Série - Pacto
18 Faíscas ao ar
Notas iniciais
Amelie ficara surpresa com a ligação apressada de Jefferson. Pensou que a primeira pessoa a quem ele recorreria seria Alienor, mas pelo visto ele confiava mais nela.
Pulou de cima da Suzuki de Jacques e tirou o capacete. Ele disse que estaria no campo de futebol da escola, esperando por ela.
Ela era boa em detectar emoções, e tinha certeza que havia um toque de pânico na voz dele quando ligou.
A escola estava vazia ainda, porque os cursos profissionalizantes oferecidos pela instituição à noite só começavam às oito horas.
Seus pés desceram por uma das várias saídas de portas duplas que davam para os fundos espaçosos da escola. Quando os tênis alcançaram a grama do chão ela se dirigiu pro campo de futebol ao longe, que estava às escuras com os holofotes desligados.
Mas então num baque ela parou, observando estática a cena distante, mas nítida.
Havia luz sim, clara e laranja. E estalos, enquanto as duas árvores que serviam de iluminação crepitavam com o fogo que as devorava impiedosamente. Jefferson estava na frente delas, como uma estátua vestida de uniforme esportivo.
Amelie correu, atravessando a pista que ladeava os degraus da arquibancada da esquerda, só parando ao chegar ao largo do campo verde e bem cortado atrás de uma das traves.
Jefferson ouviu o som de passos e se virou. Seu rosto era uma máscara de horror mesclada com choque.
O que aconteceu? — Amelie seguiu na direção dele com cautela, passo por passo – Por que está tão assustado desse jeito?
Ele se limitou a apontar o dedo indicador pras árvores em chamas.
Você fez isso?
Um aceno positivo,um engolir seco e olhos claros desesperados a responderam.
Por quê?
Estava chateado, acho que sua irmã não gosta mais de mim – rastros de lágrimas eram visíveis no rosto dele por causa da fuligem pela qual escorregaram.
Amelie sentiu o estômago despencar e os braços formigarem. Alienor. Desgraçada.
Estava com raiva.
Tudo bem, desde que a gente posso apagar isso antes que alguém chegue – ela se posicionou ao lado dele, vendo que ele tremia dos pés a cabeça, e não era de frio – Vamos ter de procurar uma mangueira em algum lugar por aqui...
Eu queimei as árvores, Amelie.
Eu sei, Jeffe, por isso...
Me escute! — ele exclamou fazendo-a pular de susto e dar um passo atrás – Eu queimei essas coisas e não precisei de fósforo!
Amelie piscou os olhos, aturdida, estudando o rosto transtornado dele, e não entendendo.
Como assim? Você fez como, então?
Assim! — o olhar dele se dirigiu pra outra árvore próxima, a expressão neles meio malévolas, como se ardessem de mágoa.
E o fogo ardeu alto, numa explosão de vermelho e laranja, crepitando e chispando com raiva, as fagulhas saltitando no ar, a árvore se transformando em uma bola de fogo longilínea.
- Oh, mon Dieu!!! — Amelie levou a mão a boca, apavorada e pasma.
Jefferson escolheu outra árvore, e assim que seu olhar de revolta a tocou ela queimou como as outras.
Pare! — pediu, segurando o braço dele – Temos que sair daqui, agora não dá mais pra apagar isso! Venha, chamo os bombeiros no caminho!
Ele a seguiu na corrida pra fora da escola, e só pediu uma coisa antes de selar os lábios e não falar mais:
Não conte pra ninguém. Prometa.
Não vou contar, prometo. Esse será nosso pacto.
Ele acenou e montou atrás dela.
Acelerando a moto o quanto podia Amelie trabalhava as engrenagens cerebrais furiosamente.
Apesar de ser comprovado que a magia das feiticeiras acompanhava a geração feminina de uma família, não havia como negar o que vira: magia.
A magia poderosa do fogo nas mãos do garoto que queria pra ela, que protegeria se houvesse necessidade.
Um mago Saint Germain.
Sua respiração saiu trêmula ao constatar que não sabia se isso seria bom ou ruim.
Mas ela pensaria depois nessa parte.
Tinha que ligar pros bombeiros antes que sua escola virasse cinzas, e ela gostava muito de lá pra deixar isso acontecer!
Notas finais
bjks
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