Notas iniciais
;) divirtam-se.

Emma não gostava do papo de vingança, era uma Stuart, mas não conseguia sentir alguma sede de sangue pelos D'Crécy. Ela era nova, mas sabia da história, entre os amaldiçoados e os originais. Para ela, os franceses tinham ganho na luta justa, não trapacearam, conquistaram o território sem usar artificio ilícito.

Mas Emma precisava fazer isso, caso contrário William iria matá-la, e caso não conseguisse, iria persegui-la pela eternidade, e não era nada bom ter Will como inimigo.

Olhou pelo retrovisor. Julian D'Crécy havia chegado à fronteira da cidade cedo, pelas seis da tarde. Emma o seguiu até o aeroporto de Curitiba. Seguiu-o por todos os cantos, sorrateira. Ele conhecia os anciãos Stuart, mas não os jovens. E tinha cheiros demais misturados no ambiente, para ele captar o seu.

Quando ele se sentou nos bancos de espera, Emma sentou-se na fileira de trás. Observou quando Julian olhou no relógio, e depois no quadro de horários de vôo. Ele era um homem bonito, talvez esse também fosse um bom motivo pra Will odiá-lo, ele podia ser bonito, e aparentemente mais jovem, mas Julian D'Crécy carregava uma atitude fina e polida, e uma classe incontestáveis, o tipo que usava mais o cérebro, e menos os punhos. Mas que o faria, se houvesse necessidade.

Emma suspirou. Não seria fácil pegá-lo. Nada fácil.

Num dado momento, ele levantou-se, deixando a pequena bagagem por ali sem o temor de ser roubado.

Emma sabia que ele se dirigia ao banheiro. O estranho, era o que ele faria lá.

Descobriu quando o viu tirar uma pequena garrafa do bolso. O cheiro atingiu seu nariz e queimou sua garganta. Teve que morder os lábios pra não pular em cima dele e arrancar o recipiente com sangue de suas mãos.

Percebeu que ir ao banheiro era um cuidado a mais. Julian era do tipo precavido ao extremo, não gostava de levantar nem a mínima suspeita.

Teria que ser ali, ela não teria outra chance. Entrou, e ele virou em sua direção, parecendo levemente surpreso, mas nem um pouco assustado.

Posso lhe ajudar em algo, pequena original?

Agora ele certamente podia sentir seu cheiro de verdade.

Emma suspirou, detestava entrar em brigas que não eram dela.

Lamento, monsieur, pelo que irei fazer. É o senhor que precisará de ajuda, não eu.

Do que está falando, minha jovem? — agora ele pareceu confuso, mas ainda não parecia ter medo.

Suspirou mais uma vez, era a hora.

Ela se colocou na frente dele, mantendo o contato visual. Isso não seria fácil, e ela estava odiando cada segundo. Ainda bem que pelo menos havia um silenciador.

Antes que Julian pudesse reagir ela sacou a arma e apertou o gatilho. Certeiro.

Ele rugiu, levando as mãos ao peito, mas ainda não foi o suficiente.

O que... está fazendo? – ele lhe lançou um olhar calculista, como se avaliasse se ela era uma vampira maluca, mesmo que sua voz saísse num fio, devido a dor no peito, onde sangue escorria pela camisa branca.

Monsieur, Julian, você virá comigo, sem resistir – repetiu.

Não. Eu não irei – ele estava se levantando, e não era bom sinal.

Merda. Engatilhou e atirou mais duas vezes, num repelão.

Ele fez sons horríveis, de agonia, olhando com horror, as outras manchas surgirem em sua camisa imaculada. Um de seus joelhos cedeu e bateu no piso duro do banheiro.

Monsieur, por favor, não me faça atirar mais uma vez, eu não gosto do que estou fazendo. Apenas me acompanhe.

O que você quer? — foi sua pergunta em tom estrangulado, a respiração passando rápida por seus dentes trincados, enquanto sua outra perna cedia diante da dor das balas de prata.

Monsieur, Julian, quero que apenas pegue suas bagagens, e venha comigo, nós vamos viajar.

Ele olhou da arma para Emma, a vista estreita em função do esforço que seu corpo fazia para se manter meio reto. Com certeza estava avaliando sua chances. Então, num minuto concordou com um aceno muito enfático e solene. Mesmo em estado lamentável, ele ainda parecia muito digno.

Ótimo, vamos – fez um sinal pra ele a seguir, o qual ele obedeceu com dificuldade, fechando o paletó antes de passar pela porta.

Saíram devagar, tanto por causa do estado de Julian, quanto pela cautela de Emma. A arma foi mantida nas costelas dele o tempo todo.

No carro, Emma continuou com o planejado.

Monsieur, mande uma mensagem à sua mulher dizendo que já está dentro do avião.

Ele sacou o celular do bolso e digitou tremulamente. Estava deitado no banco de trás, sem força para tentar alguma coisa. Quando terminou, deitou a cabeça no banco, exausto.

Emma pisou mais fundo no acelerador. Queria acabar logo com aquilo.

Na volta, à caminho de Dourados novamente, cruzou a rodovia em alta velocidade, depois entrou por uma via menos movimentada. Então, comandou o carro pra dentro de uma estrada de chão e parou uns vinte minutos depois, aparentemente na frente do nada de uma área de mata intensa. Cheirou o ar, fumaça. Peter devia ter chegado a algum tempo se já tinha acendido a fogueira.

- Monsieur, D'Crécy, lamento mais uma vez – ela se virou no banco da frente, a arma em suas mão pesando em sua consciência. Ele teve um grito de surpresa quando a bala penetrou sua cabeça como um míssil em alta velocidade. Ouve um gorgolejar, seus olhos ficaram negros em todas as partes brancas e sua respiração ficou fraca e lenta. Ele estava consciente sim, mas em estado de paralisia permanente.

Ela o arrastou dentro de um caminho que nunca ia ser notado por humano comum, nem talvez a um vampiro, e fora essa a intenção de William em prender o chefe da família dos D'Crécy. Que nem sua família fosse capaz de encontrá-lo.

Pisaram na clareira onde se encontrava a cabana e Peter, na frente da porta, tão bonito e ameaçador como sempre tinha sido. Emma não deixou de pensar, que mesmo sendo alguém de temperamento colérico e perigoso, ainda se sentia atraída por ele como da primeira vez que se viram num pub fumacento no subúrbio de Ness, na Escócia.

You're latte – foi seu cumprimento, em tom desaprovador.

Ele não foi fácil de carregar, Peter, perdi um tempão, só nessa atividade – retrucou Emma, secamente – Agora faça sua parte, eu já fiz a minha. Tenho que voltar – ela largou o peso imenso de Julian no chão, com cuidado.

Deixe ele comigo – seus olhos cinzentos avaliaram Julian D'Crécy na terra e grama – Ele ainda parece muito altivo, mesmo pra um incapacitado. Vamos ver até onde vai isso quando dizimarmos com aqueles bastardos dos filhos dele.

Emma se arrepiou com o tom de voz dele. Era algo frio e malvado. Mais uma vez se perguntou como não tinha visto esse lado naquela primeira vez.

Encolheu os ombros e olhou pra Julian mais uma vez, antes de se afastar.

Te vejo mais tarde – Peter lhe deu um aceno de dispensa, e enrolou seus dedos longos nos braços de Julian – Vamos, monsieur – ordenou, com a voz carregada de ironia.

Emma observou os dois entrando na cabana, com a culpa mordendo-lhe o coração quase morto.

Voltou pra espelunca, onde estavam todos acomodados. Não havia ninguém em casa, provavelmente todos à caça de comida. Ela estava com fome também, mas podia segurar até que fosse pior que o peso que carregava no peito.

Se dirigiu até a cozinha, onde ficou sentada por horas encarando o nada. Ergueu a cabeça pro relógio da parede por volta das duas e dez da madrugada.

Maldita hora que entrei naquele pub – foi o que resmungou, antes de sair pra procurar alimento.

Notas finais
E aí? gostaram pessoal????? mais coisas bombásticas vindo por aí! aguardem!