Série Laços Romanos -Laços do Destino
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Júlia Vero
Caminho a passos largos pelas ruas de Roma que faz um frio um tanto quanto ameno. Amo essa cidade, o clima e as pessoas que sempre estão com um sorriso largo no rosto. Olho o relógio e estou em cima da hora para o encontro com o meu orientador, não imaginei que fazer um TCC seria algo que consumiria tanto o meu juízo.
Quando chego no campus da Universidade subo as escadas apressada para a sala de encontro e vou analisando que sentirei saudades daqui onde estudei por quatro anos e meio e agora estou na reta final para pegar o meu diploma e pôr as mãos na massa iniciando o trabalho na empresa da família Vero como veterinária para administrar o cuidado com os animais
—-Demorou hoje—Nero fala sem tirar os olhos do seu computador. Sempre o achei intrigante com seu jeito velho de ser, quase me fez fazer meu TCC a mão, tivemos uma discussão leve sobre isso, porque se ele é cabeça dura eu sou mais ainda.
Apesar de ser tão irredutível ele está sendo de grande ajuda para a realização do meu trabalho, com seu inegável casaco marrom e sua careca brilhante compõe uma figura de um professor brilhantes em pesquisas e ensino
—-Problemas em casa—o que não é mentira, o problema foi do meu irmão Marco ter levado uma planta gigantesca e posto na porta do meu quarto porque chegou bêbado demais em casa para terminar de completar o caminho e deixa-la na garagem, apesar da discussão matinal que temos sempre eu o amo porque seu humor é tão cativante que me fez feliz ao invés de ficar brava
—-Achei um ponto no seu trabalho para podermos alterar—ele diz e me aponta a cadeira para que eu me sente
Passamos a reunião produtivamente rápida, fiquei por volta de uma hora e meia discutindo os pontos que precisavam de alterações e depois sai, tomei café com o Nero durante nosso encontro, esse velho rabugento deve ter mais cafeína do que glóbulos vermelhos em seu corpo. Olho o relógio e vejo que marcam meio dia, sigo voltando para casa fazendo o mesmo caminho da ida
Assim que abro a porta me deparo com a minha mãe com a sua roupa de ginástica exercitando-se em frente à televisão
—-Oi querida—me grita enquanto tenta levantar a perna igual a instrutora virtual
Sorrio com a cena
—-Sabe que pode acabar se machucando não é? —Fabiana é uma mulher muito elegante, porém leva a vida com mais espontaneidade possível, é de fato a alegria da casa
—-Como foi lá? —Ela desliga a televisão e senta no sofá—Vem cá
—-Estou quase me formando—sento-me e solto um longo suspiro
—-O que está havendo nessa cabecinha?
Minha mãe é a pessoa que mais me conhece, na verdade ela conhece todos os seus filhos como a palma da sua mão, não dá para esconder o jogo com ela
—-Nada demais—desabafo—Estou apenas preocupada com minha entrada na empresa
O papai nos deixou há 20 anos atrás, não tenho muitas lembranças com ele porque eu era bem pequena, apenas os meus irmãos que possuem lembranças mais vivas, principalmente o Alexandre que é o mais velho, se ele não fosse tão frio e tão recluso poderíamos conversar mais sobre como meu pai era, mas hoje ele carrega a diretoria da empresa que um dia foi do papai, creio que ele se priva de muita coisa com esse peso
—-Minha querida, você é tão brilhante tanto quanto os seus irmãos, eles fazem um ótimo trabalho tocando a maior empresa agrícola de Roma, Petrônio se orgulharia de todos os méritos e avanços dos meninos. E com você não será diferente, tenho certeza que irá trazer muito orgulho para essa família, mais do que você já trás. E se falhar, que eu acho bem difícil, não precisa temer estaremos de braços abertos para você
Fabiana sempre sabe o que dizer é uma mulher muito sábia e tenho orgulho de ser sua filha, nunca hesito em correr para o seu colo de mãe
—-Obrigada, mãe—ela me abraça
—-Amo você
—-Também te amo
Somos interrompidas pelo barulho da porta que revela a entrada do Marco, o segundo mais velho homem da casa
—-Momento fofo entre mãe e filha? Devo voltar mais tarde? —Ele diz entrando na sala trazendo outra planta
—-Deve cuidar dos matos que você enche a nossa casa—mamãe esbraveja
—-Calma, Dona Fabiana—ele a beija na bochecha—Já tirei a do quarto da Júlia
—-Achei um grande incomodo—falo me levantando e passando por ele—Dá próxima vez ateio fogo
—-Olha a sua filha, mãe—ele se queixa e mamãe dá de ombros revirando os olhos
—-Onde estão os seus irmãos?
—-O Alexandre não vem comer em casa hoje porque tem vários relatórios idiotas que sempre tem para fazer e o Lúcio deve estar chegando
—-Avisa ao Lúcio que quero falar com ele—peço. Preciso desabafar com ele também, me senti bem melhor falando com a mamãe mas preciso ouvir a opinião do meu irmão, ele é o mais equilibrado dessa família, sempre centrado e com os melhores sorrisos acolhedores que alguém poderia ter
—-Eu só queria netos correndo pelo meu jardim mas meus filhos estão ocupados demais naquela empresa—Fabiana reclama se jogando no sofá com seu ar dramático de sempre—Um deles só me traz plantas
—-Não espere de mim netos—Marco diz rindo e recebe um olhar feio da mamãe
Subo para o meu quarto para organizar umas pastas que ficaram dispersas antes que eu fosse me encontrar com o Nero. Sempre fui meio retraída por viver cercada por quatro irmãos que estão mais para uns trogloditas protetoras o único que me aliviava era o Lúcio, sempre o que mais me entendia
—-Atrapalho? —Sou desperta dos meus pensamentos com Lúcio abrindo a porta do meu quarto
—-Claro que não—me sento na cama—Entra
—-O Marco disse que você estava pensando em virar hippie e abandonar a faculdade e queria minha opinião—ele diz sentando na minha cama me olhando bem sério
Só consigo cair na risada, se tem uma coisa que o Marco não tem essa coisa é limite
—-Não sei como você ainda leva a sério as baboseiras que o Marco fala—digo cessando meu riso e vendo o semblante do Lúcio suavizar-se—Não, não estou pensando em virar hippie, apenas preocupada com a minha entrada na empresa
—-Primeiramente ainda bem—ele suspirar me arrancando uma risada—Em segundo lugar, não se preocupe com isso, somos sua família vamos te apoiar sempre e sabemos o quanto você é capaz. Relaxe, irmãzinha
—-Prometo dar o meu melhor—ele me abraça. O Lúcio é o advogado da empresa, leva tudo muito a sério e é bem comprometido com tudo, mas não troca seus momentos com a família pelo trabalho como o Alexandre faz e também não é brincalhão como o Marco. Engraçado, Marco foi o único que se apaixonou pelas terras, é quem cuida da engenharia do plantio, ele é furacão mas quando está trabalhando é calmaria, o admiro muito pela sua paixão no trabalho e quero ser como ele
Desço para o jantar e me divirto com as conversas da minha família, a mamãe sempre exigindo seus netos, isso acho que só o Lúcio pode realizar para a mamãe porque é o único que sonha em construir família, o Marco a perturbando e o Lúcio mediando tudo, e eu sempre rindo disso tudo. Depois que termina subo para o meu quarto e resolvo dormi, o dia foi puxado e me sinto exausta
Porém, não tenho êxito para o sono e resolvo descer para tomar um copo com agua na cozinha e encontro o Alexandre comendo uma quentinha em cima do balcão
—-Boa noite irmão—o cumprimento enquanto abro a geladeira
—-O que está fazendo acordada a essa hora?
—-O sono não chegou
—-Anda preocupada?
—-Talvez—bebo o copo com agua que botei
—-Estou ansioso para que você comece a trabalhar conosco. O rapaz que cuida dos animais não é lá essas coisas—ele diz e me deixa cozinha com o coração confortável, ele sabe que eu estava preocupada por conta da empresa e esse é o seu jeito de me dizer que vai ficar tudo bem, o jeito retraído e frio de Alexandre Vero
Deixo o copo na pia subo de volta para o meu quarto, me deito de cama e logo adormeço
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