Notas iniciais
oi queridos, boa leitura!!

Júlia Vero

Depois que descobrir a tal dívida com o Emiliano Montaware não tive um tempo a sós com o Alex para pergunta-lo. Com a correria da minha formatura acabei deixando para segundo plano. Tudo está dando certo, esse é o melhor momento que poderia viver. Começo a trabalhar na empresa Vero daqui a alguns dias. Sobre o Isaac estamos só aumentando esse sentimento, hoje faz quatro dias que abrimos nossos corações um para o outro

Escolho uma roupa simples e ao mesmo tempo bonita, faço uma nota mental de como estou nervosa para conhecer a mãe do Isaac, se ela não gostar de mim ou achar que o filho merece coisa melhor? Balanço a cabeça para afastar esses pensamentos negativos. Assim que ponho a roupa desço as escadas e por um milagre o Alex está sentado na sala de estar, mas nunca larga seu notebook, deve estar trabalhando

—-Alex—o faço tirar os olhos da tela—Preciso falar com você

—-Pode falar—ele diz

—-Agora não posso, vou jantar com a família do Isaac. Será que pode me esperar? Não voltarei tarde

—-É urgente?

—-Sim

—-Se é sobre a sua contratação não precisa...

—-Não é sobre isso—o interrompo—É outra coisa. Enfim, me espere e saberá

Não espero resposta e saio em direção porta. Pego o carro e vou a caminho da casa do meu namorado, gosto de pensar que tenho um, ele me faz tão bem. Sorrio. O caminho é tranquilo nada demais e rapidamente chego. Estaciono e tento colocar o nervosismo para os ares. Respiro fundo. Toco a campainha

—-Oi, eu sou a Manoela—uma adolescente de dezesseis anos me abre a porta—Pode me chamar de Manu. Entra

—-Oi Manu—dou um abraço

—-Isaac, a Júlia chegou! —Ela grita e volta a trancar a porta

—-Meu amor—Isaac vem apressado da cozinha e me recebe com um beijo nos lábios

Sorrio

—-Mãe vem conhece a Júlia! —Ele chama e a mãe surge

—-Oi querida—ela me abraça e eu retribuo—É um prazer finalmente conhece-la. É mais linda do que o Isaac me descreveu

—-Obrigada, Sra. Turner—digo sorrindo—Gentiliza sua

—-Ora, me chame de Beatrice—ela diz e me beija o rosto

—-Certo, Beatrice—vejo a sorri mais ainda

A mãe do Isaac é uma mulher muito elegante e divertida, se daria bem com a mamãe, as duas tem esse jeito leve de se comportar. O prato da noite é lasanha, vamos contando a ela sobre o nosso relacionamento, Isaac conta sobre os maravilhosos dias que passamos nesses três meses aqui. Percebo que o tempo está passando mesmo rápido, não tinha me dado conta

No decorrer do jantar noto que o Isaac não está totalmente bem, sinto que a algo incomodando ele, algo que ele não me falou ainda. Fico preocupada, mas quem sabe depois ele me conta, somos um casal, partilhar faz parte disso

—-A cidade é muito bonita—Manu comenta—Tiramos muitas fotos

—-Acho que você e a Manu tem uma coisa em comum—Isaac comenta—As duas amam fotos

—-Verdade, Manu—concordo—Quem sabe não saímos para tirar algumas?

Ela me sorri

—-Queridos, foi um ótimo jantar, mas preciso descansar—Beatrice olha para mim—Foi muito bom te conhecer

—-Digo o mesmo da senhora. É tão especial quanto o Isaac

Ela me sorri

—-Vou aproveitar e ir também—Manu levanta junto com a mãe—Ótima desculpa para não lavar a louça

Rimos

Vou ajudando o Isaac com a mesa, enquanto eu lavo a louça ele vai limpando e enxugando. É um ótimo filho e tem muito carinho pela família, gostei muito de ter conhecido esse lado dele hoje

—-Aconteceu alguma coisa, Isaac? —Pergunto enquanto ele seca um prato—Isaac!

—-Oi...—ele me olha distraído—Desculpa, falou algo?

—-O que houve? —Falo terminando de lavar e a louça e o encarando—Estava com um semblante preocupado hoje no jantar. E agora está distraído

Ele vem e me abraça

—-Não se preocupe—ele sela nossos lábios—Alguns problemas lá na Universidade. Nada demais

—-Qualquer coisa saiba que estou aqui—digo e o abraço mais forte—Tudo que precisar. Lembrar que estou aqui

Ele me dá seu lindo sorriso e novamente me beija. Depois de terminamos de arrumar tudo para o jantar, nos despedimos e volto para casa. Ainda preciso conversar com o Alex e espero que ele não tinha ido dormi. Faço um caminho tranquilo de volta para casa. Assim que estaciono e entro em casa noto que o Alex não estar lá, vou até o seu escritório e o encontro lendo alguns papeis

—-Estou aqui—ele diz me olhando assim que entro—Como pediu

—-Ótimo—me sento de frente para ele—Alex, eu ouvi outro dia uma discussão sua com o Lúcio aqui em casa, foi sem querer, estava passando e foi inevitável não ouvir

—-Júlia, não precisa se preocupar com isso. Foi apenas coisa de irmão

—-Não foi coisa de irmão. Depois disso eu fiquei querendo saber mais sobre. Fui perguntar ao Lúcio e ele não me contou, pelo contrário me disse que estava tudo bem e que não tinha o que se preocupar

Ele ouve atentamente minhas palavras

—-Então no dia que levei o Isaac até a empresa, assim que ele foi embora fui em sua sala procurar alguma coisa que...

—-Você o que? —Ele me interrompe bravo. Ótimo, cutuquei a onça

—-Deixo eu terminar—peço—E então, não achei nada em papeis, mas vi que você recebeu um e-mail de um tal de Emiliano Montaware sobre uma divida

—-Júlia, isso não é da sua conta. Não é coisa sua. Não pode se meter

—-Alexandre, somos uma família. Você não pode guardar tudo para si!

—-Isso é diferente Júlia! —Ele grita e se levanta

—-Então me fala—uso o mesmo tom de voz e me levanto também. Quero mostrar que não sou mais criança que aqui estamos de igual para igual

Ele passa a mãos pelos cabelos irritado e eu mantenho meus olhos fixo no meu irmão

—-Por que é sobre você, Júlia—ele senta e faço o mesmo—A dívida foi feita a uns anos atrás com o papai e agora o Emiliano quer cobra-la

—-Isso eu já sei. Mas o que tem a ver comigo?

—-Foi sobre uma exportação de legumes que o papai fez com a Espanha. Mas uma paga destruiu toda a exportação, seria um intenso prejuízo, quebraria a empresa e talvez não teríamos ela hoje e ele ajudou o papai, bancou tudo com alguns investimentos e rotas alternativas. Enfim, Emiliano não cobrou a dívida todos esses anos. O recebi em minha sala e ele como pagamento queria sua mão em casamento

Ponderei cada palavra que o Alex falou, não poderia ser verdade, não assim, não podia ser. Me levanto com lagrimas nos olhos, passo a mãos pelos cabelos, tensa, com tudo que ouvi. Isso era um absurdo. O Isaac, não podia ficar sem ele

—-Júlia—Alex me chama

—-Se eu não aceitar o que acontece? —Pergunto olhando em seus olhos

—-Vamos presos—ele diz—Mamãe, Marco, Lúcio e eu

Acho que um soco doeria menos que essa conversa, as informações descem minha garganta como se fossem facas pontiagudas, fico sem ar e volto a me sentar

—-Olha, você não precisa fazer isso—ele me abraça—Eu estou vendo um jeito de resolver...

—-Alex—falo com a voz embragada pelo choro—Preciso pensar

—-Você não precisa fazer...

—-Alguém mais sabe disso?

—-Não, apenas eu e você

—-Não conte aos outros. Amanhã a gente conversa. Vou ...sei lá...dormi

Ele não me impede, me dá um beijo na testa e eu saio do escritório. Não lembrava a última vez que o Alex havia demonstrado carinho comigo. Entro no meu quarto e me deito na cama, tudo estava indo bem, estava tendo a vida que sempre quis. Por que isso tinha que acontecer logo agora? Minha família toda presa? Iria me causar tanta dor, ficar sem o Isaac me parte o coração

—-O que eu vou fazer agora?

Notas finais
o que acharam???