Série Elementares - Escolhas (LivroUm)

3 Califórnia, 02 de janeiro, 2011, Domingo.


Os amigos de Lucy tinham saído de manhã cedo, a maioria estaria ocupada demais e certamente perderiam o compromisso inadiável ou o primeiro dia de trabalho do ano. Quem conseguisse chegar em casa para cumprir responsabilidades estaria com uma cara amassada e uma enxaqueca terrível. Era impressionante a quantidade de cerveja que eles ingeriram ontem. As pessoas se empolgam em inícios e finais de ano, era um rito de passagem, e Lucy sabia dar uma boa festa, agora estávamos recolhendo as latinhas e as garrafas espalhadas em todo canto imaginável. Eu nem queria ver o banheiro. Clarisse – uma das convidadas – que não aguentava beber havia vomitado tudo, parte da sujeira havia sido limpa pelo seu vestido, já que ela deitara sobre os ácidos estomacais.

Eu estava me empenhando na limpeza tentando não pensar em Chris e em como eu estava me sentindo culpada por ter dado esperanças á ele na noite anterior, quando ficamos foi como se o tempo não tivesse passado, como se o último mês nem tivesse existido, dançamos ao som da música de algum apartamento que dava pra ser ouvida lá em cima e ríamos como crianças. Eu me senti tão bem que cogitei voltar mesmo com ele. Esquecer que eu podia machucá-lo, esquecer que eu não era humana e tudo o mais. Quando eu estava com ele eu era como ele, não precisava me preocupar com a outra parte de mim que eu não podia apagar ou controlar. Chris não podia saber da existência daquele lado, nem suspeitava, naquela manhã ele enviara uma mensagem de texto pra mim: “Pedido ás estrelas podem dar certo, principalmente quando o universo conspira ao nosso favor. Mas, com estrela ou sem estrelas eu não desistiria de você tão fácil, porque seria impossível navegar sem um farol, da mesma maneira que um pássaro não voa sem asas”. Acho que ele não reagiria bem sabendo que suas asas seriam deformadas se me escolhesse.

Lucy estava péssima, mas, não tão ruim quanto a maior parte dos convidados, ela engatinhava com um saco de lixo na mão enluvada pegando pra jogar fora tudo o que não parecia lixo nocivo. Eu agora estava limpando a porta que havia sido respingada com o que eu esperava que fosse só cerveja quando alguém deu três firmes batidas na porta. Estranho ninguém ter tocado o interfone antes, olhei pelo olho mágico, mas, não havia ninguém, entreabri a porta, mas, só havia um envelope no chão, tirei a corrente de proteção e peguei o envelope.

Estava endereçado pra mim: Alyssa Sinclair.

Veio da Inglaterra. Abri o envelope, as palavras piscaram pra mim: Internato Weverston, antes que eu pudesse ler ou me recuperar do aperto no coração o telefone tocou, olhei no corredor, mas, não havia sinal de ninguém.

– Lyss atenda a porta, tem algo apitando. – Lucy falou com voz arrastada

– É o telefone. – informei tratando de procurar o aparelho, segui o som e o encontrei debaixo das almofadas. Atendi.

– Alyssa Sinclair? – uma voz masculina perguntou

– Sim, quem fala?

Deu pra perceber que o homem sorria ao responder:

– Estou ligando do Instituto Weverston, você acabou de receber nosso encarte. Avisamos a alguns anos que entraríamos em contato logo, pois bem, é por isso que estamos te contatando. Chegou a hora, Alyssa.

Fechei os olhos contendo um gemido. Eu não sabia que esse dia chegaria tão rápido.