tem algo grande que estamos querendo realizar, uma negociação intensa, tinha tempo que não reuníamos a diretoria, tanta coisa pelo caminho.

—Exaustivo só de ouvir. – Ela diz ajeitando os cabelos, tem as mãos bonitas, dedos longos e enfeitados com anéis e unhas pintadas da mesma cor do cabelo.

— Depois vamos ter uns dias de folga.

—Serena me disse, vão fazer a festa da Maitê e em seguida viajar.

— Nem me lembrei disso, não comprei presente e nem parabenizei a menina. – Ele diz um tanto arrependido.

—Não tem nada demais esquecer coisas como essas. – Eu o tranquilizo.

— Você se lembrou?

—Sou uma Paradise, claro que sim. Só não comprei o presente ainda, a festa será na próxima semana, então tem tempo.

—Não sei o que se dá a uma garotinha. – Ele comenta.

— Quer ajuda? Sou ótima em comprar coisas. – Me ofereço, não leva um segundo para me arrepender, eu e Aron fazendo compras juntos? Não parece nada natural.

— Claro, seria muito bom. Devo ter um tempo amanhã, na hora do almoço. O que acha?

—Perfeito, passo no seu escritório. Almoça tarde? – Questiono e seu riso é contagiante.

—Dominique não acorda cedo. – Ele comenta e dou de ombros tomando mais um gole do champanhe.

— Nunca! Por que foi embora, a garota não era legal? Te deu o fora?

—Tem uma péssima ideia sobre mim. Não sou assim tão insuportável, na verdade eu escolhi ir embora. Não, ela não era chata, parecia ser ótima, era médica.

— Entendo, tinha que acordar cedo, bom menino. – Ele me sorri.

— Achei que era tolice investir em alguém que eu veria tão pouco, no fim, a carreira viria em primeiro lugar e de novo isso na minha vida não rola.

—Aron. – Digo séria. – Você me apavora. Sério que pensou em tudo isso naqueles minutos em que ficou com a moça? Você já organizou em sua cabeça uma linda e curta história de amor com um final infeliz?

—Sim. – ele responde sem qualquer pudor.

—É assustador.

— Vindo da pessoa que foge de relacionamentos por que como eu, organiza em sua cabeça uma linda história com final feliz?

“Touché”, ele tem razão, eu posso mesmo ser essa pessoa, não que vá admitir, mas sim, ele está certo, somos iguais só que opostos. Coisa estranha.

—Está completamente errado, não faço isso. – Aviso apenas para ir contra suas palavras. Ele não faz questão de provar seu ponto de vista, não entra em uma discussão em busca de me mostrar sua visão. Apenas toma mais meio taça de champanhe e volta a encher nossas taças.

— Sabe que morro de saudade do velho Paradise? – Ele muda o rumo da conversa. – Quando era quase um bar exclusivo.

— As vezes também sinto. – Admito. – Claro que eu amo o sucesso da minha amiga, mas amava conversar e beber sem gente esbarrando em mim.

A música fica mais alta, sem pensar muito, damos um passo para frente e ficamos mais perto.

—Frequenta outros lugares? – Ele pergunta se aproximando mais e sinto seu perfume quando seus lábios vêm quase a minha orelha. Aron tem um perfume marcante e isso diz muito sobre ele.

— Sim. – Dessa vez são meus lábios a irem quase a seu ouvido e sinto ainda mais intensamente seu perfume. – Muitos lugares, amo sair, nem todos os dias estou no Paradise.

— Legal. – Ele diz apenas. Então nos viramos para ver as pessoas, algumas começam a dançar enquanto a maioria conversa. Sempre conversas ao ouvido, riso, gritaria, bebidas derramando enquanto pessoas tentam caminhar.

Uma garota passa por nós, seu olhar se volta duas vezes em direção a Aron, ela o achou atraente, me viro de modo discreto para analisa-lo. Ele é mesmo um gato, acho que é esse jeito bom moço, talvez... não sei, Aron realmente é interessante.

Não consigo evitar pensar nele sem camisa, entregue a paixão, talvez ele seja o tipo certinho, que nunca se excede, nunca inova.

— Acho que ela gostou de você. – Aviso, nem sei porque faço isso, qualquer coisa em mim rosna.

— Eu não prestei atenção, estamos bebendo juntos, não é? – Afirmo. – Então minhas atenções são suas, ao menos enquanto estamos... dividindo a noite. – Porque mesmo ele está sozinho? É realmente o tipo de coisa que alguém gosta de ouvir.

— Mais champanhe? – Eu digo um tanto encantada e me sentindo idiota e eu nunca me sinto idiota. Não é o caso de ser alguém que não vou ver nunca mais, é o Aron, temos muito em comum, nos vemos em festas, temos amigos especiais em comum e não ignorar isso.

—Claro. – Ele nos serve. As pessoas continuam a festejar e nós dois a conversar, até consigo rir de uma situação ou outra. Aron tem histórias divertidas.

—Toma outra garrafa? – Ele oferece.

— Nunca recuso champanhe. – Aviso para o caso dele não ter percebido. – Mas eu pago.

—Nem pensar, é minha convidada.

—Ok, vivo de mesada. – Não me importo em admitir e muito menos em aceitar, Aron acha graça.

—Mais uma Ethan. – Ethan leva pouco mais que um minuto para nos entregar a garrafa e menos de dois segundos para desaparecer. – Notou que eles estão nos evitando? – Aron me questiona.

Desvio meus olhos, Savannah está atendendo um grupo que presta total atenção em seu preparo de drinks. Ethan lava copos.

—Acho que só estão ocupados. – Eu não sei se é verdade, talvez estejam mesmo nos evitando. Se for, sei exatamente o motivo. – Mas pode ser que eles apenas queiram a gente se... pegando, entende?

— Theodor veio com essa. – Ele me conta, nos olhamos, eu e Aron? – Não. – Dizemos juntos e acabamos por rir. Abro o champanhe, eu não sou garota de ficar a espera de atitude de homem, nos sirvo.

—Não pensa em trabalhar? – Ele me pergunta.

—Penso em ser feliz. – Admito. – Se quer saber se sinto algum tipo de culpa moral por viver de mesada, não. Não sinto.

—Por mim tudo bem, a vida é sua.

—Sério? Minha? Nem tinha reparado.

— Dominique, passo pelo menos oito horas por dia com Theodor Fitzalan, não pode me atingir com seu cinismo, estou acostumado com esse... humor. – Ele me avisa, ergo uma sobrancelha, parece um bom desafio.

—E o que o atinge?

—Por que eu diria? Não tenho intenção de armar você. – Ele responde de modo simples, viro a taça, adoro as borbulhas, elas irritam, dão uma leve coceirinha no nariz e então a boca se enche de sabor, leveza e memórias. – Descubra.

— Cuidado com o que deseja! – Ameaço para ganhar um sorriso diferente, tem qualquer tom de promessa, me intriga.

Meu olhar corre o bar para encontrar com Eugene entrando, eu sabia que não devia ter dito que vinha sempre aqui, não foi nada fácil me livrar dele ontem e lá vem ele hoje atrás de mim.

—O que foi?

—A companhia de ontem resolveu voltar. – Respondo decepcionada.

—Quer ajuda para se livrar dele?

— Sou Dominique Chermont, ninguém fica em meu caminho a menos que eu queira. Obrigada, mas faço isso sozinha. – Aron não parece disposto a insistir, eu gosto que ele não seja um babaca que acha que uma mulher não pode resolver seus próprios problemas.

—Posso assistir? – Ele diz rindo. – Quero ver como é levar um fora por outro ângulo. – Agora sou eu a rir, não tenho mais tanta certeza que ele leve muitos foras por aí. Aron é uma companhia bem divertida.

O homem se aproxima, tem aquele sorriso preparado em consultórios dentários, alinhamento e branqueamento perfeitos, não que seja ruim, mas no caso dele parece artificial, pequenas irregularidades as vezes são mais bem-vindas que a perfeição calculada.

— Boa noite! – Ele diz com uma mão em minha cintura e depositando um beijo em meu rosto. – Não tinha ideia que a encontraria tão rápido, uma grata coincidência. – Eugene diz na maior cara de pau do mundo, apreciaria tanto se ele ao menos admitisse suas intenções.

—Não é nada demais, ontem eu disse que vinha muito aqui.

—Ah! É mesmo, não me lembrava. – Péssimo ator. Ele finalmente encara Aron. – Estou no meio de algo?

— Não. Eu sou o amigo gay. – Meu ataque de riso quase me faz engasgar. Nunca pensaria em ouvir algo assim dele. Dito de modo natural, sem mover um músculo que criasse a impressão de ser uma piada. – Aron! – Ele estende a mão, Eugene aperta um tanto inseguro, dá um passo para longe. Aqui temos a clara diferença entre um homem confortável com sua masculinidade e outro que morre de medo de coloca-la a prova. Aron sabe quem é. Admiro isso também e está na hora de parar de beber, porque já estou admirando meu velho desconhecido mais do que o normal.

— Eugene. – O homem se volta para mim, sorri de novo, o mesmo sorriso preparado que ele usa para convencer todas as garotas de que elas tem sorte em conhece-lo e receber suas atenções, não eu. Nunca comigo.

— Veio sozinho? – Procuro pelo grupo de amigos chatos da noite anterior.

— Sim. – Ele responde, sua mão volta para minha cintura. – Quem sabe me faz companhia?

— Estou dando conselhos amorosos ao meu amigo, ele brigou com o namorado. O que acha? Pode nos ajudar? Já namorou um homem? – Eugene engole em seco começando a me achar maluca. Parecer desequilibrada sempre ajuda.

—Não. Eu sou... heterossexual.

—Ah, verdade, que pena. Quer beber champanhe? Quem sabe nos conta um pouco de você? É médico, não?

— Engenheiro. – Ele responde chocado com o fato de que não me lembro que ele repetiu isso pelo menos uma dúzia de vezes.

— Sério? Jurava que o médico era você. Será que foi o cara de antes?

— Esse era professor. – Aron diz tomando mais um gole de champanhe.

—Então foi o último. O que me levou para casa, sabe aquela parte que te contei?

— Foi uma noite agitada. – Aron dá de ombros. – Tinha certeza que o engenheiro era o que tinha amarrado na cama.

— Eu... eu me lembrei, tenho que ir encontrar um amigo. Foi bom rever você. – Eugene me beija o rosto e nos dá as costas. Enquanto rio, Aron balança a cabeça em negação.

—Pobre homem, acabou com a noite dele, podia só ter dito não.

— Mas não teria graça e você bem que ajudou.

— Não resisti. – Ele diz me olhando de um jeito diferente. Meu coração reage, conheço meu corpo, sei quando ele domina, mas não sou tão íntima do meu coração. É estranho vê-lo reagir.

Ficamos rindo pelo resto da noite. Três garrafas de champanhe, quando Savannah me entrega a terceira vejo qualquer coisa de dúvida em seu olhar, respondo com uma piscadela.

—Acho que o Paradise vai fechar. – Aron comenta. – As pessoas começam a partir.

— Por que está perdendo a graça, vamos anima-las. – Eu o puxo pela mão em direção a pista. Não é bem uma pista, é mais um espaço perto do palco, onde pessoas agora dançam agarradas ou conversam de modo intimo. Seduzi-lo começa a parecer uma ótima ideia, não acho que ele esteja pensando diferente, Aron não está fugindo, minha dança sensual, distante dele e diferente de todos os casais em torno parece anima-lo, seus olhos passeia por mim.

— Não vem dançar?

— Não acho que precise de um par. – Ele responde sem desviar os olhos de mim. Dou um passo em sua direção. Ficamos frente a frente, próximo demais, mais perto que muitos casais dançando em torno, mas não o toco e não sou tocada por ele, continuo a me mexer no balanço a música, ele não dança, mas não foge, minha boca seca, meu corpo acende.

— Acho que vou beijar meu amigo gay.

— Acho que pode convence-lo a mudar de ideia. Isso é com você. Será que é boa o bastante na arte do convencimento?

— Parece disposto a descobrir.

Era só um joguinho de sedução, essa devia ser a exata hora em que ele foge levando em conta que não sou para casar e ele não tem nada a ver comigo, mas o que acontece é completamente diferente. Sem que me de pistas, Aron simplesmente mergulha uma mão em minha nuca e a outra em minha cintura em um movimento decidido e então sua boca cobre a minha e não tem um pedido de licença, só me resta uma coisa a fazer. Envolver Aron e saborear o beijo inesperado e poderoso.

A música até desaparece e realmente me esqueço onde estou, ele tem força, tem charme, ele é péssima ideia. Por isso é tão bom.

Sinto seu corpo contra o meu em um convite para mais do que beijos, uma garota sensata o afastaria, levaria em conta todo o resto e terminaria com isso. Ainda bem que ninguém pode me acusar de sensatez.

Nos afastamos para respirar. Quem foi que decidiu que respirar é importante? Passou da hora do ser humano evoluir.

— O Paradise vai fechar. – Aviso.

— Uma garrafa de champanhe acaba de ser aberta, vamos deixa-la para trás? – Nego. Eu estou gostando disso. Puxo Aron pela mão de volta ao balcão. Pego a garrafa, aceno para o casal boquiaberto que não reage e nem mesmo consegue acenar de volta, pisco para Savannah pálida de surpresa e então caminho para deixar o Paradise ao som da sineta mágica.

A noite nos recebe com um vento frio e revigorante, hora de despertar e retroceder, só consigo levar a garrafa aos lábios e tomar um longo gole em seguida oferecer a ele que aceita.

— Te levo em casa.

— Aron, estava indo bem, não faça o jogo. – Digo aceitando a garrafa de volta.

— O jogo de me despedir na porta e pedir para subir para chamar um taxi e então... ficar?

—Esse jogo! – Digo rindo enquanto atravessamos a rua correndo como se tivesse algo além de nós dois e as luzes da incansável Nova York.

— Não vou fazer.

— Vai se despedir na porta? – Aponto a direção com a garrafa antes de leva-la mais uma vez aos lábios.

— Vou dizer que beijar você parece bom demais para me despedir. – Ele diz me puxando para si e então nos beijamos longamente, a garrafa em minha mão, a outra a descansar em seu peito, seu braço a me envolver pela cintura.

—Vem. – Convido decidida a me arrepender amanhã. – O bom do champanhe é que leva ao menos doze deliciosas horas antes da crise de arrependimento.

Meu prédio parece cada metro mais distante, apressamos o passo, ele segura minha mão, praticamente corremos, finalmente vejo meu edifício quando viramos a última esquina.

— Devíamos ter vindo de taxi. – Digo rindo quando antes de entrarmos ele me puxa mais uma vez para um beijo.

No elevador, assim que a porta se fecha. Aron se cola a mim, meu corpo contra o aço frio da parede, sua boca cobre a minha e seu corpo se cola ao meu sem deixar duvidas do desejo que ele sente.

— Tem câmeras aqui? – Ele pergunta em meu ouvido.

—Infelizmente. – Aviso meio perdida no tempo enquanto sua boca corre por meu pescoço e suas mãos passeiam por mim sem medo ou permissão.

A porta se abre, deixamos juntos o elevador, o champanhe se foi há dois quarteirões. Me sinto leve, feliz, mas não inconsciente ou perto disso.

Não da tempo de fechar a porta, ele me puxa de volta, está mesmo ansioso e nada me excita mais do que ser desejada. Ele mesmo empurra a porta enquanto vamos nos beijando aproveito as mãos livres para livra-lo da gravata, e começar a desabotoar sua camisa, suas mãos me ajudam com o casaco.

— Sofá?

—Prefiro a cama. – Digo puxando Aron pelo cinto agora que seu peito está nu e estou cuidando de livra-lo do resto.

Atravessamos o corredor, na porta do quarto, ele me encosta na parede, seus dedos são hábeis e antes que perceba, o vestido está na cintura e ajudo a passar pelos quadris e então sinto sua pele quente de encontro a minha.

Minhas mãos correm por suas costas e admito que já havia imaginado como seria tocar sua pele. A boca dele desce pelo pescoço, sinto um arrepio louco me percorrer e então seus dedos sobem por meu ventre, passeiam por minha barriga de encontro aos seios e ele tem mãos firmes e ao mesmo tempo suaves.

— Só mais uns metros e chegamos a cama. – Aviso, ele ri, se afasta e então entramos finalmente no quarto, Aron tropeça em algo. Enquanto acendo o abajur ao lado da cama.

—Dossel? – Ele diz um tanto chocado e agora distante.

—Que?

—Sua cama é... isso é um dossel.

— Sério? – Digo surpresa.

— É o tipo de cama de garotas românticas, você... sabe, aquelas que sonham com sheiks árabes.

— Aron, cala a boca. – Eu o puxo. O desejo não se apagou, ele sorri antes de deixar o sorriso morrer em mais um beijo sensual e cheio de promessas.

Quando nos afastamos, ainda sem palavras, apenas despimos o que falta e me deixo ser admirada, ele não me coisas românticas, nem sensuais, ele não elogia minha nudez, apenas admira por um instante com um meio sorriso que diz tudo e ao mesmo tempo é cheio de segredos e então estamos de novo nos braços um do outro e finalmente deitados.

Seu corpo pesa sobre o meu, seus dedos passeiam sobre minha pele, sua boca segue o caminho me enchendo de fogo e queimar é minha religião.

Fecho meus olhos aproveitando cada segundo, nossos corpos parecem velhos amigos, como se de algum modo, ele soubesse o que fazer, onde meu corpo reage, onde o prazer me atinge e sinto vontade de devolver a ele o mesmo prazer.

— Estou achando tudo isso péssima ideia. – Aviso. – Ainda bem que nunca tenho ideias boas.

— Nem eu. – Me movo, dessa vez, meu corpo fica sobre o dele, suas mãos percorrem minha pele. Seu olhar arde e não tem nada de dúvida nele. – É agora que me amarra? – Ele brinca me puxando para um beijo. Meus cabelos se espalham sobre o peito desenhado.

— Não essa noite. – Digo antes de beija-lo.

O desejo se torna insuportável, é preciso pertencer a ele, é preciso me entregar ao prazer e senti-lo por completo.

Nunca penso muito, sempre fecho meus olhos e me deixo levar, mas dessa vez quero olhar para ele, quero que ele me olha e Aron tem os olhos fixos em mim, cheios de desejo, mas também... não sei o que é, talvez a ternura de velhos amigos, ou qualquer outra coisa me faz bem sentir e corresponder. Começamos de modo lento, apreciando, prolongando, brincando com nossos corpos e desejo, trocando longos beijos e então, a força do desejo nos toma, é avassalador e pede urgência, eu obedeço, ele também compreende e meu corpo e o dele explodem juntos e isso é de certo modo novidade. Leva tempo para tudo se organizar, o corpo de apaziguar e nos deitarmos lado a lado ainda ofegantes.

Meu olhar encontra o dele, um olhar feliz, plácido, sua mão me toca a pele do rosto, desce cuidadosa em direção ao meu pescoço, vai para nuca e ele me beija e esse beijo, não qualquer outro, esse que não vem como prenuncio de paixão ou luxuria, esse beijo me toma a alma por um instante que espero nunca mais se repetir, não acho que alguém consiga dizer não a algo assim.

Notas finais
Beijossssssssssssssssssssssssssss